sábado, 28 de março de 2015

A vingança do chinês


A semana que passou ficou marcada por um atentado à liberdade de...tudo, porra! Sim, "imprensa" é uma coisa, e o Hoje Macau é outra, e desde meados do mês, finais da terceira semana deste Março negro para o jornal de referência de Macau, o ÚNICO em língua portuguesa do território onde o nome do mesmo ocupa METADE do nome da publicação está inacessível! Não sei quem, nem como, nem através de que meio ou em que circunstâncias, e muito menos porquê "atacou" o Hoje Macau, que no momento em que vos escrevo estas linhas encontra-se apenas em formato .pdf. Sim, é esplendoroso e sensual na mesma, mas não deixa de ser uma ausência de monta nos títulos da imprensa electrónica MUNDIAL, que não seja possível aceder a versão electrónica do jornal, e em vez disso tenhamos que nos desenrascar com a edição feita para iPads e quejandos - não digo "contentar" porque não dá para ficar contente. Como é que se fica "contente" perante um ATENTADO desta natureza, desta vilipêndiação, desta...desta...pedofilia jornalística! Isso mesmo, é preciso não esquecer que o Hoje Macau tem apenas 13 aninhos e meio. Cheira-me a obra de um Carlos Cruz das rotativas.

Julguei - como outra gente, que pensou o mesmo - que o problema era meu. Yep, nos dias após o escabroso ataque à imprensa livre pela via electrónica pensava tratar-se de mais uma birra do machimbombo a que chamo PC, deste cangalho onde no teclado repousam vestígios de mil e uma tostas mistas, borrões de coisas que se fumam e grude de poções açucaradas. Um dia vou levar o meu "rato" até à malta da CIA para averiguar se é biónico, pois foram tantas as vezes que o PC "encalha" e é exactamente no "rato" de descarrego a tensão acumulada, batendo com ele na secretária de madeira como se fosse um quebra-nozes que finalmente a sua párea numa casca inquebrável de uma amênndoa ou outra porcaria qualquer. Na verdade tento andado a procrastinar a compra de um computador, pois o cenário de esperar dois dias até que a loja transfira a porcaria toda que não me faz falta mas que me recuso a deitar fora de um computador para o outro arrepia-me até aos ossos. Mas enfim, a conclusão, para quem ainda está a ler isto e não mudou de página murmurando entre dentes "este gajo é maluco" (ou pior) foi esta: não foi do meu PC, mas do próprio "site" do jornal, que está desactivado. Voltando ao programa de lavagem "indignado": isto não se faz.

Como já disse mais acima, desconheço os termos em que ficou bloqueado o acesso à edição electrónica do Hoje, mas isso deixa-me duplamente fulo; se tivessem bloqueado outro jornal, já teria ficado indignado, mas tratando-se do Hoje a indignação vem em "super-size" com "extra-cheese" e uma cereja marasquino em cima - só que azeda e a saber a traques de cachorro. Desde que comecei a colaborar com o "Hoje", vai para dois anos e meio, têm-me acusado de "bater mais leve" ou até "fechar os olhos", fingindo que não vi quando a malta do jornal "mete a pata na poça". Ora essa, qual é o termo científico para definir essa presunção? Ah, já sei: paneleirice. Para mim nenhum jornal é mau, e os três diários mais o outro com o nome de uma marca de sabão macaco que é semanal e clerical têm todos o seu encanto, o seu charme, o seu "je ne sais quois". O que se passa é que por vezes o seu conteúdo inclui material que considero...outra vez, para não fugir do tom formal da minha retórica...ah, sim: que considero "parvo". Só que nem a publicação nem próprias pessoas que cometem estes infelizes "faux pas" (apenas na minha opinião, claro) são merecedoras de prisão perpétua a pão e água e acorrentadas numa masmorra por uma corrente apertada e curta. Toda a gente merece uma segunda, terceira ou décima-nona oportunidade, pá. Além disso os comentários que oiço sobre esta ou aquela reportagem e este ou aquele facto são perfeitamente mesquinhos, e sempre acompanhados de um julgamento fulminante em relação à pessoa que assina: "fulano É uma besta porque escreveu tátátá e tátátá, quando na verdade é tátáti e tátátu". Correcção, meus caros: não É, mas FOI, naquele preciso momento e naquele exacto instante, e se acreditam nessas tretas da astrologia, pode ser que tenha a ver com Mercúrio ter ficado na casa de Água Oxigenada, nunca se sabe.

Fico preocupado com o caminho que a humanidade leva, e permitam-se que fale assim neste modo tão generalista, e de mão cheia, mas é mesmo verdade: andamos a retroceder no processo civilizacional, e a nossa geração, a que veio a seguir à outra que nos queixávamos de ter deixado o mundo do avesso, consegue ser ainda mais casmurra, teimosa e asinina que essa. Estamos cada vez mais radicais, menos tolerantes, misturamos convicções com casmurrice, confundimos orgulho próprio com despeito, e não sei quem é que andou por aí a espalhar que falar mais alto que os outros com o dedo em riste, os olhos a sair das órbitas e a bufar feito um cavalo é prova mais que irrefutável que se tem a razão do seu lado. "Newsflash", pessoal: não é, e no mínimo transmite a imagem de que são tão vernáculos e sensatos como...olha, um cavalo, para não andar a complicar as coisas. Somos mais desconfiados, derretemo-nos com qualquer treta que nos impingem que envolva miséria, ou chocamo-nos com exemplos de crueldade e desumanidade à distância, mas somos capazes encontrar uma data de razões para justificar uma desgraça que tenha acontecido ao nosso vizinho do lado. Quem era ontem completamente anónimo e insuspeito, basta-lhe um dia mau para que se levante o tapete e se diga: "logo vi, este nunca me enganou". Mesmo não tendo visto o que estava debaixo do tal tapete, e sejam os outros a dizer-nos, nós acreditamos, claro, porque o fulano em causa é o tal que foi responsável por aquela coisa muita má e reprovável que soubemos que ele fez ontem - é o culpado desse e de todos os outros males do mundo. Vejo as pessoas em uníssono a repudiarem a violência ou actos de terrorismo, ao mesmo tempo que acrescentam "...e quem pensar o contrário, leva". Tanto extremar de posições que até parece que se esqueceu essa nobre tradição de se "estar nas tintas". Pois, pois, mas é mau, ficar indiferente a tanto mal blá blá blá, e "não estar contra é o mesmo que estar a favor" (uma mentira especialmente desonesta, mas em que muita gente acredita) e assim um dia "perdemos a liberdade". Concordo, assim como perdemos a liberdade de "estar nas tintas". Entendo muito bem.

Assim, senhor ou senhores, ou mera coincidência, ou espírito do mal que deixaram KO a página do Hoje Macau, deixem-me que vos diga isto: morram. Não, não vos estou a desejar qualquer mal, e nem vale a pena explicarem as razões que levaram a que tal trafulhice fosse cometida. É como quando nos dizem que alguém que nos é querido morreu decapitado, e depois insiste em descrever no mais ínfimo detalhe como isso aconteceu - o que está feito está feito. Recorrendo à sabedoria da internet que atribui a autoria de textos, frases ou citações a meia dúzia de autores diferentes, com uma amplitude que chega a ir de Confúcio a Einstein, permitam-me que termine com uma pequena metáfora insípida e inócua, só para dar um ar agravado de intelectual: cada inimigo que fazemos é como um saco de pedras que levamos para toda a parte, todos os dias; quanto mais inimigos, mais pedras são as que trazemos connosco, e maior o cansaço e o desgaste que nos levam à angústia, e nos prendem os movimento e nos impedem de ser felizes, até ao dia em que mandamos as pedras pró c... e rebentamos os miolos com um tiro. Posto isto, tudo o que desejo é que a normalidade seja restabelecida, que o Hoje Macau volte ao pedestal cibernético onde pertence, e só depois desejo aos supostos "hackers" muita elegância. Porquê "elegância", perguntam vocês? Porque é mais "elegantes"que iam ficar depois de um ataque de disenteria aguda, que era aquilo que mereciam.

Onde mais dói (e dói mesmo)


O pódio do mal.


Estava na noite passada a ver o programa "Linha da Frente" da RTP, que desta vez tinha o sugestivo sub-título "As vítimas do BES", dedicado aos 2500 pequenos accionistas que investiram em papel comercial do Banco Espírito Santo, ficaram "fu" e agora esperneiam mais do que um frango de aviário mal degolado na hora em que lhe arrancam as penas. Vou ser curto e grosso: percebo muito pouco de Economia, mas se há uma coisa que me apaixona é observar o comportamento na sua forma mais crua, mais genuína. O melhor "restaurador Olex" da personalidade, aquele que revela a verdadeira natureza de cada ego é uma situação de crise extrema, onde não há cosmética que valha para cobrir as caras feias. Diz-se que existe um "limite" onde um dia toda a toda a gente se encontra e eventualmente "se conhece realmente, exposta como se estivesse passado pelo raio-x da personalidade. Convém sempre saber se no caso de irmos parar um dia a uma ilha deserta com alguém se vale mesmo a pena confiar nessa pessoa ou se o melhor é limpar-lhe o sebo e jantá-la, antes que seja ela a tomar essa iniciativa. Há coisas em que não se deve mesmo hesitar, reflectir ou pensar duas vezes, e em nossa defesa sempre podemos rugir e bater no peito feito um gorila, e assim tirar do caminho essa coisa da "humanidade" de cada um, que às vezes atrapalha mais do que ajuda.

Posto isto, e no caso de o banqueiro Ricardo Salgado ir parar a uma ilha deserta com um dos accionistas do BES não se arrisca a ser comido, pelo menos no sentido antropofágico do termo, mas não se livra de ser sacudido, torcido e espremido até ao tutano até que saia cá para fora a nota que estes "pobres coitados" investiram no seu esquema e que depois "evaporou". Mas aí está, há uma expressão popular antiga que se diz de quem é rico que "até caga notas de conto", e agora Ricardo Salgado vem demonstrar que isso não é para interpretar no sentido literário. Se fosse mesmo assim o homem já tinha laxante a escorrer-lhe dos ouvidos, de tanto que lhe enfiavam pela goela abaixo - já passava por debaixo das portas, tanto era o "sumo" que tiravam dele. No entanto há mar e mar. há ir e voltar, assim como há investir e investir, e choram uns, outros ficam a rir. O banqueiro Ricardo Salgado pediu desculpas, diz que vai cavar fossas até aos 851 anos para pagar o que deve (ah...a garantia da mortalidade, mais eficaz que qualquer apólice de seguros), e o que mais pode ele fazer? Não é o Pirata Barba Ruiva para ter enterrado o dinheiro dos investidores numa ilha do Tesouro, e apesar de eu não discordar de quem defende que ele devia estar preso, também não era isso que ia fazer as notas caírem do céu. O que aconteceu com o dinheiro, meus senhores, permitam-me que vos diga recorrendo a uma onomatopeia: "Puff!".

Os lesados com a falência do BES parecem pessoas normais, daquelas que vemos na rua todos os dias, quem sabe se nos cruzámos com ela numa ou noutra valência, e não deu para notar os fios. Quais fios? Os fios que a prendiam à vida, à saúde, ao equilíbrio emocional e à sanidade mental em geral. A primeira entrevistada foi uma senhora que perdeu "as economias de uma  vida", vida essa que levou a trabalhar no campo depois de deixar os estudos ainda durante o primeiro ciclo, juntou aquele dinheirinho com tanto esforço, à custa de tanto sangue, suor e lágrimas, heróis do mar nobre povo, etc., etc. Dá para entender o desespero da senhora, que não é propriamente uma jovem para poder arregaçar as mangas e recomeçar a partir do zero, e até nos sentimos solidários com ela e oferecemos-lhe que não nos custa nada porque não é material: a nossa simpatia. Só que para ela parece que isso não chega, e durante a reportagem, e assumo ela ter consciência de que ia aparecer e ser vista no mundo inteiro, assume o comportamento de uma tresloucada, repetindo vezes sem conta que "está a gastar os últimos cartuchos", ameaça que nos vai "suicidar a todos" (isto foi a minha interpretação, entenda-se) e a certo ponto mete-se de pé em cima de uma mesa no banco e berra que "vai fazer dali a sua segunda casa". As circunstâncias especiais e o mediatismo que envolvem o caso do BES permitem-lhe que adopte esta conduta de troglodita, mas fosse o seu caso isolado, ia direitinha para a esquadra e era amaciada pela xota. Assim sendo, ainda fica com a opinião pública do seu lado, mas até que ponto? O que quer ela, que "derrubemos o sistema"? "Anarquia já"? "Violemos o presidente"? Não obrigado, e sei que estou a ser mauzinho quando digo isto, mas aquele é o tipo de pessoa que perante uma situação idêntica mas passada com outra pessoa ainda mandava umas "bocas" do tipo "quem é que te mandou ser parva?". E digo isto porque também já trabalhei na agricultura, mas passei por muitos outros sítios e vi muitos "carnavais" destes.

