segunda-feira, 2 de março de 2015

Premier League - 27ª jornada (incompleta)



Entretanto cumpriu-se quase na totalidade a 27ª jornada da Premier League, que teve os jogos Queens Park Rangers-Tottenham e Leicester-Chelsea adiados para 7 de Março e 30 de Abril, respectivamente, devido aos visitantes terem disputado ontem a final da League Cup. Assim a ronda dividiu-se entre seis jogos no Sábado e dois no Domingo, com o Manchester United a ser uma das primeiras equipas a entrar em campo, recebendo e vencendo em Old Trafford o Sunderland por 2-0. Os visitantes desceram das terras altas do nordeste inglês com a intenção de complicar a vida aos "red devils" e levar pelo menos um ponto que os ajudasse na luta pela manutenção, mas um inspirado Wayne Rooney negou aos "black cats" quaisquer veleidades nesse sentido, marcando aos 66 de "penalty", e depois aos 85, segurando os três pontos que deixaram a sua temporariamente em 3º lugar com mais dois pontos que o Arsenal, que só jogou ontem.



À espreita de um possível deslize de ManU e Arsenal estava o Southampton, a equipa sensação do campeonato, treinada pelo nosso conhecido Ronald Koeman. Os "saints" viajaram até às West Midlands, ao The Hawthorns, estádio do West Bromwich Albion, e uma vitória elevaria o seu pecúlio pontual para 49 pontos, quando à partida para esta jornada os "red devils" tinham 47 e os "gunners" 48. Mas o feitiço virou-se contra o feiticeiro, e um único golo de Saido Berahino, um dos melhores marcadores na Premier League valeu à equipa da casa três importantes pontos nas contas da fuga à despromoção, e complicou a contabilidade ao seu adversário. O mesmo resultado verificou-se na recepção do tranquilo Stoke City ao aflito Hull, e do Newcastle ao Aston Villa, que com esta derrota - a sétima consecutiva - afundou-se mais ainda na cauda da tabela. Dos visitantes que tiveram sucesso destaque para o Crystal Palace, outra equipa para quem todos os pontos contam, que foi ao reduto do West Ham vencer por 3-1, enquanto o Swansea foi a Lancashire vencer o Burnley pela margem mínima, mantendo os "clarets" abaixo da linha de água, na companhia de Villa e Leicester.



No Domingo mais dois jogos, com um desafio de grande cartez em Anfield Road, onde o Liverpool, candidato a um lugar nos quatro primeiros, recebeu o Manchester City, que ainda discute o título com o Chelsea. Era tudo uma questão de "aproveitar": o City procurava tirar proveito da folga do líder para ficar dois pontos do líder e assim tentar pressioná-lo, enquanto o Liverpool precisava de vencer para ultrapassar o Southampton no 5º lugar e não perder contacto com Arsenal e Manchester United. Os "reds" de Merseyside não desperdiçaram a oportunidade e venceram por 2-1, mesmo feridos no orgulho após a eliminação perante os turcos do Besiktas para a Liga Europa poucos dias antes, com 120 minutos e um desempate nos pontapés da marca de grande penalidade nas pernas. Mas nem isso serviu para desmotivar o Liverpool, que marcou aos 11 minutos por Jordan Henderson, e aos 75 pelo brasileiro Philippe Coutinho, e em ambos os golos houve assistência do médio-ala direito Raheem Sterling, que fez um grande jogo. O City marcou por Džeko aos 25, mas o golo do bósnio não foi suficiente para encurtar a distância para o Chelsea, que continua a ser de cinco pontos, tendo os londrinos agora menos um jogo.



Sabendo de antemão da sorte dos seus concorrentes directos, o Arsenal encerrou esta parte da jornada, que mais uma vez recordo que está ainda incompleta, com a recepção ao Everton, e com a ambição de retomar o terceiro lugar ocupado pelos rivais do Manchester United no dia anterior. Pela frente estavam uns "toffees" motivados pela passagem aos oitavos da Liga Europa, mas em termos de campeonato a equipa de Robert Martínez tem sido uma desilusão, ocupando um modesto 14º lugar com 28 pontos, apenas seis acima dos lugares de despromoção ao Championship. Por seu lado os "gunners" comprometeram a continuidade na Champions, após derrota em casa com os franceses do Monaco por 1-3, resultado muito complicado para dar a volta no jogo de retorno, no principado. Prevaleceu o favoritismo arsenalista, que aposta sempre forte numa presença na liga milionária, e dois golos de Giroud aos 39 e Rosicky aos 89 deixam Wenger mais descansado nesse aspecto, com um ponto de vantagem sobre ManU e mais três que Liverpool.

Classificação (dez primeiros):

1 Chelsea 26 60
2 Manchester City 27 55
3 Arsenal 27 51
4 Manchester United 27 50
5 Liverpool 27 48
6 Southampton 27 46
7 Tottenham 26 44
8 Swansea 27 40
9 West Ham 27 39
10 Stoke City 27 39

Mais uma para o "special one"



José Mourinho juntou ontem mais um troféu à sua já bem recheada vitrina, a Taça da Liga inglesa, que venceu pela terceira vez, elevando assim o seu palmarés para vinte títulos oficiais. Na final de ontem o "seu" Chelsea, clube por quem o treinador português já declarou o seu "amor eterno", tinha pela frente o Tottenham, terceira "vítima" do "special one" em finais desta competição, depois do Liverpool em 2004/2005, e do Arsenal dois anos mais tarde. Os 90 mil espectadores que foram à catedral do futebol inglês tiveram de esperar até ao último minuto do primeiro tempo para ver o primeiro golo do "derby" londrino, cortesia do veterano John Terry, assistido pelo médio internacional francês Kurt Zouma. A vitória ficaria confirmada aos 56 minutos com a colaboração de um defesa da equipa adversária, Kyle Walker, que fez na sua baliza o que os avançados do Chelsea não tiveram o engenho para fazer. E nem foi necessário, pois os "blues" têm ainda pela frente mais competições, pois além do West Ham fora para a Premier League já na quarta-feira, há o compromisso com os franceses do Paris St. Germain uma semana depois, para a segunda mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. O Tottenham, por seu turno, teve uma semana para esquecer; eliminados da Liga Europa na quinta-feira pela Fiorentina, perderam nesta final a única oportunidade de vencer um troféu esta temporada, pois a FA Cup deixou de ser uma possibilidade logo em Janeiro, depois de uma derrota caseira frente ao Leicester.

Real tropeça, Barça aproxima-se



O Barcelona recuperou animicamente da derrota sofrida na semana passada no Nou Camp, e foi este Sábado a Granada, reduto do penúltimo classificado da Liga espanhola vencer por confortáveis 3-1. Os catalães abriram as hostilidades aos 25 minutos pelo croata Ivan Rakitic, o que não é muito comum numa equipa com uma linha avançada de respeito, como é a do Barça, mas Luis Suárez disse "presente" com a autoria o segundo golo, apontado logo no início da etapa complementar, aos 48 minutos. O Granada, que luta para não descer mas com toda a certeza não contava pontuar neste encontro ainda reduziu cinco minutos depois por Fran Rico, de grande penalidade, mas aos 78 os visitantes voltavam a dispor de uma vantagem de dois golos com Messi, o suspeito do costume, a aniquilar as esperanças dos locais. O Barça ficou à condição apenas a um ponto do líder Real Madrid, que só jogou no Domingo.



Foi preciso esperar 25 jornadas para ver o Real Madrid empatar pela primeira vez, e logo perante o seu público, no Santiago Bernabéu. A equipa de C. Ronaldo tinha pela frente um adversário de respeito, o Villarreal, sexto classificado, e que na quinta-feira tinha vencido na Áustria o Salzburg por 3-1 e garantido um lugar nos oitavos da Liga Europa. O saldo foi apenas de dois golos, um para cada lado, com o internacional português a fazer o dos merengues aos 52 minutos de grande penalidade. O Real não "matou" o jogo com um segundo, e o Villarreal aproveitou para empatar por Gerard Moreno, e logo aos 64, deixando tempo para a equipa da casa poder ainda segurar os três pontos, mas no fim foi um para cada lado, e o terceiro..."foi-se". O Real sente agora o bafo do Barcelona no pescoço, com as equipas separadas por dois pontos, enquanto o Atletico Madrid está já a sete do líder, depois de um empate sem golos no Sanchez Pijuán, casa do Sevilha.

Porto manda Sporting ao tapete, Benfica bate em mortos



O FC Porto venceu ontem o Sporting por 3-0 em jogo da jornada 23 da Liga NOS, numa noite em grande para o avançado espanhol Cristian Tello, que apontou os três golos dos dragões. O Porto já não vencia o "derby" do campeonato por três golos de diferença há 10 anos, e com a vitória moralizante mantem os quatro pontos de diferença para o líder Benfica, e afasta o Sporting da luta pelo título. Os leões têm agora o terceiro lugar em perigo, pois com a vitória em Vila do Conde por duas bolas a zero frente ao Rio Ave no último Sábado, o Braga ficou a um ponto do terceiro lugar, o último de acesso a uma presença na Liga dos Campeões da próxima época.



Já no Sábado o Benfica tinha garantido que o resultado do "derby" não lhes ia fazer qualquer diferença, ao golearem o Estoril por expressivos 6-0, com 4-0(!) ao intervalo. Luisão fez o primeiro aos 17 minutos, e Salvio aumentou a vantagem aos 26, antes de Pizzi e Jonas conseguirem o feito extraordinário de marcar dois golos em apenas um minuto, aos 33 e 34 - recordo que o Estoril é uma equipa da Primeira Liga, e que a partida contava para esta competição. Lima fez o quinto de "penalty" e ainda houve tempo para Jonas bisar, isto já no segundo tempo. O Benfica não vencia a equipa da linha por seis golos desde 1975, e a explicação é simples: o treinador dos "canarinhos" é um tal José Couceiro, que não dá uma para a caixa. Com a quinta derrota consecutiva e apesar de estarem ainda sete pontos acima da zona de despromoção, era bom que o Estoril mandasse embora esse pantomimeiro, se não estão a pensar em descer de divisão.

domingo, 1 de março de 2015

Gente que enfia o dedo e roda


O leitor Alex Russo é um pai babado! Nesta imagem que nos enviou estão os pequenos Ricardo e Martim, que subitamente inspirados, resolveram dar azo aos seus dotes artísticos! Segundo o Alex, a mãe Rita ficou sem ar e adquiriu uma compleição roxa, e precisou de ser assistida nas urgências onde lhe disseram que teve uma síncope. Que exagero...a Rita ficou comovida com o talento dos seus pequenotes, isso sim!


