quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

Direito ou 法律 ?



O Hoje Macau deu conta na sua edição de hoje uma espécie de desaguisado dentro da Associação dos Advogados de Macau (AAM), e tudo porque os advogados de etnia chinesa que dominam a língua chinesa estão contra um protocolo assinado pela entidade que os representa e que está agora a ser revisto, que prevê a vinda de mais profissionais do Direito de Portugal para a RAEM. Mais uma vez em causa está a questão do idioma, que tem sido um dos principais obstáculos...a tudo, portanto, na área jurídica. São problemas atrás de problemas, com a falta de intérpretes-tradutores, que leva a que os processos por vezes se arrastem por demora na tradução, que se redijam sentenças, e mais grave, acusações numa língua que o seu destinário desconhece por completo, e talvez o mais importante, tem servido de pretexto para que alguns responsáveis desta área defendam a gradual integração no sistema jurídico chinês, e aqui é que reside o busílis da questão.

Vejamos, A RAEM é como se sabe uma região autónoma da R.P. China, e que em relação a esta tem duas diferenças fundamentais: são falados dois idiomas oficiais, o português e o chinês, e vigora (supostamente) o segundo sistema, que garante a separação do Estado, neste caso o Governo da RAEM, e dos Tribunais, que são independentes do orgão Executivo - se isto é ou não aplicado em certas circunstâncias é questionável, mas com toda a certeza que os residentes da RAEM dormem mais descansados sabendo que as coisas são postas nestes termos. Quem defende o contrário ou tem uma agenda política (e às vezes é fingido), ou então é um daqueles patriotinhas parvinhos que não sabem do que dizem. Se no caso do idioma o mais falado é de longe o cantonense, e o escrito o chinês (que engloba o cantonense e o Mandarim), não há discussão quanto à língua que se deve dominar caso se queira vir para Macau residir ou investir. Mas nem o tribunal é uma mercearia nem as suas decisões e despachos são as contas da luz ou do telemóvel. Trata-se de uma área muito específica, fecunda em ambiguidade e diversa em interpretações, e uma simples palavra pode alterar por completo todo o sentido de uma ideia, e é aqui que a língua portuguesa ganha.Não é uma vitória da quantidade, e é muito mais que uma questão de qualidade - é algo demasiado sério para se tratar de ânimo leve.

Sendo que a esmagadora maioria da população fala, lê e escreve chinês, o senso comum leva a que devam ter acesso a praticamente todos os documentos oficiais na sua língua materna, e mesmo na área da justiça, e penso que disto ninguém tem dúvidas, é possível obter a maior parte da documentação nessas condições. Contudo é nos ramos do direito cível e de grande parte dos litigiosos que é importante manter-se fiel ao sistema jurídico que vigora em Macau para evitar a corrupção dos seus fundamentos. Reparem como destaquei aqui este "sistema jurídico", que difere de "ordenamento jurídico", sendo este último o princípio "um país, dois sistemas", contudo este princípio não substitui o sistema jurídico que vigorava antes da criação da RAEM, ou seja, durante a administração portuguesa. Isto consta do artº 145º da Lei Básica, que nos diz o seguinte:





E pronto, como vos deixo aí a lei a tudo em boneco, e assim o artigo diz-nos que: “ao estabelecer-se a Região Administrativa Especial de Macau, as leis anteriormente vigentes em Macau são adoptadas como leis da Região, salvo no que seja declarado pelo Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional como contrário a esta Lei. Se alguma lei for posteriormente descoberta como contrária a esta Lei, pode ser alterada ou deixa de vigorar, em conformidade com as disposições desta Lei e com os procedimentos legais”. E assim manteve-se o nosso sistema jurídico de matriz portuguesa, o que vigora em Portugal, o direito de modelo continental (sendo este "continente" a Europa, claro). Curiosamente só aqui no delta do Rio das Pérolas temos três modelos jurídicos diferentes: em Hong Kong o "common law", que vigora também nas ilhas britânicas, e no continente chinês o modelo socialista, que como se sabe não é um dos mais flexíveis, ou sequer abrangentes, pois a sua directiva rege-se no sentido de concentrar todos os poderes no partido único, o P.C. chinês.

Uma vez elaborada a Lei Básica, esta foi aprovada na Primeira Sessão da Oitava Legislatura da Assembleia Popular Nacional da República Popular da China, a 31 de Março de 1993. Com pouco menos de sete anos antes da sua entrada em vigor, e decidido que estava manter o sistema jurídico, foi necessário traduzir resmas de legislação para a língua chinesa: leis, decretos de lei, regulamentos, estatutos, códigos completos, um esforço épico, que não terá ficado completo até alguns anos depois da transferência de soberania. Portugal é um país um enorme passado na Jurisprudência, existindo uma vasta literatura na área do Direito, mas por seu lado a China viveu durante praticamente toda a sua história debaixo de regimes totalitários, portanto nunca existiu a necessidade de produzir legislação abrangente, uma vez que os poderes estavam sempre concentrados, ora primeiro no imperador, depois durante um curto e conturbado tempo, marcado sobretudo pela guerra, esteve com os nacionalistas, e desde 1949 com o Partido Comunista.

Posto isto, só para que se entendam as diferenças entre uma e outra realidade, o Código Civil da R.P. China contém 225 artigos, enquanto o Código Civil de Macau, praticamente o mesmo que os portugueses deixaram há 15 anos, tem 2161 artigos - cinco vezes mais. Portanto nem é preciso ser um entendido na matéria para se perceber que existem figuras jurídicas na legislação de Macau que não existem e em alguns casos nunca existiram no continente. Assim com a necessidade de traduzir toda a legislação, certos conceitos muito próprios da linguagem jurídica foram traduzidos do Português para o chinês não de uma forma concisa e directa, mas através de uma "explicação", ou seja, uma ideia que transmita o que significa aquele conceito, e não conceito propriamente. Já vou ilustrar com alguns exemplos, mas primeiro vou adiantando que esta especificidade da legislação de Macau torna complicado "dispensar" o corpo jurídico português, pois no texto original da lei, elaborada no seu idioma, o que é, é, aplica-se e não se explica. Vamos lá então tentar entender isto um bocadinho melhor.

Em chinês, por exemplo, não se faz bem a distinção entre "penhora" e "apreensão", que se traduz apenas para "cha fong"(查封), que pode também sentido de "deter", ou "capturar" - penso que não é preciso explicar a diferença entre uma penhora e uma apreensão, que apesar de se incluirem na mesma família das execuções, a primeira será necessariamente judicial, a outra nem por isso. Outro caso, o da hipoteca. Quando nós lemos "hipoteca" vem-nos à ideia uma situação específica, ou seja, um empréstimo ou outra vantagem traduzida em numerário normalmente concedida por um banco ou instituição de crédito perfeitamente reconhecida e que como figura jurídica está claramente legislada e obedece a um conjunto de regras específico, e na esmagadora maioria das vezes o bem hipoteca é um imóvel, ou em alguns casos um automóvel. No entanto para chinês temos "on kit" (按揭) e "da yat" (抵押) que são dois conceitos antigos relacionados com penhores ou garantias menos específicas que a "hipoteca" na versão portuguesa possa sugerir. Mas isto são apenas preciosismos.

Mas olhemos por exemplo para o arresto, que apesar das semelhanças em termos práticos com a penhora, é um pouco menos agressivo - é um embargo, por assim dizer. A tradução para chinês ficou "ka kau hak" (假扣押) e tem piada, e porquê? Este "ka" (假), sozinho, significa "falso", enquanto "kau hak" (扣押) é outra forma de apreensão, ou seja, o arresto é uma "apreensão falsa". Se isto já é estranho vamos continuar a explorar o potencial destes caracteres; o "kau" (扣) isolado significa fivela, como que a prender alguma coisa, e "hak" (押) é cobrar. Então a conclusão que podemos tirar da linguagem jurídica destas duas normas é a seguinte: a palavra "arresto" serve para nos transmitir a finalidade dessa figura jurídica - "vamos arrestar os bens de fulano", diz-se. Na língua chinesa temos literalmente "vamos fingir que o fechamos com uma fivela para o poder cobrar". Agora antes que me digam que "não é bem assim", e que os três caracteres usados em conjunto têm o sentido de "arresto", e eu digo-vos também que para produzir uma palavra que designa um conceito jurídico imune a quaisquer segundas interpretações requer séculos de prática do Direito, senão em vez de "arrestar" bastava dizer "fingir que lhe metemos uma fivela até que ele pague". Entendido? 你明白?

O arrolamento, a figura que representa o levantamento e lista de pessoas e bens foi também uma tradução que "se viu chinesa" para aqui chegar. Arrolamento é "choi chan cheng tan" (財產清單), que literalmente e com tudo no sítio significa "lista de propriedades". Portanto este "choi" (財) tem o sentido de "fiscal", sujeito a taxação, e juntamente com "chan" (產), que é "bem", ou "acessibilidade", temos "choi chan" (財產), ou seja, "propriedade ou imóvel". Já quanto à segunda parte do caracter, essa requer um pouco de maldade "sínica". "Cheng tan" (清單), assim juntinho, é simplesmente "lista", mas como tudo tem uma explicação, e neste os meus parcos conhecimentos de chinês só me chegam para deduzir, vou arriscar. Este "cheng" (清) poderá adquirir vários sentidos, conforme o caracter que se seguir. Neste caso julgo tem o sentido de "descriminar", "quantificar" quantas unidades, e "tan" (單) significa exactamente "unidade(s)". Tudo bem, é desonesto da minha parte e os falantes de língua materna não entenderiam muito bem esta minha exposição, mas vamos lá ver, o que é preciso para representar em português o facto jurídico acima exposto? Uma palavra: arrolamento. E em chinês? Isto: "quantificar as unidades de bens sujeitos a taxação". Boa!

Agora antes de passarmos ao prato principal vamos forrar o estômago com uma "sopinha" de exemplos de traduções que não sendo tão curtas quanto isso, transmitem melhor e mais objectivamente a ideia que se quer fazer passar. Uma concessão por exemplo: "bai tei" (批地), significando a primeira "lote", e a outra "terreno" - um lote de terreno, portanto. Indo mais longe, ou por um prazo mais longo, temos "cheong" (長) que significa "longo" e se calhar já este "garfinho sentado" em alguma etiqueta de roupa, "kei"(期) que é simplesmente prazo, "chou" (租) que significa aluguer, e se a este último juntarmos "che" (借) particula que significa "por, pelo, para", ficamos com "arrendamento" ou "chou che" (租借), e tudo junto: "cheong kei chou che pai tei" (長期租借批地), literalmente "aluguer a longo prazo de um terreno", ou simplesmente "concessão por arrendamento"! Agora se tirarmos o "tempo" (期) e ficarmos só com o longo (長), o aluguer (租) e a tal partícula "por" (借), ficamos com (長租借), ou "cheong chou che", que é o regime da enfiteuse! It's magic! Outro "prato rápido", a simples posse, ou também "mera posse": é só ter um "tan" (單), que como já vimos lá em cima significa "unidade", juntar-lhe um "son" (純), que quer dizer "pura" ou "simples", e finalmente um "tsim" (佔) que sozinho quer dizer "assumir", e assumir o quê? "Yao" (有)? Que tem? Então é seu, parabéns! Pois assumiu que tem uma simples unidade! É a "mera posse"! Sortudo...