Não estou com isto a isentar a banca de responsabilidades, ou sugerir que os lesados se resignem, porque isto acontece, olha, paciência, melhor sorte numa próxima reencarnação. Nada disso, até porque quando navega tudo no mar de rosas das finanças os banqueiros enchem-se de cheta e nem um copito pagam à malta, portanto tudo bem (ou tudo mal), aceita-se que lhes venham pedir contas, exigir explicações e o mais importante, encontrar uma solução que passe por minorizar os prejuízos dos lesados, compensando-os de algum jeito. MAS, e é um grande "mas", agir como um terrorista da lábia ou um desgraçadinho não vai adiantar de nada. Além da tal senhora do parágrafo anterior, foram entrevistadas outros patos investidores, gente de idade, velhos, avôs e avós a chorarem baba e ranho, como se fossem crianças de colo a soluçar e a fazer birra, dizendo que não vão jantar e se amanhã estiverem mortos a culpa é do pai ou da mãe. É só a minha opinião, e não me canso de sublinhar isto, mas o que se pedia nesta hora era um pouco de dignidade, e que pelo menos se mantivesse a honra e a graciosidade, em vez de se prestar a fazer parte de lixo televisivo, que tem apenas o objectivo de conseguir audiências em agenda.

Curioso como subitamente estas pessoas, que tinham o dinheiro investido no BES, ou seja, não estavam em condições de aceder a ele como se o tivessem guardado na lata das bolachas ou debaixo do colchão passaram a necessitar dele como se fosse o ar que respiram. São centenas de casos de ex-clientes do BES a precisarem de operações, a viver na rua, a pedir esmola, um desespero onde estranhamente ninguém se suicida - pelo menos na reportagem não se fez referência a nenhum caso desses. São só pessoas que um dia tinham 25 mil euros a render no banco, e que no dia seguinte precisaram de todos os centavos dessa quantia, senão morriam. Arriscando mais uma vez a ser maldoso, desconfio que caso o "pasteleiro" Ricardo Salgado tivesse a elevar com competência os "papos-secos" destes clientes com o seu fermento, e muitos destes "aflitos com falta de ar" andavam a transpirar saúde e se calhar ainda lhe passavam mais massa para as mãos. Também não iam aparecer na televisão a dizer maravilhas do sr. Salgado, de como ele é bom e generoso, e o mais provável que permanecessem anónimos, que o segredo é alma do negócio, e se lhes perguntassem sobre alguma  carteira de papel comercial iam rosnar e mostrar o dente, deixando bem claro que ninguém tem nada a ver com isso e se é dinheiro emprestado que querem, eles não dão. Não quer dizer que não hajam casos terríveis, a lamentar, revoltantes, mas muito do meu cepticismo deve-se ao sortido de personagens com que me fui cruzando enquanto trabalhei na agricultura - e nos outros sítios por onde passei, também.

Como já disse, não entendo peva de Economia, mas penso que não é necessário ser um Albano Martins para se perceber que o dinheiro que temos no banco - todos nós, nas nossas contas - não está ali pendurado com molas num varal com o nosso nome lá escrito para o irmos lá buscar caso qualquer coisa dê para o torto. O dinheiro do Leocardo, do Sr. Silva, do Sr. Antunes e da Sra. Maria da Purificação da Piedade das Dores, todo depositado no mesmo banco, é o dinheiro DO BANCO, e não dos bancos do Leocardo, do Sr. Silva, do Sr. Antunes e da Sra. Maria da Purificação da Piedade das Dores separadamente, plantado ali num vasinho e regado quando tem sede. E o que fazem estes  bancos com o pilim colectivo da clientela? Isso mesmo, investe, e para o fazer não necessita da autorização epressa de cada um dos depositantes, que quando "confiam o dinheiro ao banco" estão mesmo a "confiá-lo", deixando-os fazer o que bem entenderem com ele. Não é a mesma coisa que deixar as notas na caixa e dizer "toma aí conta disso que eu daqui a um mês venho cá buscar". Se um belo dia de Junho o banqueiro japonês Eusou Maluko resolve investir o capital inteiro da insitituição de crédito que dirige em ovos da Páscoa, pois tem um "feeling" que em Setembro a cotação vai "disparar até ao tecto", e o dinheiro vai todo pró galheiro - o dinheiro de toda a gente que ali o deixou depositado, sem excepção. A única forma de reaver o dinheiro seria fazendo o sr. Maluko pagar do seu próprio bolso, e no caso do BES o sr. Maluko é mais conhecido por Sr. Ricardo Salgado.

Agora uma realidade que no caso de ser novidade para alguém vai deixá-lo em estado de choque: o dinheiro não nasce nas árvores. Passo a elaborar. Quando se "investe" está-se a gastar dinheiro para recuperar o montante investido e obter lucro, que pode ser mais ou menos, conforme o sucesso do investimento. Quando se investe no sentido de produzir e escoar a totalidade da produção para o exterior, e no fim acabar com uma balança comercial positiva, e criando ainda postos de trabalho neste processo, a isto chama-se "gerar riqueza", ou seja, faz-se com que entre capital que não existia antes e ficam todos contentes. Yupi. Quando se investe nos mercados, e se fica a depender das  suas flutuações, que ganhos e perdas, de falências, insolvências e tipos que ora compram um "rolls-royce" novo, ora acabam a balança na ponta de uma corda, há ganhos, bem como perdas, e o dinheiro circula, mas é praticamente o mesmo. Portanto o dinheiro que uns ganham é o dinheiro que outros perdem, e o dinheiro dos clientes do BES foi muito provavelmente transformado em pó que depois foi inalado em Wall Street por um corrector qualquer, em cima das bóias de  uma bimba loiraça, com os dois "na maior", dentro de um "jacuzzi". Mas não se aborreçam, que se um dia é a vez dele ficar com o cu a arder, não vão vê-lo na televisão a choramingar por não poder mais comprar ração para o cão e comida para ele próprio, ao ponto de comer o cão para solucionar o problema. Torna-se um pouco complicado chatear seja quem for quando se deixa a mioleira toda espalhada pelas paredes do apartamento com vista para a Estátua da Liberdade, que passou de "custar uns trocos" a "completamente incomportável", ao ponto de ter menos de 24 horas para o desocupar. É o capitalismo, meus amigos, que pode ser uma maravilha, mas também pode ser uma merda, e cada vez mais desproporcional se torna esta equação, e vão sendo mais os que acabam na sarjeta para que os mesmos de sempre fiquem mais ricos.

Portanto sabendo que o banqueiro Ricardo Salgado não tem um realejo para dar à corda e tirar de lá notas para calar o povo choramingas, fico cada vez mais com a sensação de que os portugueses não são um povo mais ou menos ganancioso que outros, mas é muito mais aldrabão. Esqueçam aqueles populares que à pergunta sobre o que fariam com o "jackpot" do euromilhões respondem inanidades do tipo "compro uma casinha para os meus filhos...o resto vou guardar...como um pãozinho com queijinho por dia...". Tretas! Fariam o mesmo que toda a gente faz quando se apanha com mais dinheiro do que os números até onde sabe contar: ostenta-o, esbanja-o, e enquanto o tem procura usá-lo para comprar os outros, porque toma consciência de que toda a gente é como ele - e vai tendo cada vez mais razão, infelizmente. Quando nos interrogamos como é possível perder o juízo quando se fica na posse de muito mais dinheiro do que se precisa, estamos a fazer a pergunta errada. O truque aqui é conseguir manter a sobriedade, e uns conseguem, outros não. O dinheiro na verdade não enlouquece ninguém - é a megalomania das pessoas que se convencem que uma vez que deitaram as mãos naquele dinheiro, são capazes de deitar a mão em tudo. Vendo-se numa situação em que o dinheiro é produto de anos de sacrifício, como alegam os ex-clientes do BES, aí sim, é a loucura, e aqui reside a grande ironia disto tudo: o veneno é também o único antídoto eficaz.

E você, tem visto Jesus por aí?



Jesus Cristo apareceu a semana passada numa rocha em San Francisco de Putumayo, na Colômbia. "O quê? Jesus...Cristo??? E isto não abriu os noticiários que ficariam a falar deste tema desde então até agora, e durante pelo menos mais 3 meses???", pergunta o devoto e crente leitor. Sim, de facto o retorno de Jesus Cristo, fosse numa montanha colombiana ou noutro sítio qualquer seria a notícia do século - deste, dos últimos 20 e quem sabe dos próximos. Mesmo assim estou a crer que é uma daquelas que soam melhor do que realmente seriam caso fossem materializáveis, pois o mais provável era esse Jesus Cristo fosse uma fraude, e na eventualidade de ser o original era levado pela NASA ou pelos serviços secretos de uma super-potência qualquer para um local isolado, onde seria submetido a testes, tal como no mito do extra-terrestre de Roswell, no Texas. Com o mundo no estado em que está, duvido que a humanidade tivesse a oportunidade de se prostrar a seus pés e adorá-lo como seu líder e salvador, mesmo que quisesse. Mas nada disso, não apareceu Jesus nenhum, e o que temos é mais uma daquelas curiosidades que começaram a surgir com mais frequência desde o aparecimento da internet, pois torna-se mais fácil de divulgar a milhões de pessoas que nunca poderão verificar sequer a autenticidade do espectro. Eu disse espectro? Queria dizer "mancha", ou "nódoa", senão vejam:



Aqui estão outras "aparições" de Jesus, tantas e em tão variadas (e surpreendentes) localizações que se tornam banais ao ponto de se realmente um dia o verdadeiro Cristo se manifestar, terá a mesma importância, ou menos. Numa frigideira, num ferro de passar, numa toalha, em tacos ou pizzas, e até no rabo de um cão! Agora, antes que me acusem de "sacrilégio" ou de não respeitar nada nem ninguém, vou adiantando que nem o cão é meu, e nem me passava pela cabeça ficar a olhar para o cu do bicho até "descobrir" a silhueta de Jesus. Só para que fique claro, por via das dúvidas


Em cima à direita temos uma forma um tanto ou quanto elaborada para Jesus se revelar: numa raia. Em baixo, à esquerda, pega "boleia" da sua rival nestas coisas da fé, a natureza, e manifesta-se através de uma mariposa, e ao lado temos Jesus "no ponto", num pão indiano - ou será Ganesh? Se for mesmo o Nazareno só pode ter sido num "naan" de um restaurante no Ocidente, que é onde surgem estas "misteriosas" aparições que de mistério não têm nada. Pensem bem: o filho de Deus  todo-poderoso não é, tal como o pai, poderoso o suficiente para nos dar a honra de uma aparição sua em alta-definição e Dolby Surround System, em vez de se mostrar em...comida?! Quem vê ali Jesus é porque quer ver Jesus, e cada um poderá reconhecer nestas figuras o rosto de outro conhecido seu, ou  uma outra celebridade que não da área do Divino. Mas como se pode ter a certeza de como era a aparência de Jesus, se tudo o que nos deixaram sobre ele foi na forma de documentação escrita?


