segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Juary faz história pela Guiné-Bissau


Arrancou no último fim-de-semana a Taça das Nações Africanas, vulgo CAN, que este ano se realiza no Gabão. E foi exactamente a equipa da casa que teve as honras de abertura da prova, com o Stade d'Angondjé de Libreville a rebentar pelas costuras. O adversário era um estreante absoluto, a Guiné-Bissau, que é o único país dos PALOP na edição deste ano da CAN. O inevitável Aubameyang, avançado gabonês do Dortmund que é pretendido na liga chinesa, abriu o marcador no sétimo minuto do segundo tempo, mas os guineenses não estavam para fazer de bombos da festa, e foram atrás do empate, acreditando até ao fim que podiam levar dali pelo menos um ponto, e pregar uma partida aos seus anfitriões. E valeu a pena acreditar, pois o esforço ficou premiado já nos descontos, com um golo do central Juary. Sim, esse mesmo:


Juary Martinho Soares, o central que passou por alguns meses pelo Benfica de Macau em 2015, após desvincular com o Tirsense, e assinar no Verão desse ano pelo 1º de Dezembro de Sintra, tudo emblemas do Campeonato de Portugal, antiga II "B". Este ano a representar o Mafra, Juary respondeu afirmativamente à convocatória do seleccionador Baciro Candé para a prova continental africana, e agradeceu-lhe com aquele mergulho de cabeça que valeu um ponto. Ah sim, Juary conta no seu currículo com um título de campeão de Macau.


quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Marocas


Na semana em que também Macau assinalou o desaparecimento de Mário Soares, aqui fica a minha humilde contribuição, através do artigo desta semana do Hoje Macau.

O que mais resta dizer da figura do dr. Mário Soares, que nos deixou no passado dia 7, aos 92 anos, que já não tenha sido dito? Em primeiro lugar gostaria de lamentar a forma como alguns portugueses fizeram uso da liberdade de expressão, e que em parte a devem ao dr. Soares, para tecer um sem número de considerações absurdas, e que com toda a certeza repudiariam no caso de as verem a ser feitas em relação a um familiar seu, um amigo próximo ou uma figura que admirassem, numa hora destas. Cheguei a ver pessoas que se “congratularam”, e outras ainda que diziam “ir festejar” – recordo mais uma vez que estou aqui a falar de alguém que viveu quase um século, e se manteve activo até ao fim, fazendo inclusivamente parte do Conselho de Estado até à hora da sua morte. Realmente não existem limites para o ridículo.

Claro que a figura do dr. Mário Soares e o seu papel nos últimos 40 anos de História do nosso país não é isenta de críticas. Afinal não estamos aqui a falar de um herói como Nun’Álvares Pereira, ou um santo como o Padre António Vieira. E se há um reparo que se pode fazer logo de imediato, é a forma como se perpetuou na política, perdendo uma boa oportunidade para se retirar graciosamente da vida pública, mesmo antes de ter (inexplicavelmente) se candidatado à presidência da República pela terceira vez em 2006, na altura já com 81 anos de idade. Por falar nisso, e como acérrimo defensor da máxima “o seu a seu dono”, foi o General António Ramalho Eanes que cunhou a célebre frase “serei o presidente de todos os portugueses”, aquando da sua (esmagadora) vitória sobre Otelo Saraiva de Carvalho nas presidenciais de 1976, numa altura em que o país se encontrava profundamente dividido, na ressaca do infame PREC.

E a propósito do PREC, será talvez esse o período em que a actuação de Mário Soares tenha dividido – e extremado – mais as opiniões, nomeadamente na forma como conduziu o processo de descolonização. A forma abrupta como se deu a retirada das ex-províncias ultramarinas deram origem a um dos mais lamentáveis episódios do nosso passado recente, e as vítimas desse equívoco, que ficaram conhecidos como “retornados”, estão certamente entre o coro dos críticos do ex-presidente. É preciso atender ao contexto, e na altura a prioridade do dr. Soares era a de recuperar a credibilidade de Portugal, que estava isolado pelo resto da comunidade internacional, ou “orgulhosamente sós”, como dizia o outro. A parte do “orgulhosamente” tem muito que se lhe diga, e só pode ser entendido como um tipo de “humor negro” (sal)azarento. Certamente que as famílias dos mais de oito mil combatentes que perderam as suas vidas por culpa da teimosia alheia terão uma opinião diferente a este respeito.

Nunca fui um grande admirador do político, que a meu ver teve ainda a sua quota parte de responsabilidade num certo tipo de clientelismo que vigora na sociedade portuguesa, com licenciaturas tiradas aos Domingos e caixas de robalos à mistura, mas não posso deixar de admirar a pessoa, que nunca se inibiu de dar a cara por aquilo que defendia, bem como a forma descontraída e acessível como foi, bem, o presidente “Marocas”. Macau tem ainda uma dívida de gratidão com ele, e não é por acaso que o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês fez menção do seu desaparecimento, lamentando a perda “de um amigo”. O seu lugar na memória colectiva dos portugueses, da geração actual e das vindouras, está portanto garantido. E em relação aos outros, dos fracos não reza a História.



Cuidado com os dedos


A segurança biométrica por via de impressões digitais é considerada por muitos como a melhor solução para deixarmos de depender de palavras-passe, que podem ser ultrapassadas com relativa facilidade por algum "hacker" mais experimentado. De acordo com um investigador japonês, Isao Echizen, as impressões digitais também pode ser facilmente roubadas por via de "selfies" que tenham um gesto específico: os dois dedos da paz.

Mas como? Como se pode ler no Cnet, as câmaras fotográficas actuais são já tão poderosas que podem captar sem problemas as impressões digitais dos dedos de quem quer que faça este gesto para uma câmara. Uma vez na posse da fotografia, é possível aplicar o padrão da impressão digital para ultrapassar segurança biométrica por este meio.

O gesto da paz é especialmente popular no Japão, com milhões de fotografias a mostrarem jovens a fazê-lo. Consciente que não é possível impedir que toda a população deixe de fazer este gesto, o investigador e a sua equipa criaram uma tecnologia de prevenção que mancha com eficácia qualquer impressão digital que apareça numa fotografia.

