sexta-feira, 29 de maio de 2015

As flores do mal (pelo sobrinho-neto distante de Baudelaire)


Além da maldita sonolência provocadas por 1) trabalho, 2) calor, 3) antibióticos e xaropes para a gripe, esta provocada por 1) poucas horas de sono, 2) ar-condicionado alternado com o calor e a humidade, e lá está o suor, tive uma semana chata p'ra c*****o por não andar com pachorra para mandar à fava quem à fava devia ser mandado, e com bilhete só de ida. Vou tentar compor estas linhas de forma a não revelar o caso ou a pessoa em causa, e se há pessoas que vão ler e eventualmente reconhecer a referida situação, não será com toda a certeza por terem ouvido, visto ou lido algum comentário da minha parte - é a primeira vez que me pronuncio, de todo. Não sei se com isto estou a dar demasiada importância ao assunto, mas como tenho, segundo dizem os chineses, "um pescoço muito duro", penso que assim ficamos em paz com os anjinhos.

Acordei na segunda-feira do sono dos justos já passava da uma da tarde, e este foi apenas o início de uma semana em que passei na cama 80% do tempo em que não estive a trabalhar. E mesmo aí por vezes foi um sacrifício para manter as pestanas descoladas. Enfim. Portanto, ainda mal acordado verifico as mensagens, e apesar de nunca estar à espera de nada de surpreendentemente positivo, fui sobressaltado com uma mensagem no Facebook da autoria da pessoa em questão. Juro que fiquei uns bons 30 segundos a tentar encaixar o personagem com o sentido da mensagem, mas logo me apercebi que isto seria uma daquelas tarefas ingratas que me deixariam com uma mancha no fígado, na pior das hipóteses. A tal criatura não gostou de algo que escrevi a seu respeito (que nem foi nada que ocupasse mais que uma ou duas linhas), aparentemente pecando por omissão, ou inexactidão, não sei bem, e nunca daria para saber, pois antes que pudesse então pedir caridosamente que me elucidasse sobre exactamente onde errei e qual seria a versão correcta da "inverdade", apercebi-me que me tinha bloqueado, assim, sem mais nem menos.

Isto para quem acaba de acordar é especialmente confuso, permitam-me que desabafe, pois não acusei a pessoa em causa de ter cometido qualquer dos crimes contemplados no Código Penal, não declarei, insinuei ou sugeri fosse o que fosse, e aos olhos de qualquer pessoa com olhos agarrados a um pedaço de massa cinzenta para onde a mensagem seja transmitida e interpretada, não cometi sequer nenhuma deselegância. Estando eu, como já disse, bloqueado, fui por outros meios "medir as ondas" (há outras pessoas com conta do FB cá em casa, sabia?) e observei que o S. João tinha chegado um mês mais cedo este ano. Nesse dia e nos dois seguintes aquilo é que foi montar o arraial, lançar os foguetes e apanhar as canas. Foi como naquela piadola brejeira que se diz a respeito dos coelhos: "vai ser tão bom, não foi?". Deu também para perceber que mesmo sem querer tinha atingido ali um nervo qualquer, tão profundo e sensível que só poderia mesmo ter sido por acidente.

Acidente ou não, a verdade é que nunca tive jeito para "bombo da festa", e se pessoas houver de quem eu tenha a consideração e o respeito em doses q.b. para me deixar ficar, ou ainda ir ao ponto de procurar apaziguar o mal-estar reinante, V. Exa. não se inclui com toda a certeza nesse grupo. Posto isto, deixo ponto assente que:

- Conhecia-a mal, posso mesmo dizer agora com uma confortável margem de segurança que não a conhecia de todo, e V. Exa. incluía-se no rol de pessoas que, não sendo ou tendo alguma vez sido íntimas da parte que me toca, tratava com a mínima deferência exigida nessas circunstâncias.

- Repare como digo "tratava", pois quem, completamente de surpresa, sem qualquer ataque ou provocação da minha parte me agride desta forma, deixa de fazer parte do conjunto de mamíferos, verterbrados, bípedes ou outros organismos pluricelulares que valha a pena identificar ou sequer atribuir importância à massa que ocupam no mero contexto da Física como ciência.

- Não penso que tenha "escrito sobre" V. Exa. especialmente, - e agora a propósito da mensagem que me deixou - mas nesse particular pode ficar tranquila que isso não vai acontecer, e só não digo "mesmo quando se justifique", pois para mim isso seria sempre NUNCA.

- Deve ser óptimo acordar um dia e descobrir-se que não somos esquimós dos Inuit, mas antes dos Yupik, não sei, nunca tive essas crises de identidade nem me senti especialmente "rafeiro" para precisar de me encostar a qualquer "tribo". Contudo fico mais descansado que tenha arranjado novos amigos, que assim esses aturam as (muitas) perdas de altitude emocionais que se vão dando nessa viagem.

- Finalmente, quanto ao "e agora?", e se quiser dizer que não está preocupada ou até que se está "nas tintas", óptimo! Ralar-se com isso seria muito mais intimidade do que o recomendável nestes casos. Se me quiser virar a cara quando me vir na rua, não me resigno a que o faça: recomendo, até, pois quem vilipendia as mais básicas regras da conduta social como V. Exa. fez neste caso, só pode esperar encontrar no meu semblante a expressão do mais enegrecido e séptico dos desprezos.

Posto isto desejo que prospere, floresça e frutifique em todo o seu asinino esplendor, de preferência o mais longe que puder da minha pessoa e de todas as valências directa e (se possível) indirectamente com ela relacionadas.

Leocardo


quinta-feira, 28 de maio de 2015

Taiwan - uma viagem de reconhecimento


Peço desculpa mas não tenho lá muito jeito com o Photoshop - o que vêem ali é o que há.

Na minha primeira viagem para Macau, em Agosto de 1993, tive a sorte de fazer aquela que tinha sido então a maior viagem da minha curta vida de 18 anos em boa companhia. No voo entre Londres e Hong Kong o destino quis e a aleatoriedade da marcação dos assentos pela British Airways proporcionou a que viesse sentado ao lado de uma menina chinesa, que na altura seria apenas dois ou três anos mais velha que eu - ou menos jovem, que juntos não teríamos a idade que tenho eu agora. Passámos praticamente todo o tempo a conversar, ficámos amigos e no fim da viagem trocámos contactos. Numa daquelas coisas que se diz nestas ocasiões prometi ir visitá-la um dia "no seu país", de que conhecia o nome e pouco mais: Taiwan. Era chinesa, sim, mas de Taiwan, uma diferença que vai dando para ter em conta à medida que nos vamos deixando ficar por esta realidade que compõe os três vértices do triângulo do grande gigante asiático que é a China: o continente, Macau e Hong Kong, e Taiwan, que é considerado pelos primeiros uma província rebelde, pelos últimos uma referência, e por Macau...bem, um sítio onde se come bem e fica a pouco mais de uma hora de avião. Apesar de parecer fácil e a distância ser curta, seria apenas quase 22 anos depois de travar conhecimento com esta minha amiga que finalmente visitava o seu país. Se lhe estava a dever a visita, menos uma coisa que fica por pagar.


É chato, quando "chovem malas"...

Voei do aeroporto internacional de Macau na sexta, dia 1 de Maio, pelas 22 horas, depois de ter passado o dia inteiro a dormir. Juro que isto é verdade. Como sempre deixei a organização com a minha mais que tudo, que ousou experimentar uma nova companhia de "low-cost" sediada exactamente em Taiwan, a "V-Fly". A mascote desta companhia é aquele simpático ursinho de suspensórios, sempre sorridente, presente um pouco por todo o lado no avião, ora a avisar para a queda das malas, ou a dizer para não fumar nos lavabos. Um pândego. A malta da companhia é jovem, usa um uniforme refrescante, leve, e são apresentados como se fossem jogadores de uma equipa de futebol. O voo decorreu suavemente, e menos de uma hora e meia depois estava a aterrar em Taipé pela primeira vez. Parece pouco, mas para mim o que continua a ser o grande mal das viagens de avião é o tempo que se demora a descolar, a aterrar, a chegar ao terminal, a esperar pelas bagagens e tudo isso. Viajámos apenas com bagagem de mão para poupar tempo neste último particular, mas no aeroporto da capital nacionalista há um "handicap" no que toca à organização do departamento de imigração. Tanta, mas tanta gente, que pensei que os japoneses tinham invadido outra vez e toda a gente se preparava para fugir (por acaso ia a entrar, o que faz com que nem seja necessário retrair-me do humor negro histórico utilizado). Pelo menos nota-se simpatia por parte do pessoal alfandegário.


Batata-doce de madrugada? Quem diria...

A desvantagem de se chegar já de madrugada a um destino que ainda por cima visitamos pela primeira vez é o de estar toda a gente a dormir, indiferente à nossa presença. Deve ser psicológico, mas tenho sempre a sensação que quando vou a um lugar onde nunca estive antes, esse facto é facilmente perceptível pelos locais, que olham para mim como se isto estivesse escrito na testa. Em Taiwan a sensação é menos "exótica", por assim dizer, pois parece que passámos para o continente vindos de Macau, mas num tom acima, e alguns ainda abaixo de Hong Kong - que diabo, ultimamente as primeiras impressões sobre os sítios novos onde chego têm andado a bater certo; ou estar a ficar velho e com menos expectativas ou então é o tal "amadurecimento" que se diz que os homens atingem, morrendo pouco depois. Os aeroportos têm sempre tudo, mas não são convidativos, especialmente para um destino novo, misterioso, pronto para ser explorado...no dia seguinte. Chegado ao "apart-hotel" (e era isso mesmo do que se tratava) fui ao Family Fart ali próximo onde finalmente confirmei aquilo que sempre me foi dito: Taiwan é o paraíso do "bom gourmet". De facto em termos de variedade devem ser imbatíveis, e a isso junta-se uma criatividade espantosa, e claro, os taiwaneses fazem questão de se distinguir dos seus irmãos do continente por dar primazia ao controlo de qualidade. Costumo comprar sobretudo líquidos: sumos, leite, batidos, chás, tudo o que previna o pesadelo que é acordar a meio da noite com sede,  longe de casa e sem nada para beber. 