Aqui estão alguns dos "Jesus", que não tendo reencarnado - ou pelo menos não se recordam disso - encarnaram a personagem do fundador do Cristianismo; em cima à esquerda temos Peter Powell, actor que interpretou Jesus na mini-série "Jesus da Nazaré", de Franco Zefirelli, e ao seu lado Ted Neely, que deu corpo a um messias-cantor em "Jesus Christ Superstar", de Andrew Lloyd Weber. Eram os anos 70, e dava a entender que as audiências aprovavam a imagem do Cristo famélico e vagabundo, usando roupas com um tamanho muito acima do seu, cabeludo, barbudo, ar de mendigo, em suma, encaixando-se perfeitamente na imagem de quem supostamente veio ao mundo para sofrer e morrer, e passo a citar, "pelos nossos pecados" - isto segundo os cristãos, e que falem por eles, que eu não vou de forma alguma assumir a cumplicidade num caso de tortura seguida de homicídio.  Em baixo à esquerda temos Diogo Infante, o Jesus 2.0, que apesar do ar menos faminto e chungoso, reforça a ideia generalizada de que o carpinteiro judeu nascido no território que se situa onde ficam hoje Israel e a Palestina era na realidade sueco ou norueguês. Sim, ou ele ou o espírito têm descendência "viking" - loiros, olhos azuis e pele de tez clara, o que não faz muito sentido sendo ele originário no Médio Oriente. Ao lado de Diogo Morgado temos Júlio Pereira, que não dita salmos mas toca cavaquinho, e além disso é mais versátil: tanto dá para Jesus Cristo, como para D'Artagnan, personagem central do romance "Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas.


As Testemunhas de Jeová, honra lhes seja feita, tiveram sempre a sobriedade de representar Jesus de uma forma mais fiel ao que (não) se sabe do seu retrato físico. Era carpinteiro, portanto dificilmente seria um magricela "hippie", e em vez teria um corpo relativamente musculado e uma barba aprumada - sabendo-se que naquele tempo os homens usavam barba, o que talvez seja a única certeza que se pode ter em relação à aparência de Cristo. Mesmo assim as Testemunhas não destoam dos restantes no que concerne ao charme do Salvador, ideia cujo expoente máximo foi atingido com Diogo Morgado, que é modelo e tudo. Nunca entendi essa insistência em apresentar Jesus como um homem atraente; se era para criar um dogma à volta do celibato e do sacrifício, para quê ter um profeta que nos tempos modernos seria um sucesso entre as senhoras e convidado para ser modelo em campanhas da D&G?


Há a possibilidade do aspecto latino-nórdico do Jesus convencional ter a ver com a implantação do próprio cristianismo, que se espalhou inicialmente pelo Ocidente, para depois do cisma do século XI passar a ter duas grandes "frentes": a Igreja Católica, sediada em Roma, e a Ortodoxa, com patriarcados no norte de África, Europa de Leste e Médio Oriente. Na Rússia foram produzidos inúmeros ícones de Cristo, como aquele que vemos na esquerda da imagem, e pode-se dizer que não varia muito da imagem convencional propagada pelo Cristianismo ocidental. No meio vemos uma representação de Cristo feita pelos chineses, e à direita está "Isa", que é nome de Jesus no Corão, livro sagrado do Islão, onde aparece referido como um dos profetas, sem muitas diferenças para o Jesus que encontramos na Bíblia - além do facto de não ser o "personagem principal", ficando esse papel para Maomé, como também fisicamente é adaptado à geografia local. Aqui faz lembrar um pouco o pirata Sandokan.


Aqui estão mais exemplos das mil e uma possibilidades de Jesus não ser nada do que o pintam - literalmente, entenda-se. A imagem da direita é um quadro encomendado pela Nação do Islão, uma seita norte-americana composta na totalidade por afro-americanos e que segue uma interpretação muito peculiar do Evangelho, mais inclinado para o Corão mas com fortes influências do cristianismo, e com a reverência a Jesus em primeiro plano. O rev. Louis Farrakhan, um personagem que sofre de um desequilíbrio mental profundo, considera esta a versão definitiva da aparência. O que ficaria mais perto da verdade de o Cristianismo tivesse aparecido em África, lógico. Se tivesse sido  no Pólo Norte que Jesus pregou o evangelho, falando aos discípulos de dentro de um iglo, seria um esquimó, como na imagem da direita. Dessa forma quem sabe a neve que aparece em alguns Presépios fizesse mais sentido nas calotas gélidas do que no desértico Oriente próximo. e em vez de um burrinho e uma vaquinha havia um elefante marinho e uma foca.


E se pensavam que depois de um Jesus chinês, árabe, negro e esquimó já tinham visto, eis que mais uma vez se prova que retiraram conclusões precipitadas (como sempre), pois eis o Jesus indiano! Bem, na imagem da esquerda trata-se de facto de uma iconografia indiana de Jesus Cristo, mas na direita vemos uma pintura representando Ajatha Nagalinga Swamy, um hindu ascético que é "yogi" num templo em Karnatakata, entusiasta seguidor da Bíblia e da doutrina cristã, e que dizem ser "muito parecido" com Cristo. A esta noção de "parecer-se com Cristo" nem sempre se dá uma  conotação positiva, pois depende de como cada um o imagina. Já cheguei a ouvir algo do género: "Ó rapaz corta-me esse cabelo e faz essa barba, que até pareces o Nosso Senhor". E olhem que não foi ao Júlio Pereira que isto foi dito. No fundo basta ser magro, alto, ter feições caucasianas e um rosto longo e fino, que com cabelo e barba a condizer temos um potencial Robert Powell ou Ted Neely. Convém é saber representar, caso seja essa a pretensão, a de encarnar o profeta cristão.


E finalmente, "Ecce homo". Ou não? Este um retrato-robô do que poderia ser o aspecto real de Jesus Cristo, elaborado por arqueólogos e outros investigadores sem nada que fazer com base na aparência do homem comum do seu tempo no local de onde se diz Jesus ter nascido e vivido. Claro que para o crente que se preze, este moreno barbudo não tem nada a ver com o Messias, e os tais investigadores não tiveram em conta o facto do Espírito Santo ser natural de Estocolmo, ou quiçá de Oslo. Verdade, verdadinha, é que o Diogo Morgado cai mais no goto do grande público do que este tipo a atirar para o Neandertál, e é disso mesmo que se trata: "marketing". Frigideiras, omeletes, pescado ou o cu de um cão não são lugares decentes para que Jesus se manifeste, não senhor, e aquilo é tudo festim, uma parvoíce. Agora com algum jeitinho, e uma certa "arte", dá para se transformar uma pequena aldeia ribatejana que nem constava do mapa num santuário sumptuoso onde ocorrem milhões de fiéis na esperança de um "milagre". E o milagre já lá está: o milagre da multiplicação dos crentes. Não dos crentes no sentido de que seguem e acreditam, que têm a sua fé, mas sim dos "tão crentes que eles são, coitadinhos...". Pode ser que não tenha sido Jesus a aparecer mas foi a sua mãe, Maria - pronto, são portugueses, o esperavam o quê? Foi o que se pode arranjar. 


sexta-feira, 27 de março de 2015

E um prato de m...,já agora


A Monsanto, uma daquelas multinacionais que representam o lado podre e ganancioso do capitalismo, está outra vez debaixo do fogo cruzado de ambientalistas, Organização Mundial de Saúde (OMS), média, e claro, da opinião pública. Só não entendo é como a companhia de produtos agroquímicos que lidera o mercado dos controversos transgénicos consegue aumentar os lucros anuais na ordem dos mil milhões de dólares por ano, quando toda a gente os odeia. No passado foram mais de 14 mil milhões de lucros e ainda se deram ao luxo de despedir mais de dois mil funcionários. Agora a polémica está relacionada com o glifosato, um composto que é o ingrediente activo de um herbicida criado pela Monsanto e distribuído no mundo inteiro com o nome "Roundup", e a cuja exposição pode provocar cancro, segundo um relatório publicado pela OMS esta semana. O herbicida criado pela Monsanto e que provoca um tipo de leucemia foi na altura da sua invenção considerado "milagroso", pois o produto é absorvido pelas folhas e não pelas raízes das plantas, mantendo-as assim intactas enquanto as protege dos parasitas - mas pode causar cancro. O estudo que serviu de base à elaboração desta hipótese não é conclusivo, uma vez que foi realizado entre homens adultos com empregos na área da Agricultura, Horticultura, Botânica e Florestação, expostos diariamente ao pesticida, tendo ficado de fora mulheres, crianças e jovens, pelo que a OMS não pode afirmar categoricamente que o "Roundup" causa cancro, mas apenas que poderá causar cancro - é um pouco como jogar roleta russa: que pode acabar bem, ou com a cachola espalhada pelas paredes da sala.


Esta questão faz lembrar um pouco os primeiros tempos após ser feita a associação entre o tabagismo e certos cancros, nomeadamente o do pulmão, e até convencer as massas de que realmente fumar provoca riscos sérios para a saúde, deu-se uma batalha feroz entre o "lobby" da super-lucrativa indústria tabaqueira e a comunidade médica, com os primeiros a pagar aos segundos para se calarem, e estes tentados a aceitar a oferta. Neste vídeo vemos o Dr. Patrick Moore, um antigo membro do movimento Greenpeace que entretanto descobriu que podia fazer mais dinheiro como "lobbyista" do que a abraçar árvores e atirar bosta a barcos baleeiros japoneses, a defender que o produto da Monsanto é "inofensivo", e que a relação que possa existir entre o seu uso e um súbito disparar de casos de leucemia na Argentina em pessoas que o usavam com frequência "carece de fundamento". Tretas, o tipo é uma pêga do capital, mas descai-se quando se arma em parvo e diz ao jornalista que o está a entrevistar que "o herbicida é tão seguro que se pode beber um copo cheio dele e nada acontece ". Nem por acaso, o repórter afirma que no local onde ambos se encontram há herbicida em quantidade mais que suficiente para prosseguir com essa experiência, mas o palerma do médico retira o que disse, e recusa-se em fazer exactamente aquilo que afirmou ser "completamente seguro", e porquê? Porque "não é estúpido". Ah mas é estúpido, e isso é muito mais fácil de provar do que a relação entre o herbicida e a leucemia. Mas estejam atentos, e sejam vivaços para continuar vivos: por muita "moca" que o herbicida vos provoque, não inalem aquela m... . Valeu?

RIP Ironia


Desconhecia até há pouco tempo a etimologia da palavra "ironia", e efervescendo de curiosidade, fui a um "anyplace, world wide web" informar-me, apenas por merda mera curiosidade. Descubro sem surpresa que é derivada da palavra grega εἰρωνεία, ou "eironea", que por sua vez tem origem em εἴρων, "eiron", ou "aquele que finge não saber". A ironia dos gregos era sinónimo de engodo, de uma hipocrisia sem dolo, no sentido de confundir o nosso interlocutor, provocar-lhe uma reacção ou fazê-lo dizer algo que queremos saber e ele recusa-se a divulgar. Tanta coisa que abrange este sentido de ironia, e interessante a linha ténue que a separa da hipocrisia. Contudo a hipocrisia é velhaca e matreira, procura atingir fins desonestos, quer ludibriar os ingénuos, ou os apenas inocentes e puros - se ainda os há. Quando a ironia, que nas mãos certas se pode transformar numa arte, se aproxima demasiado da hipocrisia, dá-se um fenómeno quase como que de sublimação, que deixa a ironia num estado vulgarmente conhecido por "só podes estar a brincar", ou ainda em alguns quartéis por "deves pensar que és o maior e os outros todos parvinhos, não?". Antes de consultar a origem desta palavra fantasiei sobre as possibilidades de ela ter a sua raíz não no grego clássico, mas nas línguas germânicas, e por inerência no inglês moderno. Pensei nisto uma vez que as semelhanças com a sua prima inglesa, "irony", são impossíveis de ignorar. Não se pense que eu desconhecia que as influências do grego clássico chagavam também às línguas germânicas, nada disso, mas tinha graça se "ironia" tivesse a sua "mater" na palavra "iron", inglês para "ferro". Às vezes é difícil detectar a ironia por se encontrar dissimulada, o que se torna já por si irónico, uma vez que a própria ironia é a dissimulação, numa das suas ramificações. Quando damos por ela bate-nos com força, deixando-os atordoados, como quando agredidos com um ferro. Aí segura-se a cabeça, como se fosse ceder à violência e à surpresa do choque, exclamando "oh the irony", com o respectivo baque metálico a ecoar nos ouvidos.