In Notícias ao minuto (editado)


"Jacko" revive



Este é o "trailer" da nova série da Sky que dá pelo título de "Urban Myths", que conta "histórias que podem ou não ser verdade" a respeito de uma série de celebridades. Um dos episódios da série, que está em pós-produção, é intitulado "Elizabeth, Michael e Marlon", e conta a história de três celebridades que fazem uma viagem de automóvel entre Nova Iorque e Los Angeles, logo após os atentados do 11 de Setembro de 2001. Se juntarmos aos nomes próprios dos personagens os apelidos Taylor, Jackson e Brando, sabemos de que celebridades se tratam, e é no caso do segundo que reside a polémica:


Joseph Fiennes ficou com o papel de Michael Jackson, rei do "pop" desaparecido em 2009 devido a uma intoxicação por excesso de barbitúricos. Não se sabe ainda muito bem o enredo deste episódio de "Urban Myths", mas a escolha de Fiennes para este papel, onde é evidente o pesado trabalho de caracterização, tem provocado as mais variadas reacções - nada comparado com as cerca de 100 operações plásticas que o original fez em vida, há que dizê-lo. Entre os fãs do cantor, as reacções dividem-se entre a surpresa e a indignação, e entre os últimos destaca-se a sua filha, Paris Jackson, que expressou o seu desagrado no Twitter:


Paris diz-se "extremamente ofendida", com a ideia, suponho - mais uma vez, pouco ou nada se sabe do conteúdo do episódio da série onde aparece Michael Jackson. E não é só em nome do pai que a jovem fala, pois a interpretação de Stockard Channing no papel de Elizabeth Taylor, que foi amiga  íntima do cantor madrinha de Paris, também merece o seu repúdio. E tudo isto sem sequer ter visto o episódio, e pelos vistos não vai ver. Um grupo de fãs de Jackson já deu início a uma petição para impedir que a série vá para o ar. Mas será mesmo caso para "dar vontade de vomitar", como diz Paris Jackson? Da parte que me toca...


...a realidade é bem pior que a ficção. E todo este alarido por um episódio de uma série de televisão? Para esse tipo de regabofe com virgens ofendidas à mistura, já nos basta o futebol e a religião, obrigado.


Piers Morgan e a mini-Imelda



Piers Morgan, jornalista britânico mais conhecido por fazer parte do painel dos concursos "Etc, etc got talent" na televisão dos Estados Unidos, foi notícia mais uma vez por "ter feito uma mulher chorar ao vivo". Para quem estiver a pensar "ai o sacana...", não é assim tão simples, e a história tem muito que se lhe diga. Aconteceu esta semana no programa "Good Morning Britain", onde uma das convidadas era a mãe de uma menina de três anos, a quem comprou, pasme-se, 60 pares de sapatos (será que a pequena se chama Imelda?). A primeira coisa que pensei foi: "que disparate, são 60 pares de sapatos que daqui a um ano nem lhe servem" - um autêntico desperdício. Mas isto não foi o pior; enquanto a criança brincava com outra criança, riscou um par de botas no valor de 325 libras (pouco mais de 3 mil patacas), e a mãe mandou a conta à mãe da outra criança, que por incrível que pareça, é - ou era - sua amiga. Já seria discutível tratando-se de um outro qualquer objecto de valor, como um telemóvel, por exemplo, mas dificilmente qualquer pessoa com bom senso se lembraria de fazer uma coisa destas. Foi para este facto que Morgan chamou a atenção da jovem mãe - realmente, que lata, para quem compra seis dezenas de pares de sapatos à filha, alguns que provavelmente não chegará sequer a usar. Mas a convidada sentiu-se ofendida, e desatou a choramingar perante o raspanete do apresentador, que por dizer a verdade não merece castigo. Pois é, por incrível que pareça é o mundo que temos; uns andam descalços, outros vivem de mãos cheias. Ou pés, neste caso.


sábado, 7 de janeiro de 2017

Ladrando contra os fogos


Fogos de artifício - uma invenção milenar dos chineses que serve para comemorar um evento ou uma ocasião especiais, como seja a entrada do Ano Novo, por exemplo. Aqui em Macau não tivemos fogos este ano, pois não chegaram a tempo de colorir os céus da RAEM à meia-noite do dia 31 de Dezembro, e para alguns isto foi considerado uma "falha". Não sou grande adepto da pirotecnia, mas entendo que haja quem não dispense entrar no novo ano com um estrondo, e há mesmo quem acredite que os fogos servem para espantar os maus espíritos e tudo isso. Porreiro. Mas sabiam que os fogos de artifício são na verdade...UM ASSASSINO, e nada silencioso? Quem o diz é...


...as associações de defesa dos direitos dos animais, que passaram a quadra festiva numa cruzada paralela contra os fogos, que dizem "apavorar" os bicharocos, e até "causar-lhes a morte". Entre os animais silvestres, as aves são as principais vítimas desta iniciativa dos humanos, uma vez que é o seu ambiente natural o mais prejudicado com os rebentamentos. Sabem o que é terrível também para os passarinhos? A aviação civil! E uma vez que os transportes marítimos "molestam os peixinhos" (acho que sim, não devo estar enganado), que tal começar a viajar de bicicleta, ou a pé? Mas falando a sério, para quem não tinha pensado ainda sobre o alcance deste problema, veja o que aconteceu na noite de passagem de ano em Campo Grande, no estado brasileiro de Mato Grosso do Sul:


Isso mesmo! Uma aposentada passou as doze badaladas que assinalaram a entrada do novo ano a fazer massagens cardíacas ao seu cachorro, que se assustou com os fogos de artifício. As protectoras vêm já pedir o fim dos fogos, mas é preciso mais! É preciso acção!


Sim, isso mesmo! Uma manifestação onde "ladrar contra os fogos" é a palavra de ordem. Uma vez que os cães não podem fazê-lo, uma vez que são animais irracionais e nem lhes passa pela cabeça que os humanos os estão a usar de novo como arma de arremesso uns contra os outros, são os próprios humanos a latir:


E lá está, o "inferno dos fogos", "ninguém respeita a lei", "os ouvidos da Britney são censives (sic)", etc. etc. Aquele Gil Gomes deve ser uma espécie de hippie-marxista-ecologista, tal é a raiva que tem aos espectáculos de pirotecnia, esse "ópio explosivo" do povo, que "acredita nesses contos de fadas". Pois. Mas enquanto os activistas dos direitos dos animais não estragam a festa ao resto da humanidade, o que fazer para evitar que o seu cão, gato, periquito ou cágado tenham uma taquicardia quando começarem a rebentar os fogos de artifício?


Isto. É pouca coisa e não custa nada, temos que convir. Acho especialmente deliciosa a recomendação de manter o animal "em lugar seguro e fechado, com portas e janelas bem fechadas", o que já seria suficiente para não desatar a correr em pânico rumo a direcção nenhuma, mas no caso do seu cão ser o incrível Hulk "mantenha uma placa de identificação presa a ele" - no caso dele derrubar as paredes da casa e fugir, pelo sim pelo não. Para mim a sugestão de "ficar com ele" era mais que suficiente. Afinal não estão contra os fogos? Não vão estar a olhar para o céu àquela hora nem nada, pois não? É melhor seguir estas instruções à risca, caso contrário...


...pode-lhe acontecer o mesmo que à vizinha da Tânia Ferreira, cujo gato "se mijou todo e fez cocó ao mesmo tempo". A sério, ó Marco Alves! Lá a Tânia ia brincar com uma coisa dessas, tão grave. A Tânia e não só:


E pronto, as recomendações prometem ser acatadas por estes "amantes dos animais", pois então, e já agora que tal aproveitar para partilhar algumas experiências pessoais, ao mesmo tempo que aproveitam para destilar ódio contra os humanos, que como diz a Eliane Silva, "são desprovidos de sentimentos", como "a harmonia e a empatia". Mesmo assim, acho estranho que não tenham ido mais longe, pois é hábito...