So? Go!

A noite não foi de todo tranquila, pois a minha cara mia acordou-me em sobressalto, queixando-se de que lhe doía não sei o quê, ao ponto de me deixar uma espécie de testamento verbal e tudo. Mais tarde confessou-me que eram seis da manhã, mas só deu mesmo para abrir metade de um olho e virar-me para o lado. De facto dava para ver que estava mais pálida que o habitual, mas não detectei qualquer hemorragia, fracturas expostas ou orgãos vitais de fora, por isso virei-me para o lado e voltei a dormir. Algumas horas mais tarde (muitas, por sinal) acordei, e como vi que continuava viva perguntei-lhe se ainda queria ir ao hospital. Eram quase duas da tarde quase nos metemos a caminho do hospital, cuja direcção ela dizia conhecer. A este ponto devia talvez referir que ao contrário de mim, a minha esposa já foi a Taiwan várias vezes, e dizia saber orientar-se - dizia. Ao contemplar pela primeira vez a luz do dia em Taipé deparei logo ao virar da esquina com o centro comercial da Sogo, uma espécie de "estrela polar" para quem fica instalado na zona de Zhongxiao Fuxing. Estava com um bocado de larica, mas queria resolver o mal-estar da minha parceira primeiro, e antes de mais nada arranjar um cartão de internet para o smartphone - ainda o mundo acabava e ali, na ilha que os navegadores portugueses de quinhentos baptizaram de Formosa, sem nada saber. Foi aí que apanhei com um choque de frente; os estrangeiros têm que fazer registo no momento da compra do cartão, e para o efeito é necessário apresentar passaporte, e - erro crasso da minha parte, agora que penso nisso - o BI do país de origem, ou equivalente. Acontece que o passaporte é de Portugal e o BI  de Macau, e não sendo estes documentos compatíveis, o registo não pode ser efectuado e em vez cartão na mão fico a chupar no dedo. Podia ter simplesmente alegado que só viajava com passaporte, mas pensando bem, ia só ficar dois dias inteiros e há "wifi" em toda a parte. Taiwan é dos sítios onde fui até agora com a maior área de cobertura "wifi".


Um hospital. Em Taipé. É só.

Uma vez que não atinávamos com a porcaria do hospital mais próximo, mesmo depois de ter pedido direcções ao simpático povo taiwanês umas quatrocentas vezes, apanhámos um táxi que nos deixasse à porta de um qualquer local que não pudesse ser confundido com outra coisa qualquer. Tenho um filme que fiz nos dias em que estive na capital taiwanesa que editarei quando me der para isso, mas vou adiantando que não é nada de especial - nunca é, eu sei, mas desta vez ainda é menos. Mas é ali que eu falo durante alguns segundos sobre este hospital, um dos vários que existem espalhados por Taipé, e onde digo que tem um aspecto semelhante ao do Kiang Wu, em Macau. Fiquei sentado na sala de espera das urgências durante mais de duas horas enquanto a minha mulher era atendida. Atenção: ERA ATENDIDA, não enquanto esperava para ser atendida. Passei pelas brasas, visto que apesar da rede "wifi" decente que cobria o hospital estava a ficar sem bateria. Quando terminou a consulta já passavam das cinco da tarde, e a larica tinha-se tornado numa crise civil. Metemos-nos noutro táxi de volta ao Sogo, até porque chovia. Choveu todos os dias enquanto lá estive, talvez um pouco mais intensamente na última noite, mas nada que fosse estragar o que quer que seja, pois não havia planos nem expectativas. Naquele momento havia só fome.


Há dias em que eu queria ser vaca...pelos estômagos, entenda-se.

Quem me segue pelo Facebook e estava atento nesse dia deve-se recordar, pelo menos vagamente, de algumas destas imagens. De facto fiquei impressionado com o esmero e com a apresentação de quase tudo o que vi. Talvez o senão seja o facto de todas as lojas de conveniência tresandarem a um cheiro daquele ovo cozido numa espécie de caldo vegetal, que julgo ser uma receita tradicional desta região, que inclui a província chinesa de Fujian, a área de costa da China mais próxima de Taiwan, e de onde a maioria dos habitantes da ilha tem descendência. Diz-se das gentes de Fujian que são unidos, que têm pelo na venta, e na hora de se juntar são piores que os ciganos. Pelo que me foi dado a perceber os taiwanenses não são nada assim, ou pelo menos não o demonstram. Parecem-me cordiais, exibindo uma civilidade e civismos acima de qualquer suspeita, são sem sombra de dúvida menos ríspidos que os chineses e para isso até ajuda a pronúncia do Mandarim que falam, mais musical. Também não vi ninguém a cuspir no chão, ou a expelir o ranho segurando o nariz com os dedos em forma de mola,  a palitar os dentos sonoramente com a língua, ou dobrado a sacudir a caspa. Imaginem que mesmo estando a chover, não reparei em ninguém a usar saco de plástico na cabeça, ou aquelas capas de chuva que protegem da água do céu mas deixam quem as usa a suar em bica - e esteve algum calor, pelo menos até ao último dia. Até os modos são outros, comparando com o continente, Macau e até Hong Kong. Apesar de ser o fim-de-semana do 1 de Maio e o comércio estar apinhado de gente, não vi empurrões, fura-filas, gente aos gritos, nada. Imaginem que em dois dias e três noites não me irritei uma única vez com ninguém! Pode-se dizer que juntamente com as férias na acepção turística do termo, tirei ainda férias dos "foram-se" e dos "carvalhos" que vou grunhindo entre dentes aqui em Macau cada vez que saio à rua. 


Goulash: optei pela Hungria porque estava mesmo..."hungry"!

Poderia ter apreciado com muito mais detalhe a graça dos taiwaneses nesse dia se não estivesse quase a desfalecer de fome - e andar ali a comer bolos e pães com os olhos também não ajudava muito. Os restaurantes pareciam sempre cheios, a todas as horas do dia, e o facto de serem quase seis da tarde e estar ainda para fazer a primeira refeição do dia dava para comer quase qualquer coisa. E digo "quase" porque sinceramente não tinha vontade nenhuma de provar as especialidades locais, que neste Sogo se podiam encontrar em aglomerados de restaurantes praticamente a portas-meias uns com os outros. Não é por uma questão de preconceito, e sou uma pessoa aberta a todas as experiências gastronómicas dentro do que considera "comestível": qualquer alimento inerte e imóvel que não tenha cheiro ou gosto atroz e não me provoque a morte depois de o consumir. Mas bolas, era a minha primeira refeição diga desse nome que fazia em Taiwan, e tinha que ser memorável (ou pelo menos "lembrável"). O que não é comida chinesa é outra coisa, e aí há muito por onde escolher, e optei por um "bistrot" ao estilo vianês localizado no décimo andar do edifício, e também o último. O único senão foi faltarem alguns dos itens do menu (é muito mau oferecer aquilo que não se tem, meus amigos), pelo que pedi um Goulash, o prato nacional da Hungria, que tinha no cardápio o mesmo bom aspecto que se vê na imagem em cima. Para empurrar pedi uma cerveja austríaca, e assim recreei uma versão gastronómica do império austro-húngaro, que assim foi restaurado no meu estômago durante algumas horas, até acabar por ter o mesmo destino que o original. Enquanto esperava pela comida dei um toque (finalmente) ao meu camarada Eric Sautedé, na esperança que ele estivesse interessado em saber as minhas primeiras impressões sobre o tubo-de-ensaio da democracia chinesa, e não é para meu espanto que ele me diz que está em Taipé com a família, e voltaria para Macau no dia seguinte. Sem mais demora combinámos um pequeno rendez-vous duas horas mais tarde, num bar que ele escolheu, de modo de aproveitar esta oportunidade. É daquelas coisas que combinadas com antecedência acabavam por nunca acontecer.


A janela para a "outra China"

O local de encontro era o China Pa, um bar situado num edifício que ficava a menos de dez minutos de táxi de onde eu estava instalado, e a esta hora se calhar estão a pensar que muito andei eu de táxi por ali. E de facto é verdade, mas é prático apanhar um táxi, não se espera mais de dois minutos por um que pare mesmo à nossa frente, e é barato. Os taiwaneses precaveram-se dos truques que os taxistas desonestos usaram em Macau utilizando um sistema muito simples: uma tarifa normal no turno diurno, outra acrescida no nocturno e ainda uma taxa extra para tomadas depois das 11 da noite. Claro que isto implica uma fiscalização competente e ninguém me diz que em circunstâncias idênticas os taxistas de Taipé não fariam o mesmo, mas isso já são muitos "se", e verdade seja dita os taxistas ali são disciplinados, simpáticos, tentam falar o pouco de inglês que sabem (e que até nem é  tão mau assim), e mais importante, mantêm a viatura limpa e apresentável. Assim chegado ao local de encontro, pude ter umas noções do que é a vida nocturna taiwanense, mesmo que mínimas. O tal China Pa fica num dos andares superiores de (mais) um edifício comercial e é decorado com motivos que nos remetem para a China Imperial, como se pode ver na imagem de cima (na de baixo não sei se é perceptível, mas chovia). Como os Sautedés vieram com as crianças não ficámos até muito tarde, e além disso era Sábado, por isso havia música ao vivo e não dava para trocar grandes impressões, por isso ao fim de duas bebidas por cabeça saímos dali. A experiência valeu por duas razões que destaco: deu para perceber que de facto a influência norte-americana é forte, e isto nota-se no inglês que os taiwaneses falam, e pela primeira vez notei a presença de mulheres bonitas. Aqui, e falando apenas na condição de observador, Taiwan foi uma desilusão.


