segunda-feira, 27 de abril de 2015

A tragédia destes animais


O Nepal foi abalado ontem com um terramoto de 7,9 na escala de Richter, que até ao momento resultou em 3000 mortos já contabilizados, além dos danos materiais que à medida de dimensão de um país pobre como o Nepal só fazem prever mais dor e mais sofrimento. Enquanto as pessoas normais lamentavam as vítimas e iniciavam a recolha de donativos, os defensores dos Direitos dos Animais representavam a sua própria tragédia, e chamar-lhes de "humana" e estar a compará-los com os animais racionais. Estes nem a quadrúpedes chegam. Nem a rastejantes. Quem é que se vai lembrar de uma merda destas num momento destes? Búfalos sacrificados durante um festival hindu? Ah mas antes de passarmos a esse raciocínio honesto como a cona da mãe deles, vamos ver se alguém se lembrou de recordar que esta não era a hora para esta palhaçada.


E antes de começar, apresentemos desde já a vencedora: Mayte Suellen Lara Pestana, 23 anos, de S. Paulo, licenciada em medicina pela Faculdade Metropolitana Unida da sua cidade e empregada na Fiat, sonhava ser modelo e tem um hamster de estimação. E porque é que faço esta descrição completa da criatura? Para comprovar que cada vez que alguém escreve coisas deste calibre numa rede social, mesmo não estando completamente identificada, é fácil nos tempos que correm descobrir o resto. Para bem dela espero que não encontre muitos como eu que tenham esta mesma ideia quando lhe quiserem dar um emprego. Era o que eu fazia, e acham que estava a ser injusto, não querer colaborar com alguém que critica os media por lamentarem os mortos no terramoto, e partindo de uma obscenidade vai por ali fora achar "que foi pouco" e que espera que o número de pessoas mortas ultrapasse o número de búfalos? Mas a Marcella Príncipe concorda, estreando aqui uma nova modalidade de ironia: pessoas que se deliciam com a morte de inocentes a chamar "gente sem coração" a esses mesmos inocentes. Ah...bem, segue-se mais moral parva, e remata-se com mais um desejo que trará paz, amor e alegria para o mundo: que aconteça o mesmo na China. Sugestão de Lorah Rodrigues, que hesita por temer que lhe chamem "xenofóbica". Ora essa, a gente lá vai chamar a você, benzinho? Tudo tem uma explicação meu amor:


Aí está, foi ontem à marcha da defesa animal, e ainda a boceta arranhada da chuchada do cachorro. Para esta gente o conceito de "justiça", mesmo a de talião, passa sempre por querer pior para o agressor - e aqui nem se aplica esta regra, pois não é claro que as pessoas que morreram ontem no Nepal sejam as mesmas que mataram os búfalos. Mas a Mayte, que ao contrário dos assassinos de búfalos está perfeitamente identificada para que as famílias das vítimas do terramoto lhe façam macumba espera que quando um terramoto vier à China...eu nem consigo completar. Deve ser o que se aprende na Faculdade Metropolitana Unida de S. Paulo.


Aêêê Elton Paiva! Terremoto neles! Oba! Na na na na na na na na na ... Terramoto! Na na na na No Nepal! Bem, depois do momento musical, eis a habitual guerra das religiões, o costume, e desde "religião do demónio" a simplesmente "demónios" ou "monstros malditos", fala-se da "resposta de Deus" e de uma "lei do retorno", e lá está esta gente a falar do que não sabe, e quando não deve. Ali pelo meio está uma tal Fernanda Carriça Paschoal com um comentário enigmático que eu prefiro nem tentar interpretar, pois cheira-me que vem aí mais mortos. Adiante.


Primeiro acho que devia agradecer à Fabiana Arsand por não ter completado a frase - nem quero imaginar o que ia dali sair. Por seu lado a Mairessa Mello e a Ana Marina Lia (e devia ler mais) são pessoas com uma coerência e uma firmeza de princípios espantosas. Com que então eles são "doentes". Bem, agora já não são, até porque aquilo "não é religião, é fanatismo". Aqui a turminha dos direitos dos animais não compõe uma religião, mas anda lá perto. E estas comparações todas entre religiões e sacrifícios de animais com Satanás à mistura faz-me lembrar uma coisa 


Então e a "religião do demónio" não vos serve, meus amigos? E nem vale a pena acusar-me de estar a ser desonesto, porque isso seria chover no molhado, até porque depois...


Aí está a Valena Nunes Macedo salvando o dia. Ou mais ou menos isso. A jovem chega ali no meio de uma condenação à religião hindu e ao povo nepalês para os recordar que o que estão a fazer é errado. A conclusão é um bocado ambígua, mas é assim mesmo: o Nepal não é o Brasil, e toda a gente sabe que são duas civilizações distintas, e se quiserem a do Nepal é mais atrasada, e quanto mais atrasada for, menos desculpa têm os brasileiros para se comportarem deste jeito.


Mas não são todos os brasileiros, claro, e há uns piores que outros, com toda a certeza. E do piorio mesmo é esta gentinha que se lembra de um festival hindu realizado em Novembro, e que ainda por cima é atendido por uma maioria de indianos, para explicar um fenómeno natural, e ainda por cima atribui-lo à providência divina. Fosse mesmo assim e era melhor que todos os países verificassem a sua contabilidade, e não seria apenas no que toca ao tratamento das outras espécies - só para não deixar de fora ninguém. E depois eu é que estou sempre em cima deles, é? E o que devia eu fazer, ir atrás de animais para me vingar da morte das pessoas? Claro que não; isso é o que eu faria se pensasse com estas cabecinhas.


That's not Lagavulin



Não gosto de whisky, e é uma daquelas bebidas que já me deixaram marcas. Digamos que aquele clássico celebrizado pelos Clancy Brothers, "Whisky You're the Devil" tem uma razão de ser. Mas gosto de anúncios bem feitos, gosto da Escócia, e quanto mais profunda é a Escócia, mais gosto. Aqui vamos até Islay, no meridiano das Hébridas, onde vivem 3000 bêbados. E quanto ao resto das pessoas. Desculpem 3000 pessoas bêbadas. Existem ali oito destilarias, e uma delas a Lagavulin. E como se sabe se um whisky é mesmo Lagavulin? Vejam e aprendam.

domingo, 26 de abril de 2015

Kasica & The Kasikettes (Rated R)

 
 




Nalgas!



Portugal está numa crise tal que até os insólitos são importados. E com selo de garantia, neste caso. Um inglês foi encontrado na sexta-feira ao meio-dia amarrado a um poste no cruzamento da célebre Rua dos Bares da Oura, em Albufeira, local frequentado por muitos dos seus compatriotas. Este inglês amarrado a um poste tinha uma particularidade especial. Muitas, mas uma especial: tinha uma garrafa enfiada no ânus. Em português/português: meteram-lhe uma garrafa pelo cu acima. O que aconteceu foi que tinha estado a beber cerveja nessa manhã (!) com mais dez amigos, quando estes resolveram tirar-lhe a roupa e amarrá-lo ao poste com fita-cola e cordel, "baptizaram-no" com água, cerveja e farinha, e depois taparam-lhe o orifício com uma garrafa, não fosse ele constipar-se com as correntes de ar. Isto perante a passividade de dezenas de transeuntes que passavam por ali àquela hora do dia, e alguns até aproveitaram para tirar uma fotografia daquele cenário turístico "very typical". Quando a GNR chegou para soltar o homem este contou o que se tinha passado, e quando a guarda perguntou se queria apresentar queixa, respondeu que "não", pois era a sua despedida de solteiro, e precisava de se juntar novamente aos amigos. Posto isto vestiu-se e pôs-se a andar, quem sabe com a esperança de levar desta vez com um garrafão. Então os senhores guardas em Albufeira ainda não se acostumaram com as tradições das Terras de Sua Majestade???


Corta! (Livra!)


E fico espantado com a quantidade de gente que, se calhar, riram-se à brava quando ele era criticado por causa de "Amores de Perdição" e afins e agora vertem lágrimas de crocodilo porque o gajo se foi. Foi como eu irei e todos nós iremos. Mas fica bem vertê-las. Faz parte do ser português, do politicamente correcto, da patetice generalizada, da procura vã de heróis que legitimem um povo há séculos em crise. Um povo que se orgulha de ver as suas cidades citadas nos guias turísticos internacionais e não percebe que isso apenas vai contribuir para adensar a sua própria crise. Porque só vende turismo quem não tem mais nada para vender.

E assim ficamos tristes porque perdemos mais um recorde do Guiness.

Além de tudo isto este unanimismo mediático e social enerva-me.

E depois deixa este filme para depois da morte como um supremo gozo para com os demais, um desejo soberbo de eternidade, se calhar na vã esperança que alguém monte uma igreja em seu nome. Puta que pariu!