Agora falemos de um exemplo verdadeiramente alucinante: a insolvência e a falência. Coisas tristes é verdade, e ditas apenas numa palavra com o mesmo significado mas com objecto diferente - diz-se que fulano é "insolvente", ou seja, gasta mais dinheiro do que aquele que aufere, e que tal empresa está "falida", portanto não tem liquidez para continuar a operar. Em chinês isto não é assim tão simples, e faz-se mesmo questão de distinguir muito bem o inanimado do humano. Portanto "insolvente" é "mou seong wan lan lek" (無償還能力), que se desmonta desta forma: "mou" (無) é uma partícula de negação, e "seong" (償) quer dizer "reembolso", no sentido de "pagamento de dívida". Agora isto complica-se um pouco e tem a sua piada: estes dois caracteres juntos, "mou seong" (無償) significam "grátis", "oferta", o que é bestial. Só que juntando "wan" (還) que é "também" ficamos com "mou seong wan" (無償還), literalmente "insolvente". Grátis...pudera,não tem onde cair morto, o tipo! Finalmente juntamos "lan" (能), que é "pode" do verbo poder e "lek" (力), "força", e dá "lan lek" (能力), ou habilidade. Portanto o insolvente é alguém não só é "grátis", ou seja, está teso, como não tem "habilidade" para sair dessa situação. Um mau partido para a filha de um pai que se preze, digo eu. No caso de ser uma empresa "falida" diz-se "pou chan cheng choi" (破產程序), e aqui a táctica é a do 1+3, ou seja, os caracteres isolados vão fazendo pouco sentido até se "colarem" os sentidos do primeiro com os outros três. Portanto "pou" (破), significa "quebrado" ou "partido"? Bom, para já o "chan" (產), ou seja, a "produção", mau sinal, e depois a juntar-se o "cheng choi" (程序) que juntos ou separados transmitem a mesma ideia de "lógica", "sequência" ou "série", dá para finalmente juntar as peças todas do puzzle e afirmar com seguerança que o ideógrafo chinês para "falência" é "quebrada a série e a sequência da produção". Não podiam ter apenas um caracter para isto?

Uma das medidas que tornam o nosso sistema jurídico não perfeito (nada que possa ser subjectivo o é) mas relativamente seguro - pelo menos em comparação com o da R.P. China - é a possibilidade de requerer medidas de segurança, e uma dessas é a "Providência Cautelar". Não existindo algo semelhante em chinês, improvisou-se este "pou chun chu si" (保全措施), quatro caracteres que significam respectivamente "protecção", "completa", "medida" e "imposta", ou seja, "uma medida de protecção completa imposta", neste caso por uma entidade judicial, claro, e faz todo o sentido. Mas e se a tal medida for "não especificada"? Ou seja, uma Providência Cautelar não Especificada? Este "não especificada" é composto por "fei chi teng" (非指定), sendo o primeiro uma partícula negativa, o segundo tem o significado de "directo", o terceiro "dado" - "dado directamente" ou "especificado", juntando-se a partícula "zi" (之) dá-nos "fei chi teng zi pou chun chu si" (非指定之保全措施), ou literalmente "não directamente específica medida completa de protecção imposta". Uh? E que tal antes "Providência Cautelar não Especificada"? Pensem como apenas uma palavra fora do lugar, ou mesmo um acento pode fazer toda a diferença. Perante este cenário, o melhor mesmo é ter alguma paciência, meus amigos sínicos e causídicos.

E não é apenas esse o problema, pois interpretar leis, identificar lacunas ou descobrir áreas não requer inteligência sobre-humana ou visão raio-X, mas é preciso ter pelo menos alguma visão, alguns horizontes. Da mesma forma que não é correcto que um juíz solteiro julgue um caso de divórcio litigioso, ou uma juíza que ainda não foi mãe vá decidir sobre a custódia do poder paternal de um menor, também os nossos advogados deveriam viajar mais um pouco, descobrir sítios, pois aqueles que aqui nasceram, sempre viveram e que depois de uma instituição superior de ensino local sairam, têm umas vistas muito curtinhas ainda, e vão depois misturar o "grátis" com o "insolvente". Os da China continental conseguem ser ainda piores, em alguns casos, pois têm aquela maldita mania de que aqui é a República Popular, devia ser assim e pronto, mais nada. Pode ser que eles leiam este texto do segundo ao quarto parágrafo e depois procurem saber mais. Se eu der umas pistas já sinto que fiz uma boa acção. Quanto aos restantes, os que se preocupam mais com coisas pequenas como o idioma dos operadores do Direito em vez de por o Direito a operar em condições, guardem os "patriotismos" para outra coisa, que estragando esta depois quem fica com as calças na mão somos todos nós. Olha, vão ali até às ilhas Diaoyu apanhar um bocadinho de ar, valeu?


Venus e o silêncio



Deitado do teu lado, os dois em silêncio só olhando um e o outro, tentando ler os gestos, quem chegaria lá primeiro? As horas passavam, só isso, passavam, e tu do meu lado e eu junto de ti, gozámos aquele silêncio de um fim de tarde em Setembro, tudo havia sido dito por agora, restava-nos só o refugio, um lugar para deitar a perder mais um dia, tão igual a tantos para outros, para todo o mundo, menos para nós.

Passageiros do expresso do jamais, apeados que fomos tantas vezes na estação do desgosto, de mão dada iremos juntos agora até ao fim da linha, em silêncio. Sim eu sei, sinto a fera ferida em ti, quando te passo a mão no rosto e te afastas, quando te abraço mais firme pareces querer fugir.

Eu sei, eu sei hoje não, também; manda o silêncio. Nem nunca - é lá contigo. Se não me quiseres dizer não digas, traduzo como mais um doce silêncio teu, e só me resta ver-te feliz, pelo menos tentar, e ja não falta assim tanto para chegarmos juntos ao fim da linha.


Porto em cheio, Sporting curto



O FC Porto goleou esta noite no Dragão os bielorrussos do BATE Borisov por seis golos sem resposta na jornada inaugural do Grupo H da Liga dos Campeões. Os portistas eram favoritos, mas não estariam à espera de tantas facilidades da parte de uma equipa que tem sido presença regular na prova máxima do futebol europeu. O argelino Yacini Brahimi esteve em destaque ao marcar um "hat-trick", com golos aos 5, 32 e 57 minutos, com o colombiano Jackson Martínez a marcar pelo meio, aos 37. Tudo fácil para a equipa de Lopetegui, que marcaria mais duas vezes por Adrian aos 61, e pelo camaronês Aboubakar aos 76, depois de ter entrado para o lugar de Jackson. Entrada em grande do Porto, que lidera isolado o grupo, em virtude do empate sem golos entre Athletic Bilbao e Shaktar Donetsk no País Basco.



Menos sorte para o Sporting, que suou para marcar perto do fim na Eslovénia frente ao Maribor, mas deixou-se empatar no último minuto. Nani, em crescente de forma, marcou aos 80 minutos, e nos descontos Luca Zahovic empatou nos descontos para a equipa eslovena - e o nome não engana, pois este Zahovic é filho de Zlatko Zahovic, antigo jogador do FC Porto e do Benfica. O Sporting perdeu uma boa oportunidade para se isolar na frente do Grupo G, pois o Chelsea não foi além de um empate em casa frente ao Schalke 04. Cesc Fabregas marcou para os ingleses logo aos 11 minutos, mas o holandês Huntelaar empatava aos 62 para os alemães.



No Grupo E jogo grande, e grande azar para o Manchester City, que resistiu até ao último minuto na AlianzArena frente ao Bayern, altura em que Jerome Boateng marcou o golo que deu os três pontos aos alemães. Mais colorido foi o marcador no Olímpico de Roma, onde a equipa da casa goleou os russos do CSKA de Moscovo por 5-1. O marfinense Gervinho marcou dois, acompanhado dos sul-americanos Juan Iturbe e Maicon, e ainda uma ajuda do defesa Ignasevich, que marcou na própria baliza, enquanto o nigeriano Ahmed Musa marcou o ponto de honra dos visitantes.



Finalmente no Grupo F o Barcelona recebeu o APOEL do Chipre, e ficou provado que as equipas cipriotas já não são pêra doce. Um golo de Gerard Piqué foi quanto bastou para os catalães levarem os três pontos, isolando-se já na liderança. Isto porque em Amesterdão houve empate a um golo entre Ajax e Paris SG; Edison Cavani marcou para os campeões franceses aos 14, e o internacional dinamarquês Lasse Schöne empatava aos 74.




quarta-feira, 17 de Setembro de 2014

Hin, Hon!....Wai



Meus amigos, deixem-me apresentar-vos Hon Wai, Chefe do Departamento de Prevenção e Tratamento da Toxicodependência, uma sub-unidade do Instituto de Acção Social (IAS), criado no âmbito do combate a esse flagelo que é a droga. Hon Wai é um privilegiado. Porquê? Porque deve ser o único Chefe de Departamento da RAEM que vem todos os anos apresentar resultados desastrosos - ostentando um sorriso nos lábios - e consegue manter o emprego. Mas isto ainda se entende, estamos aqui a falar de droga, algo que ele é impotente de deter sozinho, mas o pior é o resto. Primeiro vamos situar o departamento de Hon Wai no organigrama do combate ao consumo de estupefacientes.



Pronto, e ali está ele, o Departamento de Prevenção e Tratamento da Toxicodependência, mesmo por baixo do IAS, e verificamos nesta teia de "drugbusters" locais que se encontra sobre a tutela do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Cheong Ü, que é por sua vez o responsável máximo da Comissão de Luta Contra a Droga, um organismo independente composto por uma espécie de "selecção" dos melhores ao serviço de uma guerra, que, e penso que eles não ficam tristes que eu diga isto porque estão fartos de saber que é verdade, estão a perder. Mas não vamos perder nós mais tempo e voltemos ao Departamento de Prevenção e Tratamento da Toxicodependência, nomeadamente no que toca às suas atribuições.



Ora aí está, cabe a este departamento planear e executar acções de prevenção, tratamento reabilitação, etc., etc., mas esperem lá, o que é aquilo, "acções de educação sobre a prevenção do abuso da 'dorga'"??? Está explicado - andam entretidos a educar sobre e 'dorga' e esquecem-se por completo de esclarecer a população sobre os efeitos da DROGA. Aliás, educar não sei se educam, mas pelo menos "informam", e vamos ver como.