Vejo que estão todos contentes, sim senhor...não entendo é porquê...

Domingo. Não choveu tanto como no Sábado nem como no dia seguinte, pelo que o tempo convidava a visitar alguns locais de interesse, como foi o caso deste Memorial ao Dr. Sun Yat-sen, que como se sabe foi em 1911 o fundador da República da China, e continua a ser uma inspiração para todos os chineses - mais os de Taiwan, sendo para os outros tido como uma referência apenas graças à sua contribuição para o fim da dinastia dos Qing, e consequentemente da China imperial. O local tem um interesse do ponto de vista..."museístico",  chamemos-lhe assim, e fica na Avenida Xinyi - e pode ser que isto interesse - e se ficar no Hotel Shangri-La ou no Grand Hyatt fica quase mesmo a dois passos do local. Foi também neste Domingo que tive a oportunidade de viajar no metro de Taipé, que se insere na classificação de "iá, porreirinho e tal", e de noite fiz compras no 101 Tower e no Jianmei night market, cujos comentários remeto para o tal vídeo, quando sair (talvez este fim-de-semana).


O que estou a pensar? Que está frio, porra!

No último dia, e antes de regressar a Macau, fui visitar o Memorial dedicado a Chang Kai-Chek, outra das manifestações simbólicas da soberania de Taiwan - peço desculpa pela observação pouco concisa, mas fazia bastante frio nesse dia, e como podem verificar estava em mangas de camisa. Do próprio Chang Kai-Chek, desavindo com Mao depois de terem combatido lado a lado os invasores japoneses, posso dizer que levou uma vida bem catita, como é possível descortinar pelos objectos e restante memorabilia que constam do museu anexo ao memorial. Quanto à paixão dos taiwaneses pela sua "independência"...é uma conclusão que terei que tirar de uma próxima vez que lá for. E fica combinado o regresso, pois afinal não é longe, não é caro e não é desagradável de todo. Pelo menos para viagem de reconhecimento, não tenho qualquer razão de queixa.


Mais do que "mania das vaidades"



A anorexia nervosa é um transtorno psiquiátrico como tantos outros, onde às vezes nos convencemos que "basta querer" para o vencer - ainda mais tratando-se de anorexia, que muita gente considera "uma mania" ligada ao culto da beleza e da linha. Tragicamente para Rachel Farrokh, uma actriz de 37 anos da Califórnia, tudo isto pode ser verdade como pode ser mentira, pois para ela chegou o fim da linha. Anoréxica há dez anos, pesa pouco mais de vinte quilos, e depende do seu companheiro para lhe prestar os cuidados mais básicos. Um vídeo comovente, mais um para a galeria desta condição que é bastante mais do que "a mania das vaidades".


E onde estava você no 25 de Maio?


Passou na segunda-feira um ano desde que tivemos "a revolução que nunca foi". Foi esse o mote do artigo de quinta-feira do Hoje Macau (dia 21 de Maio). O Bairro do Oriente espera vir regressando lentamente à sua actividade normal enquanto o seu autor recupera do "choque térmico" que marca a entrada neste maldito Verão. Obrigado por continuar desse lado.

Vai fazer agora um ano que teve início a maior crise política dos 15 anos de História da RAEM. Esta crise, dizem em surdina os pragmáticos residentes de língua nativa chinesa, será a razão porque vem agora o Governo dizer que está na hora de apertar o cinto, que onde era tudo rosas não restam senão espinhos, e das fontes por ontem jorrava mel sai agora o mais amargo fel. Com a acentuada quebra nas receitas do jogo e nos números da taxa de ocupação hoteleira, começam a soar os alarmes – os “investidores” não estão a ter o mesmo retorno chorudo, criminoso, quase pornográfico e em vez disso “só” fazem muitos milhões, em vez de...bastantes milhões.

Ora isto dos milhões pode ter muita graça para aquelas pessoas que têm hora para acordar, para chegar ao emprego, que levam os filhos para escola, vão trabalhar com nódoas de chupa-chupa no fato, ou no macacão, depende do caso, e com toda a certeza iam comprar imenso pão, arroz e batatas e essas que os trabalhadores comem. Os ricos só conhecem este cenário dos filmes de Fellini, e para eles “milhões” não chegam nem para forrar o assento de madre-pérola da sanita de platina do avião a jacto privado antes de lá sentar o seu tutu bilionário. Os ricos não ganham “um milhão” ou bagatelas desse tipo e vão a correr acender uma velinha a Nossa Senhora, dar graças e dizer “obrigado mas já chega”. Os ricos quando não estão a ganhar milhares de milhões uns em cima dos outros não se vão lembrar do tempo em que isto aconteceu, nem que tivesse sido ontem – os ricos pegam na sua trouxa da Swaine Adeney Brigg e vão para onde os zeros crescem à direita.

Para os trabalhadores, paradoxalmente, o trabalho deixa de ser. Não, não deixei a frase incompleta, e era mesmo esta a ideia: o trabalho deixa de ser, e finito, kaputz, it’s over, go home. Numa economia que depende das receitas do jogo (juro que estou prestes a assinalar a vez número 10.000 que escrevo esta frase) é preciso vir quem jogue, e não vão ser os pindéricos de cá que acham um “danish” de 30 patacas que vêem na montra do La Lafayette “caro”, ao ponto de começaram aos guinchos e aos pulos feitos o Daffy Duck. São os tipos da China, que vêm aqui aliviar-se do peso de umas notas que...bem, digamos que “já não querem”, pois agora têm outras novas. Fico por aqui, só para não magoar ninguém, entenda-se.

O elevado grau de autonomia que Macau usufrui é sustendado um pouco na base do “não olhe, não oiça e (sobretudo) não faça perguntas”, e durante anos andavam todos cantando e rindo com a polٕítica de vistos individuais, que permitia que os nossos compatriotas nos viessem visitar, e que visitantes, estes! Não só nos livraram desses enfados que são os táxis, o leite em pó ou a liberdade de andar na rua sem esbarrar passo-sim, passo-não, como ainda levavam como recordação objectos furgais, coisas simples como malas de senhora e relógios de pulso no valor de mais de um milhão de patacas. Devem ser malas e relógios especiais, daqueles que dão...orgasmos múltiplos? Deve ser isso, claro.

Mas não contentes com tudo isto, de que o lucro viam quase nada ou nenhum, os nossos residentes resolvem sair em massa no dia 25 de Maio, para “protestar”. Protestar contra o quê, afinal? Uma proposta de lei mirabolante, uma ideia das arábias, e que os seus defensores ainda vieram com uma enorme lata dizer que “é uma lei que existe em todas as jurisdições”. Quer dizer, lá existir, existe, só que provavelmente noutros termos. Duvido, por exemplo, que alguém que exerça durante seis anos o cargo de secretário de estado das hortaliças no Estufistão vá depois usufruir de opulentas regalias para o resto dos seus dias, transmissíveis aos seus sucessores e tudo. Ah sim, ia-me esquecendo deste importantíssimo detalhe: terá também que responder por crimes de delito comum, mesmo durante o tempo de exercício do seu cargo. Mas isto sou eu a falar, claro.

Ler as leis, consigo ler, como adulto alfabetizado e mais ou menos sóbrio que sou, mas para interpretar é preciso ter em conta O ESPÍRITO DA LEI, e para isso já é preciso consultar o professor Karamba (já agora se tiver problemas de família, com droga, mau olhado ou impotência sexual aproveite para tratar com desconto)
Se estivesse aqui o personagem do Baptista Bastos interpretado pelo Herman José, e me fosse perguntar: “olha lá, ó seu canalha delator e linguarudo, onde é que tu estavas no 25 de Maio?” Eu logo respondia: nas compras.

E agora que penso bem e me recordo daquele dia em que teve o início o Verão quente, tão quente que derreteu a confiança do Governo Central no nosso Executivo, foi um pouco como os milagres de Fátima, só que em vez do sol a dançar tivemos a CTM a oops! “deixar ir abaixo o serviço de internet e SMS – “porque estava muita gente na rua”. Pois, “frapé, você não vê?” O sinal batia na multidão e recuava, como explicou aliás o actor António Silva naquela rábula de “A menina da Rádio”. A Praça da Assembleia Legislativa fez de Cova da Iria, e o Executivo acabaria por retirar a lei: “Ora bolas, não deu”, desabafaram. Não, não, desculpem, afinal agora vêm dizer que não estão a pensar em recuperar e proposta tão cedo, porque “têm mais que fazer”. Pois têm: cortes. Mas também, quem nos mandou ser tão ingratos com o bem dos outros? Uns invejoso, é o que nós somos. Assim não vale, pá!