Passando à vaca fria. Em Macau a ironia como forma de expressão artística, poética, ou aplicada ao seu uso popular, vulgo "olha-me este, a fingir-se de sonsinho", anda pelas ruas da amargura. Sim, Macau precisa de médicos, precisa de tradutores, arquitectos paisagistas, biólogos marinhos, tanta coisa que Macau precisa, e permitam-me que acrescente "peritos em ironia". Estes "peritos" teriam a missão de incutir em quem faz da ironia parte da sua profissão, ou que a ela recorre no seu dia-a-dia nas mais diversas situações uma forma de executar a ironia sem que fique demasiado fácil entende-la. O sarcasmo é outra conversa, já que a intenção é mesmo menosprezar o discurso alheio com recurso a possibilidades surrealistas, mas para a ironia é necessário graça, como a de um tareco que se passeia por uma cristaleira passando por entre as estreitas margens deixadas entre os copos sem que toque num deles, sem que oiça sequer um "plim". Aquela imagem que deixei no topo desta entrada é referente a Jornal Tribuna de Macau, a que faço desde já a devida vénia por ter "roubado" a imagem da sua página do Facebook, é o exemplo de um gato torpe, desastrado e míope que manda os copos todos ao chão, num recital desafinado de vidro partido e reduzido a cacos, tão pequenos que nem dá para juntar dois deles de modo a que se encaixem, tão agudo que é o efeito de uma ironia mal usada sobre a própria matéria. Não deve ser por maldade, mas também não descarto a possibilidade de não ter sido completamente inocente, mas o que nem eu e possivelmente qualquer pessoa que faça a devida analogia entre os dois casos (a analogia é o "teste do algodão" da ironia) entende é que critérios se aplicam para se dar destaque a quem se diz "estar preparado para ser preso", enquanto outro que diz a mesma coisa, mas num registo um tanto ou quanto diferente é desprezado e tratado como um tontinho, uma asserção tão persistente e entregue de forma tão convicta que chega a fazer escola. Será porque este último disse que tinha a trouxa pronta para levar quando fosse "de cana", e que na "choldra" ia escrever um livro?

Este personagem a quem o JTM dá amplo destaque em tom aparentemente elogioso a propósito da sua passagem pelo Festival Rota das Letras, que decorre em Macau desde dia 19 com término este Domingo, é nem mais que Murong Xuecun, "nom de guerre" do escritor Hao Qun, conhecido "dissidente" chinês, mas já lá vamos. O simples facto de terem deixado o indivíduo entrar no território já é uma surpresa, pois garanto que se trata de alguém com um potencial para "confundir a população" muito superior ao do bebé de um ano a que foi negada a entrada em Dezembro último, no terminal do Jetfoil do Porto Exterior. Ou será que tudo o que luz é ouro, e tudo o que faz chinfrim é "dissidente"? Convidar este tipo para um Festival Literário em Língua Portuguesa e Chinesa, numa região administrativa do país de que diz cobras e lagartos, e numa altura delicada em que Macau pretende reforçar junto do Governo Central a imagem de "bom aluno" que já demonstrou mas que se atravessa uma "fase de adolescência" onde são comuns as "dores de crescimento" não cabe na cabeça de ninguém. Isto seria dar um tiro no pé, e seria de esperar algo parecido vindo de Hong Kong, não deste lado do Rio das Pérolas, onde os jovens andam sôfregos por ter a disciplina de Educação Patriótica, e os pais ansiosos, com medo que os pequenos não saibam a cartilha completa das gloriosas alvoradas vermelhas do eterno amanhã. É que este Murong Xuecun não faz a coisa por menos; tornou-se conhecido por denunciar casos de censura, de que ele próprio foi também alvo, e de violência das autoridades sobre cidadãos detidos, ficando célebre o episódio do indivíduo que não resistiu a várias lesões no crânio e viria a falecer após ter ficado sob custódia policial durante um dia, mas que na versão oficial terá sofrido um acidente "enquanto jogava às escondidas" - o indivíduo em questão tinha 24 anos de idade. Além de tudo isto, que já é mais que suficiente para lhe colar um autocolante "Made in China" com a certificação de "maluquinho" e metê-lo no "fresco" até que a sua existência seja esquecida. Murong Xuecung assina uma coluna no New York Times, a dizer mal das uvas chinesas. Anda por aí à solta, mas a qualquer momento "pode ser preso". Questiono-me se a Will Hill abriu uma aposta na data exacta da detenção - não que eu quisesse meter lá um centavo, pois repudio os resultados combinados de antemão.

Não quero insinuar que o autor em questão é de como uma espécie de marioneta do regime, de modo algum, ou algum crítico "encartado" para quem é permitido ir até um certo limite e de vez em quando apanha com a "barra dura" manter as aparências, bem como desencorajar possíveis imitadores. Contudo não é inédito ou sequer raro encontrar este tipo de personagem em regimes fechados e totalitários como o da China, e mesmo aqui neste micro-cosmos (a)político temos o exemplo de Agnes Lam, cuja intervenção pública feita a cobro do estatuto de docente universitária (como se isto representasse uma autoridade tutelar insuspeita) vai fazendo o que convencionou designar de "crítica construtiva", muitas vezes falando em nome de quem não lhe encomendou tamanho sermão. O que qualquer pessoa com dois olhos, dois ouvidos e uma memória intacta consegue constatar é que fala muito, diz sempre a mesma coisa e ao câmbio daquilo que interessa realmente acaba por não dizer nada, enfim. Mesmo assim diz-se que está, e passo a citar, "em oposição ao poder", e que mesmo assim "não tem problemas" ao nível profissional, como outros que não se contentam em ser apenas "yes man" se queixam frequentemente. Depende do ponto de vista, pois estou em crer que a bitola que elogia a sua "frontalidade" é a mesma que na hora de ela vir pedir batatinhas se coloca como um obstáculo a voos mais altos - o seu a seu dono, portanto. Infelizmente isto vai-se verificando também um pouco por esse mundo fora, mesmo nos países ditos "democráticos", alguns com grandes tradições nesse particular. Começou a tornar-se imperativo filtrar a informação que vai chegando de todas as partes em doses cavalares e à velocidade da luz, e convencer a opinião pública de que muito do que ouvem e lêem não é senão obra de um espalha-brasas, que vai escrever nas redes sociais tudo o que ouve na rua, e isto quando não vão mais longe, ao ponto de o descredibilizar, e se for necessário recorrer ao seu passado de alcóolico/toxicodependente/presidiário não hesitam em fazê-lo. Os governos têm por hábito premiar os arautos desta difícil missão de manter rédea curta no que o povo diz e pensa, mas este "tássakagar", e só diz que sim ao pintarolas para ver se ele cala e vai chatear o Camões.

Assim de camada em camada de ironia fica quase completo este bolo, que não recomendo a diabéticos, nem a qualquer outra pessoa que tenha "permanecer vivo" na sua lista de planos para os feriados da Páscoa. Sobretudo não se esqueça que o número da ressurreição ao Domingo depois de quinar na sexta-feira anterior não é executado com sucesso por ninguém vai já bem para lá de 2000 anos, e mesmo o último peca por um ligeiro défice de credibilidade, e mais ainda de objectividade. E já que entramos no âmbito do divino e do sobrenatural, nada como completar este proverbial bolo com um recheio conventual, e na falta de um convento digno desse nome, que tal o local onde Murong Xuecun se apresentou no Festival Rota das Letras? Nem mais nem menos que…a Universidade de S. José! Olé! Mas espera lá, que posso estar a sonhar, como daquela vez que sonhei que estava com diarreia e por um triz não acordava a tempo de evitar uma desgraça…não foi a USJ que chegou a não renovar o contrato de um professor por este ter feito comentários tidos como pouco abonatórios em relação ao Chefe do Executivo, e por ter convidado um académico estrangeiro conhecido pelas suas posições críticas em relação a Pequim quanto ao respeito das liberdades individuais e dos direitos humanos?". Bingo! Apontou duas das razões pífias e desculpas de mau pagador usadas pelo inquisitor-mor, o Bernardo Gui de Carcavelos que dirige aquela sucursal do Santo Ofício para justificar uma conduta que, e sem mencionar os seus contornos mais pérfidos, é a antítese de tudo em que assentam os valores humanistas em que a Igreja diz estar alicerçada.

Parece então irónico que eles próprios se reduzam à condição de um Frei Tomás, só que sem a convicção deste último. Despedir alguém recorrendo a um argumento e depois mais tarde imitá-lo, e na eventualidade de alguém tocar o assunto ainda vai provavelmente achar tudo "normalíssimo" não é bem o tipo de ironia que Sócrates (o filósofo grego) usava para confundir os sofistas de Atenas. Eu chamaria-lhe antes de baixeza, imundice, e fico por aqui, que há terrenos lamacentos que não me atrevo a pisar. Se é ou não de bom tom abrir as portas a um orador que para todos os efeitos é "persona non grata" ao regime, pouco importa, pois se há algo que a USJ tem deixado bem vincado nos últimos tempos é que à velha máxima do bom samaritano que apela a "fazer o bem sem olhar a quem" foi averbada a completação "…mas convém espreitar, pela via das dúvidas". Sim, de facto, não vá o…oops, o melhor e nao chamar esse para a conversa, que depois ainda me vem dar razão. Mas a USJ está na berra, vai na onda, é fixe, adere e participa, e vai criar uns cursos de não-sei-quê, línguas, ou técnicas de manuseamento da dama de ferro, uma coisa dessas. Assim não perde o metro ligeiro do progresso quando este aparecer (se aparecer), e pode ser que assim lhe seja dada a devida importância (ou seja, muito pouca) e possa usufruir do Campus onde se vai instalar brevemente, e o qual pagou com a alma - e lá estou eu outra vez…que chatice. A propósito, os tais cursos que são do mais bué que há por aí vão incluir o diploma no acto do pagamento da última propina, ou vão fazer exames? É que há famas que "vêm de longe", como o brandy Constantino.

O meu problema - que nem é problema nenhum - não se prende tanto com a USJ e a sua tropa fandanga de cruzados que o Reverendo Torquemada vai recrutar directamente à "cantera" da Sé, nem com este ou aquele galifão, ou outro qualquer espertalhão das dúzias que por aí há de sobra - se foi essa a forma que cada um encontrou para prevenir (ou compensar) a disfunção eréctil, tanto melhor, que seja muito feliz. Agora não venham é vender gato por lebre e tomar toda a gente por parva, porque esse sermão já sei eu de cor e nem sequer vou a missa. Dizer que hoje isto é assim e que amanhã é o exacto oposto, ou que está tudo bem, "nada pasa", e olha que até aquele tipo que se farta de mandar "bocas" à China esteve cá a beber uns copos com a malta, e por muito que queira ser preso, não lhe fazem esse, já viram isto? Chega de atestados de burrice, ou tratar as pessoas como se tivessem a memória de um peixinho de aquário. Também me estou a marimbar para a relação entre e a China, nenhum deles é a minha "posse", não pertenço a qualquer desses "niggaz", mas já estou enjoado de olhar o sr. reitor a oscilar entre as directivas de um e o Campus da outra, e a meter os pés pelas mãos, e o pior de tudo, a justificar o que não tem justificação com "decisões políticas". Ó "el padre", para fazer política já cá andam os políticos, e estão cá a mais. Já pensaram o que seria com os padrecos na política? Corria-lhe mal um debate, evocava logo o Big Boss. E no Governo? "Ontem falei com Nosso Senhor, e ele mandou-vos desconvocar a greve". A este ponto a ironia está morta, enterrada, e prepara-se para ser exumada e os seus restos condenados à erosão dos tempos, até ao dia em que serão apenas pó. E no seu lugar fica a hipocrisia, "mama-san" das primas feias da ironia que agora ocupam o lugar que antes foi seu. Triste.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Gunter Lubitz, Andreas


Este é Andreas Gunter Libitz, o homem de quem toda a gente fala. Perdão, este ERA Andreas Gunter Lubitz, e ainda É o homem do momento, por razões que ninguém de ser, ou de ter sido o homem ou a mulher de todos falam, num sentimento misto de ódio, terror e medo. E no fim a estupefacção é o que se sobrepõe sobre todo o resto: porquê? Andreas tinha 28 anos, era alemão, era saudável, era piloto do voo da companhia de baixo custo que se despenhou anteontem nos Alpes franceses provocando a morte a 150 passageiros. Andreas sempre quis ser piloto, desde pequenino, e perseguiu o seu sonho até conseguir que a Germanwings o empregasse há um ano e meio como co-piloto - era tudo uma questão de tempo para que o lugar que sempre sonhara fosse seu. O que tempo fez e o que o tempo trouxe não foi o sonho de Andreas, mas o pesadelo a centena e meia de pessoas inocentes que não o conheciam e não faziam ideia de quais eram as ambições deste jovem, que na terça-feira se trancou na cabine de pilotagem durante um voo entre Barcelona e Dusseldorf, e começou a fazê-lo perder altiutude abruptamente, sabendo agora que seria com a intenção de se despenhar. Ignorando os apelos do restante pessoal de bordo e indiferente ao desespero dos passageiros, Andreas Gunter Lubitz atirou aquele aparelho para cima de uma montanha dos Alpes, a dois mil metros de altitude, usando para tal o comando manual. Depois nada.