Assim, por exemplo. Depois de "investigação e estudos" chegou-se à identificação dos efeitos das várias drogas mais usadas em Macau, divididas pela sua classe, ou tipologia. Assim temos os "Analgésicos e Narcóticos", que incluem a heroína, a morfina e o ópio (?). Aprendemos que provocam a dependência, o que é mau, e ainda a sonolência, que não sendo sempre algo de positivo, sempre ajuda enquanto se "ressaca". E no que consiste a "ressaca", nome vulgar daquilo que designam ali ao lado por "síndrome de abstinência"? Coisas horríveis, meus amigos, eu nem vos conto. Lacrimejamento, "pingos no nariz", bocejos, a loja dos horrores, e dá logo vontade de não tocar naquelas porcarias, Deus me livre. Mas não é tudo: também há sudação, e...cãibra? É você!
Antes de passar ao quadro em baixo, reparem na legenda no canto superior esquerdo, que nos indica que as substâncias assinaladas com um asterisco vermelho "não têm efeitos terapêuticos". Portanto da lista dos estimulantes, quer o MDMA, vulgo "ecstasy", como as metanfetaminas, vulgo "ice", ou ainda a cocaína, vulgo "pó", têm efeitos terapêuticos! Sim, quanto a esta última, temos um exemplo, o argentino Diego Maradona, que foi só o melhor jogador do mundo, e consumia este terapêutico produto. Em qualquer dos casos prefiro evitar, por causa da "exaustação", pois se a exaustão já é o que é...



Agora falando mais a sério. Claro que aquilo que os esforçados senhores queriam dizer com "não tem efeitos terapêuticos" significa que as drogas assinaladas com asterisco existem numa variante terapêutica. Ainda bem, pois como vemos aqui neste quadro, a "cannabis" é utilizada para fins terapêuticos, para doentes oncológicos e todos sabemos disto, e depois há ainda a questão da legalização, da despenalização do consumo, e disso com toda a certeza não vamos ter aqui tão cedo, como vão ver mais à frente. Mesmo assim, olha, os senhores da prevenção disseram para vocês ficarem longe da erva, pois além de apanharem uma "pedra", ficarem com olhos vermelhos, tosse e pele seca, no momento em que começarem a rir feitos estúpidos pode ser que apareça a "bófia" e estrague a festa. Mas este quadro é para meninos de coro. Vamos ao seguinte.




Olhem só para isto, como é que dá para tratar o assunto de forma séria? Portanto a ketamina, substância inicialmente utilizada pelos veterinários para anestesiar cães e gatos, e pelos tratadores de cavalos de corrida para aliviar as dores musculares dos equídeos começou a ser usado pelas bestas humanas para a brincadeira e adquiriu estatuto de droga ilegal. Um dos seus sintomas é a chamada "voz arrastada", que aqui se designa por "difícil comunicação oral". Depois de ter acabado de olhar para este quadro, o que me dá vontade de perguntar é o seguinte: qual é a droga que V. Exas. andaram a tomar que provoca tamanha "difícil comunicação escrita"? E reparem na descrição de alguns daqueles sintomas; "depressão respiratória", "depressão dos reflexos", "prejuízo nos pulmões", e mais em baixo "na percepção" e "no cérebro" (é o que dá, nunca estão na loja...), e a mais intimidadora e dirimente consequência de dar no xarope: A PRISÃO DE VENTRE! Sim, é de facto assustador olhar para tudo isto e pensar em não se conseguir ca...deixam lá. Mas imagino que isto resulte, pois quando um puto do xarope oferece uma dose a outro numa daquelas salas de jogos onde os miúdos se metem nestas merdas, e o outro responde: "Não! Prezo a regularidade, em nome da minha flora intestinal. E tu devias fazer o mesmo, que já passaste das feições azul para roxa, e vais a caminho do cinzento". E reparem no potencial desta campanha anti-droga: "Diga não ao Dextromethorpan, combata a obstipação".

Ainda neste quadro, se repararem bem, vemos que estão incluídos o álcool e o tabaco, numa lista de substâncias psicotrópicas onde está incluída a ketamina, por exemplo. Não percebi muito bem aquela última entrada da lista, "solventes orgânicas", pois não estou a par de quanta malta anda por aí a snifar o gás dos isqueiros ou a beber o mercúrio dos termómetros, mas pelo menos esta tarde antes de eu ir para casa o álcool e o tabaco eram substâncias LEGAIS, tanto como marmelada ou a couve-galega. Mas é curioso que incluam estes dois produtos na lista, pois reparem, o alcoolismo e o tabagismo explicam muito do enredo desta trama que é o combate à droga - permitam-me que "refraseie", palavra que inventei mesmo agora para juntar com "exaustação" - a pesca dos joaquinzinhos, pois combate à droga, bem, o que se faz aqui é o mesmo que montar uma instalação feita com milhares de colheres de alumínio com um projector apontado e chamar-lhe "arte", ao mesmo tempo que se afirma estar a combater a fome no mundo. (Porra! Andei este tempo todo a evitar, não aguentei e saíu! Devia ter tomado codeína, bolas...)

Falando portanto do álcool e do tabagismo. Imaginem que fulano gosta de acompanhar as refeições todos os dias com um copo de vinho branco, não mais que 20 cl, digamos, coisa que mal dá para temperar as iscas, e depois do jantar bebe uma pitada de "brandy" que nem chega a lavar o fundo ao balão, e vem fazendo isto todos os dias sem excepção durante os últimos 15 ou 20 anos. Dificilmente se poderá considerar este indivíduo um alcoólico, certo? Só isto já deita por terra a célebre teoria de que as "drogas leves são meio-caminho andado para as drogas duras", pois fosse isso definitivo, ao fim de meia dúzia de anos o nosso amigo passava dos dois copitos de vinho branco e o farrapito de "brandy" a uma destilaria escocesa completa. Mas agora experimentem ilegalizar o álcool, e vão ver se ele pára de beber. Ia dizer: "só se fosse parvo", mas nem assim. O mais provável era que fosse adquirir estes produtos ilegalmente, por dez ou vinte vezes o preço que estava habituado a pagar, com menos qualidade, e ainda arriscando-se a ser preso por querer fazer algo que sempre fez e nunca chateou ninguém com isso.

Agora o tabaco, e para este exemplo peguemos num primo distante de fulano: sicrano. Portanto este sicrano é fumador desde a adolescência, actualmente tem trinta e poucos anos, é (ainda) saudável, mas sabe que se arrisca a "prejuízos nos pulmões", como consta daquela me...maravilhosa lista, e pensa desistir um dia - mas por ora não, apetece-lhe fumar, dá-lhe prazer, e até nem fuma muito, talvez sete ou oito cigarros por dia, dez ou onze ao Sábado e Domingo. Fossem ilegalizar este produto que causa milhões de mortes em todo o mundo, e cada vez que apetecesse a sicrano um cigarro, teria que pagar pela unidade o triplo que pagaria por um maço, e adquiri-lo a um indivíduo suspeito que passou uma fronteira qualquer com um volume de tabaco metido sabe-se lá onde.

E meus senhores, acabei de apresentar não só os argumentos a favor da legalização da "cannabis", como ainda a razão pela qual a maioria das drogas existem, são produzidas e comercializadas ilegalmente: o lucro. O que tem o álcool e o tabaco, as drogas sociais, que as outras não tenham? Viciam, fazem mal à saúde, existe o tabagismo e o alcoolismo, então? Ai "não é a mesma coisa"? Que giro, então quer dizer que um tipo que fuma um pintor hoje está condenado a andar por aí a cheirar mal aos cantos e a chutar na veia daqui a uma semana, e "depois começa no gamanço, para sustentar o vício".  Entretanto o Zé Pingas, o bêbado da aldeia, um descoordenado que já nem diz coisa com coisa e nem sabe o ano nem o planeta onde estamos e muito menos o nome, é "um coitadinho", que "por acaso roubou a mala a uma velhinha, coitado...foi para a bebida". Epá sejam coerentes, faz favor. Drogam-se ou quê? E por falar nisso, quem se droga, afinal? E porquê?



Aqui está um anúncio anti-droga mais ou menos bem feito - deve ser de Hong Kong, pois os que fazem por cá são piores que a própria droga. Bem feito, disse eu, esteticamente, claro, mas será realmente eficaz? As campanhas, e penso que isto não é exclusivo de Macau mas passa-se um pouco por todo o mundo, dizem que as drogas fazem mal, destroem o tecido social, e depois leva-se o tecido à loja e dizem que já não dá para coser, e a esposa chora porque era o enxoval que a avó lhe deixou, epá estão a ver onde eu quero chegar, não é mesmo? Fala-se muito e não se diz nada. Uma das primeiras percepções que os jovens têm droga é que se consome para ficar melhor, para se sentirem melhor. O termo "dissociativo" não tem necessariamente uma conotação negativa. Dissociarmo-nos do que é mau ou do que não gostamos parece convidativo. E como vão convencer os jovens de que a droga "mata" se alguns deles têm lá na rua um carocho qualquer que já dá no pó desde que eles nasceram? Assim vão pensar que lhes estão a mentir, ou a negar-lhes uma coisa boa, por maldade, e nestas coisas os jovens são muito curiosos e espertos.

Quem não pensa assim é Hon Wai, para quem isto é tudo um caso de polícia. Viu a luz durante a participação num seminário sobre a prevenção de droga entre a juventude, organizado pela Associação Promotora da Saúde de Macau, onde, imaginem só, foi relatado o caso de uma jovem de nove anos que consumiu "droga". Hon Wai, depois de enxugar a lágrima que lhe rolava pelo rosto de tão comovido que ficou (ou então estava com o "síndrome da abstinência" de "analgésicos e narcóticos", segundo a tabela lá em cima) anunciou que está na calha uma revisão da lei, e agora segurem-se à cadeira, para tornar obrigatórios testes de despistagem de drogas nas escolas! Mas...mas...ai que me cai a dentadura...ele pode fazer isso? Alguém pode? Não, pois não se pode obrigar ninguém a fazer um teste de despistagem de drogas a não ser que se tenham fortes suspeitas do consumo, mas sabe-se lá o que mais estes gajos vão inventar, e cuidado que para este senhor a culpa do aumento do consumo entre os jovens deve-se ao facto de "consumirem em casa", por oposição a consumirem no meio do Largo do Senado a um Domingo à tarde com sinalizadores e luzes de néon apontadas para eles e vestidos com uma camisola estampada onde se lê: EU ♥ DROGA - acho que só assim é que o gajo apanhava alguém, ou "prevenia o consumo", função que ele insiste em ser pago para fazer e na  qual fracassa miseravelmente.