Os uefeiros de Sevilha



O FC Sevilha conquistou ontem pela quarta vez no seu historial a Liga Europa, revalidando o título conquistado na época passada frente ao Benfica em Turim. Ao contrário do ano passado não foi necessário recorrer aos pontapés da marca de grande penalidade, pois apesar da excelente réplica dada pelo Dnipro, a grande surpresa da prova, a equipa de Unai Emery marcou três golos no tempo regulamentar, contra dois do seu adversário. Os ucranianos adiantaram-se no marcador aos sete minutos pelo avançado croata Ivan Kalinic, mas os andaluzes dariam a volta ao marcador em apenas três minutos, com o ponta-de-lança colombiano Carlos Bacca em grande destaque; primeiro aos 27 minutos assistiu o médio polaco Grzgorz Krychowiak para o golo do empate, e aos 30 fez ele próprio o segundo da sua equipa, correspondendo da melhor forma a um passe do veterano "playmaker" José Antonio Reyes. O Dnipro ainda conseguiu empatar antes do intervalo, por Ruslan Rotan, mas estava escrito que esta seria a noite de Bacca, que aos 73 minutos recebeu um passe de morte do extremo-esquerdo Vitolo, e na cara do guardião Denis Boyko fez o golo da vitória do Sevilha. Foi a segunda vez que os sevilhanos fizeram o "bis", pois em 2006 e 2007 já tinham vencido em duas ocasiões consecutivas esta mesma competição, que parece ter sido feita à sua medida. Menos sorte têm tido na liga espanhola, onde tardam a conseguir uma posição que lhes permita aceder à Liga dos Campeões - em 2013/2014 terminaram em quinto a sete pontos do Athletic Bilbao, e este ano repetiram a mesma classificação, mas estiveram muito perto, ficando a um ponto do quarto, o Valência, e a dois do terceiro, o Atlético de Madrid.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Vão-se as ligas, ficam as taças


Ficou concluída ontem a edição 2014/2015 da Liga NOS, a divisão principal do futebol português, e que consagrou o Benfica como bi-campeão nacional. A equipa de Jorge Jesus é, por muito que me custe dizê-lo, uma justa vencedora, e mesmo com um "penalty" mal assinalado aqui ou um fora-de-jogo duvidoso ali, ganha quem no fim tem mais pontos, tem pontos quem ganha mais jogos, e finalmente ganha mais jogos quem marca mais golos que o adversário. Os encarnados festejaram pela primeira vez em mais de 30 anos o bi porque conseguiram ser a equipa mais regular e contaram ainda com a boa forma das suas peças essenciais nos momentos decisivos da época; ora Talisca e Eliseu, inicialmente, depois Lima e Jonas, uma dupla de avançados que rendeu 39 dos 86 golos da equipa, e durante a época inteira a dupla argentina Sálvio e Gaitán fez o papel municiador do ataque. Pizzi compensou bem a saída de Enzo Pérez, que se transferiu para o Valência com a abertura do mercado de Inverno, e lá atrás Maxi, Luisão e Jardel garantiram a estabilidade necessária, numa zona que não é dada a que se façam muitas experiências, enquanto a baliza esteve entregue a dois brasileiros, Arthur e Júlio César, com primazia para este último. As "nemesis" de Jorge Jesus foram Sérgio Conceição e André Vilas-Boas; o primeiro teve o mérito de com o "seu" Braga infligir a primeira derrota no campeonato e eliminar da taça os encarnados, enquanto o treinador dos russos do Zenit é o grande responsável do fracasso europeu do Benfica, ao vencer ambas as partidas entre ambos na fase de grupos da Champions, relegando a equipa portuguesa para o último lugar. O Benfica ainda pode juntar ao título mais uma Taça da Liga, troféu que poderá conquistar pela sexta vez (em oito edições) caso derrote na próxima sexta-feira à noite em Coimbra o Marítimo na final.


O FC Porto fica pela segunda época consecutiva sem ganhar qualquer título, tendo sido o último a Supertaça relativa à época 2012/2013, conquistada a 11 de Agosto de 2013 por Paulo Fonseca numa partida em que derrotou o V. Guimarães por 3-0. O Porto havia acabado de perder João Moutinho e James Rodríguez, duas pedras basilares da equipa, e Fonseca não foi feliz, acabando por ser despedido ainda durante o decurso da temporada. Este ano a aposta foi num treinador praticamente desconhecido que no seu currículo tem apenas o título de campeão europeu de sub-21, conquistado em 2013 em Israel, Julien Lopetegui, que trouxe consigo alguns jogadores espanhóis que variavam entre o muito bom, caso de Cristian Tello, e o sofrível, ou mesmo medíocre, como é exemplo o avançado Adrián López, por quem os dragões pagaram ao Atlético Madrid mais de 8 milhões de euros. O Porto até não começou mal, com três vitórias nos primeiros três jogos, ao que se seguiram três empates, um deles em casa com o Boavista, mas o campeonato ficaria perdido à jornada 13 com a derrota em casa frente ao Benfica. Na Taça de Portugal ficou-se pela primeira eliminatória, perdendo para o Sporting, enquanto na Europa chegou a fazer um brilharete, chegando aos quartos-de-final da Liga dos Campeões e derrotando na primeira mão o poderoso Bayern Munique por 3-1, acabando por ser goleado na Alemanha por 6-1.


Na época passada o Sporting recuperou a dignidade perdida graças a Leonardo Jardim, que depois sairia para o Monaco dando o lugar a Marco Silva, que vinha de duas épocas de sucesso do Estoril-Praia. O jovem treinador contou com Nani, um ídolo dos adeptos que veio por uma época emprestado pelo Manchester United, mas cedo se percebeu que não era esta a época de glória do leão; quatro empates nas primeiras seis jornadas eram pontos perdidos a mais, quando se deu a primeira derrota na nona jornada a equipa ficou a seis pontos do líder Benfica, e a partir daí pouco mais o Sporting podia aspirar em termos de campeonato do que a uma vaga na Liga dos Campeões. E por falar em Liga dos Campeões, nessa prova o Sporting pode-se queixar da falta de sorte, pois além do modesto NK Maribor, a oposição era de respeito, com os ingleses do Chelsea e o os alemães do Schalke, com quem os leões seriam prejudicados pela arbitragem. Com o 3º lugar no grupo da liga milionária, seguiu-se a Liga Europa, onde a equipa portuguesa seria eliminada pelos também alemães do VfL Wolfsburg. A época poderá ficar salva em caso da vitória na final da Taça de Portugal no próximo Domingo frente ao Braga, no Jamor.


E falando do Braga e dos seus vizinhos de Guimarães, eis as duas equipas que têm sido consideradas as melhores depois dos três grandes, ambas do Minho, e ambas a aproveitar da melhor forma os jogadores da formação que "rodam" nas equipas "B", ambas a disputar a Segunda Liga. Os bracarenses, treinados pelo irrascível Sérgio Conceição, terminaram no quarto lugar e estiveram a "morder os calcanhares" ao Sporting na luta por uma vaga na Champions, e ainda vão discutir com os leões a conquista da Taça de Portugal. Os vimarenenses também voltaram a obter uma classificação honrosa, o quinto lugar, na quarta temporada de Rui Vitória ao comando dos "conquistadores". O Belenenses fecha a leque das equipas qualificadas para uma prova europeia, ao terminar no sexto posto com mais um ponto que o Nacional e o P. Ferreira. Os azuis de Belém entram na terceira pré-eliminatória da edição 2015/2016 da Liga Europa, enquanto o Guimarães entra no "play-off" e o Sp. Braga está qualificado para a fase de grupos.


No fundo da tabela tinha ficado tudo decidido na penúltima jornada, com Gil Vicente e Penafiel já condenados a descer à Segunda Liga. Os gilistas tiveram um início de época para esquecer, obtendo a primeira vitória apenas à 16ª jornada, já depois do treinador João de Deus ter saído para dar lugar a José Mota, que encetou uma recuperação que os deixou acima da linha de água à 20ª jornada, mas os minhotos voltariam a claudicar e terminariam na penúltima posição. O Penafiel regressa à Segunda Liga um ano depois de ter conseguido a promoção com o Moreirense, e nem três treinadores, Ricardo Chéu, Rui Quinta e finalmente Carlos Brito lhes valeram para fugir ao último lugar da tabela. Outras equipas que estiveram "com a corda na garganta foram o V. Setúbal e o Arouca, que viram confirmada a manutenção apenas na penúltima jornada, ou ainda o Estoril e o Boavista. Os boavisteiros, regressados este ano ao convívio dos grandes depois de sete anos de ausência, conseguiram com a equipa mais "económica" da liga realizar um campeonato mais ou menos tranquilo, apesar das dificuldades iniciais. De recordar que os axadrezados disputavam na época passada o Campeonato Nacional de Seniores, o terceiro escalão, tendo entretanto vencido o recurso do caso "Apito final", que esteve na origem da despromoção administrativa dos axadrezados.


Na Segunda Liga, um campeonato disputado por 24 equipas (!) e que por isso tem 46 jornadas, houve emoção até ao último minuto, com cinco equipas a discutir as duas vagas de acesso ao escalão principal na derradeira ronda da prova. Tondela e União da Madeira dependiam apenas de si mesmo, e não enjeitaram a oportunidade de estar entre os grandes na próxima época. Para os tondelenses vai ser a estreia, depois de ontem terem obtido em Freamunde o resultado que precisavam para se sagrarem campeões: o empate, que foi a uma bola. O União foi a Marvila, na capital portuguesa, derrotar o Oriental por claros 3-0, deixando Sp. Covilhã e Chaves, que venceram também os seus jogos, a "morrer na praia", em igualdade pontual mas com desvantagem no confronto directo. Mais remotas eram as possibilidades do Feirense, que precisava que essas três equipas perdessem, e ainda de uma vitória fora frente ao Farense. Não só a concorrência não lhes deu o gosto, como ainda saíram do Algarve vergados ao peso de uma derrota por 4-1. Lá em baixo Atlético, Marítimo "B" e Trofense desceram ao Campeonato Nacional de Seniores, destino que já lhes estava reservado antes da última jornada.


Numa nota final, gostaria de destacar o Clube Desportivo de Mafra, onde alinha o "nosso" David Kong Cardoso, e que no ano em que comemora o meio século de existência conseguiu a subida à Segunda Liga, e logo no dia exacto do seu 50º aniversário - ainda dizem que não há coincidências. O clube dos arredores de Lisboa foi campeão da zona sul do CNS, depois de na semana passada ter obtido um empate decisivo nos Açores frente ao Operário da Lagoa, venceu este Domingo em casa o Louletano e...fez-se história! A acompanhar o Mafra na subida de divisão vai o Famalicão, e ainda uma terceira equipa, que sairá do vencedor do "play-off" entre o Varzim e o Casa Pia.

domingo, 24 de maio de 2015

- "Eurovisão!" - "Bais adonde?!"