Ah, aí está. Tardou mas não falhou, e eis que a Lurdes deseja que quem solte fogos de artifícios "perca uma mão". Onde é que já se viu, assustar assim os bichinhos? Ai! 


Em breve: activistas dos direitos dos animais protestam contra a mãe natureza por causa das trovoadas e dos relâmpagos. Não perca!



Mark Silver, Hull City

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

It's the 2017 way, suckers!


E para acabar esta primeira semana deste "soft opening" do ano de 2017, nada como o artigo do Hoje Macau desta semana. Tenham um Sábado divertido, e um Domingo onde pensem menos vezes que no dia seguinte é segunda-feira.

Tenho andado durante estes primeiros dias do ano ocupado com coisas mais mundanas, como seja dormir, por exemplo, mas não queria deixar de abrir as hostilidades para 2017 aqui nas páginas do Hoje. Assim, e de forma a ser mais digerível do que a doçaria da quadra que amanhã termina, apresento os meus “dois tostões de prosa” na forma de itens numerados, para assim facilitar também a consulta.

1) Lamento imenso o que sucedeu a José Pereira Coutinho, que viveu na véspera de Natal aquilo que é apenas o início um drama familiar. Mais do que o impacto que possa ter na sua imagem política, o caso que envolve o nome dos filhos do deputado e presidente da ATFPM é algo que mudará muito mais do que a sua agenda profissional. Quem passa por isso sabe o que custa. Tenho a certeza que ele enfrentará com garra mais este desafio, como tem feito sempre até hoje. Uma mensagem de força e coragem para Pereira Coutinho.

2) Já no próprio dia de Natal e seguinte chegou-nos a notícia da morte de George Michael, ídolo da juventude dos anos 80 e ícone homossexual depois disso, e actualmente as duas coisas, conforme as vontades. O cantor que formava a metade mais visível dos “Wham!” escreveu em 2011 nas redes sociais que “nunca pediria desculpa pela sua orientação sexual”, e que “nem todos os homens o são [“gay”] mas…AH AH!” – assim, tal e qual. Bem, parece que o Jorge Miguel sabia de algo que eu ignoro por completo, e agradeço a atenção, apesar de nunca me ter ocorrido esta dúvida. E paz à sua alma, que até nisto era grande, o Jorge.

3) E também a propósito da onda de óbitos no meio das celebridades, o actor Charlie Sheen cometeu um desabafo, também nas redes sociais, onde se lia: “Deus, o Trump a seguir, por favor”. Caiu logo o Carmo e o Capitólio, pois razões que podeis imaginar, e por isso gostava de deixar aqui uma coisa bem clara: se me virem a suspirar qualquer coisa do tipo “Deus me livre”, não estou a rogar ao criador que elimine fisicamente alguém ou alguma coisa que me aborreça. Pelo sim e pelo não…e se fosse assim tão fácil…

4) Começando e acabando com Macau, parece que não houve fogo de artifício oficial na passagem de ano, por razões de logística (?). Mas no COTAI as munições chegaram a tempo, o que me levou achar graça a um comentário que li por aí algures: e que tal deixar o foguetório a cargo de quem entende da poda?

Feliz 2017!



(Cães) Portugueses primeiro


Nota prévia: este post é uma sátira àquilo que vocês sabem muito o que é, e de que muitos deviam era ter VERGONHA! 

Estou indignado com este "atentado à nossa segurança nacional". Então "com tantos cães e sem gatos sem abrigo, a dormir nas ruas" que temos em Portugal, vamos mandar vir estes, "que vão logo ter casota de graça, veterinário e segurança social (?)". E de onde vêm estes? Da...China?! Ainda por cima "são de uma cultura completamente diferente da nossa, e que se recusa a integrar nos nossos usos e costumes"?! E olhem bem para aqueles galgos: "todos cães adultos, onde estão as cadelas e os cachorrinhos?" Estes deviam era "voltar às suas terras e morder", ou de preferência ir morrer bem longe, já agora. "Enquanto houver um cachorrinho a passar fome em Portugal, cães refugiados, não!". Os "nossos" cães primeiro!


A morte ficava-lhe tão bem



Um tal Hugo Sousa, que aparentemente não gosta de trabalhar é humorista de profissão (?), e de quem eu nunca tinha ouvido falar até agora, meteu-se numa carga de trabalhos jeitosa (porque até lhe deu jeito: ficou conhecido!) ao fazer um comentário no Twitter a respeito de Mário Soares, o moribundo ex-presidente de Portugal durante os belos tempos da laranja. O comentário é aquele que vedes ali em cima, e se por um lado há quem considere que o rapaz "derrubou as barreiras do politicamente correcto", eu diria antes que as coleccionou, chegando à linha da meta tudo embrulhado nelas. Para mim o rapaz disse o que quis, e ouviu o que não queria, que é basicamente aquilo de que se trata o "politicamente correcto", enfim, "não façam aos outros aquilo que etc. etc., ouviram falar? De todas as críticas, há uma com que concordo logo à partida: qualquer engraçadinho se diz "humorista" nos tempos que correm, e a frase "vai mas é trabalhar que tens corpinho para isso" assalta-nos de imediato, rogando para ser solta. Cabotinagem é o que mais há por aí no meio artístico, em suma, e convém não esquecer os "artistas" da coisa pública, os políticos. Assim como qualquer engraçadinho se diz humorista, também não faltam por aí chico-espertos e fala-baratos a concorrer ao tacho.

Hugo Sousa veio depois esclarecer que aquela entrada no Twitter "não era uma piada, mas uma opinião" - ou "aquilo que pensa", nas palavras do próprio. Ok, partindo do princípio que o tipo não está outra vez a variar dos carretos, digamos que sim, pronto, que "cometeu um desabafo". E olhando bem para a ideia exposta, não está assim tão mal de todo, senão vejamos: o dr. Mário Soares é um activo para o seu clã. Dotando-nos de uma sobre dose de pragmatismo, sempre são 40 e tal mil euros em caixa todos os meses, sem que o beneficiário lhes possa dar qualquer uso para benefício próprio. Há que admitir que dá muito jeito, e uma vez que o dr. Soares ficou viúvo em 2015, o seu falecimento implica a cessação total dos retornos (?). Mas já que estamos numa de se dizer o que se pensa, aqui vai o que eu penso de tudo isto.