Esta é a teoria apresentada pelo procurador do tribunal da Marselha, Brice Robin, após analisar as provas, que incluem registos de audio dos últimos momentos antes do impacto do avião da Germanwings, gravados na caixa negra do aparelho, entretanto recuperada no meio dos destroços. "Caixa negra", nunca o nome lhe ficou tão bem atribuído. Daquilo que nos é dado a saber, alguém enlouqueceu para que tudo isto foste possível: ou Andreas Gunter Lubitz, que num momento inexplicável de desespero quis pôr termo à própria vida sacrificando com esta a de muitos inocentes, ou o procurador Brice Robin, que teve a imaginação de produzir um enredo tão sórdido que nem os maiores autores de ficção do incrível e do fantástico conseguiram imaginar até hoje. Andreas Gunter Lubitz permaneceu imóvel, demonstrando indiferença e um comportamento inalterado desde o início da descida que seria fatal até ao impacto, e depois nada - isto foi possível deduzir pela suaa respiração, que se manteve a mesma do início até ao fim da sua missão. Nem os "kamikaze" japoneses, que em nome de um sentimento nacionalista estúpido, mas contudo passível à luz de um padrão cultural inserido num contexto bélico, conseguiram ser tão frios no momento em que despenhavam os seus "Zero" em território inimigo, dando a vida e levando consigo outras vidas. Nem os próprios terroristas do 11 de Setembro, que cedo deixaram os passageiros e pessoal de bordo saber ao que vinham, perdurando a angústia de todos, incluindo a deles próprios. Andreas Gunter Lubitz não gritou "Banzai!" ou "Allah Akbar". Não gritou, não falou, não deu sequer uma gargalhada sinistra para nos deixar saber que sim, estava louco, e isto é o que faz um louco: nunca dê pistas, e carece de qualquer motivação ou explicação que o justifique. Posto isto, tem que existir uma explicação, aquela que ele não nos deixou. Sim, a culpa não pode morrer solteira, mesmo que não esteja ninguém entre os vivos para atribuir esse ónus. Se não há, arranja-se. Motivo? Inventa-se um. Qual é o sabor do mês?

É o mesmo de todos os meses, claro. No primeiro parágrafo falei daquilo que Andreas Gunter Lubitz ERA, e do que eu a maior parte da opinião pública, que só não num ermo isolado sem qualquer contacto com a civilização poderá não saber pelo menos o essencial desta tragédia, tal é a forma como a imprensa a tem dissecado. Não é para admirar, pois trata-se de um hipotético perigo novo, como se fossem poucos aqueles que já temos. Pode ser que não seja novo, mas um que já conhecíamos, e que apresenta agora numa nova forma, mas com a mesma matriz de outros perigos nossos conhecidos, e o mesmo carácter assassino e imprevisível, que aproveita um momento de vulnerabilidade como é estar suspenso no ar para poder largar o seu veneno assassino. Sim, tem que ter uma explicação, e tem que ser essa. O que Andreas Gunter Lubitz ERA não nos dá qualquer pista de que podia cometer uma loucura destas. Perante estes dados que apontam para a teoria do suicídio-homicídio dei comigo a pensar que seria um duro golpe para o célebre "rigor alemão" deixar um louco certificado - ou sequer suspeito - nos comandos de um aparelho onde se transporta centena e meia de civis inocentes. E de facto isto apanhou de surpresa toda a gente que conhecia Andras Gunter Lubitz, e garante que ele era "normal", "educado", "sociável", e outros tantos adjectivos que qualquer um de nós sentiria orgulho em ouvir da boca de alguém. Mal se colocou a possibilidade de ter sido um acto voluntário de apenas um indivíduo, os especialistas desse ramo fizeram logo os "primeiros socorros" do anti-terrorismo, passando a "ficha" do suspeito pela peneira das secretas, e nada. Não tinha quaisquer antecedentes criminais ou ligações a grupos extremistas. Gente que diz bem de um potencial homicida em massa e uma ficha limpa não ajudam a explicar nada. Vamos lá cavar mais fundo, e descobrir nem que seja um pontapé com maldade dado num dos ovários maternos ainda durante o período intra-uterino da sua vida.

E aí está: chegou a ter o treino de formação piloto suspenso por motivos de "depressão"...em 2009, há seis anos. Entretanto formou-se, e tinha já 630 horas de voo, cada uma delas revelando um comportamento acima de qualquer suspeita, como o de quem é pisado no pé com o salto de uma hospedeira desastrada que ainda lhe entorna café a ferver em cima do uniforme e pede desculpa por se intrometer na trapalhada alheia, tão indiscreto que ele foi. Mas lá está: depressão. Em 2009. Quem sabe para quando está programada essa bomba-relógio, e quando? A depressão justifica tanto uma panóplia de obscenidades que se grita a uma velhinha no solo, como atirar um avião cheio de gente inocente contra uma cadeia rochosa quando se está no ar. Calhou estar no ar, azar. E qual era a religião de Andreas Gunter Lubitz? Não que ele tivesse alguma vez demonstrado sinais de fanatismo, ou expressado pontos de vista pouco ortodoxos a respeito do que quer que seja, mas já se sabe: todas as religiões com excepção da nossa são demoníacas, e "sabe-se lá no que aquilo vai dar". Se o problema é esse, então toca a tirar do saco a religião que mais se enquadra no tipo de comportamento evidenciado por Andreas Gunter Lubitz: o Islão. De repente diz-se que o jovem se tinha convertido ao Islão, e de nada adiante acrescentar que são "só rumores", que em alguns "sites" onde foi procurar notícia fala-se de "duas mesquitas na sua zona de residência". Ainda falam de suspeitas? Isto é mais prova do que uma confissão assinada. Pouco falta para que apareça quem afirme a pés juntos que o viu de rabo espetado para o ar no aeroporto de Barcelona antes da partida. Sabe-se também que "teve uma namorada muçulmana", mas que "se separou". E que tal ligar esta facto ao da depressão? Ficamos com o quadro clínico, a sua causa e a motivação religiosa que baralhou o raciocínio a Andreas Gunter Lubitz, e o fez escolher logo aquele momento para deixar escapar a sua "pancada" de uma vez só.

Penso que não será exagerado começar a vigiar de perto toda a gente alemã, jovem e insuspeita, segui-los, controlar todos os seus movimentos e realizar buscas aos seus domicílios, mesmo sem um mandato judicial que as autorize - afinal é pela segurança de todos. De seguida é necessário colocar de quarentena todo e qualquer indivíduo, sem olhar a origem ou credo, que resida num raio de 100 km de uma mesquita. Não, vamos antes jogar pelo seguro e colocar toda a população da área entre a mesquita de Oslo e a situada mais ao sul de Marrocos - nunca se sabe. Lembram-se daquele tipo que limpou o sebo a uns compatriotas seus lá na Noruega, e que por acaso também se chamava "Anders" (Andreas/Anders. Coincidência?), e de apelido Breivik? Foi pena que o tipo não tenha rebentado com os miolos logo de seguida, pois estando ainda entre os vivos torna-se mais difícil associar uma mesquita duas cidades depois da sua com o acto hediondo que cometeu há 4 anos. Soube-se recentemente, numa notícia que passou despercebida (claro, não morreu ninguém, por enquanto...) que Breivik tem-se dedicado a "espalhar a sua mensagem de ódio a partir da prisão", e que dedica "setenta horas por semana" a essa empreitada. Mensagem do ódio? Radical e islâmica? Não? Então não faz mal. Vamos entretanto concentrar-nos neste novo espécime, e investigar mais, recolhendo testemunhos de quem em tempos afirmava que Andreas Gunter Lubitz era "normal", mas que após esta tragédia foi acometido de um momento de claridade, e recorda-se daquela vez que entupiu o ralo do bidé lá de casa com plasticina, evidenciando assim um comportamento próprio de um psicopata. É preciso encontrar a causa e eliminá-la, para que não se repitam casos como este, que provocam a morte de inocentes. Nem que para isso seja preciso matar inocentes. Faz todo o sentido, claro.

Pum, pum! Rasta man!

Uma selecção caribenha, no intervalo entre uma sessão de "jamming" de "rocksteady" e outra de "ska".

O campeonato mundial de futebol de 2018, como a maioria deve saber será disputado na Rússia - outra vez, se os próprios russos não acabarem com o mundo antes disso. Faltam mais de dois anos, é verdade, mas a fase de qualificação que vai apurar os 32 finalistas teve já o seu arranque, e os mais informados terão consciência desse facto, pois no início deste mês realizou-se a pré-eliminatória da zona asiática que ditou o afastamento de Macau às mãos do Cambodja, outra selecção que nem em sonhos induzidos por um opiato dos mais fortes consegue chegar à Rússia - para jogar o mundial, entenda-se, pois ir só por ir, qualquer um vai, mesmo que não seja uma perspectiva muito animadora. Do outro lado do planeta jogou-se também uma pré-eliminatória com o mesmo propósito: tirar do caminho os países a mais que existem um pouco por esse mundo fora, e que depois se vão filiar na FIFA e querem jogar a qualificação para o mundial, como gente grande. Depois da apresentação das selecções da CAF - Confederação Asiática de Futebol - hoje vou-me debruçar sobre os países da CONCACAF - Confederação da América do Norte, Central e Caraíbas. Isto promete.

O que os americanos ficam a pensar quando ouvem a palavra "soccer" - o "nosso" futebol.

As zonas da UEFA ou da CONMEBOL (América do Sul) de qualificação para os mundiais são muito menos penosas que as restantes. A zona sul-americana é composta por dez associações, com 4 a garantirem a qualificação directa e mais uma através de um "play-off" intercontinental, onde normalmente conseguem ter sucesso. Posto isto, desses dez países apenas a Venezuela nunca se qualificou para um mundial, mas o facto do "baseball" e do basquetebol serem os dois desportos mais praticados e seguidos pelos venezuelanos ajuda a explicar esta ausência - e mesmo assim têm melhorado bastante nos últimos anos. Enquanto isso na UEFA existem 54 associações que disputam 13 vagas, e pode-se dizer que das 13 selecções que garantem uma presença na fase final do campeonato do mundo há outras tantas ou mais que teriam qualidade para lá estar. Estou em crer, e não sou o único, que há selecções europeias que raramente ou nunca se qualificam na sua zona geográfica, mas que seriam presença assídua nos mundiais se disputassem uma vaga numa das outras zonas, com a Ásia (AFC) e CONCACAF à cabeça para ilustrar este exemplo. Na AFC existem 47 associações espalhadas pelo maior continente do planeta, tanto em área como em população, e destas pouco mais que meia dúzia têm argumentos para discutir uma das quatro vagas directas, e poder sonhar com a quinta, mesmo que não seja realista vencer a equipa sul-americana com que realizam o "play-off" intercontinental a duas mãos.