Måns Zelmerlöw. Sim, já sei: "santinho", não é? Bem, na verdade estes nomes com bolas em cima dos "a" e pintas em cima dos "o" são indicativos que andam por aí "vikings", neste caso da estirpe sueca. Yep, é que caso não se tenham apercebido, ontem tivemos Festival da Eurovisão, certame que outrora detinha famílias inteiras em frente ao televisor, mas que hoje merece no máximo uma espreitadela no smartphone durante cinco minutos, "para ver quem ganhou". Ou nem isso, porque quando a Rússia não ganha fica em 2º lugar e é provável que vença um país nórdico. Porquê? Os primeiros recebem a pontuação máxima dos seus vizinhos, que são mais que as mães, e de"países nórdicos" também há sua conta, e ainda por cima estes organizam-se, escolhem a que consideram ser "melhor" de entre eles, e votam todos nela. Para comprovar aquilo que acabei de dizer, ontem a Suécia foi a vencedora o tal Manos Zémerdoso (o nome lá em cima, ou que é) recebendo os 12 pontos de Dinamarca, Finlândia, Noruega e Islândia. Pimba! A Rússia ficou logo atrás, isso mesmo, e com pontuação máxima da ArmindaArménia, BelamerdaBielorrússia, EstorvaEstónia e do BerbigãoAzerbeijão. Geórgia, Letónia e Lituânia destoaram da "disciplina", e se os georgianos ainda lhes deram 5 pontos e os letões 10, os lituanos não deram qualquer ponto à mãe! (Mãe Rússia, entenda-se). Por acaso até gostei mais da canção da Rússia, e até daquela paneleirice da Itália que ficou em terceiro lugar. Ah, sim, Portugal não passou da semi-final, e só seria notícia se tivesse passado. Ou nem isso.



And now for something completely different...and stupid. Neste vídeo podemos ver a canção concorrente da...Austrália. Isso mesmo, vinda direitinha no inter-europa, com paragens em Roma, Atenas, Teerão, Pequim e Jacarta, com saída de Melbourne - uma viagenzita, portanto, que mal dá para pregar o olho. E não estou a fazer nenhuma confusão entre o país dos cangurus e a ÁUSTRIA, que foi onde a edição deste ano (a nº 60) se realizou. Acontece que o canal público de televisão australiano (seja lá ele qual for) aderiu à União das Emissoras Europeias (EBU, na sua sigla em inglês) que organiza o Festival, e como membro tem o direito de participar. E pronto. Na estreia obteve um excelente 5º lugar atrás da Bélgica, o que só pode ser entendido como uma manifestação de "simpatia" por um estreante tão...exótico. Já imaginaram o que era se a Austrália vencesse? E depois estes meninos e meninas de 40 países diferentes tinham que ir montar a barraca para cantar do outro lado do mundo? Bem, olha, porque não? Já agora lembram-se por que é que este ano o Festival foi na Áustria? Pois é, porque no ano passado foi este o país vencedor, com uma canção interpretada por uma mulher de barba, uma tal Conchita Wurst, que às vezes é um gajo e outras vezes não. Realmente isto do Festival da Eurovisão é só mesmo para mulheres de barba rija.

sábado, 23 de maio de 2015

Tálento? Lento não está, mas...


O Grupo Doçi Papiaçam di Macau levou hoje a cena mais  uma peça em língua maquista - que se não estou enganado deverá ser a vigésima, ou anda lá perto. Sem brincadeira: foi consultar mesmo agora uma página dedicada ao grupo, e em rigor é a 22ª. Os espectáculos da companhia liderada pelo incansável Miguel Senna Fernandes têm sido incluídos anualmente no Festival de Artes de Macau, que vai este ano na sua 26ª edição, e a "troupe" que tão despretensiosamente tem mantido viva a chama do crioulo do português desta parte do Oriente (um tema que dá pano para fábricas inteiras de camisas) apresenta no Grande Auditório do Centro Cultural de Macau em duas noites o produto do seu trabalho de meses - e vê-se que ali há muitas horas de ensaio, honra lhes seja feita. Sou espectador assíduo (apenas) desde 2007, e tenho elogiado aqui vastas vezes os Doçi na "review" que faço de cada um dos espectáculos a que assisto, e tudo porque são da minha parte merecedores dos maiores encómios. Assim sendo não podem esperar de mim senão honestidade e rigor, assumindo desde a primeira hora que nunca perderia o meu tempo a "dar graxa", ou no sentido contrário falar mal "por falar". Dito isto,  recordando que não sou crítica especializada e ainda acrescentando que tenho andado um pouco engripado, portanto o meu julgamento poderá estar condicionado por esse desagradável detalhe, considero que este ano tivemos mais pontos negativos que nos anos anteriores. Atenção, não quer dizer que não gostei, porque gosto sempre, mas pelo menos ontem foi um daqueles dias em que "a bola não entra". Talvez por culpa daquele avançado com a camisola 7 da selecção portuguesa que surge em cena algures durante o vídeo, que também devia ter sido "os vídeos". Mas sem querer baralhar mais do que o último acto da peça de ontem, vamos a isto, ponto a ponto.

O título da peça é "Macau tem talento", e aqui entra o que pode muito bem ser um elevar das expectativas da minha parte que talvez não devia ter acontecido. Há dois anos o tema foram as eleições legislativas em Macau, um terreno fértil para a sátira que foi muito bem aproveitado, com resultados hilariantes, enquanto no ano passado o tema foi o preço da habitação, algo sensível e demasiado deprimente para se poder rir a bandeiras despregadas, mas que mesmo assim conseguiu ser bem trabalhado, contornando os aspectos menos risíveis da questão. Já quanto a esta temática dos "talentos", confesso que estava à espera de outra coisa. Esta expressão, "talentos", foi utilizada pelo actual Chefe do Executivo há mais ou menos dois anos para (pensa-se, não se sabe ao certo) convocar os residentes com mais valias técnicas para se afirmarem, e assim dotar a RAEM de matéria humana em número e qualidade para que não se dependa unicamente da importação de mão-de-obra em situações em que se requer a especialização da mesma? Pode ser isso? No entanto algo ficou perdido na tradução, e a interpretação de "talento" varia conforme uma série de factores, tendo para mim, por exemplo, como sendo "talento" um valor inato, que depois poderá ou não ser desenvolvido. Pormenores. Talvez por culpa da ambiguidade do conceito tenha faltado "talento" aos Doçi Papiaçam para pegar no tema e dar-lhe o tratamento que muitas vezes tem dado a outros, quiçá mais difíceis de trabalhar, e em alguns momentos ficou a sensação que lhes "faltou o chão". Mas claro que para os fãs voltou a ser um deleite, e voltámos a ter alguns momentos de génio, dignos de profissionais desta arte, que os elementos do grupo não são, ficando evidente que elevam a componente do "amar" em "amador" ("amador" é aquele que ama, portanto). De forma a se separar o trigo do joio, por assim dizer, vou primeiro falar do que não esteve tão bem.


Podemos começar pelo argumento, por exemplo, que esteve a meu ver bastante "desconectado" desta vez. Das pessoas que vieram comigo (e éramos oito, "respect"), alguns partilharam da opinião que o último acto foi demasiado longo, e o enredo foi tão "enrolado" que a certo ponto para ter uma conclusão só mesmo colocando a palavra "fim". É também possível que para a ideia da cena final dar resultado fosse necessário outro local, bem como outros meios. Aquela barafunda com os personagens principais em plena interacção já foi tentada antes com melhores resultados, mas desta vez fiquei sem saber bem o que ia com o quê. Quanto ao problema da "premise", bem, aqui se calhar é onde a porca teatral torce o rabo. É sabido por que tivesse interesse nisso que o encenador e argumentista esteve recentemente em Angola, e parecia que na peça queria contar um pouco do que viu, ou talvez mais, e não fosse possível contar tudo, ou passar os factos para um guião, é difícil de entender bem o que se passou. O problema não foi tanto os personagens "angolanos", interpretados por um actor cabo-verdiano e uma actriz de ascendência goesa, falando ambos com sotaque de Moçambique - isto até tem o seu charme, inserido no contexto do burlesco. Talvez tenha sido esse o senão: o contexto. Macau, talentos, empresários angolanos prospectores de diamantes, passaportes falsos, hospedaria económica, trabalhadores em greve, duas empresárias rivais sem que saiba bem porquê ou para quê, um cantor, pasme-se, que não foi por cantar mal que não me encantou, mas porque foi mais um dos ingredientes deste "chau-chau" pele em que dá vontade de perguntar: "côza?". Depois houve o problema do VT, que voltou a falhar (penso que aconteceu o mesmo há dois anos, se não estou em erro) e os espectadores que insistir em vir à estreia ficaram sem visionar um dos vídeos. Miguel Senna Fernandes prometeu que amanhã (Domingo) o incidente não se volta a repetir, e que vai ser possível ver o filme. Pois, 'tá bem, que bom para quem vai nesse dia. Então e nós?

Agora falando das coisas boas, que sempre me dá mais prazer, lógico, comecemos exactamente pelo vídeo que foi possível visionar. Penso que a ideia de aproveitar o Micorene, o Carnaval maquista fora de época, foi óptima: conferiu ao filme um realismo e uma vitalidade que nunca seria obtida através da encenação. Estiveram todos muito bem, com destaque para o duo Rita Cabral e Judite Antunes (especialmente esta última), que parecem ter nascido para contracenar juntas. Bem também esteve Hugo Silva Jr., que no ano passado fez o papel de vilão e némesis de "Bichoman", se bem que desta vez no papel de mestre de cerimónias do Micarene pareceu menos solto do que quando foi deixado "ao natural". Sérgio Perez, o realizador residente dos Doçi, está mais uma vez de parabéns  e volta a demonstrar que em termos de talento (já agora...) não fica em dívida com os astros. Se no ano passado o estilo foi sem dúvida nenhuma o "Sin City" de Robert Rodríguez, este ano fica mais difícil de adivinhar qual era a inspiração. Arriscava David Lynch, talvez? Em momentos fez-me lembrar da mini-série "On the air", que o criador de "Twin Peaks" assinou em parceria com Mark Frost em 1992. Gostei dos planos, e este ano o som esteve muito melhor (em Macau a sonoplastia parece ser um problema recorrente nos filmes). Gostei especialmente do personagem do secretário-adjunto inspirado em Alexis Tam, e representado por Hermann Comandante, de quem já tinha saudades, confesso. O mesmo não posso dizer do "cameo" do Cônsul-Geral, Vítor Sereno, que aparece no vídeo "in vivo", mas...a piada era essa? Ele aparecer? OK. De resto o filme foi mais uma vez uma barrigada de riso do princípio ao fim, talvez porque tenha conseguido condensar em dez minutos o que há de engraçado de entre tudo o que vai acontecendo em Macau, onde nem sempre acontecem coisas de que valha a pena rir, enfim. Mas a representação...e é disso que vou falar a seguir.