O que se passa aqui, sr. Hon Wai, é que o problema da droga, por que muitas escolas de pensamento que V. Exa. tenha conhecimento, não obedece a padrões como a idade, a condição social, o ambiente familiar,  a área de residência e todo o resto que fica tão bonito escrever lá nos testes do curso de Acção Social ou lá o que é, que só serve para depois ir levar sopa a casa dos velhos pernetas e das viúvas dementes. Toda a gente que tem veias para injectar, nariz para snifar ou boca para engolir está sujeito ao vício da droga - desde a freira da Ordem das Carmelitas Descalças até ao baterista de uma banda de "trash-metal". Não há aqui lógica nenhuma que nos diga que hoje temos uma miúda de nove anos metida na passa ou na ketamina, e um dia destes aparece um recém-nascido a sair da barriga da mãe a ressacar e a meter as mãos na carteira da enfermeira para ir comprar um "chuto", entendeu? Não é por alguém ser pobre, excluído ou estúpido, ou ainda "jovem", como você pensa, que se vai meter na droga. O charrinho que um sem-abrigo fuma entre as latas do lixo de um beco imundo é droga, e a cocaína que um bilionário cheira das tetas da amante dentro do "jacuzzi" não é? Acha que um jovem "inteligente" nunca se vai meter na droga? E se ele achar que é tão "inteligente" que pode experimentar à vontade e não lhe acontece nada?

A única forma completamente eficaz de acabar com a droga, e você sabe muito bem disso, é não deixar a droga entrar, mas isso não é possível pois não? Ui cala-te boca, que ainda é mais complicado do que mudar a lei para obrigar os alunos a realizarem testes de despistagem do consumo ou entrar pela casa das pessoas para ver se alguém está a consumir. Faça favor de não aparecer lá na minha casa, ouviu? E o que é isso de "Dicas para os pais" caso os filhos consumam estupefacientes, que chamem logo a polícia, como fez há um par de anos uma senhora que encontrou um saquinho de ketamina na gaveta da roupa da filha? É esta a "educação", "sensibilização" e "prevenção", "parvalhão"? Se é para aumentar as penas e deixar tudo com a polícia, para quê criar estes gabinetes da treta? E quem é este gajo, afinal?



Epá sim senhor, já não está cá quem falou. Marrão o moço, 92,19 pontos, e assumo que seja na escala de 0 a 100. Mas espera aí...aquela data...está explicado. Já entendi, e agora se me permitem vou-me retirar, que desconfio que estou à beira de um "prejuízo da paciência" crónico.

PS: Já agora recomendava que fossem aqui à página da "Anti Drugs" ver na secção de "Investigação e estudos" o muito que se tem feito nesse sentido, e recentemente, também. Aquilo é que é trabalhar, vejam lá se não vos dá uma "depressão respiratória", e aguda!

Depilações especial 2


Capuchinho Cloee e os lobos maus



Cloee Chao, nº 2 da Macau Forefront Gaming e Figura de Semana de 5 de Setembro neste blogue queixa-se de estar a ser perseguida pela polícia, noticiou na sua edição de hoje o Jornal Tribuna de Macau. Cloee ganhou protagonismo quando apareceu na revista Bloomberg o mês passado, na qualidade de activista pela causa da proibição do fumo nas salas dos casinos - de recordar que a mulher de 34 anos e mãe de duas filhas trabalha há 17 anos na indústria do jogo, e o fumo que inalou durante este tempo causou-lhe uma doença respiratária, nomeadamente bronquite crónica.

Também na entrevista à Bloomberg vem explicada a causa do alegado assédio policial: Cloee denunciou à conceituada publicação norte-americana que as autoridades "exerceram violência desnecessária" sobre os trabalhadores dos casinos durante uma manifestação no último 25 de Agosto. Aparentemente a polícia também comete "vingançazinhas" deste tipo, igual às crianças, e como a "croupier" actualmente ao serviço do "Wynn" foi fazer "queixinhas" aos americanos, não fizeram a coisa por menos e acusam-na agora de "desobediência qualificada" (parece que está na moda) por alegadamente "ter furado um cordão policial" na acima referida manifestação. Reparem: aquela frangota na imagem em cima "conseguiu" atravessar através de uma barreira de polícias matulões - estes devem andar a precisar de tomar Calcitrin.

Agora o mais grave: segundo Cloee, as autoridades chamaram-na a prestar declarações no dia 9 de Setembro, feriado do Bolo Lunar, e ainda ligaram aos seus pais dizendo-lhe que a filha "poderia ser acusada de um crime grave", o que os deixou sobressaltados, e segundo a "croupier" estragou-lhes o dia. A pergunta que se impõe só pode ser a seguinte: tem a polícia autoridade para tomar esta atitude? É lícito quando alguém não está acusado de nada ligar a familiares próximos dizendo-lhes que pode ou não ser indiciada de um crime? Parece-me perverso, até, fazendo fé nas palavras da queixosa. É sintomático que os elementos do Novo Macau, de que Cloee é membro recebam um tratamento "especial", uma marcação cerrada, não lhes sendo permitido sequer atirar uma casca de amendoim ao chão. Em Macau quem quiser ter uma voz dissonante é obrigado a juntar-se ao Novo Macau, mas o preço é a perda de privacidade.

Este caso, a juntar a outro noticiado nos últimos dias que dava conta da recusa da Google em providenciarà polícia de Macau a identidade de alguns dos seus utilizadores vem provar que a "barra dura" começa a regressar aos poucos, durante mais de 3 meses de "moderação", desde as manifestações de Maio contra o Regime de Garantias dos Titulares dos Cargos Públicos. O relaxamento foi tamanho que até deu para comemorar o 4 de Junho no Largo do Senado, o que já não acontecia desde 1995, e mesmo durante o período do "infame" referendo civil parecia visível uma certa descoordenação nas Forças de Segurança. Não questiono o trabalho da polícia e seu secretismo, que no fundo também me serve, como cidadão, e é lógico que confio neles para a minha protecção e a de todos os cidadãos do território. Mas assim, e novamente partindo do suposto que Cloee Chao está a dizer a verdade (e eu acredito que sim), este comportamento não é propriamente o de um agente da autoridade. Se os polícias começam a fazer de criminosos, quem é que vai fazer de polícia?

Mac Chao



Quem anda pela Escócia a seguir de perto o referendo que pode dar a independência ao país das terras altas britânicas é nada mais nada menos que Jason Chao, aqui na imagem em frente ao Parlamento Europeu em Estrasburgo, no ano passado. O presidente da Associação Consciência Macau e organizador do controverso "referendo civil" realizado em Macau em finais do mês passado está em Glasgow estes dias, e tem ficado a par das incidências das campanhas a favor do "sim" e do "não". Uma mudança de ares para quem está habituado a fazer política do lado do activismo, e sempre com as autoridades à perna. Quem quiser saber mais pode ver tudo aqui, na página de Jason Chao na rede social Facebook.

Ex-cócia



O comediante John Oliver explica os prós e os contras da iminente independência da Escócia - aparentemente são mais os contras. Os escoceses vão amanhã referendar se querem continuar a fazer parte do Reino Unido, votando "não" na independência, ou se "sim", se querem tornar-se numa nação completamente desligada do poder de Londres.

Da Rússia sem amor



O Benfica entrou com o pé esquerdo na Liga dos Campões, ao perder ontem à noite na sua estreia no Grupo C em casa frente ao Zenit S. Petersburgo por 2-0. A equipa russa, orientada pelo português André Villas-Boas, resolveu cedo a questão do vencedor, beneficiando de algum desacerto dos encarnados. O ex-portista Hulk inaugurou o marcador logo aos cinco minutos, e aos 18 o guardião benfiquista Artur viu o cartão vermelho directo após carregar fora do área o avançado internacional português Danny, que corria isolado para a baliza. A jogar com dez já era complicado, e mais complicado ficou aos 22 minutos, quando na sequência de um canto de Danny e um cabeceamento de Axel Witsel, o guardião substituto Paulo Lopes defende a bola, mas para além da linha de golo. Uma estreia infeliz para Jorge Jesus, que começa já a fazer contas a pensar no eventual apuramento. Também para o Grupo C o Monaco de Leonardo Jardim, que está a ter um arranque de campeonato abaixo das expectativas na França venceu em casa o Bayer Leverkusen com um golo solitário de João Moutinho.



No Grupo A destaque para a derrota do finalista da edição do ano passado da prova, o Atletico Madrid, que perdeu em Atenas por 2-3 com o Olympiakos. Os gregos tiveram sempre na frente do marcador desde os 13 minutos, quando o francês Masuaku fez o 1-0, para aos 31 Afellay aumentar o placard, e sete minutos depois Mario Mandzukic reduzir para os "colchoneros", resultado com que se atingiria o intervalo. Kostas Mitroglou repôs a vantagem de dois golos para a equipa da casa aos 73, para o francês Griezmann reduzir de novo a quatro minutos do fim. Na outra partida do grupo a Juventus venceu em casa os suecos do Malmö por 2-0, com golos do argentino Carlos Tevez aos 59 e aos 90 minutos.



No Grupo B o Real Madrid estreou-se com uma goleada de 5-1 sobre os suíços do Basel, agora orientados pelo treinador Paulo Sousa, resolvendo a partida com uma avalanche de golos no primeiro tempo. O defesa checo Suchy marcou um autogolo aos 14, e depois Gareth Bale e Cristiano Ronaldo marcaram dois golos no espaço de um minuto, decorria meia-hora do encontro. O colombiano James Rodríguez fez o quarto aos 37, e no minuto seguinte Rodríguez apontava o ponto de honra do Basel, para aos 79 o francês Benzeman encerrar a contagem. No outro jogo deste grupo o Liverpool, regressado à Champions este ano sofreu para derrotar o estreante Ludgorets, da Bulgária. O italiano Mario Balotelli marcou o primeiro já decorriam 82 minutos, e já no início dos descontos os visitantes empatariam pelo espanhol David Abalo. Quando já se esperava a surpresa, o Liverpool beneficia de uma grande penalidade no último lance do encontro e Steven Gerrard não perdoa e dá a vitória aos ingleses.


Outra equipa inglesa mas com menos sorte foi o Arsenal, que saíu derrotado por 0-2 na sua deslocação à Alemanha, onde defrontou o Borussia Dortmund. Os golos foram apontados pelo italiano Immobille em cima do intervalo, e pelo gabonês Pierre-Emerick Aubameyang logo no terceiro minuto após o reatamento. Em Istambul jogou-se o Galatasaray-Anderlecht, que terminou empatado a um golo, mas os belgas saem da Turquia com um amargo de boca; Dennis Praet marcou para os visitantes aos 52 minutos, e os turcos só empatariam já nos descontos com um golo de Burak Yilmaz.


terça-feira, 16 de Setembro de 2014

Sedução छेड़ो



Abre-me a porta, deixa-me entrar
Eu vi-te subir, oiço o gato a miar
Encosto o ouvido para te ouvir respirar
Quanto mais tempo vais tu aguentar
E só abrires a porta, e vou-te mostrar
Com o ébrio perfume do incenso a queimar
Por onde as mãos que te querem tocar
E ao Paraíso te querem levar
Junto com os braços, eles vão abraçar
Os corpos escaldantes, deixa-os suar
Abrindo a porta vais poder provar
O doce sabor do suave beijar
O gesto brusco que parece indicar
Onde os dois vamos valsando a avançar
E toda a noite ali vamos ficar
É só abrir a porta, deixa-me entrar.