Agora devem estar a perguntar vocês: mas que m*rda é esta? Eu sei, eu sei, este é um encadeamento de ideias que nem parece deste mundo, e foi provavelmente recolhido durante a noite de S. João entre alguns residentes da freguesia de Massarelos, Porto, e passava já das duas da madrugada, certo? E se eu vos disser que esta delirante supuração é da autoria de uma, mas apenas uma pessoa? E se vos disser ainda que essa pessoa é de Macau?  Isso mesmo, e agora passo a explicar a razão estar neste momento com as mandíbulas moídas de tanto rir! Esta é de-mais! E depois não digam que eu sou "mauzinho", que é por vossa culpa que "génios" deste calibre aparecem, depois de tantas festinhas pela frente e "cortes de casaca" só por trás. Depois vão por aí fora, dizem o que lhes vai na real gana, e no fim é isto, e chamam-me "contundente". Aqui conto mais que um dente: conto uma dentadura completa de disparates.

Este indivíduo, que nem sequer conheço e que tem a mania que é artista de qualquer coisa bloqueou-me da sua conta de Facebook, e agora até dá para perceber porquê. Assim sendo, recebi um "print-screen" de um leitor, que mo enviou por e-mail, e primeiro queria aproveitar para pedir desculpa ao leitor em questão, mas demorei mais de uma semana a abrir a sua mensagem pois não reconheci o endereço e vinha sem título, pelo que pensei tratar-se de "spam". Já agora quem quiser mandar alguma coisa que acha que me pode interessar, pode fazê-lo por mensagem no próprio FB, que fica mais fácil de receber e de certeza que não me passa despercebido. Voltando assunto, este tipo é o mesmo que aqui há uns anos, ainda acabado de chegar ao território, afirmou numa entrevista que em Macau "há falta de massa crítica" - esqueceu-se foi de acrescentar "...ainda bem". Sim, porque se ao produzir pérolas destas a intenção é fundar a maior escola de escárnio e maldizer da Ásia, está no bom caminho, mas se for a pensar que não leva troco ao deixar no éter da rede global este esterco fumegante cheio de moscas azuis à volta, engana-se. Olha aqui a massa crítica.

Vejamos, afinal de quem ou do quê está o tipo a falar? Da morte de Manoel de Oliveira, pasme-se. Sim, o "gajo" referido lá em cima e que no fim manda "para a p*ta que pariu" é o realizador português falecido no início deste mês, aos 106 anos. Esqueçamos o grosseiro desrespeito à super-centenária mãe do senhor, que além de ser desonestidade da minha parte pegar nesse detalhe, nem era sequer necessário, com tanto que há ali para se pegar, quase da primeira à última linha. Mas antes gostaria que fizessem um pequeno exercício de memória, e recuassem até ao início do mês, ao dia da morte do realizador: viram alguém "chorar"? Mas quem chorou? E que conversa de "herói" é esta? As pessoas nutriam simpatia pelo senhor mais pela sua longevidade e pela sobriedade que demonstrou até ao fim da sua vida, e ninguém afirmou que se tinha perdido uma grande promessa, ou um monstro da sétima arte. Foi mais uma curiosidade, e até a imprensa estrangeira fez referência ao óbito começando exactamente por destacar a idade avançada do senhor, e não se fez sequer um apanhado da sua cinematografia, que ele considera "má", e faz questão de frisar que "vai manter essa opinião". Mas....mas...alguém lhe perguntou alguma coisa???

Claro que tem todo o direito de se expressar, com certeza, dona Teresa, por quem é, Dom Barnabé, mas como é que se explica aquela diatribe contra  o pobre Manoel de Oliveira, que depois é pintado como Salvador de uma Pátria à procura de heróis, e ainda vale uma incursão pelo turismo (!), com lições de moral descabidas e falando em nome "do povo"? Mas está tudo maluco, ou é só ele? E qual recorde do Guiness, que Diabo?!?! Se está a falar do Guiness Book of World Records, não existe nenhum recorde para realizador de cinema mais velho, e ainda que exista, certamente que o Manoel de Oliveira não "perdeu". Mas esperem lá, se calhar foi "dos nervos", provocados por todo este "unanimismo mediático e social".



Parem já de expressar pela escrita o conjunto de sentimentos e impressões de vastos grupos humanos, faz favor! Olhem que estão a deixar o homem nervoso! Aquela do "mediático e social" também tem muito que se lhe diga, mas acho que ficava aqui o dia todo a esmiuçar cada sílaba e cada letra, de tão ridículo que é o todo deste texto. Fiquemos pelo último "pensamento" (!), que é uma espécie de orgasmo do patético, ou o "supremo gozo", como ele diz, quando nos tenta alertar para quão velhaco foi o Manoel de Oliveira, a morrer, ali, aos 106 anos, só para...se eternizar? Igrejas? Mas há algum culto ao realizador? Um "Manoel Oliveirismo" de que só ele ouviu falar - ou alucinou, que é o mais provável.

Sinceramente, é por isso que nem dei importância ao último disparate em forma de insulto ao pobre homem, que foi morrer sem avisar ali o "Sideshow Bob", que ainda por cima, e agora reparem na ironia, só que ao contrário e coberta de vómito, diz-se também ele "realizador". Epá nem me atrevo a acrescentar do quê, e escrever "realizador" já é o que é. Reparem como lá em cima fala de um tal "Amores de Perdição", que traduzido do mongolóide deve ser o filme "Amor de Perdição", com que Manoel de Oliveira deu início em 1979 à tetralogia dos amores frustrados. É melhor alguém lhe explicar que "tetralogia" quer dizer "quatro obras", neste caso filmes, pois para ele o realizador fez "meia centena de filmes", quando o seu registo é apenas de 32 longas-metragens. Pode ser que para ele seja "a mesma coisa", mas até eu pensava que a filmografia de Oliveira se resumia a vinte e poucos filmes, e não me auto-intitulo "realizador". Para quem não gosta do homem, atribuir-lhe mais filmes do que os que constam do seu currículo é de admirar. A não ser que conte também com os documentários e curtas-metragens, e aí entendo porquê, pois se já sabem de quem se trata, basta escrever o seu nome no campo de busca do Internet Movie Database e vão ver que ele nem sequer deu ainda início à "tretalogia" do realizador frustrado, quanto mais.

Mais à frente ainda volta a manifestar o repúdio pelo "unanimismo", desta feita o "momentâneo unanimismo bacoco" em torno da morte de Manoel de Oliveira, e que só ele viu. Se por acaso queria dizer "unanimidade", gostava já agora de recordar o ecletismo deste senhor aquando do atentado ao jornal satírico francês "Charlie Hebdo", escrutinando as capas da imprensa nacional e estrangeira, criticando as que não davam destaque ao acontecimento. Mas alguém faz o favor de chocalhar este tipo? É que acho que anda ali um fio a fazer mau contacto. Ou vários. Corta!


sábado, 25 de abril de 2015

Rotos & Velhos


Foi mais uma vez um prazer ler a entrevista de Augusto Nogueira ao Hoje Macau da última segunda-feira, onde o presidente da Associação de Reabilitação dos Toxicodependentes de Macau (ARTM) Augusto Nogueira faz mais um balanço do que tem sido a sua luta em prol do reencaminhamento das almas perdidas no labirinto da droga. Gente boa, homem do sul, um dos Cavaleiros de Santo António das bandas de Loures, arredores de Lisboa, onde desde cedo se aprende a observar de perto este problema nos seus mais variados tons, Augusto Nogueira é a maior autoridade do território nesta matéria - de longe, e sem rival. Dito isto, é também o homem certo no lugar certo, no centro da acção, na vertente prática da luta contra o flagelo e na recuperação do homem para a sociedade. Do homem, nunca do toxicodependente, e há que evitar essa despersonificação que tantas vezes se faz, que um toxicodependente deixou de ser pessoa para passar a ser lixo, um verme, um escravo do vício que dele tomou conta e deitou fora o indivíduo que estava ao comando no "cockpit". Como já disse aqui muitas vezes, ninguém está imune a este problema; toda a gente tem boquinha para fumar, narizinho para cheirar e bracinhos para picar. E mesmo quem não tem bracinhos pica noutro sítio, e para ilustrar estas duas ideias, Augusto Nogueira deu até o exemplo de um toxicodependente que perdeu uma perna, arranjou uma prótese e fez-se à vida.

Do outro lado desta luta está um parceiro que atrapalha mais do que ajuda, mas nem é por culpa própria. Se os toxicodependentes se perdem na droga, estes perdem-se na política, a única droga consumida por via verbal e auditiva, conhecida por dar cabo da paciência. Os departamentos governamentais estão a braços com um malabarismo complicado: precisam por um lado de mostrar que estão a pegar no problema de frente, prender os traficantes e os consumidores, dando a entender que levam o combate à droga muito a sério, tranquilizando as velhinhas que levam as netinhas ao jardim e temem que elas se piquem numa seringa ali deixada por um carocho qualquer, e por outro lado têm que cumprir com o seu papel social e impedir que a malta ande por aí toda a cair aos bocados e a transmitir doenças uns aos outros. Agora preparem-se para isto que vou dizer, que vos pode vir a chocar: há doenças transmitidas pelo consumo de drogas através da partilha de seringas, por exemplo, que depois podem ser transmitidas a pessoas que NÃO consomem drogas através da via sexual. Portanto se a sua Patrícia Raquel é muito boazinha, não falha um Domingo de catequese desde os 4 anos, e é tantas vezes nº 1 da sua turma que já criaram uma taça para o nº 2, de um dia para o outro pode aparecer em casa com hepatite C, porque um dia quis provar do pecado original e andou enrolada com o Zé Chunga, que tem um jeito especial para as betinhas. Portanto, não, tirando a própria dependência, não existem "doenças de drogados". Não, a lepra não é, porque já existia antes da heroína. Pois.