A representação é sem dúvida o grande forte dos Doçi Papiaçam di Macau. Quem fosse cair hoje do céu dos anjinhos de cu no chão em Macau ia pensar que aqui era alguma academia onde eram formados os actores de todo o mundo. Este ano tivemos de novo Carlos Cabral, José Basto da Silva, a  sempre encantadora Nair Cardoso e ainda Aleixo Sequeira, que este ano teve mais protagonismo, e  só foi pena que o material não fosse outro, que ele merecia. De Carlos Cabral pode-se dizer que começa a assumir a função de "estrela da companhia", como foram antes dele Carlos Coelho, Luís Machado ou mais recente Germano Guilherme. José Basto da Silva tem nele um Ribeirinho


Os habituais personagens secundários, que ficam sempre a cargo de José Carion e Alfredo Ritchie, dos homens, mais Rita Cabral e Sónia Palmer, nas senhoras (o que se passou com Fátima Gomes este ano?), tiveram ainda mais "palha" que o habitual para dizer. São eles quem representa a "velha guarda" - e não me refiro apenas ao "patuá". Não queria ser desagradável com eles dizendo que são uma espécie de "últimos moicanos" em versão macaense, até porque existe uma geração de filhos e de netos destes que, e não vou aqui mencionar essa "pescadinha de rabo na boca" que é a identidade macaense, são pelo menos portadores dos mesmos traços culturais e até de um certo "jeito" que os caracteriza. Agora sem dúvida que os tempos são outros, portanto não serei eu a pessoa mais indicada para analisar o que é e o que não é engraçado. E isto leva-me a outro ponto:


A "frente sínica", este ano sem Machi Chon mas com Lou Pui Leng (há mais de dez anos com o grupo) acompanhado de Cheang Sin Hou e Cheong Ka Chio tiveram a seu cargo as habituais larachas do dialecto cantonês, trocadilhos, segundos sentidos, pronúncias duvidosas, etcetera, etcetera. O costume. Alguns portugueses, especialmente os que chegaram há pouco tempo a Macau, e especialmente os outros estrangeiros que não falam português e cantonense e dependem das legendas em inglês para entender tudo isto, ficam um pouco baralhados quando vêem a pessoa sentada ao seu lado a rir histericamente de certas cenas que ele próprio considera banais. Às vezes dá-se o caso de entender a piada mas não achar tanta graça que justifique tamanho alarido. Mas é aí que reside a essência do patuá: é humorismo que dá para as duas línguas oficiais de Macau e em certos particulares uma "cosanostra", que não é feita para portugueses nem para chineses. Aliás os próprios portugueses podem achar o tipo de humor um pouco a atirar para o revisteiro, do mais datado, mas vá lá, lembrem-se das velhas frases feitas e da retórica dos nossos Descobrimentos quinhentistas, tanto mar que nos separa, blá blá blá.  O que tem graça aqui pode não ter graça acolá e vice-versa.


Mas onde o céu chegou a adquirir um brilho ofuscante próprio da intensidade da luz das estrelas que o ilumina, foi nas figuras de Marina Senna Fernandes e Paula Carion, e permitam-me este desabafo: porra, pá! Se Miguel Senna Fernandes fosse um Pedro Almodôvar, estas eram as suas Carmen Maura e Victoria Abril - são as divas, e não há papel que ele lhes dê em que se saiam mal. Não consigo é ainda entender como é que Paula Carion, não dominando a língua portuguesa, se sente tão à vontade no patuá. E refira-se que este é, segundo os "puristas" (ie toda a gente menos a pessoa de que se fala) "um patuá mais aproximado do Português". Mistérios. Da Marina só tenho isto a dizer: "I'm your fan". A senhora passou ao lado de uma carreira brilhante no...na...seja lá no que for! Mal empregados os Oscares entregues à Meryl Streep, Jodie Foster, Helen Mirren, Cate Blanchett e mais o raio que as parta, e Marina vale mais que todas elas juntas! Custa a acreditar que não tenha tido escola, pois é muita "fruta" para acreditar que é apenas uma natural. A Paula tinha participado pela última vez como actriz em 2008 (penso eu), e o seu regresso só peca por tardio. As duas juntas foram uma ode rendida a Dionísio (ou Baco, se preferirem, que além de muitas outras coisas é também deus do Teatro e da Comédia).


Finalmente as estreias, e aqui, ui, ui, ui. Dois casos paralelos a analisar com perícia. Já fiz aqui referência a uns certos personagens "angolanos" que de angolanos tinham muito pouco, e de facto tratava-se de um casal de pressupostos impostores que vieram a Macau tratar de...bom, e isso lá interessa? Sei que metia pelo meio um caso de falsa identidade e mais um ou outro detalhe de somenos que suspeito poderem estar relacionados com alguma história de que o autor do guião teve conhecimento e se calhar achou graça. Era muito "pesado" para se andar ali a puxar pela cabeça e tentar ler nas entrelinhas do que se tratava exactamente. Agora, gostei foi das interpretações, que tiveram uma enorme dose de "kitch", e parabéns ao Miguel pelo atrevimento; tivemos ali chalaças de um teor ético delicioso, rebuscados da mais profunda tradição do teatro "minstrel" ou do humorista moçambicano Parafuso (será que isso explica o sotaque?). Noutras jurisdições PARVAS, de gente RELES, que além disso sofre de alguma espécie de sentimento de culpa que os leva a ter e achar tudo pela medida do penico e da sarjeta, o Miguel, os actores e quem sabe até os espectadores eram corridos com processos por "racismo". Sim, e tudo pois coisinhas de nada, frases como "o meu cu preto", ditas por...um preto. Ou ainda referências à lendária "vantagem" em relação ao tamanho de um certo membro nos africanos, a começar até pelo nome do personagem: Hortênsio Bem Grosso. Triste, triste é o povo que desaprendeu a rir de si mesmo, e canalha aquele que dita o que deve e não deve ser engraçado. A encarnar os personagens estiveram Daniel Pinto, ou Dani, que pela primeira vez em muitos anos assume um papel que não ou de figurante, ou de "cameo", e a estreante Violeta Couto do Rosário. Olhe querida, sabe o que eu penso? Esteve "bem". Sim, "bem". Mais do que isso e borrava a pintura (isto é um elogio, caso alguns estejam a fazer segundas leituras, e aposto que estão).


A outra estreia, este um autêntico "case study", foi a de Mané Crestejo. Aqui permitam-me ser curto e grosso: foi completamente à margem do enredo, não foi? Acho que fizeram bem, fizeram optimamente, e gostei muito do artista, que fiquei agora a saber ter uma banda com trabalho editado e tudo - e parece que cantou ao vivo, em pleno palco, também. Se a ideia é destronar Casimiro Pinto do trono de "rei da canção maquista", já ganhou!

Já sabemos que isto não é fácil, que exige tempo, esforço e uma disponibilidade que às vezes custa a arranjar, e Deus sabe, para depois vir para aqui este "mofino" (eh, eh, adoro essa palavra), mas isto não se trata de falar mal nem bem: trata-se de falar. Caso contrário que valor tem a arte, se for só para  ir picar o ponto como descargo de consciência, do género "ai coitadinhos que estão quase extintos, como o rinoceronte não-sei-de-onde", ou então "ah eu vou porque o Miguel é um gajo porreiro", como se se estivessem a referir a alguém que está nas últimas - e salvo seja. Eu até gostei, mas mesmo que tivesse adorado prefiro encontrar pormenores, por mais pequenos que sejam mas que considere que podiam ser melhorados, do que não gostar e sair de lá na risota fingida, a dar palmadinhas nas costas e a dizer "ah, ah...póde, iá", e depois desabafar com os amiguinhos em surdina: "qué você achou? grande cááágada, é não é?". Pois é, isto parece familiar para muitos.

Houve quem me tivesse dito que achou que o argumento foi feito um pouco "à pressa". Eu duvido, sabendo que esta é a grande paixão do seu mentor e responsável máximo, e ele nunca deixaria o trabalho "mal feito, mas feito". Outra vez: do que não esteve assim tão bem, para colocar noutros termos, vê-se que o material estava ali, só que não saiu bem num ou noutro particular. E é só. Se isso é razão para gritar, arrancar os cabelos, cortar os pulsos e atirar-se da janela? Claro que não, que disparate. É para continuar, e sabendo disto tirar a musa da criatividade do "tilt" em que se encontra. Já sei que esta comparação não é muito bem tida em conta, mas lá vai na mesma: nem o próprio Adé ia produzir de forma tão expedita material novo ano após ano. Um "brainstorming" antes do próximo, valeu? Porque de certeza que vai haver um próximo, e muitos mais, e enquanto houver forças, são os Doçi a "dále di bem", e malta "todo tavai", sân nunca?

Parabéns e obrigado, mais uma vez.