O leitor Edgar Yu mandou-nos esta linda imagem do Largo do Senado estes dias, durante os feriados do Ano Novo Lunar. Uma fotografia impressionante, sem dúvida; vejam como está lindo, o centro de Macau, pronto para entrar com força no Ano da Cabra!


A Carolina adora pregar partidas ao irmão Vicente. Nesta de que teve a gentileza de nos mandar uma foto, colocou a sua tarântula Lula na almofada onde ele dormia com a boca aberta! Será que entrou? Aceitamos apostas!


Er...recebemos pouco depois uma outra foto, enviada por um tal de "Vicente". Bem, esperamos que seja apenas uma coincidência, e que ninguém se tenha magoado! Ou ficado esmagado no colchão...


A Lita adormece sempre que bebe uma cervejinha a mais, mas...oops! O que é isto? Deve haver uma goteira por cima do sofá, com toda a certeza. O namorado Rafael disse que ela "o matava" se soubesse que ele nos mandou esta hilariante fotografia. Que exagero, Rafael! Ela ia achar engraçado, como nós achámos aqui no GENTE QUE ENFIA O DEDO E RODA. Ia rir tanto que se calhar...eh...deixa lá.

E aconteceu porque...



Uma menina em Yunnan MORREU depois de ter caído num buraco do esgoto, e tudo por culpa de um panchão que o seu irmão rebentou. Os jovens caminhavam com a mãe na rua quando o rapaz resolveu atirar um explosivo para dentro de uma sarjeta, provocando uma explosão que fez saltar a tampa de outro buraco, que puxou a sua irmã para dentro. O pai ocorreu de imediato ao local e levaram a menina ao hospital, onde chegaria já sem vida. E isto faz sentido porque...ah, é Ano Novo, estavam "a festejar". Respect.

Liga de Elite - 6ª jornada


Mais uma jornada da Liga de Elite, campeonato da primeira divisão de Macau, com os cinco jogos correspondentes à sexta ronda a serem disputados como habitualmente entre sexta-feira e esta tarde, Domingo. E na sexta ao final da tarde tivemos o Sporting-Lai Chi, um desafio disputado ao limite, com "penalties", expulsões, incerteza no resultado até ao apito final, e muitos golos - seis no total, três para cada lado. O Sporting voltou a desperdiçar pontos contra uma formação teoricamente acessível, e até ao momento os leões só conseguiram vencer a equipa dos Sub-23, ainda que por goleada, o que representa um início de época (quase na metade) abaixo das expectativas, pelo menos para uma equipa que na época passada discutiu o título até à última jornada. O Lai Chi adiantou-se mesmo no marcador por Bruno Brito, decorridos 27 minutos de jogo, e só graças a uma grande penalidade convertida eficazmente por Sio Ka Un o Sporting não foi para o descanso em desvantagem. Mais golos só na parte final do encontro, com dez últimos minutos completamente alucinantes; Jorge Tavares voltava a colocar o Lai Chi em vantagem aos 84 minutos, e quatro minutos depois o suplente Cheok Ka Fai marcou para os leões, restabelecendo a igualdade. A "cambalhota" no marcador ficou completa mesmo em cima dos 90 minutos por Pang Chi Hang, e já quando toda a gente pensava que o Sporting ia somar a segunda vitória no campeonato, Bruno Brito bisa e dá o empate ao Lai Chi, que deixa tudo como antes: Sporting num decepcionante sexto lugar, e o Lai Chi logo um ponto atrás.

Ontem, Sábado, entraram em campo as outras duas formações de matriz portuguesa, com o Benfica a abrir a contenda, despachando os Sub-23 por quatro bolas a zero, numa contenda em que a única dúvida era por quantos iam os encarnados vencer. Os jovens patrocinados pela AFM ainda tiveram fôlego para aguentar a primeira parte, e consentiram apenas um golo aos 15 minutos, autoria de Nicholas Torrão. Na segunda parte a goleada começou a ganhar forma, com Leonel a apontar o segundo aos 51, e Fabrício Lima a fazer os restantes aos 75 e 89, este último de grande penalidade. Mais uma vitória em ritmo de treino para a equipa de Bruno Álvares. De seguida jogou a Casa de Portugal, que tinha um jogo do "seu" campeonato, frente ao lanterna-vermelha Chuac Lun, e pode-se dizer que a equipa de Pelé complicou as contas da manutenção, perdendo para um adversário que ainda não tinha sentido o sabor da vitória nesta temporada - pode ser demasiado cedo para fazer estas contas, mas a verdade é que ambas as equipas têm poucas ou nenhumas oportunidades de pontuar com excepção dos jogos entre si, e aqui a Casa de Portugal perdeu o primeiro "round". Leonardo Abrantes adiantou o Chuac Lun no marcador logo aos dois minutos, mas a CPM reagiu bem, com golos de Filipe Nogueira aos 11 e Jean Peres aos 30 que consomariam a reviravolta no "placard". O último minuto do primeiro tempo foi desastroso para a CPM, com os Chuac Lun a marcar duas vezes em cima dos 45 por Chan Tsz Yeung. Será que os jogadores da formação lusitana pensaram que o jogo tinha ido para intervalo, e deixaram o nº 23 da equipa adversária sozinho em campo? No segundo tempo Leandro Fernandes ainda fez o empate, mas o dia era do Chuac Lun, e Lei Chi Ieong fez o golo que valeu os três pontos, marcava o relógio 82 minutos de jogo.

Hoje tivemos o jogo grande da sexta ronda, com Ka I e Monte Carlo a disputar segundo lugar, e a oportunidade de se "colar" ao líder Benfica. A partida destuou das três anteriores, que produziram dezassete golos (!), e as equipas anularam-se uma à outra, terminando tal e qual como começaram: 0-0. O Benfica é que agradece a gentileza, e aproveita para ficar agora com três pontos de vantagem sobre a concorrência, e tanto Ka I como Monte Carlo precisam agora de fazer um pleno se quiserem ainda ambicionar ao título, pois é improvável que qualquer outra equipa além destas duas roube pontos ao Benfica. A jornada terminou com o Chau Pak Kei-Polícia, que teve um "twist" bastante curioso. Sabendo de antemão do empate na partida anterior, o CPK sabia que em caso de vitória igualava Monte Carlo e Ka I na segunda posição, e parecia tudo bem encaminhado, quando ao intervalo já tinham 3 golos de vantagem sobre os policiais, que pareciam estranhamente apáticos. Diego Patriota, Ho Ka Seng e Ismael Ortega assinaram os golos que pareciam garantir os três pontos ao CPK, mas no segundo tempo a Polícia marcou também por três vezes, com Cheong Loi, William Shek e Hoi Wai Tong, este último de "penalty", a estragar a festa ao adversário.

Classificação:

Benfica-16 (19-2)
Ka I-13 (15-4)
Monte Carlo-13 (9-3)
Chao Pak Kei-11 (20-8)
Polícia-8 (8-7)
Sporting-7 (13-7)
Lai Chi-6 (7-13)
Chuac Lun-4 (8-28)
Casa de Portugal-3 (7-23)
Sub-23-1 (3-14)

Quando a bola perde a tola


Tivemos cá a semana passada o respeitável dr. António Barão, presidente do Sporting Clube Farense, nobre emblema algarvio já centenário, e cuja equipa de futebol principal disputa actualmente a Liga de Honra, o segundo escalão do futebol português. Além de abordar outros assuntos, aquele dirigente desportivo mencionou de passagem a actual situação do clube a que preside, recordando que ainda não há muito tempo se encontrava a disputar os escalões regionais da AF Algarve - e falamos de um clube que nos anos 90 participou nas competições europeias. E de facto assim é, pois com a excepção dos três grandes, Benfica, Porto e Sporting, as restantes colectividades que fazem do futebol a sua "jóia da coroa" dependem de uma gestão cuidadosa, quase a conta gotas. Vamos recordar alguns desses clubes que um dia foram de topo, e depois bateram no fundo. Uns acabariam por renascer, outros ainda se encontram no meio do processo de reconstrução, e outros simplesmente evaporaram-se no fumo da vã glória desportiva.


E porque não começar exactamente pelo Farense? Muitos estarão recordados dos tempos gloriosos de Paco Fortes, treinador catalão que orientou os leões do Algarve durante praticamente toda a década de 90. Ex-jogador da equipa principal, Fortes assumiu as funções de técnico com carácter provisório no final da época 1988/89, em que o clube acabou por descer à II Divisão. No ano seguinte conseguiu não só o regresso ao escalão principal, como ainda chegou surpreendentemente à final da Taça de Portugal, vindo a perder na final do Jamor com o Estrela da Amadora, com direito a "replay" depois do empate na primeira final. Outro momento alto foi o 5º lugar em 1994/95, que valeu uma participação na Taça UEFA da época seguinte, ficando pela primeira eliminatória, após duas derrotas com os franceses do Lyon pela margem mínima. Os problemas financeiros surgiram já em meados da década de ouro dos algarvios, mas acentuaram-se com a descida de divisão em 2001/2002. Depois disso participaram na Liga de Honra, ficando a meio da tabela, mas por falta de liquidez seriam despromovidos à antiga II "B", e voltariam a descer, desta vez no campo, depois de um 17º lugar na Zona Sul. Em 2004/2005 disputaram a Série F da III Divisão e obtiveram um 15º lugar entre 18 equipas, que lhes valeu nova despromoção e a queda nos distritais. Aí o clube cessou o futebol profissional por uma época, sendo obrigado a recomeçar em 2006/2007 da II divisão distrital algarvia, e daí até chegar onde está hoje ainda teve alguns precalços, como a descida da II "B" em 2010/2011. Depois disso o Farense parece ter encontrado o rumo certo, com duas subidas que lhe permitiram "estacionar" na Liga de Honra desde a época passada, e agora segundo o seu presidente, anseiam voltar a rugir entre os grandes.