Vitandum



Porquê, diz-me, porque não me respondes. Falo contigo e tu não ouves, só te escondes. Levantas tantos muros à tua volta, sabes que me vão impedir de entrar, mas será que depois consegues tu sair?

Corre, corre como se disso a tua vida dependa, mas primeiro pergunta aos joelhos se te querem mesmo ajudar a fugir, ao corpo se te quer levar ao refúgio, ou se prefere ficar, e deixar o vento correr, saber que notícias tem, e quem consigo o vento traz.

Mas afinal fugir do quê - não há perigo, nada de novo, onde vais? Uma noite olhaste a besta nos olhos, disseste "vai, vai e não voltes mais". E a besta foi, mesmo faminta, suada, ferida, acaso pensas agora que ela te quer devorar?

Para quê fugir, para quê evitar o mal que não é mau, o veneno do qual não vais morrer, e mesmo que fosses, podes fugir...mas não te podes esconder.

Leocardo

Bom dia, amor

segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

As rifas de Satanás



Hoje não foi 1 de Abril, e em Macau parece que nunca é. Aquilo que consideramos digno de uma "peta" do dia designado para esse efeito pode aparecer a qualquer altura do ano, seja Janeiro, Julho, Setembro ou Novembro. E não se riam, pois perante o desfile de situações que "parecem mentira" mas são levadas a sério e com cara de caso, os próximos podemos ser nós. Com a facilidade que se transforma o nada em algo de "ilegal", ou um simples cartão de visita com uma imagem mais ou menos sugestiva em "pornografia", chega a ser assustador. Qualquer dia alguém dá um traque, é detido e posteriormente acusado de homicídio. Cheguei a pensar que depende da ousadia do autor da flatulência, e que nada acontece se o traque não incomodar o Governo Central, "atrapalhar a campanha de um candidato" ou "confundir a população", que depois fica sem saber de onde veio aquele odor a ovo podre, e não consegue aconselhar o seu autor a "ver um médico", pois aquele fedor "não é normal". Perante estas novas evidências, o melhor mesmo é precaver-se, e nos dias em que come uma feijoada mais caprichada, é melhor deixar umas cartas escritas para organizações internacionais dos direitos humanos, ou outras que defendam o direito de cada um peidar-se à vontade.

E que novas provas de que isto começa a descambar para o degredo são estas? Os folhetos "pornográficos" pois então, este "crime" da moda, esse "mal" da sociedade, que a corrói e por muito que o pêssego aparente estar fresquinho por fora, o seu caroço está podre e infestado de bicharocos. Portanto ficámos hoje a saber que o Ministério Público considera "urgente" rever a lei que regula a Venda, Exposição e Exibição Públicas de Material Pornográfico e Obsceno, que é de 1978 e está "obsoleta". Desta forma espera-se acabar com esse malvado vício que é deixar por aí à mão de semear aqueles tais folhetos que vemos ali em cima na imagem, que alguém determinou serem "material pornográfico". Digamos por instantes que sim, que é pornografia aquilo que ali está. A Inspectora Heidi e o Inspector Bambi olharam para aquilo, deram uns gritos com uma voz fininha e foram-se esconder na cabana dos sete anões ou enfiaram-se debaixo da cama dos três ursos, pronto. O problema não é tanto os folhetos em si, estão a ver? Há um problema maior, e depois seguir as pistas que deixou pela floresta antes de deparar com a casa de gengibre da bruxa, o Ministério Público chegou à conclusão que “os bastidores desses crimes (?) envolvem o crime organizado", que incluí coisas horríveis, como "a exploração de prostitutas" que são controladas "mediante o uso de drogas, entre outros” - por "outros" suponho que as prostitutas sejam também obrigadas a ouvir "rock'n'roll". Deixemos agora o universo dos contos infantis; aqui para mim houve alguém muito influenciável que não devia ter visto o "Taken", aquele filme onde a filha do personagem interpretado por Liam Neeson é capturada por uma elaborada rede internacional de tráfico de mulheres para a prostituição.

Portanto vamos recapitular a lição dada até agora: se eu apanhar um desses folhetos com uma imagem de uma tipa de biquini a fazer cara de quem está sentada em qualquer coisa alta e dura (ou então está com prisão de ventre), e ligar para ela, vai-me aparecer a "vítima" de uma elaborada teia de criminosos internacionais que exploram a prostituição, e das eventuais mil rufas que me custar a queca, 900 vão para que um desses criminosos (políticos incluídos suponho, tal como nos filmes) compre um novo iate ou helicóptero. Estou então a comprar uma rifa que me habilita a um sorteio na barraca de Satanás, mas nada me acontece, enquanto os tipos que andam por aí a deixar espalhados pelo chão estes passes-sociais para o Inferno estão com pressa para irem drogar as miúdas, que depois chegam ao consumidor - eu - todas submissas, molinhas, e se calhar até a delirar, dizendo que "me amam", e que aquela "é a melhor queca que alguma vez levaram". Se eu ignorar os olhos revirados e espuma a sair pela boca, até pode ser que acredite, e dou o meu dinheiro por bem empregue. Agora tenho uma dúvida, e se a miúda chegar até ao consumidor - eu - sóbria, vivaça, atenta aos meus atributos físicos e viris, ou à falta deles, qual é o procedimento a adoptar? Basta dar-lhe uma carga de porrada que a deixe com os malares encostados à nuca ou vem uma grama de "cavalo" incluída no pacote em caso de emergência? É que quando se lança a brisa destas teorias descabidas, colhe-se o vendaval das perguntas parvas e inoportunas. Esta é a mesma teoria usada para enfiar os drogaditos miseráveis na cadeia e deixar cá fora os "tubarões" que na semana a seguir aparecem nas Forbes referenciados como "jovens empresários" ou "grandes produtores de agricultura biológica". Pois claro, dissuadindo os peões, estes capetinhas de Lúcifer que andam por aí a vender a sua taluda, acaba-se com a prostituição no mundo, pois os "técnicos especializados" que andam a raptar garotas e a metê-las na prostituição já têm essa função, e se os obrigam a fazer trabalho extra não remunerado ainda se queixam ao sindicato. Palmas, que brilhante raciocínio, e dedução, também. Elementar, meu caro Watson.



Agora como vi alguém mencionar, e bem, nas redes sociais, nem todo este material é "pornografia". Este por exemplo, que é igual ou pior e vem escarrapachado no jornal mais vendido do território, e na maioria das vezes nas páginas centrais, não tem mal nenhum, pois está perfeitamente licenciado, deixando assim de ser "pornografia". Se ainda não entenderam bem, eis como funciona: cartão de visita com um número de telemóvel onde aparece uma menina a fazer olhinhos e morder uma luva com caracteres em chinês onde se leia "liga-me": pornografia, crime, tráfico de pessoas, quilos de heroína a serem descarregados à porta dos asilos e dos infantários. Por outro lado: tipas a meterem marsapos de meio metro de cumprimento nos três principais orifícios em simultâneo e mais alguns que se possam improvisar durante o processo: legal, desde que esteja devidamente licenciado, pague contribuição industrial, imposto de selo, ofereça dez dias de férias por ano e duas consultas gratuitas na clínica previamente autorizada pela empresa, e no fim do ano ainda vemos as "profissionais" a marcharem para a caridade no evento anual organizado pela sua entidade empregadora - são aquelas que andam mais devagarinho, e com as ancas mais afastadas, coitadinhas, dia-a-dia ali a trabalhar honestamente, e ainda levam com a concorrência de drogados, assassinos, traficantes de pessoas e, os piores de todos, os distribuidores de cartões de visita, os homens-bomba da escravatura sexual. É assim tão complicado ou já entenderam?

PS: Sim senhor, gostei muito deste artigo, muito arrojado, uma ironia pungente, um toque de sarcasmo, não muito, não se vão ferir as sensibilidades, nem pouco, apenas o suficiente para nos acelerar o ritmo cardíaco em duas batidas por minuto. No entanto fico com a sensação que tivesse o cozinheiro à mão um Jason Chao ou outro democrata a distribuir os tais "folhetos pornográficos", enfiava-os na panela e estragava o guisado. Ele há escolas de culinária que marcam para sempre os "chefs", para o bem e para o mal.

E pó Manel nada? Tudo!!!



Olá meninos, hoje vou levá-los numa viagem no tempo até...ao século passado! Uauauauauaaaa!!! Sim, até ao distante ano de 1999, um tempo em que não existia...tcha tcha tcha....Facebook! Nem...Twitter, WeChat, FuckOff, etc, etc., nem tinhamos iPhone, ou iPad, não dava para teclar aos nosso amigos enquanto andávamos na rua a esbarrar nas outras pessoas!!! Buahahahah! Como é que nós viviamos? Muito mal, e sempre que queriamos conhecer alguém novo atirávamos um aviãozinho de papel pela janela, com a esperança que alguém o apanhasse, lesse, atirasse outro aviãozinho de papel, e aguardávamos que por desígnio do divino fosse entrar exactamente pela janela da nossa casa. Ou em alternativa iamos até uma ilha no meio do Pacífico, mandávamos ao mar uma garrafa com uma mensagem lá dentro e depois era só esperar. Bom, agora vamos lá deixar as parvoíces que eu não tenho a noite toda.



Ora aí está, não se assustem com aquele búlgaro anémico com um cabelo espectacular na esquerda da imagem, ou daquele cigano da feira do Feijó onde era conhecido por "Big Bird" (bigui berdi, chamavam-lhe os outros "lelos") à vossa direita, pois aqui no meio está a virtude! Perdão...o virtuoso: o grande, o único, o primeiro o sensacional Manuel Silva!!!!!! O Manuel, ou "Manel", para os amigos (e restantes pessoas que têm preguiça de pronunciar o "u", ou seja 99,9% da população portuguesa) fez anos ontem, dia 14, e portanto posso-vos adiantar que nesta fotografia tirada em Agosto de 1999 ele teria uns...hmm...11? Talvez 12, pronto, portanto é só fazer as contas, não tenho aqui uma calculadora mas deve dar praí uns 22 ou isso. Sendo realmente essa a idade dele, conheço-o desde que nasceu - exagero, conheço-o desde que ele tinha uns dois ou três anos e trabalhava num restaurante na Rua do Gamboa. Pareceu-me bastante desenvolvido para a idade, então, a tirar imperiais e não sei quê.