Uma das primeiras equipas do México, que já fazia os adversários tremer de medo - literalmente.

Aqui na CONCACAF a situação é mais ou menos idêntica, e apesar das (muitas) diferenças entre as duas regiões, em matéria de ambições futebolísticas as semelhanças são evidentes. Enquanto na Ásia o problema não passa tanto pelo elemento humano, havendo gente com fartura em países como a India, Indonésia, Tailândia e Filipinas, que mesmo assim nunca participaram num mundial, na CONCACAF o problema é exactamente esse: a dificuldade em reunir dúzia e meia de cidadãos válidos com idade entre os 20 e os 40 anos que saibam dar um pontapé num a bola, para formar uma equipa de futebol. Honrosa excepção feita ao México, é claro, que fora da América do Sul é o país do Novo Mundo onde se leva o desporto-rei mesmo a sério, e o único da CONCACAF com hipotéticas ambições de poder chegar ao topo - são actualmente campeões olímpicos e bi-campeões mundiais de sub-17, tendo sido finalistas vencidos na última edição da prova, em 2013. Os mexicanos têm praticamente garantida uma das vagas desta Confederação para o próximo mundial da Rússia, e falando da concorrência têm os Estados Unidos e a Costa Rica como as únicas selecções que lhe podem bater o pé, e recentemente as Honduras, que participaou nas duas últimas fases finais do mundial.

A selecção cubana que esteve no mundial de 1938, em Itália. A ténue linha que separa "equipa" de "conjunto".

Fora disso há outras que têm no seu currículo pelo menos uma participação, mesmo que não seja nada para contar aos netos um dia. São os casos do Haiti, El Salvador, Jamaica e Trinidad e Tobago, que não passaram da fase de grupos dos mundiais para que se qualificaram, ou do Canadá, onde o futebol consegue ser ainda mais desprezado do que nos Estados Unidos, mas que em 1986 surgiram no mundial do México para perder todos os encontros e não marcar qualquer golo. Recuando ainda mais no tempo, o mundial de 1938 contou com a selecção de Cuba, o que só se explica por na altura Fidel Castro ter 11 anos de idade. Mesmo assim suspeita-se que aqueles cubanos fossem na verdade uma banda de "salsa", e que tenham ido até à Itália de Mussolini em digressão para promover o seu novo disco "La Rumba Facista", e que após uma desistência de última hora foram convidados para jogar no torneio. Dos que estiveram "quase" lá mas ainda não se estrearam no maior palco do futebol mundial, temos o caso da Guatemala, ou mais recentemente o Panamá, que tem dado cartas - em suma, uma maioria de nações mais conhecidas pelo "rasta" ou pelos golpes militares para derrubar "el presidente" eleito pelos pobres e pelos "macoñeros subservivos", e colocar no lugar dele o outro que a "los gringos gusta mas".



Nesta pré-eliminatória não se nota muito a presença das "guerrilhas" ou dos "rastafari", pois a triagem começa a ser feita pelos destinos de férias de sonho e paraísos fiscais - tudo nações onde há mais cágados que pessoas. O primeiro jogo foi disputado "ontem", no ontem deles, e confesso a minha ignorância quanto aos fusos horários caribenhos, e foi entre o Belize e as Ilhas Caimão, na cidade de Belmopan, no Belize. A partida terminou empatada sem golos, e é caso para dizer que "No Belize ninguém atinou com a..."balize". Ah, ah, ah! Ahem, pois. Falando um pouco a sério, o jogo terminou sem golos, apesar do capitão belizense (belizenho? belizano? é assim mas é beliz?) Elroy Smith ter desperdiçado uma grande penalidade. Reparem na forma espectacular com que o nº 8 bate o castigo máxima, e na recarga ainda mais formidável. Elroy Smith é a grande estrela (?) do Belize, e joga no mui competitivo campeonato das Honduras, no União Platense. Se calhar a culpa é do próprio Belize, pois o homem chega ali, descontrai-se, mama uns "Long Island Ice Tea" e desaprende. Reparem como os jogadores das Ilhas Caimão celebram o "não golo", que nestas paragens onde o futebol é o que é, eles consideram precioso e dão mais valor; deviam vê-los cada vez que era marcado um canto a seu favor, e como dançavam eles. A segunda mão joga-se dia 29 nas Ilhas Caimão, ou seja, um dia destes. Quem por acaso estiver por George Town para resolver assuntos relacionados com a sua conta "offshore", pode dar um pulo até ao Truman Bodden Sports Complex e ver em acção craques do calibre de Benjamin Cupid, Jedd Ebanks ou Joshewa Charlery, dando tudo por tudo pelo sonho de serem eliminados apenas na próxima eliminatória.



Lembram-se daquela canção dos Beach Boys que fez parte banda sonora do filme "Cocktail", onde participava aquela bicha doida do Tom Cruise, "Kokomo"? Uma parte da letra era qualquer coisa como "Aruba, Jamaica, ooh I want to take ya/ to Bermuda, Bahama, come on pretty mama...". E nem de propósito, aqui está o jogo entre as tais "Bermuda" e "Bahama", ou em português "Bermudas" e "Baamas", que mais parecem nomes de artigos que constam de um lista de compras num supermercado em Albufeira durante o mês de Agosto - "um par de bermudas e gel de banho "Baamas" com aroma de maçã verde". A partida realizada no Estádio Thomas A. Robinson em Nassau, capital das Baamas, terminou com uma vitória das Bermudas por 5-0! É caso para dizer que ganharam tão à vontade que até parecia que estavam nas Baamas - e estavam mesmo. Agora perguntam-me vocês: "o que tem a selecção das Bermudas que a das Baamas não tem?". Ora aí está uma excelente pergunta, e a resposta é fácil: jogadores profissionais. Isso mesmo, pois as Bermudas contam com alguns jogadores que alinham no futebol inglês, com destaque para Nahki Wells, avançado do Huddersfield Town, que joga no Championship, o segundfo escalão, e que marcou um dos golos do seu país natal, de grande penalidade. A segunda mão realiza-se também daqui a uns dias nas Bermudas, e sinceramente não sei qual é o sentimento dos jogadores das Baamas em relação à perspectiva de visitar o arquipélago que dá nome a um famoso "triângulo" onde acontecem coisas estranhas, alegadamente envolvendo extra-terrestres e tudo. Mais estranho do que isso seria ver as Baamas passarem para à fase seguinte, onde jogariam com a Guatemala.



Agora esta demonstração de arrogância da parte dos nicaraguenses - quem mais? Estes tipos que têm a mania que são "a Argentina da CONCACAF" disputam esta eliminatória como se fosse a última antes do mundial da Rússia. Bem, para eles poderá ser a penúltima, mas muito antes dos russos começarem a pregar os espigões para montar a tenda, pois a seguir defrontam o Suriname, que não é uma pêra-doce, como é esta...esperem um segundo. Já está: "Anguilha". Peço desculpa pela interrupção mas cada vez que dou com uma palavra que nunca ouvi antes em 40 anos de vida preciso de revê-la umas cinco ou seis vezes, para ter a certeza que não confundo com outra coisa. Neste caso podia sair uma "braguilha" ou uma "conquilha", mas já lá vamos. Percam com quem perderem, os pedantes da Nicarágua vão sempre dizer que foram eliminados "pela equipa que viria a ser eliminada por outra que perdeu para aquela que se qualificou, e que na Rússia ficou no grupo da outra que viria a sair no quartos-de-final frente à semi-finalista que perdeu para a finalista vencida" - e apenas por causa deste ínfimo detalhe não foram eles os campeões do mundo. Reparem como jogam num estádio com dimensões semelhantes aos de um país dos primeiros 120 lugares do ranking da FIFA, de como o público vibra, e como têm jogadores com nomes decentes, casos de Luis Galeano, Alejandro Tapia ou Marlon López, que até não ficam nada mal quando imprimidos nas camisolas. Anguilha não merecia isto.

Enguias. Ou golfinhos, tanto faz, é tudo peixe de qualquer das formas. Uh...bem, deixem para lá...

Esta "Anguilha", que é mais um daqueles paraísos fiscais das Caraíbas porque só dessa forma conseguem que alguém pronuncie o nome do país numa circunstância qualquer, foi baptizada pelos espanhóis, que lhe quiseram dar o nome de "enguia" ("anguilla" é enguia em castelhano, por supuesto). É talvez por isso que no brasão nacional do país aparecem três golfinhos a saltitar, e o território é hoje um protectorado britânico e membro de pleno direito da "Commonwealth" - é apenas natural e lógico, atendendo à sua História. Não sei se os habitantes deste magnífico território de que nunca tinha ouvido são os anguilhanos, as angulhas, anguilhenses, anguilhinos ou outra cautela mas com terminação diferente, mas se não acertei, peço desculpa aos 13,452 habitantes de Anguilha, e dos quais uma percentagem vai certamente assistir ao jogo da segunda mão deste duplo embate com a Nicarágua no dia 29 e The Valley, capital da Anguilha. Os 1067 habitantes desta "cidade" já deixaram saber que os nicaraguenses são bem vindos, desde que "não façam muito barulho e não chateiem muito". Já agora pediam também aos jogadores da equipa adversária para que na eventualidade (muito provável) de marcarem um ou mais golos, que comemorem com uma coreografia ao jeito do "calipso", ou que usem uma das balizas para simular os passos de um "limbo". Daquela forma, aos berros e todos cabeludos, é que não pode ser.



Golos para todos os gostos tivemos na partida entre as ilhas de S. Cristóvão e Nevis e as também ilhas Turcas e Caicos, ambas elas mais conhecidas por serem...isso mesmo: paraísos fiscais. Aliás essa deve ser a sua única razão de existir, ou caso contrário já tinham sido usadas para testar bombas nucleares, até se tornarem áridas e inabitáveis. Quem esteve no dia 23 (outra vez, um dia destes) no Warner Park em Basseterre, capital de S. Cristóvão e Nevis, não deu o seu tempo por perdido, pois a equipa local deixou o adversário em "caicos" (eh, eh) com uma goleada de 6-2! Ena pá! Como tudo tem uma explicação - menos a origem do universo e o sentido da vida - também este desnível entre duas equipas com o mesmo "background" (ou seja, nenhum...) tem uma explicação. Enquanto os jogadores da equipa visitante jogam na sua quase totalidade no vulcânico mas pouco competitivo campeonato turquense-caicense, S. Cristóvão e Nevis conta com alguns profissionais na sua equipa, incluindo Harry Panayiotu, um jovem de 20 anos que pertence ao plantel do Leicester City, da Premier League inglesa. Provavelmente o rapaz nunca tinha ouvido falar deste cu de judas atirado lá para os Sargassos, mas sendo eke nascido em Inglaterra, filho de pai cipriota, e com uma auto-estima que o leva a não acreditar ser capaz de representar o seu país natal ou o do seu pai, aproveitou o facto da família da sua mãe "ter raízes em S. Cristóvão e Nevis" para abraçar aquela pátria desconhecia por completo e que ainda pouco sabe. A qualidade do vídeo com o resumo da partida diz muito sobre a qualidade da mesma, mas a julgar pelo entusiasmo do comentador de serviço, em S. Cristóvão fumam-se coisas boas.