A solução proposta (e aplicada) para combater o aumento do consumo tem sido o aumento das penas. Aumentaram-se as penas, continuou ao aumentar o consumo, e neste caso não se pode falar em "harmonia" ou "balanço" entre os dois valores, pois o ideal seria que aumentando o factor inibitivo que é a pena, diminuísse o tráfico, mas pelos vistos vale a pena arriscar. Portanto aumenta-se o consumo, quer dizer que se vende mais, portanto que solução? Aumentar as penas, claro. É essa a decisão mais politicamente correcta, pois educar a população sobre o que é o flagelo da droga e como funciona é complicado, pois antes veio quem tivesse metido na cabeça das pessoas que "todas as drogas são iguais", que "não existem drogas leves", e que eventualmente o consumo de substâncias como a cannabis "leva ao consumo de outras substâncias mais fortes", e depois mostram números e até apontam exemplos concretos. É lógico que ninguém vai interromper esta cadeia de pensamento dizendo algo como "não senhor, eu consumo cannabis há mais de dez anos e nunca me apeteceu outra coisa!" - pensem bem, alguém diria uma coisa destas? Essa lógica de que quem hoje fuma um pintor é um criminoso porque amanhã vai andar por aí a assaltar avós para alimentar o vício do "crack" é a mesma coisa que dizer que hoje alguém que estacionou mal o carro vai andar a toda a velocidade em contra-mão na auto-estrada. Não é nada a mesma coisa e isto é um disparate? Olhem que não, e até podia dar um exemplo mais excêntrico que este, já que estamos no âmbito da futurologia.

Augusto Nogueira fala do problema que representa um jovem que é apanhado a consumir vir eventualmente a cumprir uma pena de prisão, e de facto esse é outra ideia feita muito comum, de que os consumidores o toda a gente envolvida em qualquer coisa relacionada com droga trata isso da prisão como se fosse uma colónia de férias, e ainda se queixam do "encargo" que isso representa para eles - como se viesse alguém pedir-lhes directamente uma quantia exacto para a manutenção das prisões. E de facto é assim: meter na prisão um jovem que trabalha, que em alguns casos tem educação, carreira, namorada, cão, casa, tudo só porque foi apanhado com umas merdas para avariar a mona e ficar...sei lá, em contacto com os espíritos? Ser xamanista por um instante? Isso vai ser pior do que os efeitos da própria droga, pois como o Augusto disse e muito bem, vão presos, aprendem truques lá dentro, e agora permitam-me acrescentar, se a reintegração for complicada, vão começar a aplicar o que aprenderam e aí tornam-se realmente "criminosos" na acepção do termo. E é realmente complicada, a integração, pois não vai estar ali uma banda musical a dar as boas vindas aos rapazes quando saem da cadeia. A propósito, será que não lhes podiam dar uma boleia de volta a Macau ou onde quiserem depois de cumprirem a pena, em vez de os deixarem no meio de Coloane? Na ida deram, não foi?

Isto vai completamente contra a ideia de "prevenção", e nem é preciso voltar a repetir que não há uma razão ou razões específicas para que alguém se meta na droga, e há exemplos desde o mais pobrezinho ao menino-bem. É um jogo do empurra que só tem graça enquanto não acontece com um familiar seu, que "não merecia", por ser "tão bom rapaz". Ora bons rapazes todos somos, sabemos dizer "obrigado" e "faz favor", e pedimos licença para passar, mas depois na hora de pagar é que são elas, e por uma questão de "face" engolem o desaforo. Não disseram que a droga era muito má e ponto final? E por falar em pagar, não será por culpa de um jovem que gasta 500 ou 1000 patacas numa semana a comprar estupefacientes que este negócio gera milhares de milhões de dólares por ano. Dizer que estão a "contribuir" é um bocado exagerado - só se for para a gorjeta do valete que estaciona os Rolls-Royce dos empresários, políticos e outra "beautiful people" que mais lucra com a miséria alheia. Para tudo o que não é prisão e quem quer mesmo dar uma outra oportunidade à vida, há a ARTM e o "nosso" Augusto Nogueira. Bem hajam.


No programa Contraponto do último Domingo (ando mesmo com os ponteiros atrasados) falou-se novamente da questão dos lares para a terceira idade que o Governo da RAEM vai construir na Ilha da Montanha, uma ideia que vinha sendo ponderada há já algum tempo, e que agora se confirma, e que pouca gente considera "gloriosa", mas a maioria olha para ela como uma inevitabilidade. Entre os comentadores era o dr. Frederico Rato o mais resistente, considerando que os idosos podiam continuar em Macau - não sei bem se é assim, mas pelo menos tem-se colocado numa posição menos dramática quanto a essa questão da falta de espaço em Macau. Outro aspecto que tem sido debatido amiúde é o da jurisdição, uma vez que na Ilha da Montanha vai vigorar a lei chinesa e isto levanta a questão do conflito entre o que pode ser legal no segundo sistema mas não do outro lado das Portas do Cerco. Carlos Morais José deu um exemplo usando ele próprio: "e se for eventualmente parar num desses lares e for assinante do Charlie Hebdo?". Sim, acho que aqui ouvi bem, foi mesmo assim. O CMJ, meu mentor, mestre e guru, que tanto admiro, tem por vezes estas saídas de pista que acabam no Grande Prémio da semana seguinte, e é com incandescente reverência que digo isto - por zelo, não por troça. É assim: se for assinante do "Charlie Hebdo", publicação humorística francesa que desconheço se está ou não banida no continente chinês, não estará certamente num desses lares. Vamos lá então ver isso.


Remeto para este artigo do dia 8 de Fevereiro que fiz a propósito da visita um desses lares da terceira idade, este em Coloane, e que apesar de não ser novinho em folha, como serão os da Ilha da Montanha, não é assim tão antigo, terá uns dez anos e é também um dos mais caros: é o controverso lar construído no Helene Garden, que na altura gerou devido à resistência dos moradores para que fosse ali construído o lar. Porquê? Sobretudo porque os residentes destes lares saem de lá na posição horizontal, ou pelo menos mais horizontal de quando entraram. Este tinha bastantes condições comparados com aqueles que chegamos a ver nos noticiários inseridos em relatos de tragédias humanas. Os da Ilha da Montanha serão ainda melhores? Certamente que sim, mas serão na Ilha da Montanha, e não na Florida. Normalmente as pessoas que para aqui vão não têm autonomia para fazer o almoço ou ir à casa-de-banho sozinhas, quanto mais o discernimento para ler o "Charlie Hebdo". Se tivessem ficavam antes em casa, e garanto que sairia muito mais barato do que um internamento naquele sítio. Não é preciso encarar isto como um drama, ou uma antecâmara da morte. Chamemos-lhe antes um "encore" da vida, isso. E os velhinhos que lá estão sabem muito bem que não vão dali casar outra vez e começar uma nova vida. É uma questão de nos acostumar-mos é ideia, também. Se lá chegarmos, lá está.

Causa, factos e paixão


A causa: Um cidadão português encontra-se detido em Timor-Leste há mais de cinco meses em condições desumanas, e sem acusação formal. O individuo em questão foi detido quando tentava sair do país com a esposa e os dois filhos com destino a Macau, onde o casal se conheceu e residiu até ir viver para Díli. A esposa foi igualmente detida e mais tarde libertada, encontrando-se actualmente em prisão domiciliaria e impedida de sair da capital timorense, enquanto os filhos se encontram a viver em Portugal com os avós paternos. O cidadão português encontra-se detido numa prisão "sem condições mínimas", onde partilha a cela com presos de delito comum e dorme no chão há cinco meses. Tudo o que sabe das razões da sua detenção é que é suspeito do crime de branqueamento de capitais, mas diz-se inocente, tese reiterada por amigos e conhecidos, todos de fora de Timor-Leste. Circula desde Janeiro nas redes sociais uma petição dirigida a diversas autoridades de Timor-Leste apelando (exigindo?) a libertação do cidadão português, e o caso tem sido divulgado nos média em Portugal no sentido de sensibilizar (pressionar?) essas mesmas autoridades.

Os factos: Em meados do mês passado (Março) o cidadão português detido em Timor foi visitado pelo secretário de estado das comunidades, José Cesário, que garantiu ainda que o seu caso tem sido acompanhado de perto pela missão diplomática portuguesa em Díli, que garantiu ainda que tem contactado quer o cidadão detido, quer a esposa, mantendo-se a par da situação de ambos. O português encontra-se na prisão de Becora, que ainda segundo declarações de José Cesário, "é a melhor prisão de Timor-Leste", ainda que, e segundo o mesmo, "esteja muito aquém das prisões portuguesas em termos de condições". José Cesário concluiu dizendo que a diplomacia vem seguindo o caso, mas com o cuidado de não interferir com as investigações, arriscando-se assim a cometer uma ingerência que Portugal nunca iria tolerar da parte de uma potência estrangeira. Do pouco que se sabe é que o cidadão português em causa é suspeito do desvio de 3,5 milhões de dólares e de participar numa rede internacional de branqueamento de capitais. O cabecilha dessa rede, um cidadão nigeriano, encontra-se actualmente detido nos Estados Unidos, e tem havido troca de informações entre as autoridades norte-americanas e timorenses, e a natureza complexa da investigação estará na base da demora e do secretismo da mesma, como aliás salientou José Cesário.