Quem já despertou do seu pesadelo, se bem que apenas muito recentemente foi o Boavista Futebol Clube, o mais ilustre da lista que aqui presento. O clube do Bessa conta no seu currículo com cinco Taças de Portugal, três supertaças e um título de campeão nacional, tendo sido o primeiro campeão português do milénio - isso ninguém lhes tira, pelo menos. Subitamente os axadrezados passaram de equipa de topo a mero clube de bairro, e em menos de meia dúzia depois de andarem a dar cartas na Europa (três presenças na Champions e uma meia-final da Taça UEFA) viram-se rebaixados ao segundo escalão em virtude do processo "apito dourado", terminada a época 2007/2008. No ano seguinte, com nítidas dificuldades em contratar jogadores e formar equipa, terminaram a Liga de Honra em 15º lugar entree 16 equipas, sendo rebaixados para a II "B" juntamente com os vizinhos do Gondomar. Aí os axadrezados fizeram uma travessia do deserto, e por pouco não desciam ao escalão imediatamente inferior logo nesse mesmo ano, mantendo-se firmes até à época, onde voltariam à liga principal da mesma forma que saíram: pela secretaria. Ainda são visíveis as marcas do "calvário" boavisteiro, que tem um plantel de jogadores medíocre para os parâmetros da competição, mas parecem bem encaminhados para conseguir pelo menos a manutenção. Depois é só ir passo a passo, e quem sabe se um dia temos novamente um "Boavistão".


E aqui está o primeiro caso de "renascimento" de um clube que conheceu dias gloriosos, depois de azedume, e após recomeçar vem subindo degrau a degrau, tentando recuperar um lugar que já foi seu. Falo do velho Sport Comércio e Salgueiros, fundado em 1911, e do novo Salgueiros 08, renascido das cinzas do último, como oportunamente demonstra a insígnia da fénix no emblema do novel clube. Ao contrário dos seus vizinhos do Bessa, o clube de Paranhos não conseguiu aguentar a "crise", chegando mesmo a submeter-se a uma triste humilhação. Na condição de terceiro clube da invicta, o "histórico" Salgueiros foi durante quase toda a sua existência uma equipa "yo-yo", e até aos anos 80 nunca se manteve no escalão principal mais de dois anos seguidos. Conseguiu ficar seis anos entre 1982 e 1988, desceu novamente, e quando regressou dois anos depois veio para impôr respeito, ficando isso bem patente no quinto lugar obtido logo nesse regresso, que lhe valeu uma surpreendente presença numa prova europeia, não passando da primeira eliminatória. Curiosamente o adversário foi o AS Cannes, de França, e onde alinhava na altura um jovem de 19 anos chamado Zinedine Zidane. Os salgueiristas saíram de cabeça erguida, eliminados apenas nas grandes penalidades. Vieram outros anos positivos, mesmo sem Europa, e quem cá estava em 1998 deve-se recordar da participação do clube, na altura treinado por Carlos Manuel, no "Torneio de amizade Macau-Cidade do Porto", com os salgueiristas a derrotarem na final os italianos do Bolonha por 2-1, em partida realizada no no Estádio da Taipa.

Em 2001/2002 deu-se a descida de divisão depois de 13 anos no topo, e aí "fizeram-se as contas", por assim dizer. Depois de dois anos na Liga de Honra, tiveram uma descida administrativa à II "B" e ficaram interditados de inscrever jogadores. Em vez de "fechar a porta" e assim manter alguma dignidade, participaram no campeonato com os juniores e mesmo alguns juvenis, terminando em último lugar da Zona Norte com 1 vitória, dois empates e 35 derrotas nos 38 jogos disputados, marcando 19 golos e sofrendo...126! As derrotas por 0-10 em casa com o Vizela e 0-11 fora com o Freamunde foram os momentos em que a equipa chegou mesmo a bater no fundo. Entre os jovens mártires que foram "saco de pancada" encontrava-se um tal Bébé, então com apenas 17 anos, e que hoje joga nos espanhóis do Córdoba, da primeira liga espanhola, por empréstimo do Benfica, tendo passado ainda pelo Manchester United e os turcos do Besiktas. O clube ficou então "adormecido", regressando em 2008 com o novo nome e emblema, partindo da II Divisão distrital da AF Porto. Em apenas quatro anos conseguiram o regresso aos campeonatos nacionais, e actualmente disputam o "play-off" de subida do Campeonato Nacional de Seniores, podendo assim em caso de sucesso juntar-se ao Farense na Liga de Honra, e reeditar um confronto que já foi entre "grandes".


Agora outro caso de "renascimento", mas noutra "nuance". Quem tiver memória e recuar vinte anos, recorda-se da única participação do Futebol Clube de Felgueiras no escalão principal, na época de 1995/96. O clube nortenho era então treinado por Jorge Jesus - sim, o mesmo - que contava com um plantel onde se incluía entre outros Sérgio Conceição, na altura com apenas 21 anos. A época até nem corria assim tão mal, e a dez jornadas do fim o Felgueiras ocupava um tranquilo 11º lugar, longe de se pensar que poderia descer. Mas depois foi só perder, e a descida seria apenas confirmada na última ronda, com um "empurrão" do Sporting, que empatou em Leça da Palmeira, quando em Felgueiras todos faziam fé que os leões fossem ali vencer e relegar os leceiros - é o que acontece quando se fica a depender de terceiros. Depois veio a Liga de Honra, onde o Felgueiras se manteve durante nove longos anos, os últimos dos quais a muito custo, até se dar a liquidação que relegou o clube para o amadorismo, estávamos no ano de 2005. O velho Felgueiras começou do zero dois anos depois, na II Divisão regional da AF Porto, mas não conseguiu subir de imediato e resolveu voltar a "hibernar". Ao mesmo tempo era criado um "clone", que dava pelo nome de Felgueiras 1932, o que é de estranhar, uma vez que o clube original havia sido fundado em 1934. Estes andavam pelos regionais, até que há dois anos subiram à III Divisão, e mesmo a tempo desta ser extinta, conseguindo contudo a subida ao actual Campeonato Nacional de Seniores, onde se mantêm, lutando agora pelos lugares de acesso à Liga de Honra. Menos "maduros" que Salgueiros e Farense, por enquanto.


Este nunca chegou a acabar, mas andou lá perto. O Futebol Clube Tirsense, outra colectividade nortenha, foi até meados dos anos 90 um clube modesto, e até 1994 tinha seis presenças no escalão principal, quando se deu um autêntico terramoto lá para as bandas de Santo Tirso. A época de 1994/1995 foi a melhor de sempre do Tirsense, mas o preço da "ousadia" foi demasiado elevado. Com Eurico Gomes no banco, o plantel contava com nomes do calibre de Marcelo e Paredão, respectivamente avançado e defesa-central brasileiros que depois passariam pelo Benfica e mais tarde pelo futebol inglês, ou ainda Giovanella, outro brasileiro que foi colega de equipa de Pauleta nos espanhóis do Salamanca - todos jogadores agenciados pelo célebre empresário Manuel Barbosa, mais tarde caído em desgraça. O início do campeonato dos jesuítas foi brilhante, e à nona ronda encontravam-se em quarto lugar a um ponto do Benfica, a três do FC Porto e a cinco do então líder, o Sporting, e no fim conseguiram o 8º lugar, a melhor classificação das oito presenças na divisão maior do futebol português. Na época seguinte o Tirsense desceu à Liga de Honra, e na seguinte à II "B", e depois à III divisão, e de seguida aos distritais, sempre sem parar. Não foi declarada falência nem houve pontos perdidos na secretaria: foi "limpinho", entre 1996 e 2000 passaram da I divisão nacional à I divisão da AF Porto. Regressariam aos nacionais logo no ano seguinte, mas tem sido um caminho penoso; depois de sete anos na III Divisão subiram finalmente à II "B", onde se mantêm há oito, agora com a designação de Campeonato Nacional de Seniores. Pelo menos em 15 anos nunca mais voltaram a descer - levaram com a "dose" toda de uma só vez, se calhar.


Agora um clube que foi um "tubo de ensaio" para algo de maior - coitado. O Futebol Clube de Alverca, emblema da vila com o mesmo nome, localidade do concelho de Vila Franca de Xira, foi sempre um clube humilde desde a sua fundação em 1935, e em 86 disputava ainda os campeonatos distritais, sem nenhum feito digno de destaque para lá de dez participações consecutivas no campeonato da III divisão durante os anos 70. Em 1987 regressam aos nacionais, e num "pulo" passam da terceira à II Divisão, onde se foram mantendo muito graças a uma pequena parceria com o Sporting, de quem serviam de clube satélite, a par de outros idênticos, como o Lourinhanense, por exemplo. Em 1994/95 sobem à Liga de Honra, feito astronómico para um clube daquela dimensão, e ninguém imaginaria que dois anos depois subiriam ao topo da pirâmide dos campeonatos de futebol em Portugal: a I Liga. O presidente do Alverca era então um tal Luís Filipe Vieira, que fez ali o que se pode considerar de "estágio" para voos mais altos. Depois de quatro anos na I Liga, o Alverca desceu em 2002, mas regressou no ano seguinte, que foi também o último de Vieira na presidência, que passou a presidir o Benfica em 2003. Coincidência ou não, o Alverca "acabou" literalmente dois anos depois, após duas descidas de divisão consecutivas. Recomeçando do fundo dos distritais em 2006/2007, ainda se mantêm nos campeonatos da AF Lisboa, agora na Divisão Pró-Nacional, mas sem perspectivas de regresso aos dias "gloriosos".