Bem, acontece que estava eu ontem a engatar conversar com uma amiga no FB, e reparo que o Manel é amigo dela, e aí é que me apercebi que o tinha  naquela conta do Luis-não-sei-quantos que já nem uso, mas não nesta dos leitores deste perverso e pecaminoso pasquim, e resolvi adicioná-lo. Agora o mais fantástico: não me lembrava que ele fazia anos ontem! A sério, juro, adoro o gajo, é um dos tipos mais bestiais que alguma vez conheci, e está sempre a fazer aquela cara e nem é necessário pedir-lhe para sorrir para as fotografias, mas penso que nem sabia quando é o seu aniversário!!! Ahahahah! Que giro, não é? E mais: penso que é a mesma coisa com a maioria dos meus amigos e conhecidos! Ah! Ah! Devo estar a começar a ficar acometido de demência, o que não sei se é bom ou mau, pois não me lembro do que se trata! Ai...estou a chorar de tanto rir. Portanto isto só pode querer dizer que o reencontro e a subsequente adição do Manel à lista do FB deve-se a PES! Não aos dois membros que auxiliam a locomoção, mas sim à Percepção Extra Sensorial, que parece uma daquelas coisas que só as gajas têm! Mas cada vez que olho para o Manel, lembro-me de alguém. Mas quem?



Epá esperem lá...há coincidências e há coincidências. Pode ser que alguém diga que o Manel se parece com o Glenn Quagmire da série "Family Guy", ou que são gémeos, mas eu digo que o Manel é o Gleen Quagmire! Acho que o restaurante até é o mesmo e tudo, e não fosse pelas flores na camisa do segundo, afirmava isto com 100% de certeza. Giggity!

Mas falando um bocadinho mais a sério, o Manel é um tipo bestial, e se o aniversário me passou ao lado foi por culpa das distâncias. Pronto, querem o quê, 15 mil quilómetros não dá propriamente para que vamos depois do serviço beber um copo ou algo que se pareça (mau exemplo, pois ontem foi Domingo), e estivesse eu lá ou ele deste lado, certamente que se combinava uma farra daquelas das antigas, "à século XX", pá, lembras-te, que depois no dia seguinte acordávamos cada um num sítio diferente e não sabíamos onde estávamos ou quem era aquela tipa deitada ao nosso lado, e...ahh...pois, ahem, ia dizendo, o Manel é um amigo que toda a gente gostaria de ter, irradia uma boa disposição contagiante, e até fica impossível apontar-lhe um defeito que seja. O quê? Imagem? Qual imagem?



Olha, vocês agora estão a ser desagradáveis, pá, pois eu disse defeitos, e vocês foram logo buscar a deficiência que afecta a maioria dos portugueses e é responsável pelo nosso atraso civilizacional. Deviam ter vergonha, pois o rapaz não quis ser assim. Espero que não se repita. Mau...

E como conclusão só me resta mandar um graaande abraço ao Manel, cumprimentos à sua encantadora esposa que não tive ainda a oportunidade de conhecer pessoalmente, e olha, enquanto há vida e não somos afligidos pela esclerose múltipla ou outra doença neurológica degenerativa, é sempre um até breve, não é mesmo? E mais uma vez toma lá esses parabéns atrasados. Demoraram a chegar e nunca mais mando nada pelos CTT porque esse país está a saque e raikusparta e putaskepariu, e ai filha não há pachorra. Força, grande Manel!

Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)



Passam hoje 239 anos desde o nascimento de Manuel Maria Barbosa du Bocage, poeta e génio maldito, assim como eu, e só me falta mesmo o lado poético. E o génio. Erm, bom não me vou aqui numa núvem de absinto a contar pela enésima vez detalhes da vida de Bocage, portanto vou deixar em jeito de singela homenagem alguns "slides", se me permitem.



Esta é a estátua de Bocage no centro da cidade de Setúbal, que o viu nascer, e explica ainda o nome pelo qual viria também a ser conhecido: "Elmano sadino". Bocage é o orgulho de Setúbal, e em suma, o orgulho de Portugal, "carralho". Na imagem da direita é possível observar as esporas de metal que sobressaem da estátua, colocadas para que os pombos não lhe defecassem em cima. Conhecendo o que conhecemos de Bocage, se calhar ele nem se importava...



Outra estátua de Bocage encontra-se no Cafe Nicola em Lisboa, local que o poeta frequentava durante os seus tempos da Arcadia, onde atazanava a vida aos outros intelectuais, que no fundo não eram tão intelectuais quanto ele.



Bocage cumpriu o serviço militar, como toda a boa gente setecentista, passou por Goa, depois pelo Brasil, Goa outra vez, e antes de regressar a Lisboa teve a gentileza de nos presentear com a sua visita, e deixou aqui nome de rua e tudo! Se sabem onde fica esta rua, ali para a zona do Porto Interior, percebem porque é que Elmano a frequentava (assumo que terá pelo menos ido lá espreitar...). Em chinês a rua chama-se "Peng Lai San Kai" e este "Peng Lai" (蓬莱) é na mitologia chinesa o nome de uma das montanhas onde terão vivido os "oito imortais" (se fossem mesmo imortais ainda lá viviam, não?). Mas pronto, tudo bem, não faz mal - deixamos o "nosso" Bocage como o "nono imortal".



A vida de Bocage é "must" para a ficção e drama, mas a primeira grande produção televisiva nacional apareceu apenas em 2006, com Miguel Guilherme no papel principal, e ainda o grande, grande, mas mesmo muito grande Manuel João Vieira, dando vida à personagem de um padreco qualquer, pouco importa, desde que esteja lá.



Mas anos antes também o nosso multifuncional Herman tinha feito a sua imitação do poeta, foi no programa "Parabéns", em 1994. Um bocadinho gordo para o "vicioso" Bocage, mas escapa.



Bocage deixou-nos poesia romântica (no fundo inseria-se nesse estilo), mas era mais conhecido pela sátira que escreveu, pelos versos obscenos que debitou, pelas rixas em que se envolveu, o absinto que bebeu, as putas mulheres que amou, a sífilis que contraíu, o anedotário que lhe valeu uma secção completa. Este é um bom exemplo, "A água", um dos seus poemas mais conhecidos.



E a comédia era mesmo o forte de Manuel Barbosa du Bocage, e o deboche, e a javardice, e epá, para mim isso resume-se tudo apenas a uma palavra: génio. Como melhor definir o homem que queria escrito como epitáfio na sua lápide: "Aqui dorme Bocage, o putanheiro; Passou vida folgada, e milagrosa; Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro". Hoje é feriado municipal em Setúbal - é o mínimo que podem fazer para se lembrar do grande Bocage.

Depilações



- Boa noite, srs. telespectadores, está na hora da nossa rubrica semanal "Depilações", eleita recentemente pela revista "Sado & Maso Weekly" a segunda pior forma de tortura depois de ir ao dentista tratar de cáries sem anestesia, e temos connosco Leocardo, Grão-Mestre da fraternidade dos ursinhos fofinhos, Frade-mor do convento de S. Zacarias de Veneza, guru da sub-cultura do cabedal...epá não posso acabar de ler isto, estavas especialmente inspirado hoje.

- Faço o que posso, Borges Rivas, faço o que posso.

- E já fazes muito. Portanto Chui Sai On vai para Pequim ser empossado Chefe do Executivo.

- Sim, Borges Rivas, de facto, e tal como eu previa antes das eleições, Chui Sai On vai a Pequim receber a crisma, e antes do fim do mês vamos saber qual vai ser a sua equipa.

- Mas em princípio Pequim já sabe qual vai ser a equipa...

- Francamente, Borges Rivas! Só porque tenho esta pinta de sátiro, completa com a barbicha e tudo, pensas que tenho uma bola de cristal?!?!

- Adiante. Os trabalhadores dos casinos voltaram a sair às ruas.

- É verdade, e repara como primeiro andaram a chatear a SJM, agora vão para a MGM, ou será MJM? Parece que a MJM é afiliada com a SGM, perdão SJM, ah sim, e é MGM não MJM, e SG Ventil...

- Queres parar com isso fazes favor? Bem, mas não achas que isto é mau para a indústria do jogo?

- Não sei se é bem assim ó Borges Rivas. Como sabes os casinos ganham muita massa, e qualquer dia os trabalhadores dos casinos ganham mais que um secretário-adjunto! Portanto é preciso encontrar um equilíbrio, 'tás a ver? E além disso os tipos daquela associação não são flor que se cheire, sabes o que eu penso desses meninos.

- Sei, sabemos todos. E olha lá, e Hong Kong?

- Queres que eu te arranje bilhetes de "jetefoile", é isso?

- Não, Leocardo, a situação política em Hong Kong.

- É um braço-de-ferro, Borges Rivas! Braço-de-ferro, braço-de-ferro, braço-de-ferro!

- Pára lá de dizer braço-de-ferro, então como é?

- Olha esses gajos agora têm sufrágio universal, e não estão contentes? Quer dizer, pediram sufrágio universal, não candidatos universais! Ainda bem que é a China que escolhe os candidatos, senão já viste o que seria isso de "candidatos universais"? Candidatos de algures no universo? Ohohoh. De Marte? Ohohoh. De Júpiter? Referendo civil como oposto a referendo militar??? Ohohoh...ronc.

- Então quer dizer que Hong Kong está num imbróglio...

- Talvez, mas quem os mandou não fazer o que lhes mandam? Obedecer ao "boss-i" é importante, Borges Rivas!

- Já que falas nisso, ó Leocardo, tu és um grande chuchalista destas bandas, e...

- O quê? Sou o quê? Quem disse, uh? É mentira! É falso! Ah espera lá pois é...pois, pois. E então?

- Ahem, ok. Então já decidiste se preferes o António Tosta ou o António Segredo, ou continuas a usar uma casaca igual por dentro e por fora?

- Penso que já te disse o que penso, ó Borges Rivas: desde a primeira hora que apoio o António para novo secretário-geral do partido!

- Está bem mas qual? Deves ter uma preferência, e já votaste não foi?

- Já votei, e posso até adiantar que foi no António. Agora é a vez dos militantes, e tenho a certeza que vão votar no António, e no fim ganha o António, que tenho apoiado desde início e em quem votei. O António, portanto...

- É tudo, senhores telespectadores, boa noite, e desculpem lá isto.

- António! António! António!

- Cala-te, Leocardo! Vai pra casa!

É assim Lisboa - actualização



Todos conhecemos este tema "Macau sâm assi", uma adaptação de Adé dos Santos Ferreira a um tema de João Nobre intitulado "É assim Lisboa", interpretado pela actriz/intérprete Malú (a mesma de "A Minha Casinha") para o filme "Doze luas-de-mel", de 1944. Claro que nem Adé, que escreveu a letra, ou a Tuna Macaense e os Doçi Papiaçam que mais tarde interpretaram o tema esconderam a sua origem, e na realidade a composição ganhou em Macau no dialecto maquista uma aura que nunca adquiriu em Portugal, misturada entre tantos outros temas semelhantes - Adé podia ter-se lembrado de um "Cheira bem, cheira a Macau", e se calhar deviamos agradecer-lhe por isso. Mesmo assim não vejo razão para não fazer o devido "update" da evolução desta interessante melodia. Vamos a isso.