Conclusão: abstive-me de comentar este caso antes, e se o faço agora é apenas por motivos de "showcase". Não conheço o indivíduo, nem o conhecia quando passou pelo território, e fiquei a saber da sua existência ao mesmo tempo que soube do caso através do Ponto Final há alguns meses, numa pequena reportagem do jornalista João Paulo Meneses, que não adiantava mais sobre as razões da detenção. Uma coisa no entanto posso deduzir de imediato: o cidadão em causa tem queda para as más companhias - somos dois entre muitos. A petição que referi na primeira parte do artigo está aqui, se quiserem assinar, e não me levem a mal, mas eu não acredito petições e muito menos pela via electrónica, e não creio que se vá qualquer pressão sobre alguém assinando com "ilana, Portugal", como vi lá há pouco, e que me impedem de poder dizer que tem quase 5000 assinaturas. Tudo bem, entendo, é um descargo de consciência, mas não acredito que vá ter algum impacto. Confiar na justiça é a melhor solução? Estamos aqui a falar de Timor-Leste, e é o que se sabe, uma nação falhada e corrupta, e que mais uma vez comprova que a independência não era uma "causa nobre" - só alguém muito ingénuo vai acreditar que não existiam interesses patrimoniais e económicos ao mais alto nível para que chegasse à "nação maubere" enfrentando a oposição da Indonésia.

Inicialmente o caso mereceu a simpatia dos média, especialmente em Portugal, onde se encontra a família do detido, e nestes coisas adoptamos um comportamento um tanto errático. Não sei a que ponto pode ser benéfico pressionar o governo português para que sua vez pressione outro numa área que é da sua exclusiva competência, e onde as ingerências não são bem vistas por quase nenhum estado independente que se preze. Por muito "República das Bananas" que Timor-Leste seja, a justiça de lá resolveu decretar a prisão preventiva ao cidadão português, uma decisão, certa ou errada, tomada dentro do seu sistema, bom ou mau. Como ficaria aos olhos de qualquer observador uma justiça que se retraísse e mudasse de decisão porque outro país pediu, e que precedente isso abriria? Assim bastaria a qualquer cidadão estrangeiro lá detido apelar ao governo do seu país de origem e no dia seguinte estava cá fora, e a lei deixaria de ter um carácter inibitório e começava a convidar estrangeiros que quisessem cometer ilegalidades naquele país. Claro que para a família isto não diz muito, e como em todas as famílias do planeta, conhecem melhor que ninguém a pessoa de que estou aqui a falar de forma desapaixonada, e penso que todos compreendemos isso: se já é mau, se for connosco torna-se mil vezes pior. Fica é difícil ir mais além do que a simpatia ou a solidariedade, e recordo-me de ver um familiar do detido no programa "Entre Nós" da RTP a ter dificuldades em apresentar um argumento convincente a favor da libertação do seu ente querido, o que chegou mesmo a gerar algum desconforto. Sem saber exactamente o que se passou, como vamos poder alegar que se trata de uma injustiça, ao ponto de cerrarmos o punho e exigir justiça?

A visita de José Cesário, que refiro no segundo parágrafo, veio levantar um pouco o véu sobre os contornos do caso em particular, e colocou alguma água na fervura - infelizmente para aquele português e para a sua família, não há outra solução senão esperar pelo decurso das investigações, e esperar que a diplomacia acompanhe o caso de perto. Sem dúvida que seria de boa tez exigir que o português fosse libertado caso tivesse sido uma prisão arbitrária, mas sabendo agora que mesmo estando inocente não é de todo um personagem fora do enredo que se encontra ainda em segredo de justiça, isso não seria nada razoável. Entretanto no último dia 9 completaram-se seis meses desde que foi decretada a prisão preventiva, que foi renovada por outro período igual, pelo que a angústia desta família parece estar longe de ter um fim. Há uns dias procurava desenvolvimentos sobre este caso e deparei com esta entrada do blogue "Timot Hau Nian Doben" (?), assinada por um tal Zizi Pedruco, que me deixou estupefacto, e não pelas melhores razões. Se há uma palavra para definir o que ali está, fico indeciso entre "loucura" e "irresponsabilidade", com "delírio" a ficar em lista de espera, conforme a veracidade do que jaz ali escrito. E nesse aspecto estou pouco ou nada optimista, pois são afirmações feitas na base do "diz que disse" e "ouvi dizer". O mais curioso é que o autor começa por dizer que "não está a advogar a inocência ou a culpabilidade do cidadão português". Deve ser algum tipo de sarcasmo timorense, pois a partir do meio do texto começa a disparar furiosamente em todas as direcções, urdindo teorias da conspiração e apontado nomes, com destaque para um - e que um! Pode ser quem ache isto um acto de "coragem" (muita, para lá do recomendável) mas eu penso que pode vir a ser contra-producente.

O caso deste português é mais um de entre os 1678 de cidadãos nacionais detidos no estrangeiro, conforme a edição "pressreader" do Jornal de Notícias, que acrescenta que uma das acusações pendentes sobre ele é o desvio de 900 mil dólares dos cofres do governo timorense, o que vem explicar o que Zizi Pedruco queria dizer com "inicialmente os timorenses receberam bem a notícia",pois ao que parece foi esta a informação posta a circular em Díli na altura em que o português se preparava para sair do país com a família, aparentemente para não mais voltar. A teoria inicial que apontava para fuga esbarra com o facto de ter adquirido os bilhetes com muita antecedência, se bem que desconhecendo outros detalhes isso também não serve propriamente de alibi. Nigerianos à mistura, rede internacional, tudo muito baralhado, e ainda a isso se junta a publicidade feita ao caso pela família - quantos dos mais de mil portugueses detidos por esse mundo fora fazem o mesmo? Não sei quanto vale o princípio da presunção da inocência lá por Timor-Leste, mas como todo o resto não deve valer grande coisa, mas se tenho esse princípio como sacrossanto e não me atrevo a fazer prognósticos, há algo me ocorre nestas situações em que se dá a possibilidade de isso ter acontecido: mesmo não tendo envolvimento directo no ilícito tenha conhecimento deste, ou se tenha sido obrigado a cometer ilegalidades por coação ou inconscientemente, temos sempre que ver quem é o lado mais fraco. É que no caso da corda partir, será sempre esse o primeiro, senão mesmo o único.

A Poesia do Carvalho


Não é bem a poesia do Otelo Saraiva, mas é na mesma do Carvalho. Foi o artigo de quinta-feira do Hoje Macau (formato .pdf p.22), que foi uma singela e meio-obscura homenagem ao 25 de Abril, do ponto de vista da Ásia, e das suas proto-democracias. Continuação de um bom fim-de-semana.