Eis a triste história de uma cidade com quase 200 mil habitantes e sem um único clube de futebol: a Amadora. O Clube de Futebol Estrela da Amadora foi, assim como o Alverca, uma colectividade humilde ao longo da sua história, aparecendo pela primeira vez na II Divisão nacional no início da década de 80. Mas ao contrário da vila ribatejana, a Amadora cresceu exponencialmente, e assim o clube cresceu também, chegando pela mão de João Alves à I Divisão em 1988, que a juntar a isso venceu a Taça de Portugal dois anos mais tarde, juntando a respectiva participação na Taça das Taças, chegando mesmo à 2ª eliminatória, onde foi eliminado pelos suíços do Neuchatel-Xamax. No ano da (única) participação em provas da UEFA o clube desceu à Liga de Honra, o que já demonstrava que o Estrela não tinha o arcaboiço para ser um V. Guimarães ou um Boavista. Regressariam ao convívio dos grandes em 1993, e ali foram ficando longos períodos, com mais duas descidas seguidas de regressos imediatos, somando um total de 16 presenças no escalão principal entre 1989 e 2009. Foi nesse ano de 2009 que o clube faliu, ficando os atletas sem receber um único vencimento durante toda a época, terminando mesmo assim num honroso 11º lugar. De nada valeu o sacrifício, pois devido à insolvência o clube baixou à II "B", onde disputou uma temporada antes de encerrar definitivamente, em 2010. No ano seguinte apareceu o Clube Estrela de Futebol, supostamente seu herdeiro, mas a ambição ainda não passou dos escalões de formação, onde diga-se de passagem os resultados estão longe de ser impressionantes.


E estes são apenas os casos mais mediáticos, mas outros há que, tendo feito menos "estrondo", não se deixa de lamentar a queda. Recentemente tivemos o União de Leiria, relegado para a II "B" devido a insolvência, ou a Naval 1º de Maio, da Figueira da Foz, que depois de algumas épocas entre os grandes, ocupa actualmente o último lugar da Série E do Campeonato Nacional de Seniores. Houve ainda clubes modestos que tiveram uma ambição desmedida, que a juntar a uma má gestão levou a que encerrassem ou que se arrastem actualmente por divisões inferiores, casos do Futebol Clube do Marco, o Gondomar Sport Clube ou o Imortal de Albufeira, para citar alguns. Não esquecer ainda outros que em tempos tiveram ombro a ombro com os melhores, mas que paulatinamente foram caindo de escalão em escalão, não mais recuperando o fulgor de outros tempos. Exemplos de "O Elvas", já extinto, ou dos seus "compadres" alentejanos do Campomaiorense, cuja direcção teve a sensatez de descontinuar um projecto que nunca daria nada para além de prejuízo, ou ainda o Clube Desportivo do Montijo, que deu lugar ao Clube Olímpico do Montijo, mas sem sucesso, e o Seixal Futebol Clube, já extinto, ambos emblemas que já foram primodivisionários e hoje andam pelas ruas da amargura. Curioso o caso do Estrela Futebol Clube, da localidade alentejana de Vendas Novas, que já terminou e reatou o departamento de futebol sénior vezes sem conta.

Todos eles são a prova em tempos viva e agora em muitos casos longe disso, de que a máxima "não há dinheiro, não há palhaços" assenta que nem uma luva no mundo do futebol. Só que neste particular os "palhaços", estejam eles a correr atrás da bola no relvado ou sentados na bancada a agenciar os primeiros, cobram um cachê muito elevado.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Acordem-me quando chegarmos


Fim de mais um semana, fim de um mês, o segundo do ano. Assim como a mais fina areia do deserto se vai levantando e casando com os vendaváis, assim são os dias das nossas vidas. Enfim...bom, isto tudo a propósito do quê, mesmo? Ah, o artigo de quinta-feira do Hoje Macau, um momento sempre alto deste pasquim electrónico. Continuação de um bom fim-de-semana!

Quando eu era um jovem imberbe e impoluto, ainda absorvia o cálcio, não me doíam as cruzes e quase tudo na vida era ainda uma curiosidade, adorava viajar. Não pelo destino em si, que podia ser um sítio qualquer, mas pela viagem propriamente dita, pelo tempo que demorava para chegar de um ponto ao outro. Não entendia as pessoas que dormiam durante uma viagem, por mais curta que fosse; até duas ou três paragens de metro era o suficiente para “passar pelas brasas”, como dizem esses aficionados da sesta em movimento. Eu usava esse tempo para outras coisas, como ler por exemplo. Orgulho-me de poder dizer que li “Os Maias” apenas durante as viagens de Lisboa para a Margem Sul e vice-versa (e depois reli, pois vale mesma a pena, perdoem-me o lugar comum). O que eu gostava mesmo era das viagens de carro, e quanto mais longas, melhor. Fazia as introspecções próprias da puberdade enquanto olhava pelo vidro da janela do banco de trás, e se fosse com passagem por zonas rurais (o que acontecia quase sempre) deleitava-me a observar o campo, as suas pessoas e as respectivas vaquinhas – e nesse caso era melhor mesmo manter a janela fechada, por razões óbvias.

Em Macau não dá para fazer longas viagens de carro, de barco ou seja do que for, por culpa da exiguidade do próprio território. E é pena, pois uma longa viagem de norte a sul ou de este a oeste e depois de regresso é uma experiência que ajuda a alargar os horizontes. Aqui dizer-se que a população tem “horizontes curtos” vai para além do sentido figurativo da expressão, pois se ouvem falar em “cinquenta quilómetros”, perguntam logo: “isso é como daqui até onde?”. Cinquenta, vinte ou mesmo dez quilómetros são conceitos alienígenas para os locais, que consideram “longe” qualquer local que fique dez minutos a pé daquele onde se encontram. Uma vez perguntaram-me qual era a distância entre Lisboa e Leiria, e sem saber como explicar, usei uma medida local, e disse que era “como ir a Coloane e voltar umas dez vezes”. Aí ficam mais ou menos esclarecidos, e claro que para eles isto é “muito longe”.

E por falar em Coloane, um dia destes fui até lá, e para o efeito apanhei um autocarro, o que faço sempre sem entusiasmo. O referido transporte vinha cheio, num Domingo à tarde, o que em tempos foi considerado “estranho”, mas hoje é só “sintomático”. E por isso, ou só por azar, vim de pé durante toda a viagem – não que me importe muito com isso, pois mesmo sentado não há vaquinhas para ver quando se olha pela janela. Já na ilha da Taipa, pouco antes de chegar à paragem do Posto Fronteiriço da Flôr de Lótus, o condutor faz uma travagem brusca que me apanha desprevenido, e mesmo agarrado a uma daquelas barras de ferro onde os tristes partilham bactérias foi por um triz que evitei esbardalhar-me no chão (O verbo “esbardalhar” existe mesmo, sabiam? Encontrei no dicionário). Foi aí que percebi que a vaquinha ali era eu, e que ao volante estava um indivíduo que transportava os passageiros com a mesma deferência de quem transporta gado vacum. São as bestas dos motoristas do autocarro mais os taxistas que são umas bestas, e mais as multidões de turistas, e mais as obras, o trânsito, a gripe, as burlas, é um Deus-nos-acuda que nunca mais acaba. Os tipos do tal instituto que elegeu Macau “a melhor cidade da China para se viver” devem ser loucos. Ou estão a gozar.

Dizem por aí que se comemorou um destes dias a chegada do Ano Novo Lunar. Ai sim? Não dei por nada, pois nem me atrevi a sair de casa. Mas isto ajuda a explicar as explosões que se ouviam, durante horas e horas, mesmo até para lá das horas das criancinhas irem fazer oó. Ainda bem que foi o “Ano Lunar”, pois cheguei a pensar que estava na Bósnia dos anos 90, ou de um Kosovo mais recente. A “semana dourada” , nome dado ao período de férias associado com o Ano Novo Lunar, ficou mais uma vez marcada pela visita dos nossos “pangyaos” do continente, que vêm aqui “fazer turismo” – sabe Deus porquê. Em Hong Kong a população já ficou farta de não poder deixar cair uma agulha sem acertar no pé de alguém, e um destes dias “descarregou” em cima dos tais turistas, demonstrando desagrado com a “invasão”, com reacções que chegaram a ter laivos de xenofobia.

Em Macau os costumes são mais brandos, e apesar de termos aqui o mesmo problema que em Hong Kong, nota-se uma maior tendência para o “cagandismo”, como quem lamenta e ao mesmo tempo aceita a inevitabilidade da morte. Mas os ventos são de mudança, e os senhores que para aqui mandam os turistas e que são os mesmos que aqui mandam, vêm agora tentar apaziguar os ânimos, prometendo que vão “estudar o assunto”, e tentar encontrar mecanismos que limitem o número de visitantes durante os feriados, ou para o efeito noutro período qualquer. Que bem que eles falam, e que bem que tantos ouvem – é a simbiose perfeita, como a língua na orelha dos namorados que ainda não estão fartos um do outro. Para mim esta viagem não leva a lado nenhum, não há vaquinhas para ver nem “Os Maias” para ler, e posto isto, mais do que apenas “passar pelas brasas”, vou entrar em coma induzido. Acordem-me quando lá chegarmos. Se chegarmos.

Jogadores de futebol - com nomes parvos (parte II)


CHARALAMBOS CHARALAMBIDIS, Nacionalidade: grego. Posição: guarda-redes. Clube: Doxa Dramas (Grécia)


Sean COMER, Nacionalidade: norte-americano. Posição: defesa. Clube: Winthrop Eagles (Estados Unidos)


Alan Jesús ALEGRE, Nacionalidade: argentino. Posição: defesa. Clube: Quilmes (Argentina)


Filippo PORCO, Nacionalidade: belga. Posição: defesa. Clube: Genly-Quévy (Bélgica)


PRETO Marabá (Raimundo Sebastião de Oliveira), Nacionalidade: brasileiro. Posição: defesa. Clube: Morrinhos (Brasil)


FEDE Varela, Nacionalidade: espanhol. Posição: médio. Clube: FC Porto "B" (Portugal)


CHULÉ (Jesús Villar), Nacionalidade: espanhol. Posição: médio. Clube: Manzanares (Espanha)


Filippo PORCARI, Nacionalidade: italiano. Posição: médio. Clube: Carpi (Itália)


Jamal GAY, Nacionalidade: jamaicano. Posição: avançado. Clube: Rovaniemi (Finlândia)


Gorka PINTADO, Nacionalidade: espanhol. Posição: avançado. Clube: AEK Larnaca (Chipre)


Giovanni FODERARO, Nacionalidade: italiano. Posição: avançado. Clube: Poggibonsi (Itália)

E temos mais um onze! Charalambos Charalambidis; Comer, Alegre, Porco, Preto; Fede, Chulé, Porcari; Gay, Pintado, Foderaro. Ao ataque!