Como pessoa humana o único "final feliz" para esta história seria o restabelecimento completo do dr. Mário Soares e o seu regresso à vida activa - apesar de "dentro do possível" ser uma perspectiva demasiado animadora, atendendo à actual situação médica do ex-PR. Sinto-me solidário com a angústia da família próxima e amigos íntimos, e tudo isto, repito, do ponto de vista humano e pessoal. No entanto, e por outro lado, o desaparecimento físico de Mário Soares iria fazer maravilhas à sua imagem pública, disso tenho a certeza. Devemos-lhe a democracia, pronto, a democracia que temos, melhor para uns do que para outros, e certamente a correr às mil maravilhas para quem esteve com Soares e com o PS depois do 25 de Abril. Tudo bem. Foi um dos maiores contribuidores para o conceito de "esquerda democrática", que se desmarca da raiz revolucionária da esquerda convencional, e que compôs tantos governos do Ocidente europeu desde os anos 70 até hoje. Nada de anormal; a direita imitou-os e criou a "direita solidária", caso do PSD em Portugal, deixando assim uma ténue linha a dividir as duas, e que entre nós gerou uma "alternância democrática" do sub-género "larápio". Assim, sem separar o Soares visionário, federalista e agregador do Soares com 92 anos e a auferir uma reforma de 500 mil euros por ano, vai ser difícil fazer-lhe justiça.

PS: Tenho lido por aí muito disparate também nas mensagens em defesa de Mário Soares. Um bom exemplo tem a ver com "os retornados" que criticam Soares, mas "muitos retornados passaram à frente" no acesso aos quadros da Função Pública, ou algo que lhe valha - como já disse, um disparate. Os funcionários que exerciam cargos públicos nas ex-colónias de Angola e Moçambique, para citar apenas os mais comuns, tinham um lugar garantido nos quadros da República quando e se eventualmente regressassem. Foi uma "integração de quadros", como se fez aqui em Macau antes e durante a transição, e onde foram inclusivamente criados lugares extra para acomodar estes funcionários. Agora os "retornados" que não eram dos quadros da República e perderam todas as suas posses e foram obrigados a regressar com as suas famílias a um país que era seu mas que desconheciam completamente, esses sim, têm as sua quota de ressentimento com Soares. Saiu-lhes a fava neste Bolo Rei da História.


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

E que tal...NÃO jogarem?!


Futebol inglês: o dromedário que atravessa o deserto futebolístico durante o período de Natal e Ano Novo, e alimenta as sempre famintas bolsas de apostas. Esta imagem em cima é do American Express Community Stadium, em Brighton, Sussex, onde a equipa local, o Brighton & Hove Albion (parece o nome de um desses bancos bifes, tipo Lloyd's of London ou o diabo a sete) NÃO jogou no último dia do ano frente ao Cardiff City, a contar para o Championship, o segundo escalão inglês, por culpa do nevoeiro - "what's the point", marcar jogos que depois não podem ser vistos? Muito se tem falado da legitimidade da jornada de Ano Novo no futebol inglês, e uma vez que a ronda do Boxing Day (dia depois do Natal) é "uma tradição", dá vontade de perguntar a estes gajos porque é que não tiram um dia de folga, como as pessoas normais.


Em Reading jogou-se o primeiro tempo da partida entre a equipa da casa e o Fulham, mas com 0-0 ao intervalo (lógico!), a equipa de arbitragem resolveu suspender o encontro para o segundo tempo. Razão? Não viam um palmo à frente do nariz! Os responsáveis do Reading ficaram desapontados com a decisão, pois isto afecta não só o momento de forma da equipa, que vinha de uma série de resultados positivos e ocupa o 3º lugar da classificação, como ainda constitui um problema em termos de calendarização. Pudera, dois dias depois estava o Reading a jogar em Bristol (onde venceu o City local por 3-2), e este Sábado tem um encontro marcado em Old Trafford com o Manchester United para a FA Cup. Para quando, o jogo que o nevoeiro levou?


Por falar em Manchester United, eis que a equipa orientada por José Mourinho acabou o ano a vencer, e às custas do Middlesbrough, que na véspera de ano novo viajou quase 200 km até Old Trafford, para disputar um encontro que acabariam por perder 1-2. Além do resultado negativo, quer atletas, técnicos e restante pessoal que acompanha a equipa regressassem ao nordeste da Grã-Bretanha depois das dez da noite, mesmo a tempo de passar a meia noite com as suas famílias.

Tudo bem, estes indivíduos são pagos (e às vezes bem demais) para isto, mas além de não serem nenhuns animais de circo, este tipo de "intensidade natalícia" não é propriamente o que se pode chamar de "producente" em termos de rendimento desportivo. Jürgen Klopp, treinador do Liverpool, sintetizou esta ideia assim: "Já alguma vez se questionaram porque é que os atletas da Premier League têm tantas vezes prestações aquém das expectativas nos mundiais e nos europeus? Porque nesta quadra eles jogam e os outros ficam em casa a vê-los". Além disso, fazia bem aos próprios adeptos descansarem de tantas, hmm..."emoções". Como fica demonstrado neste "caso":


Alfie Barker é um futebolista amador de 19 anos que alinha numa equipa do sétimo escalão, e que no dia 2 deixou no Twitter comentários que podem muito bem fazer com que nunca passe disso mesmo. No rescaldo do escaldante encontro entre o Bournemouth e o Arsenal, que os londrinos conseguiram empatar no derradeiro instante, recuperando de uma desvantagem de três golos, Barker fez dois comentários de péssimo gosto a propósito de Harry Arter, um jogador da equipa da casa. Arter e a esposa passaram por momentos complicados em Dezembro de 2015, quando a filha do casal morreu à nascença, e o palerma achou por bem brincar com a situação. Barker foi obrigado a encerrar a sua conta no Twitter, e foi acompanhado do seu pai a uma estação de rádio apresentar um pedido de desculpas público, enquanto a mãe do jovem alega que o filho "é autista", e por isso "incapaz de entender o alcance das suas palavras". Claro que em terras de Sua Majestade toda a gente quer a cabeça do rapaz num cepo, mas quem sabe se não se acalmavam todos com um pouco de chá? E menos bola, claro. Deve ser do "stress".


Pinocchio Times


Ou "Mentícias". Um cartoon de Rodrigo de Matos para o Expresso, que eu amei, e por isso roubei. Ah, o Rodrigo comemora hoje o seu aniversário - parabéns! :P


Bairro do Oriente 2017






sábado, 31 de dezembro de 2016

Feliz 2017!


2016: aos caídos em combate


Saiba ou recorde aqui quem foram as celebridades que nos deixaram no ano de 2016, numa montagem da jornalista Ana Lemos.



Figura do ano (e da semana): José Pereira Coutinho



Na blogosfera: Apanhadinha da bola


E nem de propósito: estava aqui há dois ou três dias para dedicar um "post" a este novo blogue de Macau, e eis que a sua autora decide colocar um ontem mesmo um artigo que ilustra bem do que se trata. O blogue Apanhadinha da Bola, da autoria da jornalista Sandra Lobo Pimentel, é a mais recente novidade na blogosfera de Macau, e sobre...tcha tcha...FUTEBOL! Uma coisa que toda a gente de bem gosta, e quem prefere outra coisa qualquer que não seja "cricket" ou "baseball", também tem um lugarzinho guardado no Céu, deixem lá.