Num país longe, muito longe de todos os outros mas não muito longe daqui, acabava de chegar um estrangeiro, um pensador, alguém que vinha o tempo de pensar por si e pelos outros. Homem bem parecido e bem falante, inteligente e culto, já um pouco vincado dos anos mas ainda com um longo caminho pela frente, e como todos iguais a ele um conceito muito próprio do mundo perfeito, ou mais ou menos perfeito para o maior número possível. Este país onde este estrangeiro acabava de chegar não era grande, antes pelo contrário, de densidade populacional elevada e uma economia fulgente, resultado do esforço de décadas sempre debaixo da liderança do mesmo grupo que tinha tomado o poder após a independência de um país muito longe dali, perto do outro de onde vinha aquele estrangeiro.
O estrangeiro adaptou-se bem e depressa. Foi bem recebido, a língua não era difícil, semelhante à sua, por culpa dos antigos donos serem também seus vizinhos no longínquo lugar da terra de onde tinha partido, e a vida corria com a  confiança de que o dia seguinte seria melhor que o anterior, e a população vivia o seu dia-a-dia dentro da normalidade que seria de esperar de uma sociedade. Não era preciso pedir quase nada, e poucos eram os motivos de queixa de uma população que praticamente usufruía de tudo o que precisava, e quem se apanhasse numa situação de “stress”, teria o seu descanso e quiçá o respectivo acompanhamento médico. Para este estrangeiro faltava qualquer coisa, algo que soltasse os movimentos e levasse o pensamento em direcções diversas daquela onde quase todos pareciam convergir. Faltava-lhes poesia do Carvalho.
A poesia do Carvalho não era completamente estranha às pessoas daquele país, trazida pelos colonizadores e ensinada ainda aos mais antigos, entre eles algumas elites onde se contavam sobretudo intelectuais e académicos. Entretanto foi-se tornando menos popular durante as primeiras décadas após a independência, pois era tempo de todos arregaçarem as mangas e consolidar a autonomia, sendo por isso necessário encontrar um tipo de poesia mais consensual para se evitarem dispersões inúteis e contra-producentes. A poesia do Carvalho, devido à sua falta de popularidade,  foi-se tornando mais rara e quase desaparecia, não fosse pelo regresso de alguma diáspora, aproveitando o período de maior prosperidade económica, e lá está, os intelectuais, os académicos, as pessoas a quem era dado mais tempo para pensar, e tinham a missão de escolher entre os mais jovens mais aptos para conduzir os destinos do país para as gerações seguintes, mesmo que isso não fosse muito garantido. 
Consciente de que aquela população teria a ganhar mais com um certo plano de formação, especialização e aperfeiçoamento mais científico e menos “espiritual”, ou baseado em meras previsões sem suporte cientifico, o primeiro governo chamou a si o poder de forma temporária...mente definitiva.Depois de dez anos a derreter o aço, outros tantos a soldá-lo, cortá-lo  e moldá-lo, para quê começar tudo de novo? E aquele mesmo elenco foi ficando, solidificando o poder, tornando-se ao mesmo tempo mais rígido, adverso a mudanças ou ideias que fossem contra a rota previamente estabelecida. Para garantir que tinham as suas regalias e as dos seus filhos garantidas, o poder foi criando inimigos, não se  coibindo de pintar das cores mais convenientes cada um deles.
Desse “lixão” liberal constava a poesia do Carvalho, pela qual o estrangeiro se ia interessando pela versão local, fazendo a devida pesquisa, recolha, reconstituição e até alguma divulgação. Apesar de ter o apoio dos seus colegas académicos, eles próprios apreciadores do estilo, ora por nostalgia, os mais velhos, ora pelo factor da novidade, os restantes. O Governo desconfiava, mas sendo esta uma tradição com raíz local, aceitou-a inicialmente, acrescentando  à novidade que constituía este renascimento da poesia do Carvalho a música tradicional  - uma simbiose quase perfeita, a destes dois. Mais tarde com a expansão dos centros urbanos e o aparecimento das periferias, os primeiros problemas derivados da desigualdade e da exclusão levaram ao aparecimento de uma versão mais radical da poesia do Carvalho, mais centrada na mensagem, e que a certo ponto aumentava a apreensão entre as elites. “Nada de preocupante” – dizia o estrangeiro, começando a identificar um conjunto de valências semelhantes às suas, aquelas que para ele eram os ingredientes de um mundo melhor, com as mentalidades mais abertas. Contudo a mudança foi mais abrupta para alguns, que começavam a levar a poesia do Carvalho mais a sério, identificando nela um potencial maior e uma a adesão das massas ao seu princípio libertário – neste caso seja lá qual ele for, e aqui há muito por onde escolher.
Com uma uma contestação crescente e onde se reconhecia a retórica muito própria da poesia do  Carvalho, o Governo tomou uma das duas opções que todos os Governos tomam nesta encruzilhada: retirou todo o capital que podia, colocando-o em contas de países onde por acaso se encontrava o daquele estrangeiro insuspeito – a outra alternativa seria decretar a lei marcial e ressurgir como uma ditadura, mas sem lhe chamar assim. Com este pressuposto garantido, as elites era quem menos se precisavam de preocupar com a eventualidade de uma crise económica ou política – e a crise, seja qual ela for, é terreno fértil para recitar a poesia do Carvalho. E de facto assim foi, e depois de uma fase estaminal, uma identidade  que nunca existiu e uma ideologia que não se diferenciava em quase nada das outras, pouco restava senão a palavra “revolução”, tão despida e tão carregada de chagas de outras injustiças, cheia, cheia de defeitos. O jovem estrangeiro, cada vez menos jovem e em tempos um idealista que sonhava no dia em que a humanidade receitasse me uníssono a poesia do Carvalho, sentiu que não fazia ali mais falta, e num dia Outono resolveu voltar para casa. Foi com a fruta que partiu. 

25/41

Beware, girls! Cuidado, meninas!





sexta-feira, 24 de abril de 2015

Muitos amems (e alguns oles também)


Se estão lembrados deste "post" de 10 de Dezembro do ano passado - e é claro que estão, ora essa! - já sabem o que aí vem: "amém".  - "Amém também para ti meu irmão!". Bem, se a ideia é retribuir a cada um, o melhor encurtar resposta para apenas "amém", pois estes vêm aos milhares, qual praga de gafanhotos. Tentei saber um pouco mais sobre este "meme" muito em voga no Facebook , e em várias línguas e já me disseram muita coisa, desde a que dá dinheiro, ou um prémio, ou que se trata de algum tipo de aposta, não sei. O que sei é que não me interessa saber, pois para aqueles que pedem "amems" para Deus e para Cristo ainda há paciência, mas para outros que colocam imagens de crianças estropiadas, mulheres violentadas, gente desmembrada, tudo a pedir amém, e os palermas dão! Não vale a pena tentar entender isto.


Mas há "amém" em todas as línguas, portanto. Ou pelo menos aquelas que dizem "amém". Português é uma das línguas que diz "amém", e onde há "amém" há  brasileiros, que dizem muito mais "amém" com os portugueses, e às vezes conseguem fazer melhor que isto, seis "amems" em três frases. Aqui a recompensa de tanto "amenizar" era "um abraço desse". De quem? Desse...um "abraço do pai". Pronto, eu preferia um abraço da Jessica Alba, mas um abraço é um abraço. Menos aqui, que não acontece nada, como no tal favor "express" que Deus ia fazer dois minutos depois de se dizer "amém". Mas será que isso chegou para afugentar as almas do "amém"?


Ora essa, nem pensar, e lá estão eles, certinhos, certinhos, com o "amém" da hora. Mas esperem lá, quem é ali no meio aquele "desmancha-améms"? Confesso, queria saber alguma coisinha, e então  no meio de tanto "amém" apeteceu-me perguntar se acontecia alguma alguma coisa quando escreviam a palavra, e podia ser que no caso de alguém ter sentido um abraço, pensando que era "do pai", estivesse na verdade a ter um enfarte do miocárdio. Mas é o que vêem ali, ninguém se dignou em explicar-me nada, e era como se estivessem em transe "aménica" com seis sabores: ponto final, ponto de exclamação, sem ponto, com acento no "e", sem acento e só com maiúsculas. No fim foram todos corridos com "like" - eu incluído - mas com a pressa a Denis Araujo levou dois e a Marcia Escrew ficou "screwed", a chupar no dedo. O que aprendi eu desta experiência? Nada, mas também não desaprendi, e na eventualidade de no futuro esta ser a única peça deixada escrita pela humanidade, os então novos habitantes do planeta vou baptizá-lo com o meu nome. Nada mau, pode ser. Aceito.


Agora nesta sequência vemos a razão porque os espanhóis têm aquela fama de povo contestatário, refilão, f*&£do, e pouco lhes importa se é um par de sapatilhas ou um milagre que levam, que se não estiver em condições protestam, fazem barulho e batem com o pé sem palmas - com palmas chama-se "sevilhana", e é uma dança inventada na Andaluzia durante um protesto de coxos e manetas, que assim se completaram. Aqui, a meu ver, a própria mensagem um pouco "estranha", fora do habitual nestes casos onde se explora a miséria alheia. Ali vemos um rapazinho careca acompanhado de uma "chica" com ar de quem se está quase a mijar pelas pernas abaixo, segurando um cartaz onde se lê "ajudas-me a obter um milhão de "amems" por eu ter vencido o cancro?" com um ar todo sorridente. Isto pode ser um problema para as pessoas económicas, que não andam por aí dar o seu "amém" a qualquer um, e quando chega a hora de ver um recém-nascido atirado na sarjeta ou uma criança palestiniana com as tripas de fora já gastaram todos. 

Sem olhar para o cartaz percebemos logo que a temática é o cancro, com o jovem careca a servir de inconfundível embaixador. Tinhoso? Não, cancro. Yul Brynner em miniatura? Não, já disse, cancro. Anão calvo? Com o anão calvo levas tu no...uh...pois, de maneira que é uma criança com cancro, mas aqui saiu vencedor. "Então já não é preciso, demos aos que precisam ainda!", diria o salomónico "amenista", citando (erradamente) uma passagem da Bíblia. E de facto aqui ajudava mais chegar ao milhão de "amems" se o rapazito tivesse na cama com tubos a sairem de todos os orifícios, um tom cinzento-azulado, as cores do espectro da morte, e assim levava com os "amems" e ainda se acrescentavam de boa vontade mais umas mezinhas, que é para isso que a malta trabalha para ganhar "amems". O que querem que eu faça? É assim a humanidade: uma merda. E depois reparem no cartaz, um trabalho de Photoshop mal feito, a não ser que os dedinhos do menino tenham-se esvaído com o cancro. Improvável, senão não seria capaz de segurar naquele cartaz, que agora vendo bem, nunca chegou a ter nas mãos. E com foi a reacção de nuestros hermanos?


Elizabeth Chabela abre as hostilidades com a revelação: FALSO! VEJAM AS SUAS MÃOS! E pronto, ficou tudo estragado, 838 "likes" e 43 respostas, quando a ideia era apenas escrever "amém". E como ter discutido ali, os espanhóis, e fosse aquilo ao vivo saíam de lá todos encharcados de tanto cuspir uns nos outros com aqueles "por ssssupuesssto" e "que passssa". Para a senhora vai o prémio de boa católico. Alguns "amems" depois, temos o Rodrigo que anda um pH muito ácido, ali a brincar com coisas sérias, dizendo que (ai jejus) que põe-se um "amém" e vem o "Super-Photoshop". Agora por causa das tosses levas com o Padre Tomás. Quem? Aquele, o Padre Tomás que veio dali duma terrazita ao pé de Valladolid, como é mesmo o nome? Ah, sim, Torquemada. É que se com "amém" vem o Super-Photoshop, com "jajajajaja" vem o Inquisitor-Mor. Já foste.