E despeço-me com um jogo que só deu um golo mas que teve vários motivos de interesse: Barbados - Ilhas Virgens Americanas, que terminou com uma vitória dos visitantes pela margem mínima, mas teve duas grandes penalidades desperdiçadas pela equipa da casa. Os Barbados, que talvez por causa da frondosa capilaridade facial, que lhes causava comichão, falharam dois "penalties" que poderiam ter mudado o rumo do encontro. Do encontro não, da História! Assim sendo, as virgens americanas saíram de Bridgetown ainda virgens, e se fossem suecas ou russas talvez cantasse outro galo - era só as bolas terem entrado. Os adeptos de Macau desta mini-liga dos paraísos fiscais devem estar curiosos quanto ao desempenho da sua selecção preferida: as Ilhas Virgens Britânicas. Ora bem, estas só jogam hoje (ou amanhã, dia 26 de lá, pronto) frente à selecção da Dominica (não confundir com a República Dominicana, que "dessa ouviram falar", já sei). E fiquem descansados que os dois jogos serão realizados em Roseau, na Dominica, e não se arriscam a que apareça um "domingueiro" qualquer lá pelo Offshore Incorporations Centre em Road Town, Tortola, a meter o nariz nas vossas sociedades que detêm a titularidade dos imóveis mais caros situados no centro histórico de Macau. Seus marotos. Ficarei atento e darei conta do resultado desse jogo, assim como do desafio entre Curação e Montserrat, que encerra a primeira mão desta pré-eliminatória. Em jeito de "game preview", vou adiantando que Curação é a mesma que dá o nome ao "mixer" com que se faz o Banana Daiquiri e outros "cocktails", e que era uma colónia holandesa antigamente conhecida por "Antilhas Holandesas", e entretanto dividida em duas nações independentes, este Curação, e ainda S. Maartens. Montserrat era uma pequena ilha que esteve para desaparecer há vinte anos devido à erupção de um vulcão, e a população chegou mesmo a ser evacuada. Como é possível constatar agora passado todo este tempo, e com a ilha ainda à tona de água e sem rios de lava a correr sobre a sua superfície, Montserrat continua a existir, e ao ponto de ter uma selecção de futebol e tudo, vejam só.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Deixarei os jardins a brilhar com seus olhos


Deixarei os jardins a brilhar com seus olhos
detidos: hei-de partir quando as flores chegarem
à sua imagem. Este verão concentrado
em cada espelho. O próprio
movimento o entenebrece. Mas chamejam os lábios
dos animais. Deixarei as constelações panorâmicas destes dias
internos.

Vou morrer assim, arfando
entre o mar fotográfico
e côncavo
e as paredes com as pérolas afundadas. E a lua desencadeia nas grutas
o sangue que se agrava.

Está cheio de candeias, o verão de onde se parte,
ígneo nessa criança
contemplada. Eu abandono estes jardins
ferozes, o génio
que soprou nos estúdios cavados. É a cólera que me leva
aos precipícios de agosto, e a mansidão
traz-me às janelas. São únicas as colinas como o ar
palpitante fechado num espelho. É a estação dos planetas.
Cada dia é um abismo atómico.

E o leite faz-se tenro durante
os eclipses. Bate em mim cada pancada do pedreiro
que talha no calcário a rosa congenital.
A carne, asfixiam-na os astros profundos nos casulos.
O verão é de azulejo.
É em nós que se encurva o nervo do arco
contra a flecha. Deus ataca-me
na candura. Fica, fria,
esta rede de jardins diante dos incêndios. E uma criança
dá a volta à noite, acesa completamente
pelas mãos.

terça-feira, 24 de março de 2015

Ce n'est pas le Père Noël


Chui Sai On foi ontem é AL apresentar as Linhas de Acção Governativa (LAG) para...bem, este ano em curso, e assim vamos fingir que ainda estamos em 2014, mas só um bocadinho. As LAG são normalmente apresentadas entre meados de Novembro e início de Dezembro de cada ano, mas as últimas ficaram adiadas por motivos de reversão de uma situação que poderia ter culminado com a queda do regime, e por isso...ah, não, desculpem. Onde é que deixei a minha cópia do manual "Tudo o que precisa saber sobre Macau, e tudo mais que lhe disserem é falso"? Ah, está aqui, e agora é só abrir no capítulo "A população apoia (inserir directiva do Executivo)" e...pois. Olha pois foi, eu é que me tinha esquecido, tão ocupado que estive a amaldiçoar os ingratos que nos colocavam em situação de "extrema oposição" aos nossos amados chefinhos. Sim, aqui está...uhh...foi derivado do facto das eleições para o IV Executivo terem sido super-renhidas, com tantos candidatos que só para ler os nomes era preciso um dia inteiro, e após múltiplas recontagens foi reeleito o anterior, que entretanto teve dificuldades em nomear os novos secretários, tantas eram as opções, e tanta qualidade que tinham as centenas de candidatos dispostos a dar o seu melhor para o bem da população da RAEM. Amen.

Bem, agora vou reduzir o nível de sarcasmo um bocadinho (só mesmo um bocadinho pequenino), e não analisar o que não tem análise possível. Ontem cheguei a casa com uma "mona" tão grande que fui dormir da sitcom da 8:30, perdão, do Telejornal, e só acordei hoje de manhãzinha. Perdi assim o anúncio das tão aguardadas medidas que o nosso CE apresentara essa tarde para resolver os problemas com que a população de Macau se confronta diariamente. Mas isto é só para os mais distraídos, ou para quem tem um sexto sentido, como eu tenho. Há pescadores que antecipam os temporais graças a um dedo do pé que lhes começa a doer quando a borrasca ainda vem longe, e comigo dá-me uma sonolência em jeito de desmaio quando vem aí mais um "barrete". Neste caso foi o meu organismo que activou o mecanismo de "power save", e quem sabe se assim até dormi melhor e tudo As reacções que vi hoje - poucas, pois a malta já se habituou a tanto "nada" - variavam entre o encolher de ombros e um sorriso fatalista, o mesmo que Che fez quando estava prestes a ser aniquilado às mãos dos agentes da CIA, que até garantem que QUASE lhe tiraram um fotografia dele sorridente, antes de o encherem de chumbo. Aqui não se é aniquilado, mas também não se promete que um dia isso não aconteça, em suma, aqui ninguém promete nada, ninguém viu nada, ninguém sabe de nada. Anunciar o quê para este ano, então? E que tal "nada". Ah, estava a ver que já se tinham fartado de "nada", que é algo que habitualmente deixa qualquer um em bicos de pés em termos de expectativas.

Dos "profissionais", gostei do editorial de Carlos Morais José, que mesmo dizendo todos os anos o mesmo sobre o mesmo nada, pelo menos dá-se trabalho de escrever uma coisa diferente - não sei se o mesmo se pode dizer sobre as LAG. Mas eu sou suspeito, como fã assumido do CMJ, mas se há alguém que não gostou ou que discorda, sempre dá para dizer em sua defesa que "cita os clássicos", ou ainda que "recorre a estrangeirismos pertinentes", que ainda por cima demonstram que se trata aqui de uma pessoa culta, bem lida. Não menos atrás ficou a opinião de José Rocha Dinis, outra "velha raposa" destas andanças a quem desde já um abraço, mas considero o primeiro parágrafo o "magnum opus" da totalidade do artigo - uns fecham com chave d'ouro, JRD prefere abrir com chave d'ouro. No tom apaziguador que lhe é habitual, o director-executivo do JTM considera que ao não abordar o problema da habitação, ou do acesso à mesma pela população média, "perdeu-se uma grande oportunidade", ao que o autor do artigo acrescenta que ele próprio "lamenta". Fiquei em choque, tal foi a forma como este raciocínio me arrebatou, assim, sem avisar nem nada. Este "lamento" de JRD é o equivalente a uma pessoa que ferva em muito menos água começa a partir os móveis e as jarras de casa e enforcar o caniche pela trela. Não estou aqui a sugerir que existe alguma permissividade desonesta da parte de JRD, nada disso, pois como referi ele é o tipo de pessoa que gosta de ver tudo a correr bem, averso ao conflito, e claro que muitas vezes também tem a razão do seu lado, pois nem sempre as críticas são justas, e existe aproveitamento a que convém ficarmos alerta para não comprar a "banha da cobra" que alguns nos querem impingir. Por outro lado, foi como ele próprio diz, que deixando de fora a questão de habitação não há de novo a registar. A questão que depois desenvolve é simplesmente "peanuts", e porquê? O meu caro tem toda a razão quando afirma que o problema da habitação é "transversal" a toda a sociedade, enquanto o futuro das câmaras e etc. não são propriamente do interesse geral, e toca aos funcionários (bastantes, de facto) do IACM, e pouco mais.

Não me vou agora armar em espertalhão e dizer que "já sabia" que nada ia sair do anúncio das LAG, porque esse era um sentimento generalizado, e com excepção de quem tem como função (ingrata) comentar a actualidade política local, não detectei entusiasmo nenhum, de todo. Ontem cheguei a casa e liguei o televisor para ver se apanhava algum "soundbite" de interesse, mas a certa altura oiço através da voz da tradutora o nosso CE a
dizer qualquer coisa como "eu sei que vocês esperam que eu venha para aqui anunciar muitas novidades". Sim, e nem o senhor de La Palisse diria melhor, mas já que "sabe", porque é que insiste em defraudar as expectativas? Em seu abono pode sempre dizer que não é o Pai Natal, apesar da ampla moldura que ostenta, bem como o ar bonacheirão. Tem ainda a seu favor estarmos em Março, aquele período em que ninguém pensa no Natal seguinte, e do que passou há 3 meses ninguém se lembra, e os miúdos já deixaram de brincar com as bugigangas que lhes ofereceram nesse dia. O que dá a entender é que Chui Sai On traz consigo um saco enorme e recheado de brinquedos, e nem era necessário ser um "mãos-abertas" para deixar os pequenotes felizes, só que teima em dar-lhe apenas um porta-chaves ou um chupa-chupa, e se por acaso tiver uma avó à mão para deitar as culpas, um par de meias. E no papel de S. Nicolau da Coca-Cola o nosso CE até se daria bem, fosse ele a decidir, realmente. Tenho a certeza que por Chui Sai On toda a gente tinha um "duplex" onde morar e médicos à chapada no hospital para ver quem atende primeiro os pacientes, que não iam demorar nem dois minutos a ser atentidos com deferência e qualidade. O problema é que não dá; pode ser que a habitação esteja a dar uma enorme dor de cabeça a quem (não) tem perspectivas de adquirir moradia própria, mas está a render lucros astronómicos a uns poucos que valem por todos e ainda dão troco.

A mentalidade é vincadamente mercantilista; imaginem que tinham o plantel completo do Coimbrões, Santa Eulália e Vianense, mais de 60 pessoas, à vontade, a refilar à vossa porta a pedir batatinhas, e quando estavam prestes a ceder, eis que chega o Cristiano Ronaldo, cujo passe vale mais do que aqueles três plantéis juntos, e dizia-vos para deixarem os rafeiros a ladrar à vontade. É uma analogia parva, não é? Mas não existindo aqui uma temática que requeira um elevado nível intelectual, é mais de adequada para ilustrar a situação. E não ponham a culpa em Chui Sai On, que não foi ele que trouxe para cá os comilões para depois ficar-nos a aturar enquanto lhe pedimos satisfações, e que resolva problemas que pensou irem sendo resolvidos com os tais porta-chaves e chupa-chupas, quando já nem um triplo "bypass" salva o coração desta terra. Mas isto foi, como dizem os mais pragmáticos, cumprir o que está disposto na Lei Básica: as LAG. Daquilo que realmente interessa, é a ida a Pequim que vai ter peso no futuro da RAEM e do próprio Chui Sai On, que levou consigo um relatório sobre a capacidade de Macau em receber mais turistas. Deve ser um relatório bastante sucinto, e aposto que estará lá escrito qualquer coisa como "Sim. Mais turistas. Por favor?". Ah e lembram-se daquele recado que pediram ao Chefe para transmitir lá em Pequim, de como consideram essencial que os jovens de Macau tenham aulas de Educação Patriótica, e de como as vossas criancinhas se lamentam constantemente de não saber de cor a letra de "O Oriente é vermelho", e assim não podem amar a Pátria em condições? Não se lembram?!?! Ai, essa memória, deve ser das saudades dos turistas. Mas não sejam tão egoístas, e levem uma "bala" pelo resto do pelotão. O que faz falta não são os turistas que andam por aí aos safanões com o povo na rua. Esses jogam no Santa Eulália ou no Coimbrões. A missão é trazer de volta o Cristiano Ronaldo, ou seja, os turi$ta$, que são poucos mas bons. Diria que para o ano há mais, mas todos sabemos que vai haver outra vez do mesmo. Ficamos a fazer figas para que o mesmo que vai haver seja pelo menos o mesmo que hoje temos.