A Sandra, que reside em Macau há 4 anos, é como o seu nome indica, uma mulher (duh...), e agora que deixou a tal entrada com a data de ontem, estragou-me a piada - juro que era para chamá-la de "Cecília Carmo de Macau". Paciência. O "post", o décimo desde que arrancou com este projecto a 16 de Dezembro último, na sequência da cobertura que fez ao mundial de clubes da FIFA no Japão, aborda exactamente "as mulheres nesse mundo predominantemente masculino" que é o futebol, e neste particular na vertente da análise desportiva. Interessante.

Já havia deixado claro neste artigo aquilo que penso do futebol feminino - "não existe" - mas para se gostar de futebol o género é irrelevante. O que se passa, sobretudo nos países onde o futebol é de longe o desporto mais popular, é que existe um certo sentimento "patriarcal" no que diz respeito ao desporto de alta competição, onde a componente física tem um papel primordial. No entanto conheço muitos homens que não gostam de futebol, ou não ligam (o meu irmão, por exemplo), e a diferença é que estes normalmente se abstêm de falar do que não sabem, ao contrário do que acontece com as mulheres. E pronto, fica aqui o último comentário chauvinista de 2016.

À Sandra desejo a melhor das sortes com este seu novo projecto paralelo à sua profissão, que seguirei com interesse, pois adoro futebol. Quanto à questão do género, pelo menos da minha parte não tem importância alguma, pois deu para perceber que ela aqui fala do que sabe e daquilo que gosta. Se uma vez ou outra cometer uma imprecisão, mais ou menos grave, bem, isso são ossos do ofício. Errar é humano, ou numa versão adaptada por mim dessa velha máxima, "O disparate é como um anjinho: não tem sexo".


...e o que respondeu Deus?


Nunca simpatizei com Charlie Sheen, actor que pertence a uma geração de onde o maior exemplo de sucesso é Demi Moore, e nem passei a gostar mais dele depois daquilo que vou mostrar a seguir. Sheen não me convence por razões puramente artísticas: é um actor mormente de comédia, mas não tem lá muita piada. A película de 1990 "Hot Shots" (em português "Ases pelos ares", oh oh oh) é possivelmente uma hora e meia perdida da minha vida que lamentarei no meu leito de morte, mas pasme-se, fui ver ao cinema porque um amigo meu me garantiu ser "hilariante". O problema deve ser meu, realmente, que devo ser demasiado obtuso para entender a comédia em Charlie Sheen - em 2010 era este o actor mais bem pago da televisão norte-americana, devido ao sucesso de uma "sitcom" que dava pelo nome de "Two and a half men", que lhe valeram várias nomeações para os Emmy e Golden Globes. Só que isto de ser talentoso e rico "não chega" para Sheen, que viu a carreira desmoronar-se graças ao abuso de álcool e drogas, com acusações de violência doméstica pelo meio, que lhe valeram a rescisão do contrato com a CBS. Tido como um exemplo do que "não fazer" quando se fala em sexo seguro, o actor anunciou em 2015 que era seropositivo, e que sabia ser portador de HIV desde 2011. Aparentemente tudo isto faz com que Charlie Sheen não tenha o direito a abrir a boca, ou emitir qualquer opinião, mesmo que "só a brincar". Como neste caso, que deu que falar:


"Trump next" - "Trump o próximo", ou "Trump a seguir". Posto assim nestes termos, nada de grave, mas o contexto em que é feita esta chamada ao presidente eleito dos Estados Unidos é a morte do artista, e usando agora o termo "morte" no sentido literal, Sheen referia-se à mais recente razia no mundo artístico, que na mesma semana registou o desaparecimento do cantor George Michael, da actriz Carrie Fisher, e da mãe desta, a também actriz Debbie Reynolds, que faleceu no dia seguinte à filha. Dramático. Naquilo que muitos podem entender apenas como um simples desabafo, Sheen sugere que a próxima celebridade a quinar bem podia ser Trump, e atendendo ao estilo de vida que o actor leva e a que fiz referência no primeiro parágrafo, duvido que seja uma pessoa religiosa, e não estaria a apelar a Deus que "limpasse o sebo" ao próximo ocupante da Casa Branca. De mau gosto? Bem, levando a coisa um bocadinho a sério, até concordo, mas...


...não me peçam para atingir este nível de indignação. Estes são alguns dos comentários mais "leves" de entre os muitos milhares deixados nas redes sociais entre quinta feira e hoje, reprovando o "tweet" de Charlie Sheen. Talvez estes sejam mais contidos por se tratarem de seguidores do actor, e se repararem na sua entrada inicial, foram registados mais de 100 mil "likes", possivelmente de pessoas que deram às palavras de Sheen o valor que têm: entre "relativo" e "nenhum", e não de pessoas que querem ver Deus a matar Trump. Quanto ao "resto", bem, desconfio que nesta operação de divisão, estamos perante uma dízima infinita:


Ah, o Breitbart, aquele "site" que se diz "independente", e solto das "amarras do politicamente correcto" impostas pelas "elites globalistas", ao serviço das "grandes corporações" - das outras, que não aquelas que comercializam as porcarias que se vêem na página inicial do "site" do Breitbart, publicitadas de forma tão evidente que eu quase chamaria de "pornográfica". E o que diz este repositório de "verdades alternativas", esse novo eufemismo para designar a comum mentira? Ah? Que Sheen "calls on God to kill Donald Trump"? Estas duas palavras da língua inglesa, "calls on", pode ter diversos sentidos, desde "convocar", "chamar", ou "apelar". Dando aqui o benefício da dúvida ao Breitbart  (não devia, mas pronto, estamos na quadra natalícia), suponho que quisessem dizer "apelar". Não posso é deixar de detectar naquele cabeçalho uma leve nota de "certeza absoluta", como se Deus fosse uma figura deste presépio do disparate. Mas enquanto o Breitbart e quejandos dão o mote, a América profunda(mente retardada) prossegue com a sinfonia dos enganos, em urro maior:


Barbara Messer, que destila indignação de cada um dos cabelos grisalhos e encaracolados que lhe cobrem o focinho (é o que me dá a ver a fotografia, queriam o quê?), acha que Charlie Sheen "devia ser preso". Viva a liberdade de expressão! Viva a América! Sabem onde é que sugerir que um alto dignitário de uma nação "devia morrer" dá direito a prisão? No Irão - ou nem isso! Curioso como ninguém foi preso, interrogado ou inquirido quando Hillary Clinton foi acometida de uma pneumonia no período antes do início da campanha, e muitos "Trumpistas" a davam como morta, ou tinham sonhos molhados com a perspectiva da candidata democrata ficar cadáver. E já para não falar do verdadeiro festival de lavagem de roupa tão imunda que nenhuma marca de detergente ousou patrocinar, que envolveu detalhes da vida íntima de Hillary Clinton e da sua família. Isto por falar em "big mouths" que desempenham a mesma função do recto. Mas isto "melhora", querem ver?