PS: E como é que a malta vê o vídeo, pá???


sexta-feira, 22 de maio de 2015

A gata da rata



Um casal de noivos heterossexuais (que diabo, é isto mais o acordo ortográfico, que porra) da Póvoa do Varzim cancelou o casamento, e tudo porque "Lara" foi alegadamente agredida pelo noivo. "Mas que diabo, ainda nem se casaram e esse bruto já começa a distribuir fruta pela coitada da moça" - estará o leitor a pensar, considerando um hipotético cenário de violência doméstica. Mas alto lá! Esperem, esperem! Não é nada disso! "Lara" é a gata de Diana de Carvalho, que depois de um trabalho de detective digno de uma Miss Maple, chegou à conclusão que "apenas o noivo" podia ter agredido o animal, uma vez que era a única pessoa que tinha acesso à moradia que ambos iriam partilhar a partir de 21 de Junho, data para que estava marcado o casório. Recomendo que vejam o vídeo, que estabelece um novo fundo na degradação das relações humanas: ela apresentou queixa dele à polícia por maus tratos a animais (que já é crime, note-se), e ele acusa-a de injúria e exige que ela prove em tribunal aquilo de que o acusa, e é isso mesmo que vão fazer! Se estavam fartos um do outro e queriam um pretexto para desmanchar o noivado, podiam simplesmente CONVERSAR, como fazem as pessoas civilizadas, iam cada um para o seu lado, e ainda eram capazes de se cumprimentar quando se vissem um ao outro na rua. Agora isto é deveras lamentável, tão lamentável como o estado em que ficou a pobre Lara. Reparem no que foram arranjar:


Estão a ver? Coitada da bichinha (merda para os bichos que não dá para distinguir pelo focinho se são macho ou fêmea), que agora foi internada (!) num hospital em Braga e operada ao maxilar. Uma tragédia. Eu não entendo porque teve a "Lara" de pagar pelas desavenças dos seus donos humanos, pois é óbvio que há ali outra história qualquer por trás desta súbita "guerra das rosas" que não nos é deixada saber. Já ouvi falar de casos de indivíduos com falhas na psique que embirram com animais domésticos, convencem-se de que estes "embirram com ele", e que "conspiram", ou em casos mais extremos, "que estão à espera de uma oportunidade para o apanhar a dormir e matá-lo". Acho que não se trata aqui desse (colorido) cenário, uma vez que a "Lara" tem sete anos de idade, e não deve ser de ontem que está com aquela, assim como não é de ontem o noivado dos "morcões". Mas enquanto não entendemos os porquê de fazer da gata bode (expiatório), a expressão no focinho da felina faz com que eu não resista a imaginar um hipotético diálogo com o agressor na hora de "ajustar as contas". Assim já com dois "papo-secos" a deixar-lhe a boquinha à banda e uma exclamação do tipo: "EU BOU-ME A TI E MATO-TE JÁ, CARAGO!" temos duas reacções, a "Lara" negociadora...


...e a "Lara" desesperada, sabendo que fez merda e dificilmente escapa à fúria do bípede, não lhe resta senão implorar:


O sotaque é intencional, pois é preciso ter em conta que os personagens são "póbeiros", cum c... . Não consigo também deixar de pensar como seria dada esta notícia na Inglaterra, pois lá "gata" ("pussy") é o equivalente à nossa "rata", que é calão para...ah deixem lá, que já chega de violência. E "ai que biolência, f...-se!"

quarta-feira, 20 de maio de 2015

...E não passará!

Em primeiro lugar gostaria de relembrar que sou agnóstico, mas também sou apolítico -  enfim, são contra algumas das coisas que fazem mal e não prazer algum. Não nutro qualquer simpatia partidária, e por isso todas as cores desse arco-íris de cócó que são os partidos políticos merecem a minha antipatia e desprezo repartidas irmãmente, e se não quiserem é só não pedir, que não estou a oferecer nada a ninguém (muito menos a estes, chiça!). Para tratar dessas lutas da arena política "à antiga" podemos contar sempre com o nosso Vitório do Rosário Cardoso, que se assume cada vez mais como "liason" oriental por terras lusitanas. 

A propósito, já pensaram porque será que nos filmes de espionagem nunca se vê espiões chineses? Penso que a razão de ser desta falta deve-se à facilidade com se descobriria o país para quem estavam a espiar, enfim. Mas o Vitório não é um espião, mas sim um "mata-chuchas", como em "mata-mouros" só que com "chuchalistas", que têm sempre à perna o garboso macaense Português de Macau para os recordar que "já chegou o que chegou, e outra vez não pode ser". Aliás estou convencido que o Vitório deve ser a única PESSOA, repito PESSOA que não se está completamente nas tintas para quem vai ganhar as eleições em Outubro, ou quem vai ser o próximo Primeiro-Ministro. 

Mas claro que os "chuchalistas" devem estar em pulgas para entrar na loja de cristais de S. Bento e acomodar lá os seus "bois", numa dança das cadeiras sem fim que vos faria cair as capilaridades  pélvicas se soubessem quanto custa ao contribuinte, mas é para isso que eles lá estão: para nos espremer o suminho todo, e chupar os ossos até ao tutano. Mas além de Paulo Portas, que nos anos à frente do seu PP angariou só em sondagens papel higiénico suficiente para acomodar as suas necessidades para o resto da vida (literalmente), só Vitório resiste à onda de optimismo "chucha", combate desde a primeira hora...não, antes da primeira hora...quer dizer, a malta só se lembra que vai haver eleições e o camano quando começam os chatos a fazer lá a campanha deles, não é mesmo?

Não obstante tudo isto, aí está ele, Vitório Rosário Cardoso, numa frente de um homem só (que vale por um exército) a derrubar à força da pena os peões rosa que querem ir outras vez sentar o rabiosque revestido com aqueles trapos de gosto pé-ssi-mo, e não sei quê. E que melhor lugar expressar essa revolta que no semanário "O Diabo"? Porquê? Porque...ora, um motivo qualquer deve haver para ser aí e não noutra folha de couve qualquer. Lá só eu um detector de ironias? Procurem vocês uma. É que enquanto estão vocês entretidos com o Benfica, a violência policial, o "bullying" e não sei que mais, vai marchando discreta mas imparável a máquina do horror "chuchalista". Ou isso. Bem haja, Vitório. A luta continua!

PS: Obrigado ao Vitório por me enviar o artigo, e bom trabalho! Parabéns! ☺


Más notícias?



Imagens recolhidas na noite de segunda-feira passada, de um circuito de CCTV algures no Brasil. Não sei com quem é que o senhor estava a falar no telemóvel antes de rebentar com os miolos, mas não pode ter sido nada agradável, suponho...


terça-feira, 19 de maio de 2015

A Europa inspira (valham-nos os treinadores)


E não é só Jorge Jesus que está de parabéns por se te tornado (curiosamente) o primeiro treinador português a sagrar-se campeão pelo Benfica, pois um pouco por essa Europa fora vários treinadores portugueses celebraram o título de campeão nacional à frente das equipas que treinam: nada mais nada menos que 5 (cinco). Faltam-me os dados para poder confirmar, mas duvido que qualquer outra nacionalidade tenha um número de treinadores campeão em ligas europeias - e olhem lá que foram cinco entre as 13 das ligas mais competitivas do velho continente. Também não faço ideia se mais algum dos nossos "misters" foi campeão noutros continentes (além do Bruno Álvares em Macau, lógico) e até é bem possível, sei lá, o Mariano Barrato na liga da Papua Nova-Guiné? Ou quiçá Paulo Duarte no Chade? Vamos olhar um a um os mais mediáticos, por ordem de "ranking" das ligas que venceram.


Aí está ele, José Mourinho, que trata os ingleses por "tu" (youz, gayz, mádafocas!), e que este ano conquistou a Premier League pela terceira vez! O treinador nascido em Setúbal é agora a par de Arséne Wenger (são tão amiguinhos, eles...) o treinador não-britânico com mais títulos da divisão principal do futebol inglês! Hooray! E falar nos títulos do Chelsea é praticamente falar de Mourinho, pois foi ele o responsável por três dos cinco campeonatos conquistados pelos londrinos - o primeiro data de 1955, Mourinho venceu 50 anos depois duas vezes consecutivas, e pelo meio, em 2010, os "blues" foram campeões com Carlo Ancelotti. Para aquele que fãs apelidaram de "special one" só falta mesmo erguer pelo clube o troféu máximo, a Liga dos Campões, que o clube acabaria por conquistar em 2012, com um muito mais discreto Roberto di Matteo ao comando. Um "favorite" entre os fãs, é de esperar que os seus adversários tenham que o aturar durante mais alguns anos.


Quem diria, André Villas-Boas foi finalmente campeão da Rússia. Digo "finalmente" não porque ele tenha tentado ser muitas vezes, mas tentou pelo menos uma e esteve quase, quase, quase a conseguir. Foi na época transacta quando fez a segunda metade da temporada no comando do Zenit, que italiano Luciano Spaletti até deixou na liderança com mais três pontos que o Lokomotiv e mais seis que o CSKA, ambas estas equipas de Moscovo. A última viria a sagrar-se campeã já na última jornada por apenas um ponto, com Villas-Boas a perder o título mesmo ao cair do pano. Este ano tudo foi diferente, com o equipa de S. Petersburgo a liderar tranquilamente praticamente desde a primeira jornada e recuperando de uma vez o título que lhe vinha a fugir para o CSKA nos últimos dois anos. Villas-Boas era há quatro anos uma grande promessa do futebol mundial no que toca a treinadores, depois de aos 33 anos ter vencido com o FC Porto o campeonato e Taça de Portugal, juntando a isso a Liga Europa, numa primeira época (que seria também a última) sem nada a apontar em termos de defeitos - foi quase perfeita. Seguiram-se depois duas passagens menos felizes pelo futebol inglês, primeiro pelo Chelsea a mais tarde pelo Tottenham, mas seria no gelo russo que voltaria a sagrar-se campeão, e a juntar-se ao selecto grupo dos treinadores lusos campeões quer em Portugal, quer noutra liga (nota: Manuel José não conta, pois nunca foi campeão em Portugal).