Em Julho de 2011 deixei no blogue esta entrada do original da canção interpretado pelo transformista Guida Scarlatti num cabaré "gay" da Costa da Caparica, e que foi a melhor interpretação que consegui do original naquela altura. Contudo um dia destes deparei com esta gravação disponibilizada em fins de Maio último por Miguel Ângelo Catarino Vaquinhas, que assumo um aficionado do cancioneiro português dos meados do século XX, e que segundo a descrição do vídeo é assim:

Esta gravação data de 1973 e pertence à Banda 3 da Face A do disco LP de 33 R.P.M. editado pela marca "Riso e Ritmo", da mesma editora, intitulado "Sucessos de Milú", onde Milú, famosa vedeta da rádio portuguesa, acompanhada pela Orquestra de Ferrer Trindade, canta os seus maiores êxitos. Esta marcha é da autoria de João Nobre e intitula-se "Lisboa é Assim". Esta canção foi criada por Milú, aos microfones da Emissora Nacional, no célebre programa "Hora de Variedades", realizado no Jardim Cinema no sábado, dia 26 de Junho de 1943, das 22 às 23 horas, programa em que tomaram parte os cantores Maria Gabriela e Domingos Marques, as cançonetistas Maria da Graça e Irmãs Remartinez, os cantadores Óscar e Arménio, e a Orquestra de Variedades da Emissora Nacional, dirigida pelo maestro Fernando de Carvalho. A canção foi a primeira numa lista de 17 canções, e foi anunciada como "Assim é Lisboa". Neste programa, Milú também cantou a sua indispensável "Cantiga da Rua", de João Bastos e António Melo, do filme "O Costa do Castelo", criação sua também, que publicarei dentro de momentos. Mais tarde, a cançonetista Maria de Fátima Bravo popularizou esta marcha que os senhores espectadores ouvem, aos microfones da mesma estação, mas Milú continuou a cantar esta canção. Mais uma marcha para celebrar as Festas dos Santos Populares. Boas Festas para todos.

E boas festas para si também. E mesmo não sendo este o original de 1944, fica para registo actualizado do historial deste interessantíssimo tema.

Pronto. Mais alguma coisinha?


Rapport (a alma gémea)



O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.

Fernando Pessoa

Como animais sociais que somos, é sempre um prazer conhecermos outros da nossa espécie, como nós. É uma sensação fantástica quando "encaixamos" em alguém, sentimos com o outro aquilo que os franceses chamam de rapport, e que em português se pode traduzir para "cumplicidade" - mas nao é bem a mesma coisa - cumplicidade dá a entender que se cometeu um delito, que nos compromotemos a guardar a dois um segredo terrível, e mesmo que quisessemos partilhar estaríamos sempre compromoter-nos.

Quem estabelece contacto imediato e se sente bem com o outro não tem segredos a partilhar a não ser os seus, aquele que lhe pertencem, dos quais sente que nada ficou a dever a ninguém. São só eles os dois, sem compita. Adoram escutar-se, olhar-se, sentir o magnetismo um do outro, e queriam que aquela noite nunca tivesse fim, que o tempo parasse, fosse embora, que o tempo estava ali a mais, entre eles os dois. E mesmo que a noite acabasse mais tarde, uma, duas horas depois, na manhã seguinte ou dias após aquele, ficaria sempre tanto por dizer, um tanto que sem a rede do trapézio do acaso parece uma vida inteira.

E depois? Racionalizando o diamante do deslumbramento fica nas mãos apenas a areia a escorrer pelos dedos trémulos das mãos frias, cada vez mais frias à medida que vai chegando a hora. Quando finalmente se despedem, com beijos, abraços, mil carinhos um pelo outro, o que importa o resto do mundo, e se caminho é a direito, em linha recta, para quê perder-se em distrações? O que é que não pode mais ser quando parecia tudo possível? Será que o grande tribunal do tempo não nos perdoa sequer quando encontrámos a nossa alma gémea?

Mata-me outra vez



Já me perguntaste mil vezes porque sou assim; eu só sei ser assim. Mudar por ti não mudo, seria outro e daí receio, que outro não seja o mesmo que aqui jaz a teus pés indolente, quase moribundo. Tudo o que vi, o que senti, cheirei, comi, bebi, e até o que pensei são uma medida de nada perante o lustre desta vertigem que é o teu todo, tão prefulgente que me desvanece, que me amassa, que me alucina. E foi assim uma vez, naquela noite deste resto do estio, deste resto de mim. Não me peças para mudar - eu só sei ser assim. Antes mata-me como naquele nosso último encontro, mata-me outra vez.

EUA ganha o penta


A selecção dos Estados Unidos sagrou-se ontem penta-campeã mundial de basquetebol, ao vencer na final a Sérvia por 129-92 numa partida jogada no Palacio de Deportes de la Comunidad de Madrid. Os americanos terminaram o mundial apenas com vitórias nos 9 jogos realizados, e nem precisaram de levar Kobe Bryant ou LeBron James. Na partida para o 3º lugar a França venceu a Lituânia por 95-93, franceses que foram os "carrascos" da equipa da casa, a Espanha, nos quartos-de-final. Quanto aos países lusófonos, o Brasil ficou-se pelos quartos-de-final, sendo eliminado na ocasião pelos sérvios, enquanto Angola ficou-se pela primeira fase, terminando no 17º lugar entre 24 selecções. Com este quinto título mundial, os Estados Unidos igualam a já extinta Jugoslávia, também penta-campeã, enquanto a também extinta União Soviética soma 3, o Brasil 2, Argentina e Espanha um título cada.

Man. United renasce


O Manchester United da era Van Gaal conseguiu ontem à noite a sua primeira vitória, ao golear em Old Trafford o Queen's Park Rangers por expressivos 4-0. Os "red devils" resolveram a questão logo no primeiro tempo, com três golos da autoria de Angel dí Maria (24 minutos), Ander Herrera (36) e Wayne Rooney (44), com Juan Mata a fechar a contagem no segundo tempo. Quando ainda falta realizar a partida entre o Hull City e o West Ham, esta é a classificação dos dez primeiros da Premier League após a quarta jornada:

1 Chelsea 4 +9 12
2 Aston Villa 4 +3 10
3 Swansea City 4 +3 9
4 Southampton 4 +5 7
5 Man. City 4 +3 7
6 Tottenham 4 +2 7
7 Arsenal 4 +1 6
8 Liverpool 4 +1 6
9 Man. Utd. 4 +3 5
10 Everton 4 -1 5

Porto e Sporting empatam


O FC Porto perdeu os primeiros pontos esta temporada ao empatar a uma bola no Estádio D. Afonso Henriques frente ao V. Guimarães, numa partida muito acidentada. O árbitro Paulo Baptista, que teve um dia infeliz, interrompeu o jogo na primeira parte devido a incidentes nas bancadas, com um adepto vimarenense a ficar ferido com o tiro de uma bala de borracha disparada pela polícia. No segundo tempo vieram os golos, ambos de grande penalidade; Jackson Martinez marcou para os dragões aos 61 e Bernard Mensah aos 70 para a equipa da casa, que foi também o primeiro golo que os dragões consentiram em toda a época até agora. O FC Porto fica a queixar-se de duas grandes penalidades não assinaladas e um golo mal anulado ao argelino Brahimi. Noutros jogos de ontem destaque para a primeira vitória do regressado Boavista, que derrotou a Académica no Bessa por uma bola a zero, enquanto o Estoril também se estreou a ganhar, derrotando em casa o Nacional por 2-1. O Marítimo bateu no Funchal o Penafiel por 2-0, enquanto na Mata Real o Gil Vicente conseguiu o primeiro ponto do campeonato ao empatar a um golo com o P. Ferreira.


Já no Sábado o Sporting voltou a tropeçar, ao consentir um empate a um golo em Alvalade frente ao Belenenses. Os azuis do Restelo adiantaram-se no marcador aos 28 minutos por Deyverson, mas seis minutos depois o peruano Carrillo empatava seis minutos depois para os leões, que terminariam reduzidos a dez elementos, devido a expulsão de Jefferson por acumulação de amarelos. O Sporting ainda não marcou mais que um golo na era Marco Silva, e com mais este empate - o terceiro em quatro encontros - descem para o 8º lugar com seis pontos, numa classificação liderada por Rio Ave, V. Guimarães, Benfica e Porto com dez pontos, mais um que o Marítimo.


domingo, 14 de Setembro de 2014

Estamos fritos



Tenho-me abstido de comentar a questão do óleo falsificado de Taiwan por uma série de razões que me levam a pensar: porque é me deu para falar disso agora? Já sei, o problema não é tanto o óleo em si mas a segurança alimentar em geral, uma daquelas coisas em que o segundo sistema ganha nos pontos ao primeiro, e sempre que uma destas coisas acontece lá ficamos nós a pensar: "estamos cada vez mais parecidos com a China". Ainda por cima o tal óleo é importado de Taiwan, onde por uma razão qualquer que desconheço alguém assumiu que 1) os habitantes da ilha nacionalista não são chineses; 2) não existem comerciantes desonestos em Taiwan e 3) os estabelecimentos de restauração, padarias e afins em Macau preferem zelar pela qualidade dos seus produtos e pela saúde do consumidor do que ter lucro - até por duas patacas de diferença trocam um óleo "normal" por um destilado de uma retrete pública.

Existem dois tipos de comerciantes: os que querem lucro e ainda têm o mínimo de consideração pelo consumidor, e os que querem lucro e estão-se nas tintas se o tipo que comeu no seu restaurante ou comprou o pão na sua padaria se desfaz todo num ataque de desinteria. E depois o lucro é uma coisa lixada, é um bocado como as drogas duras - quantos mais se prova, mais se deseja. O tipo que está a fazer mais dinheiro a cada mês que passa não vai um dia acordar e pensar: "já chega de enriquecer, chegou a hora de retribuir para a sociedade que tanto me deu e investir mais na qualidade dos meus produtos". Errado, seu ingénuos! Acreditais naquelas campanhas infantis do CCAC que falam de "sociedades íntegras" e "futuros brilhantes"? Mesmo aqueles que se orgulham da qualidade do seu produto, certificado acima de qualquer suspeita, têm sempre a tendência para cobrar muito mais que outros que só pensam em cumprir as encomendas ou encher as prateleiras.