Lady Abcdefg


Uma colombiana de 36 anos resolveu mudar de nome. A mulher chamava-se Ladyzunga Cyborg, o que temos que convir, é um nome algo embaraçoso, e por isso passou a chamar-se Abcdefg, nome próprio, Hijklmn Opqrst Uvwxyz como apelidos. Mas que diabo, será que os pais da senhora eram malucos e resolveram dar-lhe aquele nome horrível, e por despeito ela quis mudar para outro pior ainda? Nada disso, pois esta tipa, que deve ter uma pancada nada pequena, já tinha ela própria escolhido "Ladyzunga Cyborg", e não foi o primeiro, desde que começou a "brincadeira" em 2012. Diz ter escolhido Abcdefg Hijklmn Opqrst Uvwxyz porque "queria um nome que mais ninguém tivesse na Colômbia" - e nesse particular parece ser uma especialista - e ao mesmo tempo "que tivesse todas as letras do abcedário". Posto isto, como "The quick fox jumps over the lazy dog" estava fora de questão, escolheu este mais pronunciável Abcdefg Hijklmn Opqrst Uvwxyz. Dá que pensar, no que toca ao direito que cada um tem de mudar o nome que os pais lhe deram.

Pum!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Diário de Todos: um "look" mais atento

O "Diário de Todos" volta a atacar.

Foi-me gentilmente enviada pelo correio há mais de uma semana a segunda edição do "Diário de Todos", a primeira publicação bilingue em Português e Chinês em Portugal (se não é a primeira, é a primeira que interessa), que só agora tive a oportunidade de ler com mais atenção. Este é o nº 2 do jornal lançado no início deste mês com toda a pompa e circunstância, como fiz referência neste artigo, e a primeira impressão que tive foi a seguinte: é grande. Enorme. Só recebi a versão em língua portuguesa, e são 64 páginas. Tudo bem, algumas são ocupadas apenas por publicidade ou/e imagens, mas diria que em páginas "úteis", que requereram escrita, revisão, edição e paginação são à vontade umas trinta. Ou quarenta. Seja como for, vê-se que há ali muito empenho, muito trabalho, e vontade de levar o projecto a sério - não que alguma vez eu tenho pensado que estavam a brincar, nada disso. Pelo menos deu para entender porque é que não é "diário", pois seria impossível sair todos os dias com aquele volume. Além disso é preciso dar o braço a torcer e reconhecer que em Portugal, apesar do nítido desenvolvimento das relações bilaterais nos últimos anos, não há mercado (ou necessidade...) de publicar um diário luso-chinês. Mas passemos ao conteúdo propriamente dito.

Paulo Portas acha natural a Criação. Ah, e a criação do "Diário de Todos", também...

Começamos com um editorial assinado pela directora do jornal, Helena de Cruz Mouro, a quem mando desde já um grande bem haja e endereço os parabéns, que deseja aos leitores um Bom Ano Lunar da Cabra, que como se sabe entrou na passada semana. A directora fala ainda do 10º aniversário da assinatura do Acordo de Parceria Estratégica Global entre Portugal e a China, assinado pelo próprio presidente chinês, na altura Hu Jintao, que para tal se deslocou ao nosso país, e conjectura sobre a eventualidade, ou a necessidade, do PM português "retribuir a visita", e assim "fazer o balanço" do que foi feito no sentido de estimular essa mesma parceria - e parece que foi bastante. Em todo o caso, Helena Cruz Mouro lembra que Pedro Passos Coelho "ainda não visitou a China". Pensando bem, e nos tempos que correm, essa é uma falta que não se perdoa a qualquer chefe de Estado de qualquer nação. Bem visto. E mais à frente vemos o próprio vice-PM, Paulo Portas, a recordar essa efeméride por altura do lançamento do "Diário de Todos", logo depois de duas páginas com fotografias da festa que foi o nascimento do primeiro projecto do género em Portugal. Depois mais algumas páginas com mais fotografias, muito ao estilo "TV 7 Dias" - sem ofensa, claro.

Um raro momento em público, de pé e bem disposto.

Depois temos a reportagem referida na capa, sobre a presença da China em África, mais exactamente nos países lusófonos, neste caso em Angola. Penso que esta será uma contribuição do lado de Macau, que colabora com o "Diário de Todos" através do Macau Hub, e esta peça em particular vem assinada (julgo eu) pelo Guilherme Dias. Mais à frente deparamos com um artigo dedicado a um tema a que já estamos mais que habituados, o de Macau como "plataforma para os países lusófonos". Sabemos que esta é uma possibilidade meio remota, pois existe mais vontade do que exactamente meios para que isso seja possível, pois sabemos que Macau não está propriamente a pulsar com Lusofonia ou luso-outra-coisa-qualquer, e quem tem a percepção de que aqui há um angolano, um moçmbicano, um brasileiro ou um timorense porta-sim, porta-não, está enganado, lamento muito. . Esta pode ser uma utilidade para Macau no contexto da própria China, e olhando para o que se tem passado com a queda das receitas do jogo, bem que se podia ver isto como um sinal para fazer...qualquer coisa? Lusofonia, pois, há terreno, há História, apesar de não existir vontade por aí além, mas "qualquer coisa" urge fazer, sim.

E esta, ó Euro? Chupa lá renminbis!

E pronto, sem querer fazer uma análise muito exaustiva deste número do "Diário de Todos", pode-se depreender pelo pouco que aqui deixei ver que se trata de uma ideia com o objectivo de fazer a ligação entre os dois países, ou tentar contribuir para tal, e os assuntos tratados são sobretudo relacionados com as áreas económicas, comerciais e industriais, piscando o olho à cultura, ao convívio de duas delas que tão bem se conhecem, mas que estranhamente andam um bocado "a leste" uma da outra. Os temas são tratados de forma directa e acessível, e convém dizê-lo, convidativa também, pois faz-se o balanço ideal entre o texto e as ilustrações. Espero que continuem com toda essa pujança e entusiasmo, e melhorem - não porque está mal, mas porque há sempre lugar para fazer mulher. Força, e já agora muito obrigado pela atenção que foi se terem lembrado aqui do "velho". Xie xie, zai jian.



Ganhámos, ca...! E que Deus esteja convosco


- Portugal foi campeão da Europa de Futsal!

- Estranho...não ouvi dizer nada. De séniores?

- Claro!

- Hmmm...de masculinos?

- Pois então!

- Não foi de futsal para amblíopes, trissómicos, sem-abrigo, ex-toxicodependentes, presidiários ou "gays", nem nada assim desse tipo, pois não?

- Beeeem...foi de sacerdotes. Isso inclui-se nesse exclusivo e temperado grupo?

- Padrecos? Meh...e depois?

- Ganharam a quinta edição da Clericus Cup, que se realizou na Áustria, em St. Polten (onde mais?)

- E...?

- Venceram a Polónia por 1-0 na final!

- Que sacrilégio....golo do Cristão & Ano Sagrado, o Cristiano Ronaldo de batina?

- Engraçadinho, foi um golo do Pe. António Cunha.

- Famosíssimo. E que mais?

- Dedicaram a vitória ao Padre José Miguel Pereira, pároco da Apúlia!

- Porquê?

- Porque este foi recentemente convocado para defender eternamente a baliza do reino dos Céus.

- Epá que desagradável, é preciso vires com esse eufemismo tão parvo?

- Estou a citar a revista Ecclesia.

- Ah...está explicado.

Parabéns, padrecos tugas!

O vídeo (e o idiota) da semana



Tenho com Sean Penn a mesma relação que tenho com o Bono dos U2: são ambos uns perniciosos e uns pedantes que se fingem preocupar com assuntos sérios para dessa forma promover a sua imagem - aposto o que quiserem que se um sem-abrigo lhes chegar perto puxam de uma faca ou de uma lata de gás-pimenta e gritam-lhe "não me toque"! Que se morra de amores pelo Bono, ainda entendo - não desculpo, mas entendo, que o gajo é um sacana que consegue manter a ficha limpa, mas o Sean Penn?!?! Já toda se esqueceu quem era o Sean Penn antes de ganhar não sei quantos oscares lá a fazer de condenado à pena de morte, e de rei dos panilas e de não sei quê? Eu refresco-vos a memória:



Passem o primeiro minuto deste filme idiota para verem o maior de todos os idiotas. Sim, é o Sean Penn, o mesmo que fazia papéis de atrasadinho mental e que CASOU COM A MADONNA! E NINGUÉM casa com a Madonna, plamordedeus. Á conta disso esteve em Macau há trinta anos a fazer um filme merdoso, e enquanto cá esteve comportou-se como um troglodita intoxicado, e chegou a pendurar um jornalista da varanda do seu quarto de hotel, e só se safou de ir de cana porque era o Sean Penn. P... que o pariu, ganda palhaço. Agora devemos também desculpar o Sean Penn de tudo, até das alarvidades que vomita, como a dos oscares no Domingo? Ah, não tem importância, ele e o Puñeta ou como é que se chama o Speedy Gonzalez que ganhou para melhor realizador são amigos, e não sei que mais. O tanas, pá! Se são amiguinhos vão lá brincar com a pilinha um do outro. E os mexicanos que são explorados pelos americanos num regime de semi-escravatura e por vezes sofrem horrores na clandestinidade? E isso quando não são logo abatidos por vigilantes "yankees" logo que passam a fronteira a salto. Vai-te lixar, ó Sean Penn.

Morreu o Mr. Spock


Morreu o Mr. Spock, personagem indissociável do imaginário juvenil da minha geração e da anterior à minha. Qualquer fã de "Star Trek" (do original, não destes últimos cujo conteúdo desconheço por completo) sabe que o Mr. Spock não morre, e isso ficou provado na longa-metragem "A Ira de Khan". Contudo o seu lado terrestre, de nome Leonard Nimoy, faleceu ontem aos 83 anos, depois de uma vida mais ou menos longa, mas sem dúvida próspera. É apenas lógico.

Auf widersehen, lionen



O Sporting disse adeus à Liga Europa, após um empate sem golos em Alvalade frente aos alemães do Wolfsburg, depois de uma derrota por 0-2 no jogo da primeira mão. Era uma tarefa muito complicada, a dos portugueses, pois pela frente tinham uma das melhores equipas europeias, com um frente de ataque de fazer invejar muitos clubes de respeito, e capaz de meter qualquer um em sentido. Mérito mesmo assim para os leões, que não abdicaram de atacar, dominaram completamente o jogo, e sairam de cabeça erguida. Em retrospectiva, tiveram azar no sorteio.