Pfff..."vintage". E novidades, não há?


O Correio da Manhã e restante imprensa que se dedica a estes temas sobre quem anda a enfiar o burro em quem fez manchete com uma suposta relação homossexual entre Tom Cruise e John Travolta, e que alegadamente teve início "há mais de 30 anos". Isto equivale por dizer que o sabor do gelado do Tom Cruise é "cu do Travolta", e vice-versa. Ou uma das coisas, sei lá, isso é problema deles - se para eles é mesmo um problema, e pelos vistos não é. Epá vamos ser realistas: estes tipos em Hollywood e quejandos papam-se todos uns aos outros por "cortesia". É como uma "black tie night" num clube nocturno privado, só que aqui não bem uma "tie", nem o clube é assim tão privado quanto isso, se estão a ver onde eu quero chegar. Quanto ao Travolta nunca me deu para pensar muito no assunto, tal é o sentimento de indiferença que o personagem me provoca, mas o Tom Cruise - e meninas, se estão a ler isto sabem que é verdade - nunca me enganou, e a minha asserção sobre a rabechice do gajo foi sempre interpretado pelas fãs como sendo "inveja". Isto dito agora à distância dos anos 80 parece uma piada, mas garanto-vos que naquele tempo o Tom Cruise era considerado "o gajo mais bom" do planeta. Inveja devia ter o Carlos Cruz, com a quantidade de pré-púberes que declaravam a "pontinha" (ponta, só que mais pequenina e sem pelinhos) que tinham pelo Tom Cruise ostentando a tromba do palerma nos cadernos da escola primária. Mas aqui ao "je" o gajo nunca me enganou. Nope. Nem vale a pena com piadolas parvas sugerindo que o tipo me "atacou", pois tendo sempre vivido ora no Montijo, ora em Macau, ambos lugares por onde este "rabus maximus" nunca atracou de ré, nem fazia qualquer sentido. Basta observar a pinta do "mangas", sempre todo cheio de si mesmo, e tal, com a mania que é o maior. E é por isso que prefere a companhia de matulões, que lhe dão luta e apreciam o sumo como deve ser, do que as dóceis donzelas que enquanto "lá vai alho" só estão a pensar que quando acabar, vão a correr contar às amigas: "Ai sabes com quem é que eu estive? Com o Tom Cruise, e o gajo é boooom". Uma boa resposta seria esta: "Ai sim? E ao que é que sabe o cú do Travolta, sua badalhoca oferecida?".

Deleitoso delate (um bife bem passado)


Esta é parte de uma conversa no Facebook, que assumo se ter passado no Sábado ou Domingo à noite, e que uma leitora teve a gentileza de partilhar. Por não me ter consultado com ela antes de fazer este artigo optei por não revelar a sua identidade nem dos restantes participantes neste aceso debate, mas isso é o que menos importa, e perder-se em questões deste tipo só pode ser entendido como manobra de diversão para fugir do essencial. E o que é aquilo que defino aqui por "essencial"? Bem, sou o tipo de pessoa que admira a honestidade a toda a prova, e tenho respeito por quem chama os bois pelos nomes ou defende com argumentos sólidos as suas convicções, mesmo que não partilhe delas. Quando a "honestidade" se transforma em despeito e argumentação começa a resvalar para a arrogância e o pedantismo, aí é que não dá para ficar calado perante a passagem do corso da patetice no Carnaval da pouca-vergonha. Se quiserem chamar-me de "polícia dos bons costumes" ou acusarem-me de "dar uma opinião que ninguém pediu" e de "prosseguir uma senda destrutiva" (essa fica para os anais de...tudo!), são livres de o fazer, e só me resta assumir que aprovam o dislate e a verborreia aqui exibidos - diria até que pactuam, ou que se reservam ao direito de poder fazer o mesmo (ou pior) com a despreocupação natural do "tassekagandismo" vigente em Macau, mas nesse caso, e se quiserem mesmo a minha atenção, primem pela bacoquice do mais fino recorte, como no caso deste nosso amigo que vou passar a apresentar.

Simon Gascoigne, cuja existência desconhecia por completo até visualizar este registo, é aparentemente um cidadão de origem britânica a residir em Macau. Depois deste "temperada" troca de argumentos, o indivíduo em questão, talvez ciente da fabulosa imagem que transmitiu durante o debate, accionou a privacidade da sua conta do Facebook, e ainda deixou uma mensagem simpática (e hipócrita) que dá a entender que esta é uma prática que adoptou desde sempre, mas é a mentira, pois quando li esta entrada ontem à tarde era possível aceder à maior parte do conteúdo da sua conta, e de noite já não era possível ver porra nenhuma - até a fotografia de perfil o fulano alterou. Deve ter sido uma reacção às inúmeras mensagens de felicitações que recebeu nesse dia, elogiando-o pela sua capacidade argumentativa única, pela retórica ímpar, e tudo isto afirmo com a maior das sinceridades: quando digo "única" e "ímpar", é com a convicção de que dificilmente alguém conseguirá igualar o nível de idiotice deste senhor. Escondeu-se, coitado, mas tal como o diabo, neste caso um "pobre diabo", pode-se esconder, mas deixa sempre a cauda de fora (salvo seja, que não quero saber da cauda do gajo para nada), e podem ver aqui no LinkedIn o perfil completo do camarada, com a fotografia da respectiva cara de parvo e tudo. É um truque baixo, eu sei, mas "delate" rima com "chocolate", e eu ADORO chocolate. Como é que devo dizer em inglês...ah sim, "take that, and call it lunch" (toma lá que já almoçaste).


Aparentemente a conversa teve origem numa discussão sobre os preços da habitação em Macau, e onde o Simon fazia uma dissertação em forma de, hmmm...como explicar melhor para que ele também entenda? Ah pois, "he was burping slices of haddock" (ele arrotava postas de pescada), e se há alguma coisa que toda a gente aprendeu com esta história dos preços da aquisição de imóveis, e das rendas e do "thunder that will shatter them" (o raio que os parta), foi que neste ramo é impossível fazer futurologia - fosse isso uma possibilidade, e "toda a gente" tinha comprado duas ou três lojas em 2003 e hoje vivia dos rendimentos, bastando para isso que "toda a gente" arrendasse o espaço que "toda a gente" tinha inflacionado para lá dos limites do razoável. Por alturas do Ano Novo Lunar houve um charlatão adivinho, daqueles que a imprensa tem a mania de costuma consultar todos os anos que previu a "queda das rendas".. Ora essa, isso é mais que uma esperança: é um desejo, e daqueles de bom gosto. Vide.


Como se pode ver, a renda já começou a descair, e qualquer cavalheiro que se preze fica na expectativa para que a "bolha" rebente e se dê a falência total do mercado imobiliário. Mas aqui o Simãozinho, "little Simon", exibe não só aquela típica arrogância tão própria dos bifes, com aquela patética tentativa de dar um tom paternalista tratando toda por "my dear", ou "darling" (até os homens tratam assim, os rabetas), como comete o ultraje de dizer que Macau é "uma cidade do terceiro mundo". E é aqui que "the she-pig twists its tale", a porca torce o rabo, pois se existe um requisito "sine qua non" para se falar mal de Macau é amar-se Macau. Quem é que dá o trabalho de desdenhar o que não quer comprar? Isso é só despejar verbatim em orelhas moucas , e ainda se leva com um "what you want I know pretty well" (o que tu queres sei eu muito bem) que até se fica de "mouth on the band" (de boca à banda). O Simon não só deixa bem claro que Macau para ele é "bollocks" (sem tradução) como ainda, e perante a indignação dos restantes comentadores da "thread" em causa, elabora sobre aquilo que ele acha mal, que não pode ser, e "re-woof, woof, sparrows to the nest" - rebéubéu pardais ao ninho. E depois vai por ali fora, "one blackbird at every shot" (cada tiro, cada melro), convencido que era "the king of the black coconut candy" (rei da cocada preta). Então foi assim, a modos que...


A partir deste ponto, gostava de referir que não tenho a certeza quando à ordem de entrada destas "pérolas" da autoria do bifónio, mas tanto faz, que na hora de se puxar o autoclismo não importa qual a póia que vai primeiro ou qual a que vai no fim: descem todas na mesma. Aqui o rapaz faz uma divagação a respeito do progresso da Taipa em termos urbanísticos, e tal, "who fucking cares", e depois diz que, e isto é precioso, "em Macau há dinheiro e ferraris ao mesmo tempo que velhotas empurram carrinhos de mão na rua e os velhos ficam à porta das lojas com os pés descalços esticados". Esta imagem que nos remete ao clássico de Mark Twain, "Huckleberry Finn", com a diferença que...uhh...bem, muitas diferenças, mas a maior de todas é o facto do Simon ter imaginado este idílico cenário. Para mim seria ouro sobre azul que os velhos estivessem com os presuntos esticados no fumeiro, em vez de os locomoverem pelas ruas e a esbarrarem comigo quando estou com pressa. Aliás "villagers" era o que fazia cá mais falta, porque de espertalhões como este Simon já temos nós aqui de sobra. "Hear that, oh hunchback?" ('Tás a ouvir, ó marreco?).


Aqui o Simon faz-se de caro, como aquelas pêgas que reclamam ter qualidades como "classe", "elegância" ou outras que para quem procura uma pêga não valem um pintelho. "Ai Macau é uma caca, e tal, mas eu farto-me de ganhar massa" -  a este ponto, e para quem ainda não sabe, o Simon trabalha para uma seguradora. Prossegue ainda com um "se" daqueles muito grandes, enormes: "SE eu tivesse uma proposta de emprego fora daqui a ganhar metade do salário, metia-me no primeiro avião daqui para fora". Três delirantes devaneios deste bife, que deve estar a apurar num molho de vinho branco do mais carrascão depois de ter levado uma sessão de martelada: 1) Não ganhas nenhuma fortuna, e cá para mim a única coisa "huge" que te deve entrar pelas calças não deve ser "money". Quem ganha muito dinheiro EM MACAU não tem por hábito vir ostentar esse facto nas redes sociais, especialmente a desconhecidos. 2) A julgar pela estampa, a única forma de fazeres dinheiro "decente" em Macau seria vendendo os orgãos -  menos o cérebro. 3) A ideia de te meter daqui para fora no primeira avião é tentadora, mas sugiro que se substitua essa parte de "no primeiro avião" para "à biqueirada". "You are no more" - já foste, e tarde.


Reparem aqui  na tentativa desesperada de recolher apoio junto do "eleitorado". Depois de perceber que a maioria dos seguidores da "thread" eram portugueses, dá-lhes uma "esmolinha", dizendo que Portugal "tem cultura", ao que se segue um arraial de insultos desbocados à região onde vive, e aparentemente vai fazendo pela vidinha e ainda se queixa. Sim, é mais dos que fala de boca cheia, pois tenho a certeza que se o Simon pudesse voltar para Statford-Upon-Aven ou Meltig-Baboon-Stools-in-a-Pine-Cone ou outra dessas cidades da velha e desdentada Albion com nomes hilariantes para exibir a massa bruta em todo o seu esplendor, e ainda lhe pagassem para isso, "goodbye, oh you go away" - adeus, ó vai-te embora, que ele já lá estava com as trombas todas besuntadas de quiche e a tresandar a "pub" inglês. Irónico como se refere aos locais como "uneducated" durante esta  dissertação, mais pertinente quanto uma cana de pesca no Saara e tão erudita como um discurso do Dr. Alberto João Jardim após a ingestão involutária de Poncha onde foi deitado um poderoso  alucinogénico, enquanto lamenta que em Macau "só se pense em dinheiro", depois de ele próprio admitir  que é o dinheiro que o faz ficar por cá. "Don't spit on the plate where you  eat, Simon boy" - não cuspas no prato onde comes, apesar de te parecer uma boa ideia. Vê lá se um dia destes também não te vemos por aí a "bater a pala", afirmando de pés juntos que és Macau "desde pequenino".