E pronto, antes de chegarmos ao grande vencedor, temos o Luís Benavides, o "inteligente", que chama também a a atenção para o facto da fotografia ser editada, e para as pessoas "não serem tão ignorantes". Exacto, vão ser menos ignorantes, como ele, e pôr o "amém" noutro sítio. Leva uma Bíblia novinha em folha, que assim poupa uns cobres com as Bíblias que compra todos os meses, à espera da edição revista. Odila Martinez Chaidez ganha o olho do Céu, para ver se fica calada um bocadinho. Mas qual original, qual idioma, qual carapuça senhora; ali é para pôr "améms" nos desgraçados, não para concorrer à presidência do PSOE. Faça ali como o nosso vencedor, o Ezequiel Amarilla, que diz "siesta..." - vai dormir??? Na, queria dizer "si esta", se está editado ou não, pouco importa, que é livre de escrever o que lhe apetecer e ignorantes são "losotros, coño". Sim senhor, valente! Liberdade de expressão "y la puta que los parió, olé!". De seguida manda um "amém" para aquele menino inserido no cenário fraudulento em epígrafe, e todos os meninos do mundo! Ena! Calma lá ó Carlos Cruz, e toma mas é um coração preto com uma cruz branca que é para te acalmares. Brinde? Sim, com certeza. Mas para ti com água, ok?

Ainda bem que eu não fui!


Vai a ela, Ricky!

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Copyright & Bullshit - an approach on fashion fotography and property rights

Morram todos (e bom dia, já agora)



O comportamento humano nas redes sociais devia objecto de estudo, uma cadeira na Universidade, ou quem sabe um curso superior completo. Daria pelo menos para várias teses de mestrado. Num destes dias acordei mais cedo e enquanto passava os olhos pelas notícias deparei com uma  do grupo do Facebook "Direitos dos Animais" que tenha muito interesse, de tão comum que é de encontrar naquele fórum onde o amor do Homem pelos animais combina o ódio do Homem pelo outro Homem, com os animais a ficarem todos "amados", e sem querer darem o devido valor a isso (já sei, já sei, os cães, as vacas choram, etc.). Esta notícia falava de um restaurante chinês no México onde foi apreendida carne de cão que era servida como se fosse de porco. Se alguém pensou agora "que coisa horrível!" é porque não conhece este grupo sediado no Brasil, onde o choque já só serve de pretexto para o genocídio, e o interesse reside mais em encontrar formas originais de "matar todos os chineses", pontudas, é claro, por uma dose respeitável de obscenidade e também alguma religiosidade: "Que é isto meu Deus manda matar esta raça nojenta escrota amarela", é um mimo que não raras vezes ali se encontra, mudando por vezes a ordem dos factores, com matança e insultos a toda a população da China antes de "Meu Deus".

Estava a acabar de pôr os olhos na notícia quando chega o comentário de uma senhora, cujo nome ocultei, que escreve um frio e seco "tem de matar todos esses fdp". Bom, isto mais parecia Estaline a entrar no Kremlin num dia de manhã com dor de dentes, e ainda não recomposto de uma discussão durante o fim-de-semana sobre uma girafa abatida, uma caçadora sorridente e um Ricky Gervais incendiário, resolvi meter-me com a "agressora", uma brasileira, lá está, e ela responde, sentindo o "toque" do meu aparte com cheiro a peido de cachorro. Fiz-lhe ver que aquele comentário era desagradável e que uma senhora não devia falar assim,  mas entretanto fiz questão de deixar saber que era contra os seis "perros calientes" à chinesa cozinhados ali no México, quando a senhora subitamente abriu o portal do coração e lá explicou que "não tem coragem nem para matar um rato" - a parte do "mas posso desejar" ignoro por motivos de enredo. E lá está, ela diz aquelas obscenidades que tanto ela como outros bradam, tantas vezes de forma irresponsável em jeito de ameaça de morte, é um técnica de alívio do "stress", e não "wishful thinking". Gostava de ver mais debates deste tipo por ali, mas penso que o problema é meu: já há muito que passaram da fase do "não gosto de ver seres indefesos sendo agredidos". Assim partiram para a luta. Mais ou menos...

O mesmo Bayern, o outro Porto



O FC Porto foi afastado dos quartos-de-final da Liga dos Campões ao perder na Allianz Arena de Munique por expressivos 6-1, a derrota mais pesada dos Dragões de 2010, altura em que perderam frente ao Arsenal em Londres por 5-0, a contar para a mesma competição. A equipa portuguesa levava uma vantagem de 3-1 da primeira mão, depois de ter realizado uma belíssima exibição no Dragão, deitando os teutónicos "ao tapete". Disse eu então que o Porto só precisava de jogar "um bocadinho menos bem" para garantir a passagem da eliminatória, e que se não sofresse golos nos primeiros 30 minutos, seria meio caminho andado. O problema foi que o Bayern jogou o habitual, e o Porto esteve irreconhecível, sofrendo 3 golos no tal período de meia-hora inicial, que seria de pressão do adversário, com toda a certeza, e ao intervalo perdia por 5-0, algo que julgo ser inédito nos portistas.

Não foi propriamente uma "desilusão", e a atitude da equipa depois do primeiro golo, a ficar "encostada" ao seu último reduto e com Quaresma a perder a paciência depois do segundo (Quaresma nervoso é sempre prenúncio de tempestade) davam a entender que o pior estava para vir. Deu-se uma tímida reacção no segundo tempo, Jackson (ainda lesionado) marcou o ponto de honra, mas só um milagre levaria o Porto ao 3-5 que levaria às meias-finais. Prefiro perder assim do que no limite, na diferença de golos ou no prolongamento, e também ganhar um jogo e perder por o outro, mesmo por goleada, do que perder os dois pela margem mínima. Domingo há o jogo da Luz, a última cartada desta época, mas é obrigatório vencer e para isso é preciso uma injecção de moral nunca antes vista - não estou optimista mas assim tudo o que vier de bom é óptimo. Só gostaria de recordar a saloiada, que deve ser a única do mundo onde isto se verifica, que os nossos rivais tiveram uma espécie de Natal antecipado com esta derrota. É bom que se lembrem disso quando for a vez deles, e que se deixem dessa chanchada que é "apoiar as equipas portuguesas". Onde mais isso se vê na Europa?


terça-feira, 21 de abril de 2015

Ficheiros secretos, parte II


Desculpem esta apresentação tão abrupta: este é Richard Kasica, que como podem ver é um tipo super-inteligente, que dá respostas completas como se fosse um daqueles magos da feira, onde se põe uma moeda e sai um cartãozinho assim com uma frase muito ambígua. Só que o Kasica é diferente: ele dá a resposta exacta, e é capaz até de responder a coisas que não sabe. É um truque secreto dele. Agora para atinar com ele é preciso fazer a pergunta acertada. Por exemplo neste caso a Rodily Vilches perguntou-lhe o que era um "modelo classe A", e ele responde que é "um carro com mais de 50 anos". OK, a Rodily auto-intitula-se modelo, não tem carro, e o Kasica é o seu auto-intitulado fotógrafo, mas "modelo classe A" pode ser um carro, porra. Vamos lá especificar isto, ora essa.


Agora reparem em mais esta pérola de sabedoria, e logo no Dia de S. Valentim! Ah, romântico...culto...morbidamente obeso...e eu diria até que há ali um cromossoma contrariado, mas já nasceu assim. Neste dia o senhor não estava inspirado por aí além, mandou ouvir um álbum inteiro a quem lhe perguntou (às vezes não...) o que era uma rosa preta. Nos dias bons tira meia dúzia de referências na wikipedia e toma, vai lá ler. Ele não tem tempo para isso, porque...


No guião para o próximo Oscar, i.e., o jornal de Hong Kong onde as empregadas sentam o rabo ao Domingo no Victoria Park, lê-se que "O gordo [eu sei que não é mas fica melhor assim] sorriu a Vilches quando conheceu no Facebook o fotógrafo profissional Richard Kasica e juntou-o como amigo" - desta oração há apenas uma palavra que não é completamente mentira: "Facebook", porque existe. De resto é verdade que de facto Vilches conhece Kasica, e que este tira fotografias dela. Qualquer pessoa pode tirar fotografias de outra, e nem por isso se pode considerar "fotógrafo profissional", ou a outra "modelo profissional", mas aqui ambas dizem que são isso mesmo. Ambas deliram. Especialmente Kasica. É que este indivíduo é tudo o que vocês quiserem imaginar menos fotógrafo,. Não vou adiantar mais porque não é isso que está em causa, e de facto ele tem um emprego que não é de fotógrafo e tenho a certeza que é um excelente profissional. Sim, não pensem que estou aqui a ser velhaco, a dar uma no cravo e outra na ferradura, é mesmo óptimo na sua profissão. O problema é que não está lá 24 horas por dia, e quando não está no emprego só faz merda. E  como é que ele entra nesta história?