Mais acessível, pelo menos em teoria, era o adversário do Liverpool, a quem calhou o Besiktas, que apesar de liderar o campeonato turco, está alguns furos abaixo dos ingleses, tanto quanto a prestígio, como no valor dos respectivos plantéis. Depois de uma vitória por 1-0 em casa, o Besiktas conseguiu empatar a eliminatória com um golo de Arslan, aos 72 minutos. Depois de meia hora de prolongamento sem que nada ficasse decidido, foi necessário recorrer à lotaria dos pontapés da marca de grande penalidade, e aí todos marcaram menos o defesa sérvio Dejan Lovren, do Liverpool, que deixou assim a equipa de fora dos oitavos-de-final da Liga Europa. Das restantes equipas inglesas só o Everton passou, depois de vencer em casa os suíços do Young Boys por 3-1, quando já tinha vencido fora por 4-1. O Tottenham não fez melhor que um empate em casa frente à Fiorentina a uma bola na primeira mão, e ontem perdeu em Itália por 0-2, ficando pelo caminho.



E além da Fiorentina, todas as restantes equipas italianas seguiram em frente, com mais ou menos dificuldade. A Roma tinha uma tarefa complicada, depois do empate em casa a um golo frente aos holandeses do Feyenoord, num jogo que ficou marcado por desacatos, mas ontem silenciou a "banheira" de Roterdão com uma vitória por 2-1. Também complicada era a tarefa do Torino, que depois de um empate a dois golos em casa frente ao Atheltic Bilbao foi a San Mamés e venceu por 3-2, demonstrando muita raça. O Nápoles tinha a eliminatória na mão depois de vencer fora o Trabzonspor por 4-0, mas mesmo assim voltou a vencer os turcos por uma bola a zero em casa, para não serem tão "mauzinhos", enquanto o Inter venceu no Giuseppe Meazza o Celtic pelo mesmo resultado, depois de um mais emocionante 3-3 na primeira mão.



E das equipas espanholas o Bilbao foi a excepção pois tanto o Sevilla como o Villarreal seguiram em frente na prova. Os sevilhanos, actuais detentores do troféu, tinham vencido na primeira mão em casa por 1-0 frente ao Borussia Moenchengladbach, mas apesar da fragilidade do resultado, confirmaram a vitória na Alemanha por 3-2, com um golo do colombiano Carlos Bacca e dois do extremo-direito espanhol Vitolo. O Villarreal tinha pela frente o mais acessível Salzburgo, da Áustria, onde foi vencer por 3-1, depois de ter ganho 2-1 na primeira mão. Um "outsider" nos oitavos será o Club Brugge, treinado por Michael Preud'homme, que eliminou os dinamarqueses do AaB Aalborg, com 3-0 em casa depois de outra vitória por 3-1 fora.



Das equipas holandesas já sabemos que o Feyenoord foi eliminado pela Roma, mas só o Ajax salvou a honra do convento, ao eliminar os polacos do Legia. O PSV tinha perdido em casa frente ao Zenit por 0-1, e na Rússia não só não conseguiu recuperar como ainda saíu goleada pela equipa de Villas-Boas por 0-3, com um golo de Hulk e dois de Rondón. Aliás foi um dia em grande para russos e ucranianos, e ninguém diria que estão em guerra. O Dinamo Moscovo eliminou os belgas do Anderlecht, vencendo por 3-1 depois de um empate sem golos fora, e quanto aos ucranianos, o Dinamo Kiev bateu os franceses do Guingamp por 3-1, depois de uma derrota por 1-2 na primeira mão, e o Dnipro foi à Grécia empatar a duas bolas com o Olympiakos, depois de já ter ganho 2-0 no primeiro. O facto de estarem duas equipas russas e outras tantas ucranianas condicionou o sorteio dos oitavos, pois estas não se podem defrontar.

O sorteio dos oitavos-de-final, que determinou os seguintes confrontos:

Everton (Ing)-Dinamo Kiev (Ucr)
Dnipro (Ucr)-Ajax (Hol)
Zenit (Rus)-Torino (Ita)
Wolfsburg (Ale)-Inter Milão (Ita)
Villarreal (Esp)-Sevilla (Esp)
Nápoles (Ita)-Dinamo Moscovo (Rus)
Club Brugge (Bel)-Besiktas (Tur)
Fiorentina (Ita)-Roma (Ita)

Ingleses enrascados, alemães remediados



Jogaram-se esta semana mais quatro partidas referentes aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, com as equipas inglesas a conseguirem resultados que só podem ser descritos como "comprometedores". Na terça-feira o Manchester City voltou a acusar a falta de estofo para estas andanças europeias, e perdeu no seu reduto frente ao Barcelona por 1-2. Tudo fácil para os catalães, que chegaram aos dois golos de vantagem em meia-hora, com dois golos de Luís Suarez. O homem conhecido por ter tendência para morder nos adversários deu duas "dentadas" nos ingleses que eram até há pouco tempo seus rivais no Liverpool. O Barcelona passou a jogar em ritmo menos acelerado, e o Manchester City até pode festejar um golo, da autoria de Sergio Agüero, estavam decorridos 69 minutos. Mesmo assim pouco, tendo em conta que na segunda mão em Nou Camp terão que fazer um resultado igual, ou melhor.



Na quarta foi a vez do Arsenal receber os franceses do Monaco, e não só os londrinos não fizeram melhor que os seus compatriotas do Manchester City no dia anterior, como ainda fizeram pior - e tiveram muito azar. Os monegascos, que foram em tempos treinados por Arsene Wenger, actual treinador dos arsenalistas, marcaram aos 38 por Kondogbia, e chegaram ao intervalo em vantagem mínima, e aos 53 o veterano Berbatov, búlgaro que já alinhou pelo Manchester United, fazia o segundo e complicava ainda mais as coisas para os ingleses. Oxlade-Chamberlain ainda reduziu para os arsenalistas já em cima dos 90, mas o Monaco usou do seu cinismo para fazer mais um, quatro minutos para lá da hora. Missão muito difícil para o Arsenal em França na segunda mão.



Se na semana passada o Bayern obteve um resultado apesar de tudo positivo, com um empate a zero em Donetsk, e o Schalke 04 disse praticamente adeus à Champions ao perder em casa por 0-2 com o Barcelona, as restantes equipas alemãs em prova tiveram resultados "assim-assim". E "assim", primeiro, o Borussia Dortmund, que apesar da crise na Bundesliga foi a Turim bater o pé ao actual campeão e líder destacado da Série A italiana, a Juventus, levando para o jogo da segunda mão uma desvantagem de 1-2, teoricamente acessível de se recuperar, com um pouco de inspiração. Os golos foram todos na primeira parte, com Tevez a colocar a Juve em vantagem aos 13 minutos, para cinco minutos depois Marco Reus fazer o empate. O avançado italiano Alvaro Morata fez o segundo aos 40 minutos, e com toda a certeza os "tiffosi" queriam mais, e vão ter que mostrar credenciais agora em Dortmund, onde ficarão eliminados com uma derrota pela margem mínima.



Na Alemanha o Bayer Leverkusen, que foi juntamente com o Monaco um dos responsáveis pela eliminação do Benfica, venceu por uma bola a zero o Atletico de Madrid, com um golo do alemão de origem turca Çalhanoğlu, assistido, assistido por Karim Bellarabi, alemão de origem marroquina - muito integracionistas, os alemães. O resultado é magro, mas vale não ter sofrido golos em casa, e no Vicente Calderón o Atletico certamente vai jogar ao ataque, e para o Leverkusen basta marcar primeiro para os vice-campeões europeus precisarem de três golos para passar. Uma eliminatória a seguir, portanto.


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

O meu coração é de cartão (e lata)

Macau voltou a ficar mal em mais uma avaliação da Amnistia Internacional no que diz respeito à situação dos direitos humanos, nomeadamente no que toca ao exercício da liberdade de expressão. Em causa estão mais uma vez os despedimentos no ano passado de dois académicos de duas universidades, um autêntico "tiro no pé" dado pelo Governo, vistas bem as coisas, especialmente se tivermos em conta que as decisões não foram inteira, ou sequer na maior parte, da responsabilidade exclusiva das direcções daquelas instituições de ensino superior - houve dedo da política, lá está. Interessante como em Macau podemos ficar dias, meses ou até mesmo ano a falar para uma parede, que ninguém nada faz senão encolher os ombros, e com algum jeitinho ainda convencem os curiosos e indecisos de que somos "maluquinhos". Se vem uma instituição como a AI, de reputação sólida e mais ou menos acima de qualquer suspeita, já "é grave". Ou não. Mas aqui alguém decide alguma coisa, ou ficam todos sentados à espera que chova? E aqui por chuva quero dizer "ordens lá de cima", obviamente. Isto pode sempre servir de desculpa para não se fazer, ou neste caso "fazer-se a mais", mesmo que não seja completamente - ou de todo - verdade. Para entender melhor o "fenómeno", remeto para este artigo, que tenta explicar com mais acutilância estas "meias palavras"

Entretanto na semana passada foi divulgada uma fotografia, que publico no topo deste artigo, que mostra a qualidade (ou falta dela) de uma construção em Seac Pai Van, na Ilha de Coloane. Nela vemos como uma das paredes é preenchida não com betão, como deveria ter sido, mas com lixo, neste caso aquilo que aparenta ser sacas de papel, que ao que tudo indica serão de material de construção - daquele que foi usado, suponho. Não chegou? Enfia-se também as sacas, e aproveitam tudo. Que rapazes "económicos", estes. No entanto não é uma novidade, este "desleixo" na qualidade das construções em Macau, pois antes dizia-se que em algumas delas, "lá para os lados da Areia Preta", podia-se encontrar garrafas de cerveja, caixas de "ta pao" e outros trastes dentro das paredes. Isso era nos tempos em que em Macau ainda havia pobreza, quando os menos abastados se contentavam com uma habitação na zona norte da cidade. Hoje são todos milionários. Exemplo dos empreiteiros, esses tipos que se matam a trabalhar, coitados, e até se entende que façam de quando em vez uma ou outra canalhice, e acrescentem mais um ou dois andares ou que dividam uma fracção em duas ou três. E pronto, querem as coisas feitas depressa ou querem continuar a viver na rua enquanto se manda vir mais sacas de betão? Segurança? Ora essa, o prédio está de pé ainda, ou não?