Jan McNall acha que o "tweet" de Sheen devia ser "crime de ódio" - "hate crime". Uhh...crime, uma palavrão tão feio que nem se deram ao trabalho de arranjar palavras distintas nos idiomas inglês e português. A figura do crime de ódio, segundo o nosso Código Penal, tem como finalidade punir quem ataque "pessoa ou grupo de pessoas por causa da sua raça, cor, origem étnica ou nacional, religião, sexo, orientação sexual ou identidade de género". Ora bem, quer o malucão do Sheen, quer o não menos mentalmente salubre do Trump são brancos, norte-americanos, do género masculino, tarados sexuais e têm como religião o dólar, e não sendo o presidente eleito um "grupo de pessoas", não, não encaixa. Paciência. Gostava de saber onde é que parava a indignação da sra. McNall no momento em que Trump incluiu no rol das suas promessas eleitorais o "escrutínio rigoroso à entrada no país" de um determinado grupo religioso, ou durante as suas muitas tiradas de misógino militante e assumido. Quem sabe se ela também considera que "by the pussy" é como as donzelas devem ser "grabbed"? Sim, porque o Donald "apalpa-as para ver se estão maduras" Trump pode ser muita coisa, mas pelo menos não é...


...SIDOSO! BANDIDO! SODOMITA! Desculpem, mas deve ser contagioso. Não entendo bem se a Christie Cottrell quer dizer que o Charlie Sheen "não tem moral para falar" porque é seropositivo, ou se o facto de ter sido infectado com HIV torna a sua sugestão quanto à morte de Trump um paradoxo. Enquanto George Michael, Carrie Fisher e Debbie Reynolds foram desta para melhor e não eram portadores de HIV, o bom do Sheen anda aí para as curvas. Pois é, a SIDA já não é uma "sentença de morte" como foi até há 20 anos - sabia disto, minha senhora? Claro que não, nem disto nem de muitas outras coisas, aparentemente. A juntar à costumeira tentativa de homicídio de carácter muito comum nesta gentinha, há ainda o "rigor informativo" que os caracteriza, bem patente naquela deturpação do comentário do actor que podemos ver em baixo na imagem. Charlie Sheen NUNCA escreveu "Please God, kill Donald Trump", mas apenas "Dear God: Trump next, please!". Ai é "a mesma coisa"? Considerando que o autor da gracinha é Herman Cain, presidente do Federal Reserve Bank de Kansas City, republicano, candidato à nomeação do seu partido nas primárias para as presidenciais em 2012, e elemento do "Tea Party" (um tipo "do povo", e nada corporativista, portanto), não é bem "a mesma coisa". Se calhar o sr. precisa de óculos. Ou de alfabetização urgente.


Na mesma bitola temos um tal site que dá pelo nome de "Smokeroom", uma outra daquelas "fontes alternativas" de informação, e que conclui das palavras de Sheen que o actor "quer Donald Trump morto". Ó ié, má da foca! O Sheen não tem que querer ou não, pois mais cedo ou mais tarde a natureza encarrega-se de fazer o Trump voltar à forma de matéria orgânica de onde inicialmente partiu. Sim, meus caros Trumpistas, pode ser que esta constatação vá cair que nem uma bomba nas vossas áridas cacholinhas, mas Donald Trump...NÃO É IMORTAL! Lixado, uh? Não prendeu a Hillary, é improvável que construa aquele muro ridículo que tanto apregoou, e agora isto? Não passa de um mero e comum mortal? Digam lá se não estão a começar a ficar arrependidos? E o que dizer do comentário da Ellen Rister, ali em cima na imagem? Não vale a pena a malta chatear-se com as bocas do tipo; a SIDA ou "um dos homens e mulheres que ele infectou" encarregam-se de lhe limpar o sarampo. Nada mau, exteriorizar o descontentamento com um comentário que sugere que uma entidade divina cuja existência é improvável devia tirar a vida a alguém com outro comentário sugerindo que uma doença real e pessoas de carne e osso o façam. Isso é que ia ser irónico cumó caraças, pá. E para quem pensa que a idiotice se cinge à língua de Shakespeare na sua norma transatlântica, desengane-se, pois...


...em português "coum xôtaqui" também há, pôxa vida! Bumba meu boi, desculpe o auê, nossa, nossa, assim você me mata. Com toda a certeza que a boçalidade na sua forma mais bruta (e burra) se traduziu em todos os idiomas um pouco por todo o mundo, mas escolhi este exemplo do Brasil para ilustrar aquilo que venho dizendo desde que o cheiro a podre se começou a notar. Olavo de Carvalho, do Brasil, tira da cartola um coelho em avançado estado de decomposição na forma do conceito absurdo de que "quem não gosta de Donald Trump ou não o apoia, é invariavelmente de esquerda". A tua tia, pá! Este senhor,quer na sua página do Facebook, quer no seu site pessoal, identifica-se como sendo "filósofo, crítico, escritor e ensaísta, um dos intelectuais mais respeitados do Brasil". Claro, e quem diz o contrário? Faltou foi acrescentar "...quando era novo e se encontrava na plena posse das suas faculdades intelectuais". Senão vejam isto:


O que é uma "regra universal infalível" é que está faltando alguém no sanatório, ó vovô. E isto é apenas uma selecção aleatória de "pérolas" publicadas por este indivíduo nas últimas 24 horas! E se ainda restam dúvidas:


Suponho que um "anti-olavette" será alguém que discorda das "iluminadas opiniões" deste evaporado mental. Da parte que me toca, obrigado - vindo de si é um elogio. Talvez a próstata do senhor tenha ficado inflamada a tal ponto que atingiu o crânio e lhe assimilou o encéfalo. Voltando ao Charlie Sheen, como é que ele reagiu a esta "quantidade de chorrilhos" (eh eh) que foram escritos a seu respeito?


Ah! Genial, apesar de não fazer com que suba um ponto que seja na minha consideração. Ao recorrer a um vocabulário tão elaborado como enigmático (o que é que "timidez" tem a ver com alguma coisa neste caso???), Sheen confunde os grunhos, com os mais lestos a retorquir prontamente "Ai é? És tu, e ainda por cima com SIDA!", e ainda termina com uma nota humorística: "Estava a falar com Deus, e não com vocês". Ora toma.

Agora como conclusão, gostaria de deixar no ar meia dúzia de questões que ficam por responder:

1) Teria sido mais grave se fosse o "tweet" da polémica fosse da autoria do Papa Francisco, e não de Charlie Sheen? E em caso afirmativo, Deus atenderia ao apelo do seu emissário, e Trump não chegava a 2017 com um sistema cárdio-respiratório funcional?

2) Será que Charlie Sheen devia ter optado por dizer "Que Deus me perdoe, mas que o próximo seja o Trump", redimindo-se assim do ultraje?