Isto é ouro: a primeira obra de arte escrita que mistura o kitsch, o dadaísmo, o niilismo e a paralisia cerebral. Agora devem estar a pensar o que tenho eu contra este senhor, e eu digo: nada! Não o conheço, nunca o vi (mais ou menos, mas já lá vamos), nem ele a mim, mas temos uma loooonga relação, que deste prisma onde estamos hoje me faz perguntar: porque se veio besuntar de molho de carne e dançar em frente à gruta dos ursos famintos acabados de despertar da hibernação. Como podem ver as minhas fotografias "dissiparam-se". Porquê? Porque ele (o "owner" ali da história) achou que o "jornalista" (eu) violou a lei, usando ilegalmente fotografias que não eram suas. Subsequentemente, e mente com os dentes todos, coitado, e por isso "avisos de recolha" (!) foram enviados para o Facebook e o Blogger. Agora a parte homo-erótica-opiómana-mongolóide: "Adivinhem quem foi a pessoa que citou a LEI JORNALISTICA para violar a lei, e subsequentemente o blogue dele perdeu o interesse que em tempos tinha?" Ahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahah! Desculpem, não vou fazer isto, pois quero que ele veja tudo até ao fim. O tom que ele usa, todo cheio de certezas, como quem sabe que a bófia vai a caminho da minha casa, e que daqui a 220 anos sairei em condicional, e ele "subsequentemente" só existe em fotografia, mas voltará dos mortos caso eu utilize uma delas.


Aqui está uma tradução da ideia de "direitos de autor" deste senhor. Como podem ver ali em baixo, esta imagem é minha, ai de vocês se usarem, e ai de qualquer companhia que o faça sem me pagar direitos - incluindo uma certa marca de refrigerante caramelizado e gaseificado. Não é bem assim a interpretação dele, mas não deixa de ser absurda - como tudo o que ele interpreta. O momento alto é sem dúvida eu ter-me socorrido do Código Deontológico do Jornalista, ou "lei do jornalista" para "roubar" a fotografia dele, e posto isto, ele encaminhou tudo para o Facebook, Blogger, Feiticeiro de Oz, Imperador Ming e Turma do Balão Mágico. Finalmente as minhas fotografias no blogger "dissiparam-se". Ahem, o que aconteceu foi o seguinte: meses depois do artigo de 12 de Fevereiro, o Facebook retirou-me o post onde surgia a princesa mentirosa a catar lixo, pois a imagem da cover era, efectivamente, tirada por Kasica, e ele conseguiu provar isso. Mas o Facebook, como aliás consta no "disclaimer" que surge no meu ecrã, não vai mediar qualquer disputa nesse sentido, pois seria impossível atender a toda a legislação vigente nos diferentes países, e remete qualquer reclamação que eu tenha para ele, e de facto foi o e-mail e o nome de Kasica que apareceram no disclaimer. Juro, mas juro que me ri a bom rir. Não deixa de ser interessante que se ele optasse por me "apanhar" pela legislação vigente em Macau, deixaria de o poder fazer, pois não teria qualquer prova depois do Facebook retirar aquele "post". Mas epá eu estou a explicar isto quem? Vocês já sabem, e ele nunca vai saber. Coitado. 


Agora reparem nisto. Na edição de Halloween de 2013 da Creative Talent Magazine vem publicada a tal fotografia de Rodily Vilches que a habilita a pensar que tem uma longa carreira no mundo da moda. Isto pode ser resultado de uma "overdose" de confiança dada pelo nome da revista, uma vez nenhum deles alguma vez corresponde a qualquer dos três predicados: nem a "magazine" chegam. Eu sempre achei estranhíssimo que a Rodily Vilches aparecesse numa publicação corrente, mas quando soube que era dedicada ao Halloween, fiquei mais convencido. Faz sentido: halloween, reportagem sobre pessoas que a meio do mês estão tesas e têm condições mínimas de higiene. Aquela é a capa, e não publico a imagem para não distrair o nosso gorducho do essencial, mas se quiserem ver (e não vale a pena, garanto) podem ir aqui e abrir na página 25. Página 25 de 52 de uma edição de um magazine de fotografia online que pouca gente conhece (gostava de pelo menos dizer que era famoso, tinha mais piada) e onde toda a gente pode publicar as fotos, desde que as mande, e sejam...publicáveis? 


Mas para Kasica isto é cartão de visita, e na sua página do Facebook pode-se ver "CT Magazine" como unica entrada em "Publicações". Para Rodily Vilches foi ... o maior dia da sua vida? Nesta mensagem está a falar da pessoa que a maquilhou para a fotografia, que no fundo tem também crédito (não mérito) na imagem publicada (não "vencedora"), mas podia ser qualquer outra. Rodily Vilches deve aquela postura "maior que a vida" a este facto pífio que provavelmente coloca seis vezes em cada curriculum vitae, duas delas na capa. Kasica transmitiu os seus hilariantes conceitos de direitos de autor às "suas modelos", que incluem "não se poder copiar nenhuma fotografia da sua autoria de qualquer jeito". Eu não faço ideia do que lhes disse ou como lhes disse, mas elas acreditam que nem com "print-screen" uma fotografia delas sai do computador sem "ser paga". Foi isto sobretudo que Kasica incutiu suas modelos, sobretudo empregadas domésticas indonésias e filipinas na casa dos 30 anos, mães de filhos e estatura média, sem qualquer treino ou experiência prévia no ramo: que são modelos, e por isso falam, agem e cobram como tal. Mas num cenário desta natureza, o "bife" farta-se de "comer" à pala, não? Seria assim, de facto, mas a "pancada" parece ser outra, e é igualmente perversa, mas ao contrário. Vejamos.

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E temos aqui um excelente exemplo de Kasica no seu melhor; uma das suas "Kasiquettes"® (genial, deixa-me garantir os "copyright") diz ter recebido um "convite para trabalhar no Reino Unido", desconheço se temporariamente, mas tudo indica que sim, e para o efeito recebeu um formulário de pedido de visto. Não sei como isso funciona, os trâmites, legislação, condições, critério ou tempo de processamento, e ele saberá tanto ou pouco mais que eu. Contudo isto não o impede de dar pareceres como se fosse o director dos SEF, ou a sua versão inglesa, mas arraçado de Sherlock Holmes no limite da "overdose" de anfetaminas. Claro que não tem qualquer noção do que diz, e tudo o que faz é impedir rapariga de sonhar, quando foi ele próprio a induzi-la nesse erro. Qualquer aspiração que as Kasiquettes tenham esbarra na volumosa moldura do seu "mestre", que se encarrega de desacreditar instituições inteiras inventando histórias do arco-da-velha. Mas se elas ficarem debaixo da sua guarida, conseguirão chegar algures perto do seu sonho? Não é impossível que qualquer pessoa em Macau consiga um trabalho como modelo, ou dois, e para isso basta ter o perfil que se procura para esse trabalho específico. Dou um exemplo:


Um exemplo algo improvável mas referente a um produto que se pode encontrar facilmente em Macau: os caldos Mama Sita, das Filipinas. A senhora que vemos na imagem é Mama Sita, a autora ou pelo menos a cara da marca, e se quiserem fazer um anúncio terão que encontrar um modelo com esta aparência, ou o mais aproximado possível. Claro que alguém assim não poderá esperar muito mais trabalho além deste, modelo de fato-de-banho ou algo que vá além de . Quem tiver ambições a uma carreira de modelo, Macau não será o melhor sítio para o efeito, e mesmo a maior parte dos modelos usados nas raríssimas ocasiões em que se requer profissionais chegam de Hong Kong. Com Kasica muito menos hipóteses se tem, mas isto não o impede de "competir" com os restantes fotógrafos? Como? 


Aqui abstive-me de ocultar os nomes de toda a gente menos da vítima, uma pessoa com quem falei antes e preferiu não ser mencionada e já vamos perceber porquê - e é lamentável. Os restantes, e como sou amigo da natureza, deixo em ameno ritual de difamação. Sim, isto que está aqui a passar-se é, ou neste caso foi, um crime, mesmo que não denunciado, e isto é um apanágio deste Kasica: atira com acusações gravíssimas contra pessoas, sem qualquer prova, e mesmo quando diz que tem provas, está armado em... criança? Como já vos disse, não o conheço pessoalmente, tal como muitas das pessoas que ele acusa da boca para fora sem medir as consequências. Mesmo que isto que ele está a aqui a dizer fosse verdade, é da competência das autoridades, e ele tem o dever de denunciar, ou simplesmente ficar calado (e ainda se arrisca a ser culpado por omissão, mas isso depende, ele não sabe, e é melhor não saber, senão rebenta-lhe um fusível - mais um). Mas então porque não se queixam essas pessoas dele? Neste caso por falta de possibilidade. O fotógrafo em questão representa uma multinacional e está em comissão em Hong Kong, e envolver-se numa polémica podia sair-lhe caro. Ah, mas há mais. Muito, muito mais.