O triunvirato da chalaça ficou completo com mais uma "semana dourada", em que tivemos novamente um sem número de compatriotas que nos honraram com a sua visita, vindos sobretudo do outro lado das Portas do Cerco, e enchendo de vida e animação esta cidade de outra forma amorfa e cinzenta, e fazendo os cofres do casino abarrotar de nota, que depois de retirada a devida percentagem, contribuirá para o progresso e o bem-estar da população. É por isso tolerável que durante duas ou três semanas se torne impossível circular na rua ou atravessar a estrada, e de nada adianta refilar - afinal é apenas um pequeno sacrifício que se faz para o bem comum. Mas esperem lá, as previsões indicam que em Fevereiro de 2015 as receitas do jogo terão uma queda de...mais de 50%? O quê? Mas afinal, que m... é esta? Tantos porcentos todos os meses, e qualquer dia temos um saldo negativo - vou desde já informando que já gastei os cheques e restantes bonbons que me andaram a dar durante o tempo das vacas gordas, portanto se ficaram a dever alguma coisa a alguém, é melhor ir bater a outra porta. E já agora, andaram a enganar-nos ou quê? Quem é anda a meter a nossa massa ao bolso enquanto somos obrigados a andar aos encontrões na rua com milhares de broncos sem maneiras, e ainda por a bófia a tapar-nos os caminhos para atender às mordomias daqueles cavalheiros e madamas da outra banda? Quando é que nos põem a par da tal "folga orçamental" que tantos anos de "somar e seguir" nos (alegadamente) trouxeram?

Não sei se devo acreditar mais nas boas intenções ou nas palavras bonitas, e falo apenas por mim quando toda aquela retórica que faz eco na imprensa não me diz nada. Sem a liberdade, ou com ela a conta-gotas, tudo bem, desde que a prosperidade venha aos tonéis. Fazer má figura, de pouco importa, se os cofres estão cheios e o coração é de ouro, e além disso, o que interessa mesmo é o que a China pensa, e mesmo esses já nos começam a olhar de soslaio. Se todo o betão que devia sustentar esta enorme estrutura é afinal cartão das caixas de "ta pao" e papelão das sacas, e o coração não é de ouro mas sim de lata, então já começo a desconfiar, e como o meu mestre (vocês sabem quem) dá-me vontade de protestar e refilar dizendo: "alguém está a fazegue dinheigo com isto". Nós é que não somos, com toda a certeza. Hoje uma colega, sempre prestável e preocupada com a minha salubridade mental tentava tranquilizar-me, dizendo "olha...acabou a semana dourada, já não há mais preocupações". "Pfff..." - respondi eu - semana dourada, já não me lembro como é uma dessas. Preocupações? Parece-me que ainda só estão a começar...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Le bedalhoque, par Sovakis Bacalao


Aqui está uma prova daquilo que eu sempre disse: a maior parte das mulheres cheira sempre bem, mesmo quando cheira mal - e elas sabem disso melhor que ninguém. Daí que não me surpreenda que a Flint+Flint, uma marca de cosméticos, tenha entrevistado várias mulheres do Reino Unido, que confessaram "não tomar banho todos os dias". Um terço delas disse mesmo que por vezes "fica três dias sem se lavar". Tudo bem, são inglesas, um tipo especial de badalhoca que não é do gosto de todos, mas acredito que não é por falta de água que as "bifas" se abstêm de quando em vez de pelo menos tomar um duche rápido. Por outro lado, de que forma iam elas criar aquela quintessencial fragrância de que todo o homem gosta, o "Sovakis" temperado de "Bacalao"? Hmmm... le scent que j'adore. Já dizia o grande Manuel João no seu tema "Mulher do Norte": "Essa deusa escandinava/nunca se lava/mas cheira bem".

Viado ao cubo



"Eu não a-cre-di-to. A sério, nem estou em mim, isto é ho-rrí-vel. Estúpidas...". É o que diria o Filipe, personagem da Bairro do Oriente TV se visse este vídeo, onde a estrela é um...compatriota? Compincha? Irmão? Sei lá, um "co-gay" dele, pronto. Tudo se passa no Brasil, e como não encontrei a versão integral do filme - se é que existe uma - não sei ao certo o que se passou, mas aqui vemos um tipo alegadamente "gay" dar um recital de porrada num desgraçado, e tudo porque este lhe chamou de "viado", insulto com que os homossexuais são frequentemente confrontados naquele país (julgo que "viado" deriva de "desviado", pois o animal cujo representante mais célebre é o Bambi escreve-se com "e", não com "i"). Desconheço até que ponto os "gays" no Brasil ficam incomodados com este epíteto, mas este em particular não gostou mesmo nada, e partiu para a porrada. Como é que podemos afirmar que o indivíduo em causa é "gay"? Basta escutar o discurso indignado, como que se tivesse partido uma unha, que ele profere enquanto enche a vítima de pontapés. Sinceramente não sei o que é pior, se a porrada ou se a descompostura de veio (possivelmente) antes, durante e depois.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Grandes foram grandes


Primeira Liga: Moreirense 1-3 Benfica by omnisport-uk

Benfica, Sporting e FC Porto, por esta ordem de entrada em cena, venceram as respectivas partidas da 22ª jornada da Liga NOS. Os encarnados foram no Sábado a Moreira de Cónegos defender a vantagem de 4 pontos sobre o perseguidor mais directo, o FC Porto, e conseguiram ganhar por 3-1, apesar de alguns sobressaltos, próprios de um terreno acidentado, semelhante ao do P. Ferreira, onde a equipa de Jorge Jesus perdeu pela última vez. Os locais estiveram em vantagem graças a um golo de Pedro Santos, que levou a sua equipa para o intervalo em vantagem, e deixava patentes as dificuldades que o Benfica ia sentindo no Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas. Contudo no segundo tempo viu-se um filme que já começa a ficar demasiado visto: Luisão empata aos 50 minutos, dois minutos depois um jogador do Moreirense é expulso, cria-se uma confusão que leva dois treinadores a serem expulsos também, e o Benfica marca mais dois, por Eliseu aos 65 e Jonas aos 73, e fica o assunto arrumado.



No Domingo foi a vez do Sporting receber o Gil Vicente, e ferido no orgulho, o leão venceu por dois golos sem resposta. Era imperial para Marco Silva ganhar, depois de dois empates domésticos e uma derrota comprometedora na Alemanha para a Liga Europa, e o adversário venha de duas vitórias consecutivas, e ainda sedento de pontos para fugir aos lugares da despromoção. A equipa desta vez deu uma mãozinha ao técnico, mas foi preciso esperar 52 minutos para o japonês Tanaka quebrar o enguiço, marcando pela terceira vez na liga na primeira oportunidade que teve no onze inicial. O melhor veio a seguir, com Nani a marcar um golaço, com um remate forte e bem colocado a mais de 20 metros da baliza, estavam decorridos 68 minutos de jogo. O internacional português teve uma reacção curiosa depois do golo, desfazendo-se em lágrimas - ele lá saberá porquê. Com ou sem lágrimas, o Sporting distanciou-se do Braga, que tinha vencido no Sábado o Nacional por 3-1, manteve-se a nove pontos do líder Benfica, e aproximou-se do Porto, mas seria por pouco tempo.



Isto porque o Porto foi ontem ao Estádio do Bessa vencer o Boavista por 2-0, no encontro que concluíu a jornada. Os dragões tinham empatado a zero no encontro da primeira volta, e desta vez voltaram a encontrar dificuldades perante um adversário muito fechado na defensiva e um terreno em más condições para a troca de bola rápida, pesado, e propício a que se contraiam lesões. Os golos chegaram quase ao cair do pano, primeiro pelo suspeito do costume, Jackson Martínez, aos 79 minutos, e aos 87 por Yacine Brahimi, que desta vez saíu do banco de suplentes. O Porto continua em segundo a quatro pontos do líder Benfica, e com mais cinco que o terceiro, o Sporting, que visita o Dragão na próxima jornada.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Nos Óscares aconteceram...coisas


Teve lugar ontem a cerimónia de entrega dos Óscares da Academia de Artes e Ciências blá, blá, blá, ou como toda a gente os conhece "os óscares", ou ainda "a m... dos óscares". Não me entendam, houve um tempo em que eu devorava a cerimónia, e contava os dias até aos Óscares. Cheguei a tirar férias para ver a transmissão em directo pela TVB de Hong Kong na manhã seguinte! Depois passei a "aguardar" apenas, a ler e saber mais sobre os filmes e actores candidatos, e com o passar dos anos passei a "dar a uma vista de olhos", apenas "por curiosidade". Ontem nem sabia que era o dia da entrega bonecos dourados. Ou melhor, sabia, pois no dia anterior entregaram-se os "razzies", prémio que distingue os piores filmes do ano, que passou a ser mais interessante que os próprios Óscares. Porquê? Porque é sobre os filmes, enquanto aquilo que se passou ontem tem mais a ver com quem disse o quê, e dizem-se muitas palermices neste dia, quando os olhos do mundo estão postos em Los Angeles, Califórnia, oh yeah órite mádafaka. Não os censuro, e se calhar no lugar deles fazia o mesmo, mas para bem do cinema do propriamente, não é algo que dê algum tipo de contributo. Então como se podia fazer a entrega do prémio de reconhecimento pelo trabalho de actores, realizadores, guionistas, e tudo isso? Uma sugestão:



Pois, e até consigo imaginar o que diria o mestre Hitchcock a propósito deste seu aparente "desprezo" pela Academia: "O senhor quer que eu lhe diga o quê? Eu faço filmes, veja-os, ali está tudo o que eu quero dizer". Mas pronto, vamos dar uma olhadela àquilo que se passou este ano naquela fogueira das vaidades que é Hollywood, e vou tentar sobretudo dos vencedores, e evitar banalidades - mas vai ser difícil.