3) Ou em alternativa, em vez de apelar ao criador, terminar o seu desejo para o Ano Novo com "o Diabo seja cego, surdo e mudo"? E isso faria dele um satânico?

4) E se Deus realmente eliminasse o Trump da face da Terra? Será que os "social media" urdiriam teorias da conspiração a Seu respeito, implicando-o como cúmplice de Obama, George Soros e a "Nova Ordem Mundial"? 

5) Sugerir que Deus elimine Trump, que alguns veneram como se de UM deus se tratasse, pode ser considerado blasfémia? 

6) E o que tem Deus a dizer sobre tudo isto? Alguém sabe se Ele tem uma conta no Twitter?

Como podem ver, foram mesmo "meia dúzia de questões", ou seja, seis. Isto é facilmente verificável, basta contar. Já quanto a pedir a Deus isto e aquilo, trata-se da segunda coisa mais imbecil que alguma vez assisti. A primeira é levar a sério quem o faz, e armar um chinfrim destes, sem pés nem cabeça.


Deixem-se de disparates


E como já havia acontecido em anos anteriores, a última semana de 2016 é de "dose dupla" no que toca a artigos do Hoje Macau. Obrigado à malta da redacção do HM, com desejos de boas entradas, e para os restantes, gostava que LESSEM este artigo. Podem depois chamar-me os nomes feios que quiserem, mas pelo menos LEIAM em vez de olhar para o título e desatar a tirar conclusões bacocas. E um bom 2017 para quem lá chegar!



Podia ser esta a minha mensagem de ano novo para os leitores do Hoje Macau, mas isto seria injusto para a grande maioria deles, os que têm a cabeça bem assente num par de ombros – pelo menos penso que são a grande maioria. Mas não, prefiro antes explicar o que quero dizer com aquela mensagem colocada em tom tão grave na forma de título: 2016 entrará para a História como “o ano de todos os disparates”. Tivemos o Brexit na Europa, umas eleições muito “sui generis” nos Estados Unidos, a lembrar os clássicos “western” americanos, de “cowboys” contra peles vermelhas, e talvez o mais grave de tudo: a ascensão da “mentira” ao estatuto de “verdade alternativa”. Daí o ano do disparate – foi fértil em disparates, e na forma como tantas vezes se deu a eles provimento.

Tudo isto tem a ver com um defeito inato dos media convencionais: dão as notícias. Não dão boas ou más notícias, nem pouco mais menos, ou conforme o gosto do freguês. Dão notícias, ponto, e uma característica que salta a vista das notícias é que “nem todas agradam a toda a gente”. Os profissionais deste media, alguns financiados por dinheiros públicos, precisam de dar as notícias, e da competência ou falta dela nesta função depende a sua credibilidade, e quase sempre o próprio emprego. Os profissionais dos media dão as notícias para garantir o seu sustento, e é-lhes indiferente que a notícia agrade ou não à maioria, e muito menos a ele próprio. É assim a realidade, crua e nua. E o que seria se os chatos dos jornalistas SÓ nos dessem notícias que nos fizessem felizes? Sei lá, que estavam a chover rebuçados de um arco-íris, por exemplo? Seria bestial, apenas se fosse possível. Este seria o cenário ideal para dar asas à fantasia e deixá-la voar, mas as notícias que as pessoas procuram e querem nelas acreditar sem procurar confirmar se são ou não credíveis são muito, mas muito menos idílicas. E é aqui que entram os “social media”. O que são, afinal?

Mentirosos encartados e com uma agenda pérfida – é isto que são os “social media”. Já está, e para os mais distraídos – que são cada vez mais, infelizmente – recordo que este é um artigo de opinião, e na minha opinião quem vive da calúnia pura e simples, na sua forma mais intriguista e venenosa devia estar preso. Os “social media” alegam que os media convencionais “escondem a verdade”, a mando “da nova ordem mundial” (?), e que anda tudo “ao serviço das grandes corporações”. Tal como os próprios “social media”, com a diferença de que as “grandes corporações” deles são outras que não as da concorrência. Basta entrar em qualquer desses depositórios de calúnia e verificar os patrocinadores que aparecem nos cantos do ecrã. É daquelas coisas que aconteceu em 2016, também: um ataque de miopia colectiva que não deixou muita gente ver o que está mesmo à frente do seu nariz.

Pode ser que alguns leitores, e arrisco que seja a maioria, esteja a notar neste artigo um tom “algo agressivo”, enquanto outros poderão estar a apreciar aquilo que tem vindo a ser designado por “desrespeito pelo politicamente CORRECTO”. Reparem como destaquei o “correcto” naquela frase: desde quando é que algo “correcto” pode estar errado e merecer esse desprezo?! Enlouqueceram de vez? O politicamente correcto é o que impede que oiçamos aquilo que não gostamos de ouvir, especialmente porque é irrelevante, atroz, e não serve nenhum outro fim que não seja o de agredir.

Apesar da natureza e condutas criminosas dos “social media”, os media convencionais não estão de todo isentos de culpa. Talvez estejam demasiado acomodados, ou mecanizados, mas o mundo que nos é dado a conhecer parece estar à beira do fim. Ficamos com a impressão de que o tempo e os recursos se estão a esgotar, e que precisamos de deitar as mãos ao que resta, e esquecemo-nos dos mais fracos e necessitados. É o mundo que temos: o mundo dos humanos. Humanos que dão uma visão do mundo cheia de defeitos próprios…dos humanos. E nem eles têm a culpa que em 2016 as celebridades tenham caído como tordos.

Feliz 2017, e vá lá, juizinho.


sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

A religião é como um quê?!




Vídeo do ano


Podia ter ido mais longe, mas explica o essencial. E é o "velhinho" MADDOX, minha gente!


quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Enfim, paneleirices...


Não podia estar mais em sintonia com o disse Ricardo Araújo Pereira nesta entrevista ao jornal i: também não penso em sexo homossexual cada vez que oiço ou leio a palavra "paneleirice". O que é isto, uma "paneleirice"? É uma mariquice, pronto. Também não serve? Um capricho, uma birra, uma extravagância, um exagero, sei lá, uma chatice do caraças. E assim, pode ser? Óptimo, era o que faltava se aqui na minha tasca tivesse que aturar este tipo de...paneleirices. Ah ah! Estão a ver? Aí está! Por outro lado...



Ooops! "Por outro lado" quer dizer "de outra forma", e não do outro lado....daquele lado, entendeu, ó sua alteza...oops! Outra vez, por "alteza" quero dizer "soberano", e não necessariamente "rainha da Primavera". Ah, não se preocupe que não lhe peço desculpa, pois isso seria uma atitude de um cavalheiro, que é daquelas coisas que se tem com as senhoras. No blogue Jugular, onde Pedro Côrte-Real assume...oops, quer dizer, "dá a cara" como protagonista do episódio que RAP descreve na sua entrevista ao i, e depois desata com uma data de PANELEIRICES, e não porque seja aquilo que se espera dele por ser, e citando o próprio, "paneleiro"; há homens heterossexuais que amiúde desatam com paneleirices parecidas, e das mulheres nem se fala - umas autênticas peritas na (des)arte da paneleirice! Agora, como vice-presidente da ILGA, e que devia estar mais preocupado em evitar este tipo de saloiice (para não me repetir), sinceramente fica-lhe mal. E olhem lá que o RAP deu a cara pelo direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, e foi apresentador da gala Arco-Íris. Nem ele nem eu temos nada contra essas paneilirices. São as outras como esta que nos chateiam, tá a ver?