Este outro fotógrafo cujo nome posso divulgar, e além disso estas conversas têm mais de seis meses (12 de Junho, 2014), além de terem sido na jurisdição da RAEHK. Reparem na motivação deste indivíduo para soltar uma carga de veneno sem se preocupar  com a pontuação, e muitas vezes sem a grafia: inveja. Esteve em Hong Kong, onde aparentemente tem um apartamento, não sei nem interessa, mas com a cabecinha que ele tem isto já dava para me acusar de...deixa lá ver...assédio! Sim, o "crime" favorito dele, o "assédio", que alega sempre alguém lhe pede explicações pelas merdas como esta que vemos aqui em cima. Os tais jornalistas que disseram que as fotografias dele "são más" têm toda a razão, mas não é por não gostarem dele - pelo menos no início - mas por uma questão meramente técnica. Neste caso, por exemplo, a que tive acesso à conversa, falaram do uso da luz e do "editing". O problema aqui é que estas pessoas que ele ataca não só sabem do que falam, como vivem do que fazem, ao contrário dele que se diz "fotógrafo" e fala de uma "moral da fotografia" qualquer que só existe na sua cabeçae. Vamos lá ver, eu não sei pormenores do mundo da moda em Macau, e dificilmente saberia, pois simplesmente não existe. Não sei o que fazem os fotógrafos "mal intencionados", que para Kasica são todos menos ele, mas para mim é como tudo: adultos + consentimento mútuo = pimba! Quem prometeu o quê a quem isso já pós-pimbas que não têm a ver com o caso, mas aparentemente Kasica vive obcecado com isto: não por "apetite", mas porque é, e isto juro que isto é verdade, um empata-fodas. E dos grandes. 


Perante este cenário, há quem faça queixa, mas a maioria não faz, e porquê? Porque este palerma ou não tem as provas de que fala e elabora uma fantasia qualquer como aquela no quadro acima do anterior, em que já fala de evacuar as instalações e chamar os bombeiros antes de se acender um fósforo - ou quando nem sequer há fósforos - ou foge! O "bluff" é o jogo dele, e tem muita sorte em não ter ainda apanhado um grande cagaço. Pequenos já apanhou, mas não ficam perto do dano que ele poderia provocar...caso estivesse a falar a sério. No quadro aqui em cima vemos uma notificação do Facebook sobre o encerramento de um grupo destinado a empregadas domésticas filipinas e indonésias de que ele era moderador. Mas reparem no motivo do encerramento: incitamento ao ódio, ameaça, ataque a grupos ou indivíduos e publicidade a serviços e marcas. Ora deve ser pelo penúltimo motivo que encerraram o grupo, não? E se vos disser que foi por todos os outros? É que este senhor tem a mania de inventar abusos, assédios e mais o raio que o parta, e a "praia" dele são empregadas domésticas e outros TNR, de que se faz de "padrinho", e é nessa instância que surgem as Kasiquettes, e ao mesmo tempo é o defensor dos fracos e oprimidos. Tem um fascínio por casos de...assédio e abuso (já vos tinha dito?), e onde não os há, inventa-os. À conta disso "encoraja" os TNR a denunciar casos que às vezes não são nada daquilo que aconteceu. É perigoso? Depende. Se lhe tirarem logo a "pinta", não, mas se demora, pode ser chato. E é isso que ele é: um chato do c...


Elá...quem é esta? Belas bóias...é uma das Kasiquettes? Não, é o próprio Kasica. Como?! Comes? Eu no teu lugar não comia. Esta imagem de uma mulher-palhaço é a de Susi Williams, que é Richard Kasica em disfarce no Facebook. Uh? Um pouco irregular, há que dizê-lo com franqueza...mas para quê? Como este personagem é habitualmente silencioso, suponho que seja para entrar em grupos ou aceder a contas que o tenham bloqueado pela sua "simpatia", suponho. Deve haver muita gente nesta mesma situação, Então e como é a aparência dele, afinal? Bem, é esta. É o cara-de-cu entre aquelas duas Kasiquettes. E digo cara-de-cu não por despeito, mas porque tem mesmo feições que fazem lembrar um cu gorducho. Mas então afinal ele é fotógrafo ou não? É no mesmo sentido que eu e o leitor somos, mas pode ser que tire melhor fotografias, ou que tenha melhor equipamento, sei lá, não sou a pessoa indicada mas com toda a certeza não é profissional, e muito menos tem contactos com agências de modelos, e a julgar pelo seu, ahem, "feminismo masculino", dificilmente alguém naquela área ia qualquer coisa com ele. Não tem estúdio, pelo menos em Macau, e se tem não faz lá nada, , pois todas os seus "shoots" são de exteriores - os nus não faço ideia, nunca tive qualquer interesse nisso, mas ele vive o personagem e pensa que o jornalista malvado tem inveja dele. Quem? 


Eu. Para ele eu sou "o jornalista", apesar de já lhe ter dito 30 vezes que não. Eu não sei se isto é algum fetiche paneleiro do gordo, mas uma vez recebi uma mensagem dele com uma conversa super-estranha e que tive pena de não ter guardado: "eu fiz não-sei-quê, portanto tinha não-sei-quê que ia mandar para O MEU JORNAL" e ainda mostrou a página do Facebook do Hoje Macau. Ah...bem, a página do Facebook do Hoje Macau era a única coisa que se aproveitava dali. Foi naquele momento que me apercebi (ou confirmei) que o tipo tinha um ou vários parafusos a menos, o que já devia ter suspeitado quando insistia tanto na sua versão de Direitos de Autor, que como se pode ver ali na imagem é a mesma que toda a gente, enfim - mas atenção que esta deve ser a única coincidência. Penso que para ele, como sou "jornalista", queria as fotografias dele para encher o jornal de lindas TNR de metro e meio, celulite e estrias. Podia ser que se pusesse lá umas notícias pelo menos alguém comprasse as fotografias ao tipo, que estão espalhadas um pouco por toda a internet, em qualquer sítio onde qualquer pessoa pode armazenar fotografias. Acho que é assim que fazem os fotógrafos profissionais. E o resto da humanidade, mas fica por aí.


Epá o que é isto? Literalmente faz sentido, pois as gatinhas bebem água. E bebem leite também. Se eu quisesse interpretar isto à moda do Kasica dizia que era "prova cabal da prática de contrabando e homicídio", e que só falta "ir ao Facebook" (à sede, estão a ver?), e à CTM para recuperar as provas que me incriminam. Ohh...para mim quer dizer que o tipo não toma banho, e por isso não há uma senhora Kasica. Quer dizer, haver há, porque para o buchinhas afirmar que "os recibos de um aparelho electrónico provam que alguém (eu, neste caso) os roubou, é porque teve, ahem, "formação jurídica". Em Oxford? Não, por afinidade. A irmã dele é conselheira jurídica de uma ONG que defende tipos que são multados por ir ao cu às ovelhas. Ou mais ou menos isso, podem ver aqui neste link. Bem, pelo menos não é do IRA, como cheguei a pensar quando o Kasica disse que a irmã "lutava contra o Governo". Pois. Por falar nisso, passado algum tempo a levar com o tipo a mandar-me mensagens ridículas com "armadilhas" para eu cair e confessar crimes, tão patéticas que só faltava escrever ele a confissão e pedir para eu fazer "forward" para a polícia, ou a dizer quando estava na Tailândia que "tinham chegado provas pelo correio nessa manhã" contra mim, tentei encontrar-me com ele. Não era para nenhum fim violento, entenda-se, ou pelo menos não era essa a minha intenção, mas gostava já agora de saber quem era aquele tipo que eu nunca tinha visto ou falado com na minha vida, não me estava a fazer chantagem ou  a pedir nada, e agia desta forma tão...retardada? Entretanto ele ia dizendo que qualquer tentativa de o contactar valeria uma queixa por…isso mesmo, assédio, e que qualquer troca de palavras podia-lhe custar o "court case", que agora juntando as peças, concluo que deve estar relacionado com a tal "lei jornalistica", que dissipa as fotografias.


Ah, junta-se o tiroliro e a tirolora. Que lindos. Bem, pelo menos deu para saber porque motivo o indice de mentira da Rodily Vilches disparou em quantidade e afundou-se em qualidade desde aquele dia em 2013 que teve a "fate" de conhecer o "fat", mesmo que jure que "não tem mais nada com ele" - dizer que tem seria dizer a verdade, e isso é que nem pensar. Mas pronto, a ela ainda faltam alguns aninhos para chegar aos 50 e tornar-se modelo classe "A", enquanto ele, fiquei eu a saber mais tarde, ia dando de caras comigo uma vez! E nem sei como estou vivo depois desse quase-encontro que ele descreveu em grande estilo num grupo do Facebook: viu-me aproximar, e qual ninja zas! escondeu-se atrás do primeiro arbusto que encontrou, deixando-me de tal forma atordoado, que a tontura chegou e passou sem que eu desse por ela. Soube ainda que "levantou a queixa (agradeceria, se ficasse pelo menos a saber em que bases se assentava), mas que ele, Kasica, tinha "ficado com provas caso eu voltasse a atacar". Ena! Agora e como conclusão, do que me acusava ele, por via de terceiros, e que ainda não revelei? Ora, porque não deixar isso para ele nos vir aqui dizer, ou melhor, deixar escrito? Era bom, era, mas não para eles, naturalmente.