Paulo Sousa também nunca foi campeão em Portugal, mas tem uma boa desculpa: nunca treinou uma equipa portuguesa. O antigo médio-defensivo natural de Viseu que no Verão de 1993 trocou o Benfica pelo Sporting, ficando na lista negra no clube da águia, que o formou até se tornar um dos melhores jogadores do mundo, tem uma facilidade incrível em encontrar emprego. Senão vejamos: depois de em 1997 se ter sagrado bi-campeão europeu pelo Borussia Dortmund, tendo feito o mesmo pela Juventus no ano anterior (um feito assinalável, sem dúvida) tinha o joelho completamente podre, e mesmo assim conseguiu representar clubes de topo (ou lá perto) como o Inter, o Espanyol e o Panathinaikos. Já como treinador "começou" logo pelo futebol inglês, orientando clubes como o Swansea, Leicester e Queen's Park Rangers, mas sem muito sucesso. Seria na II divisão dos campeonatos europeus - chamemos-lhe assim -  que chegariam os títulos; primeiro no Videoton, da Hungria, onde esteve duas épocas entre 2011 e 2013 venceu por duas vezes a Supertaça e uma vez a taça, tendo terminado em 2º lugar no campeonato em ambas as temporadas, primeiro atrás do Debrecen, e depois do Gyotri ETO (?). Em 2013/14 foi para Israel e fez do Maccabi Tel-Aviv bi-campeão daquele país (este ano foi tri), e de seguida para a Suíça, onde foi agora campeão pelo Basel. Não se pode dizer que faça um grande trabalho "de base", este Paulo Sousa, pois esta equipa suíça que apanhou pela frente o FC Porto nos oitavos da Champions foi campeã pelo quarto ano consecutivo.


Mas em matéria de "papinha toda feita", ninguém fez melhor que Vítor Pereira, que foi campeão da Grécia. Quem seguir mais ou menos de perto o futebol internacional sabe que "ser campeão da Grécia" tem o seu valor se não for pelo Olympiakos, que foi exactamente o clube que o último treinador campeão pelo FC Porto (quem diria...) treinou esta temporada. Pode ser que mesmo assim o português vá constar da parede dos 41 títulos conquistados pelo clube ateniense como autor do "5º título consecutivo, 16º em 18 anos" - está encontrada a razão porque Fernando Santos nunca foi campeão da Grécia: nunca treinou o Olympiakos. E Vítor Pereira bem precisava deste tónico, depois de na época passada ter terminado o campeonato saudita em 3º lugar com o Al-Ahli, e perdido na final da taça. "I se-pik-eh, when-e I want-e", foi a frase-momento da passagem de Pereira por terras sodomitas.


Finalmente queria uma menção honrosa a outros dois treinadores portugueses a trabalhar no estrangeiro, mesmo que neste caso ainda seja incerto se poderão reclamar sucesso depois de se fechar a cortina sobre esta época futebolística. Falo de Nuno Espírito Santo e Leonardo Jardim, a treinar respectivamente o Valência, em Espanha, e o Mónaco, na França, e ambos com partidas decisivas na última ronda destes campeonatos. Nuno, bastante elogiado pela imprensa espanhola, parte para a derradeira jornada da La Liga em 4º lugar, último de acesso à Liga dos Campeões da próxima época, e com apenas mais um ponto que o Sevilha. Ambas as equipas jogam fora, e os valencianos precisam de fazer na deslocação a Almeria pelo menos um resultado igual ao Sevilha na sua deslocação a Málaga. Já o Mónaco tem as contas aparentemente menos complicadas, pois ocupa o 3º lugar - que em França é o último de acesso à Champions - com mais dois pontos que Marselha e St. Etienne. Contudo os monegascos jogam fora na última ronda, no reduto do Lorient, enquanto os seus adversários jogam ambos em casa. A melhor das sortes para estes dois nossos compatriotas, são os meus desejos.


Portugal suspira (o mar é vermelho)



Nunca pensei voltar a ver isto acontecer, mas aconteceu: o Benfica venceu dois campeonatos nacionais consecutivos - e continuo ainda sem acreditar enquanto escrevo estas linhas, imaginem. Ressabiamento? Pff...quantos dois seguidos em cima de dois ou três seguidos querem vocês?  A verdade é que nem os próprios benfiquistas voltaram ainda a si, permanecendo até este instante numa êxtase de assustar os cavalos e as crianças, com as viúvas agarradas a eles implorando "ai, por favor, não me viole, ui, ui", com um seio de fora e a saliva a dar à dentadura um efeito de castanholas - e tudo ele consegue dizer no meio de tanta emoção é "epá...deixem-me. c....f...se! quero ir pó marquês por um cáxicoli naquele palhaço de peruca que lá tá ó c...". Agora pensando bem, quantas pessoas podem dizer a seguinte frase sem estarem garantidamente a mentir: "epá o Benfica foi bi-campeão e dei logo uma queca (na minha mulher/na minha amante/fui às meninas/no Júlio, ou do Júlio,etc), tal como da última vez que o Benfica foi bi-campeão! Desculpem se isto parece um raciocínio parvo - e é, mas também não esqueçam que estamos a falar do Benfica, "plamordedeus" - mas quem tinha vinte anos da última vez que o Benfica ganhou dois campeonatos de uma assentada, hoje tem 50, e mesmo que isto não seja uma diferença por aí além nas pessoas normais, é preciso não esquecer que os benfiquistas bebem muito tintol (ex: Toni, Manuel Vilarinho, Barbas, etc, não vou desatar a escrever seis milhões de nomes, era o que faltava. Só para terem uma ideia, na noite de Domingo, durante a comemoração do título, entrevistaram um Zé pateta qualquer, que mal conseguia começar uma frase, a dizer meia dúzia de palavras que depois de descodificadas significavam: "a última vez era um miúdo". Epá, alto lá! Miúdo era eu, que tinha 9 aninhos, enquanto aquele tipo parece o meu avô!


Mas o que é isto, por tudo o que há de puro e bom, que devo estar às portas da morte. Isto foi há 30 anos? Esta imagem tão...tão..."kitch"? Tão "retro", tão "vintage"? Olhem-me para aquelas figuras, olhem-me para aqueles bigodes, olhem para aquela matulona que andou a rodar por estes badamecos que depois, todos fresquinhos, levaram-na para tirar esta fotografia com eles. Ah não esperem lá, parece que afinal a matulona é na verdade um HOMEM originário da Suécia, de nome Glenn Stromberg! Logo vi que havia por ali paneleiragem, ainda mais quando o treinador era ele próprio um sueco lingrinhas que nunca deu um pontapé numa bola. Imaginem vocês que passou tanto tempo desde que esta fotografia foi tirada, que a maioria dos gajos que lá estão já morreram! Bem, a maioria não, quer dizer, acho que foi apenas um deles...hmm...ah, mas foi o guarda-redes! Ah! Sem guarda-redes podiam até jogar super-bem, dar baile aos outros tipos, mas cada vez que estes pegassem na redondinha era só fazer pontaria e upa, lá estava ela, a doer, a doer. Curiosamente este guarda-redes, Manuel Bento de sua graça, teve uma morte em tudo semelhante à de Leon Trotsky. Isso mesmo, e passo a explicar: este Bento estava no México, partiu a perna e morreu...20 anos depois. E não foi no México. Mas não interessa, em comum com o idealista da revolução bolchevique tem o facto  de ambos terem estado no México, e de terem morrido - quantos de vocês podem dizer isto, uh? Ah, bem...


E este é o grande responsável por tudo isto: Jorge Jesus, um "manes" semi-analfabeto da Amadora que um dia andava a segurar os bicos-de-papagaio ostentando a camisola de uma equipa das divisões secundárias, noutro dia era o treinador mais pretendido da Europa. Se lhe perguntarem qual é o segredo, ele diz que não sabe do que estão a falar - e não sabe mesmo. Humilde como ele é, responderá qualquer coisa do tipo "Sêlá, alembra-me a-isso agora, tenho mais em que pensar" (reparem que ele não mente quando diz que "pensa"; ele pensa mesmo que pensa...coitado).


Pode-se dizer que este é um homem de excessos, e como o próprio diria, "um ómin com "o" grandes". Ora apazigua os ânimos, tal como o Jesus original, ou dança o "ié-ié" com as forças da autoridade, como se pode entender pelas imagens.


Aqui, se estão recordados, foi um dos momentos "à Jorge Jesus", protagonizado curiosamente no mesmo local onde no Domingo passado festejou o bicampeonato: no Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães. Podemos vê-lo na circunstância em finais de 2013 num comportamento mais autista que o habitual, entrando em desespero por causa de um caramelo qualquer que - e vejam só isto - entrou no recinto de jogo sem mais nem menos, e Jesus ficou possesso quando a polícia deteve o intruso. Pois...


Vá lá, para não dizerem que isto é "dor do cotovelo", fica aqui uma pequena selecção de momentos em o vosso herói aparece mais fotogénico. Ele é tão bom treinador, como é um rapaz muito jeitoso, também.  


"E prontes", como diria o Jorge Jesus, lá foram bi-campeões, acho que parabéns estará na ordem do dia? Eu quando oiço a expressão "maré vermelha" lembro-me dos tempos em que era chavalito, e ia passear até aos Cais dos Vapores, lá no Montijo, onde chegavam os barcos da Transtejo vindos de Lisboa. Havia no cais uma espécie de cano que dava para o rio, e de quando em vez saía de lá um líquido vermelho-vivo emanando um cheiro nauseabundo, muito apreciado pelas dezenas de ratazanas do tamanho de coelhos que se juntavam à volta do poluidor do Tejo. Cedo fiquei a saber que se tratava de resíduos oriundos dos matadouros dos porcos. Uma imagem que fica bem para completar este verbatim vermelhusco.