PS: Será que os lituanos ficam ofendidos se lhes dissermos que têm uma bandeira (em cima) um bocado..."paneleira"?


Turismo de Natal


Outra vez em perfeita sintonia com o Hoje Macau, aqui vos deixo com o artigo desta semana. Entendo, entendo...são as festas, e tal...ah, e amanhã e talvez depois conto como foi lá em Taiwan.

Desde que dou o meu humilde contributo a esta grande empresa que é o Hoje Macau (afinal é época de “dar”), este ano deve ser a minha vez de desejar as Boas Festas aos leitores, uma vez que nenhum dos feriados da quadra natalícia caiu a uma quinta-feira. Mas é com muito gosto que o faço, naturalmente, e aqui: Bom Natal e até ao meu regresso. Sim, tal como qualquer outra pessoa que não tem uma boa razão para ficar em Macau pelo Natal e tem quatro dias de férias, vou aproveitar e dar uma volta aqui por perto, onde pelo menos dê para sentir algum do ambiente natalício. O ano passado foi Xangai, este ano é Taipé.

Mas em primeiro lugar gostaria de saudar a comunidade macaense e os restantes cristãos naturais de Macau, pois parece invasivo estar a inclui-los neste rol de lamentações. Estes são os hóspedes do Natal de Macau, na terra deles, e os restantes são convidados. Quem não gosta não é obrigado a comer, e se não quiser ficar à míngua, se calhar o melhor é fazer-se à vida. Dito isto, desejo uma santa consoada aos cristãos de Macau que vão tomar com as suas famílias a ceia de Natal. E agora os outros.

Quem é natural de Portugal e tem aí uma boa parte da família, é natural que faça um esforço suplementar em termos financeiros e de gestão das férias para passar o Natal junto de quem tem saudades, e vice-versa, claro. A estes, que aproveito igualmente para saudar, a época consagrada ao dia 10 de Dezembro e seguintes é chamada de “fuga de Macau” – longe que te quero, lá vou eu, beijinhos a quem fica. Quem acha que as “saudades” são uma coisa que precisa de maturação, ou simplesmente não se pode dar ao luxo de ir “marcar o ponto” a Portugal todos os natais, vai ano sim/ano não, e quando é “não” vai para a Tailândia com o agregado familiar, ou no ausência deste, com amigos e amigas na mesma condição. Acho óptimo, não façam daqui segundas leituras. É uma das muitas vantagens de estar aqui a viver, e não em Portugal. Que bom para nós.

Na eventualidade de nem sim nem sopas, não há disponibilidade, férias ou vontade de sair de Macau, não deve o expatriado comum entrar em depressão. O que é isso, se em Macau os locais aderem ao Natal, ou mais ou menos isso. Primeiro, o dia 25 é feriado para toda a gente, o que por si já é mais que suficiente para não ignorar a noite da consoada. Talvez para quem comemora o Natal na sua vertente cristã e junto da família isto pareça demasiado “insonso”, mas no fundo isto não difere muito do que sentimos em relação ao Ano Novo Chinês, onde por vezes damos connosco a pensar: “What’s the point?”. Ficar em Macau no Natal não é “a mesma coisa” que sair, mas também não representa o fundo do barril da solidão, p’lamordedeus.

O que faz falta em Macau (olha, parece o nome daquela ex-rubrica de um título da concorrência) era…sei lá, mais luzes de Natal, como aqui ao lado em Hong Kong? E que tal uma árvore de Natal no centro da maior praça que não fosse um sólido geométrico feito de papelão, por exemplo; as árvores tinham folhas, da última vez que vi uma. Para evitar esta onda de turismo daqui para fora NO Natal, era preciso que Macau investisse no turismo DE Natal. Como? Talvez com outra coisa que não fosse casinos, e casinos, e mais casinos.

Feliz Natal.



Fogos? Quais fogos? Batam com panelas e tachos!


Nota prévia: as "panelas e tachos" referidos no título são estes objectos na imagem. Triste que tenha chegado o dia em que um esclarecimento desta natureza se torna necessário. Ai...

Macau não vai ter fogo de artifício na passagem de ano, porque o material pirotécnico foi encomendado da Grécia! (Tentativa de humor subtil não muito bem conseguida). Ora essa, e depois?! E até nem curto ficar de pescoço esticado a olhar para os "pum-pums" rodeado de crianças (e não só) a exclamar "Uááááá" cada vez que rebenta um maçarico - nem tinha nada dessas coisas lá no Montijo quando era puto, pá! O que a gente fazia era ir para a varanda com colheres de pau e bater nos tachos e panelas. Assim, e mánada. Ora toma lá que já almoçaram! Foguinhos de artifício? Os meninos estão a ficar muito finos. Panelas! Tachos! Pimba!


Puérco preto, olé!


CitySuper, Hong Kong, um dia destes, em compras para o Natal e Ano Novo - "of sorts", digamos antes assim. Enquanto procurava pelos deliciosos iogurtes com pedaços de figo ou aroma de romã, que aqui não encontro em lado nenhum, eis que deparo com a secção de cadáveres de aves e quadrúpedes, e dou com algo de familiar: porco preto. O porco preto é aquele suíno alentejano cuja fama reside em "alimentar-se apenas de bolota", alegadamente. Isso deve explicar a sua composição de 70% gordura, que me obriga a andar a chá o resto de dia se como bochechas ou secretos ao almoço. E aqui é de "secretos" que se trata exactamente, e...espera lá, o que é aquilo???


"Spanish"? "SPANISH"? Español? Paco e não diabo??? Que m... vem a ser esta? Até dá para desculpar o "ibieirico",  bem como o preço praticado (para quem não sabe, aquele pedaço de suíno congelado custa 20 euros; oh yeah), mas trair a identidade dos nossos recos, jamais! Para começar e acabar também, "porco" em castelhano é "cerdo", e ao contrário do que possam pensar os falantes de "portunhol", "lombo de porco" diz-se "solomillo de cerdo", e não "luémbo de puérco". Portanto este tal "porco", seja ele preto, rosáceo, ou malhado, nunca seria "spanish". Eu sei que estou um bocado longe de casa para protestar este tipo de coisa, e fosse eu chamar a atenção dos senhores do CitySuper de Hong Kong que o porquinho era "portuguese" e não "spanish", ainda levava com uma do tipo: "Portuguese? Not famous". Ah, pois.