O grande vencedor da noite foi "Birdman", uma paródia a...espera lá, "Birdman" é "homem-pássaro"...o actor principal é Michael Keaton...este foi o primeiro Batman da série iniciada em finais dos anos 80 por Tim Burton...ah, já sei! O filme fala de um actor que ganhou fama décadas antes no papel de um super-herói, ficando associado ao papel, entretanto foi-se dando a sua decadência e tenta voltar à ribalta. Qualquer coisa assim? Senão, devo ter ficado perto. Seja como for, o filme é bem feito, foi bem recebido pela crítica, conta com vários actores conhecidos e muito "in" em papéis secundários, e tem um toque de humor negro que lhe dá transmite o epíteto de "paródia". Tudo bem, boa ideia, mas para Hollywood, paródia ou outro estilo, interessa é o dinheiro em caixa. O resto é decoração, como os tais Óscares, enfim.



"Birdman" ganhou um total de quatro óscares, e além de melhor filme levou também o de melhor argumento original e melhor realizador, este último para Alejandro González Iñárritu. Agora perguntam-me vocês: "Quem é esse, um dos cabecilhas da ETA?". Na, mas podia ser. Alejandro González Iñárritu é mexicano, o que vale por dizer que foi preciso incluir à última hora os tacos y burritos con salsa muy picante ay ay ay me gusta, señor, y tequila, hombre! no menu da "after-party". Se o nome não vos diz nada, é o realizador de filmes com que a Academia simpatizou bastante no passado, casos de "Amorres Perros", "Babel" ou "Biutiful" - tudo lamechices. Como realizou e teve também créditos de produção, Iñárritu subiu ao palco duas vezes, e da segunda fez este discurso que aqui vêem, dedicando o troféu aos seus compatriotas que emigram para os Estados Unidos, em muitos casos ilegalmente, blá, blá, blá, who cares? E onde é que estão os meus tacos e burritos?



Já na representação, os óscares foram para os outros "pesos pesados" da noite, e não houve surpresas de maior - venceram os mesmos que meses antes ganharam os Globos de Ouro. Assim Eddie Redmayne ganhou na categoria de melhor actor principal em "The Theory of Everything", um biópico sobre Stephen Hawking, o matemático mais célebre por ter passado toda a idade adulta a definhar lentamente devido a um tipo de raro de esclerose lateral amiotrófica, que o deixou hoje na situação que todos sabemos, aos 73 anos. Ouch! O prémio deve ser merecido, este é o tipo de papéis que tem "óscar" escrito nele, ou caso contrário é um fiasco. Contudo o filme deve ser deprimente para lá do que é recomendável; ninguém vai ver o filme por causa da teoria dos buracos negros ou do restante trabalho científico de Hawkings.



Na categoria de melhor actriz principal a vencedora foi Julianne Moore. Finalmente! - dirão uns, eu digo antes "que se lixe", que não suporto a tipa, e não me recordo de um único filme onde ela esteja creditada que eu tenha gostado. O filme que lhe valeu o óscar é "Still Alice", onde faz o papel de uma professora de linguística da Universidade de Columbia que ainda jovem é diagnosticada com a doença de Alzheimer - aparentemente as doenças degenerativas são o "sabor do ano" em Hollywood. Moore falou no discurso de aceitação de como precisou de conviver com pessoas que sofrem de Alzheimer, etc., etc., epá coitada. Como lhe deve ter causado tanta impressão, a doença dos outros.



Nas outras categorias o óscar para melhor actor secundário foi para J.K. Simmons no filme "Whiplash", um dos grandes derrotados da noite. Serve bem, ao actor que conhecemos melhor no papel de director do jornal onde trabalha o Homem-Aranha. Para melhor actriz secundária a Academia deu finalmente o devido reconhecimento a Patricia Arquette, para ver se ela se calava, mas foi pior a emenda que o soneto. A ex-mulher de Nicholas Cage e Thomas Jane fez o discurso de aceitação mais politicamente carregado da noite, apelando à igualdade salarial dos géneros em Hollywood, que é uma "boca" para nos deixar saber aquilo que há muito todos sabiamos. Volta Michael Moore, estás perdoado.



O mestre de cerimónias e respectivamente bobo da corte foi Neil Patrick Harris, Meryl Streep - que tem 183 anos e foi nomeada pela 55ª vez - apresentou a sempre comovente lista dos óbitos de 2014, e o óscar para "continuem a tentar que um dia chegam lá" (melhor filme estrangeiro) foi "Ida", da Polónia. Seria sobre um rapazinho e a sua ratazana de estimação? Para o ano há mais.

E que tal pagar antes o que devem?!



Os gregos são uns tipos "engraçados", e por "engraçados" não significa que lhes ache piada. São mais como uma curiosidade, como quem vê um cagalhão com uma forma pouco habitual e diz "que engraçado". Na hora de pedir massa emprestada e depois gastar como gente grande, lá estão os gregos no nº 1 do top-40 pela infinitésima semana consecutiva, mas depois quando é para pagar, ui ui, "desculpe mas o patrão não está, volte mais tarde". Claro que não está, o patrão - está pelas ilhas gregas, se calhar. Ou se for fim-de-semana talvez ande por um qualquer estádio de futebol, como neste vídeo que aqui apresento, e que demonstra o que são não-sei-quantos milénios de "civilização". Nele vemos o treinador português Vítor Pereira, campeão pelo FC Porto em 2012 e 2013 e actualmente ao serviço do Olympiakos, a ser agredido por adeptos do Panathinaikos, pouco antes do início do "derby" de Atenas (pfff..."antenas", que nome tão estúpido para uma cidade). Acontece que Vítor Pereira tem como superstição tocar nas redes de cada baliza antes dos jogos, mas ninguém lhe explicou que em grego "tocar as redes" quer dizer "vou f... a tua mãe e a tua irmã em frente ao teu pai a seguir e**o**a*-*e na cara dele", e quando chegou à baliza do lado da bancada onde ficaram os adeptos "rivais", estes começam a atirar-lhe basicamente com tudo o que têm consigo ou encontram pela frente: foguetes, garrafas, cadeiras, tudo. Foi mesmo preciso a polícia de choque intervir, e em menos de um minuto o fumo dos "rockets" trazidos pelos adeptos para dentro de um recinto desportivo já se confundia com o gás lacrimogénio. Vítor Pereira foi retirado por elementos da "entourage" do Olympiakos, que basicamente lhe salvaram a vida - se o "ganda" Vítor, que é um refilão, batia o pé aos sodomitas lá na Arábia, é porque ainda não conhecia os gregos, esses mal-cheirosos caloteiros.

Os gregos dançam, com o dinheiro que lhes emprestam, e que depois não devolvem.

Eis o "berço" da cultura europeia e da democracia, que à conta do que fizeram e disseram (basicamente disseram) há dois mil e tal anos uns tipos barbudos e vestidos de toga, há quem defenda hoje que devemos ajudar estes bárbaros - exemplo do Mário Soares, que em matéria de fraudes e chapeladas desse tipo devia era ficar caladinho. Eis uma coisa que pouca gente sabe, e talvez isso se explique por ter tanta importância como um cocó de andorinha: não é de hoje que os gregos são pobres. Nope, já desde...Sócrates e Platão? que os tipos não têm onde cair mortos, e não é a toa que existe a expressão "ver-se grego". Há quem pense que isso tem a ver com a língua e o alfabeto gregos, e essa é a versão oficial do significado da frase, mas desconfio que estaria mais relacionado com o facto dos tipos serem tradicionalmente uns "tesos". O tal futebol, que os levou à ousadia de ROUBAR o título europeu que era de Portugal, e fizeram-no no nosso território nacional (outros tempos seria uma declaração de guerra!) chegou à Grécia graças à caridade alheia. Sim, quando a Federação de Futebol Helénica (lol) foi formada em 1926, eram tão pobres que precisaram que os italianos lhes dessem chuteiras, equipamentos e outro material básico. Posto isto, entende-se logo a razão porque quiseram entrar na CEE em 1980: para pedinchar e evitar assim morrer todos de fome. Conclusão: os gregos são e sempre foram uns "crava" sem vergonha na cara!

Alguns gregos famosos dos últimos 2000 anos; feios que dão dó.

Existe uma ideia feita e completamente errada de que os gregos são "esculturais". Sim, os de pedra eram, os tais que 1) não existiram, 2) são representações pouco ou nada realistas, ou 3) não eram gregos (David era judeu e Miguel Ângelo, que esculpiu a célebre estátua, era italiano). Aquele Tsipras, cujo nome lembra "tripas" e o amiguinho das finanças que anda aí pela Europa de mãozinha estendida, o tal Varoufakis (parece um vampiro que é coveiro nas horas vagas), têm um aspecto mais ou menos decente - lógico, todos os charlatões são bem parecidos - mas o grego típico tem o nariz da Maria Callas e a testa da Christina Onassis, se for mulher, as orelhas do Karagounis e o trombil do Papandreou, se for homem, e a barba do Demis Roussos, em ambos os casos. Mandriões, rústicos, beberrões e irresponsáveis, os gregos comportam-se exactamente como no estádio onde o nosso bravo compatriota Vítor Pereira esteve em risco de perder a vida! E digo isso sem qualquer exagero.



Mas pronto, não me levem assim tão a sério, que nem tenho nada contra os gregos em geral, coitados, tão pobrezinhos que eles são. Reparem como até são capazes de criar coisas bonitas, como esta canção que levaram ao Festival da Eurovisão, intitulada "Lição de Solfejo", em português. Sim, porque em grego é Μάθημα σολφέζ/ Pode ser que um dia, daqui a muitos, mas mesmo muitos anos, quando já não forem assim tão pobrezinhos que as moscas os evitam com medo que eles lhes peçam dinheiro emprestado, possam adoptar um alfabeto como as pessoas, em vez de escrever em rabiscos como se faz agora em cavernas na Grécia. Cavernas, como aquele estádio do Panathinaikos, repletas de neandertáis e outros tais. E pode ser que qualquer dia também aprendam que o dinheiro custa a ganhar, e que para o ter é preciso trabalhar. E como é que se diz em grego "Quem não tem dinheiro não tem vícios"? Tenho a certeza que "Luxo na miséria" eles sabem o que é. Deve estar escrito debaixo do brasão e das armas, como mote nacional.