Não é segredo nenhum, nem é de hoje que as padarias, muitos dos restaurantes, tascas ou lojas de recordações usam óleo de qualidade inferior para confecionar os seus produtos. Existe na Rua do Tarrafeiro, onde eu vivi até recentemente, uma fábrica de óleo de banha de porco, onde as partes adiposas do suíno são literalmente expremidas, produzindo um líquido que em contacto com ingredientes crus conferem-lhe uma textura, sabor e aparência ideiais para meter neles um preço e vendê-los. Se passarem por lá num dia quente sem chuva cheira a torresmos e tudo, e eles não têm mãos a medir com as encomendas. Mas pronto, um porco é um porco, está identificado, mas pior é quando o óleo é extraído de resíduos industriais, como no caso deste escândalo alimentar em Taiwan, ou pior ainda na China, que chegou a ser destilado de água do esgoto. Claro que entre o merdume existirão quantidades respeitáveis de óleo alimentar, vindo dos milhões de lava-loiças, e para quem tem poucos escrúpulos, na falta de qualquer coisa que sirva para dar fritura aos alimentos, até o acne do filho adolescente serve.

O que me deixou baralhado foi o "pânico" desta população que é normalmente tão serena neste aspecto. Desde que aqui cheguei assisto à forma despreocupada com os locais compram as frituras daqueles vendedores ambulantes que cozinham tudo no mesmo óleo, conhecido pelos locais por "óleo de 10 mil anos" (萬年油), devido ao facto de quase nunca ser trocado. Dizem que assim é "mais delicioso", pois no óleo ficam entranhados os sabores de gerações inteiras de lulas, sementeiras sortidas de pimentos, cardumes diferenciados de peixes feitos em massa (mais as cabeças, tripas e espinhas, enfim), tudo apurado ao ponto da poli-saturação, o suficiente para iniciar a gestação de um tumor ao fim de alguns meses de consumo regular. Num "post" muito semelhante a este, dedicado ao mesmo tema e publicado neste blogue em Junho do ano passado contei a história de um estudante que se desentendeu com um desses vendedores e atirou para dentro da frigideira uma bosta de cão que encontrou no chão, e o tipo limitou-se a retirar o excremento e continuou a usar o óleo. Não há critério para isto do "sabor", pois se alguém se queixa de um restaurante onde a cozinha é visivelmente imunda, chega a haver quem diga que "é esse o segredo" do sabor dos pratos e do sucesso do estabelecimento - quantas mais polegadas de bedum no balcão da cozinha, mais delicioso.

Não existindo aqui em Macau uma autoridade como a ASAE (se existisse 90% dos estabelecimentos fechavam as portas) comer fora é um pouco como jogar roleta-russa. Não são assim tão raros os casos de intoxicação alimentar em hotéis, restaurantes de "yum-cha", mesmo os mais conceituados, e naqueles em que não é possível "abafar", chegam a ir parar ao hospital excursões inteiras da China continental. Inspecção? Haver há (aquele verbo português que aqui deixámos, chuif, que orgulho), mas esteja ela debaixo da alçada do IACM ou de outro departamento qualquer, não há garantias de transparência, e pode ser que o tipo que aceite 500 patacas para fechar os olhos a um rato a passear-se em cima do arroz vá comer à confiança num restaurante mais caro onde um colega aceitou 1000 para fingir que não viu uma situação semelhante. Portanto completamente seguro é impossível, a não ser em casa, e mesmo nesse caso evite comprar um óleo de uma marca completamente desconhecida e estupidamente mais barato que os restantes. Pode ser que neste mundo ainda exista gente generosa, mas não tão generosa assim, e certamente poucas neste negócio.

Levanta-te e anda (e vai-te embora)


Kanye West, esse grande palerma que só faz merda, deu um concerto em Sydney na sexta-feira e segundo a imprensa "cometeu uma gaffe", ou provocou "um mal-entendido". Nem sei porque é que a imprensa é tão generosa com pessoas que já provaram além dos limites do razoável serem completamente disfuncionais, e provavelmente consituiriam menos perigo para si mesmo e para a sociedade se estivessem institucionalizados. Outros como Paul Gascoigne, por exemplo, ou algumas celebridades com tendência para a asneira que são dependentes de substâncias ainda têm essa desculpa, agora este diz-se "normal", "inteligente" e ainda é muito senhor do seu nariz. Isto prova como o mundo é injusto; um tipo que alegadamente "canta", tem tudo o que quer, dorme com as gajas que lhe apetece, esbanja milhões em porcarias sem utilidade nenhuma, e no fim ainda dá uma de revoltado, assedia toda a gente que lhe aparece pela frente, encontra desaforo em toda a parte, em suma, fosse este mundo triangular e estaria ele sentado no vértice. Ah pois, e agora que debitei tudo isto o que é que ele fez desta vez afinal? Interrompeu o tal concerto em Sydney e exigiu ao público que se levantasse, "caso contrário não continuava" (não me atrevo a acabar a frase com "a cantar"). Dois dos espectadores não se levantaram, o bardamerdas insistiu, mas antes que lhes desse um sermão de meia hora a dizer sempre a mesma coisa, vieram informá-lo que se tratava de paraplégicos. Pois não, havia de ser dois gajos ainda mais malucos que ele que pagariam um balúrdio por um bilhete para ficar a assistir a duas horas de poluição sonora só à espera de uma oportunidade para aborrecer o menino. Mas não, que é isso, o rapaz é um "anjinho", foi um mal-entendido, e é "normal" - para o Kanye West, claro. É o perfeito anormal de que tanto oiço falar.

Depilações (especial)



Aqui está caros leitores, um momento único na história do Bairro do Oriente. A rubrica "Depilações", uma das preferidas de vossas senhorias, atinge um novo patamar, chega onde mais nenhum chega, ultrapassa todos os limites! São três minutos e meio de boa disposição séria, ou uma coisa séria a atirar para a palhaçada, vocês decidem. Como este é o primeiro vídeo daquilo que espero vir a tornar-se uma série, fico à espera das reacções e dos comentários. O vídeo propriamente dito vai também ficar disponível ainda hoje na minha página do Facebook, e como tenho notado que são mais os utilizadores que eu adiciono do que o oposto, convido-vos a fazê-lo, e serão recebidos com amizade (eu não mordo, já agora). E pronto, espero que gostem!

PS: E já agora um bem-haja ao "convidado" e espero que ele não se importe com a brincadeira. Veja só, até lhe mandei um "PS" como você gosta ☺

Ramen, aleluia



Isto é mais uma prova de que por muito boa que seja uma ideia, aparece logo alguém ou qualquer coisa a estragar-nos a festa. O simpático Huffington Post, na sua página do Facebook na secção de "notícias estranhas" convida-nos a conhecer melhor o "Ramen", aquelas massas instantâneas japonesas que servem de refeição improvisada e demoram entre cinco ou dez minutos a preparar - o tempo para juntar os condimentos e água fervida. O maior aliciante é este: se comer apenas massas Ramen durante um ano, gasta apenas 140 dólares norte-americanos em alimentação! Pouco mais de 1000 patacas! Por ano! Sim! Você! Do que está à espera? Isto em Macau é uma ideia bestial, pois assim a malta jovem que compra casa pode poupar nas refeições e assim disponibilizar 90% dos seus rendimentos para pagar a hipoteca, e finalmente cumprir o sonho! Só que logo em baixo aparecem uns melgas quaisquer a dizer que consumidor demasiadas massas Ramen provocada uma catrefada de doenças horríveis, das que matam, de depois na autópsia um gajo é aberto e fica o chão da morgue com massas Ramen a dar pelos joelhos. E sim, se estão a perguntar se "comer todos os dias a todas as refeições durante um ano é muito", eu digo-vos que é bastante. Paciência. Olha, uma alternativa ainda mais económica é comer m..., oops, quer dizer, jejuar. É. Não comam.

Atletico ganha primeiro "classico"


O Atletico Madrid voltou a dar mostras de ser uma equipa com quem contar para a revalidação do título de Espanha, ao vencer a noite passada no Santiago Bernabeu o Real Madrid por 2-1, naquele que foi o primeiro "classico" da temporada. Os "colchoneros" adiantaram-se no marcador aos 10 minutos com um golo do português Tiago, e seria outro português, o inevitável Cristiano Ronaldo, a empatar de "penalty" para os "merengues", decorriam 26 minutos. O golo da vitória dos pupilos de Diego Simeone chegaria aos 76 pelo turco Ardan Turan. Foi a segunda derrota do Real Madrid em três jogos, enquanto o Atletico isolou-se temporiaramente no 2º lugar com 7 pontos.


Quem continua 100% vitorioso é o Barcelona de Luis Enrique, que venceu também ontem no Nou Campo o sempre combativo Athletic Bilbao por 2-0, com dois golos de Neymar já na recta final do encontro, aos 79 e aos 84 minutos. Noutros encontros Celta de Vigo e Real Sociedad empataram a dois golos, Almería e Córdoba 1-1, e não houve qualquer golo no desafio entre o Málaga e o Levante.

Arsenal e City empatam, Chelsea aproveita



Realizaram-se ontem várias partidas da 4ª jornada da Premier League inglesa, que abriu logo com jogo grande, entre Arsenal e Manchester City. Ambas as equipas tentavam não perder pontos, mas foi isso que aconteceu, com o jogo a terminar empatado a duas bolas, valendo o terceiro empate consecutivo do Arsenal e mais dois pontos perdidos para os campeões, depois da surpreendente derrota em casa na jornada anterior frente ao Stoke City. Sergio Agüero ainda deixou o City em vantagem com um golo aos 28 minutos, já no segundo tempo o Arsenal deu a volta ao marcador em dez minutos, como golos de Jack Wilshere aos 63 e do chileno Alexis Sanchez aos 74. Os visitantes ainda empatariam por Martin Demichelis a sete minutos do fim.


Em Stamford Bridge jogavam os dois líderes só com vitórias, o Chelsea e o supreendente Swansea City, com a vitória a sorrir aos londrinos por 4-2, com o hispano-brasileiro Diego Costa em grande destaque ao apontar um "hat-trick". O avançado contratado ao Atletico de Madrid neste defeso já leva 7 golos em 4 jogos. Noutros encontros destaque para a derrota caseira do Liverpool por 0-1 frente ao Aston Villa, que este ano está a ter um excelente arranque de campeonato, enquanto o Everton somou a sua primeira vitória ao ir ao reduto do West Bromwich vencer por 2-0, tal como o Leicester City, que venceu em Stoke pela margem mínima. Mal continua o Newcastle, goleado por 4-0 no terreno do Southampton, e nos restantes encontros houve empates, 0-0 entre Crystal Palace e Burnley, e 2-2 entre Sunderland e Tottenham. Hoje realiza-se o Manchester United-Queens Park Rangers, e a ronda fica completa amanhã com o Hull City-West Ham.


sábado, 13 de Setembro de 2014

Esta pornografica não gratifica



Na quinta-feira em Macau foram condenadas mais de 100 pessoas de um total de 174 acusadas de distribuir "folhetos pornográficos". Isto dá a entender que Macau é uma espécie de Estocolmo dos anos 70, mas eu ainda estou como (ah!) para saber se aquilo ali em cima se pode considerar "pornografia". Para mim aquilo são cartões de visita, com a fuça lânguida de umas gajas, e aparecem algumas de "bikini", nada que não se veja por aí na praia e na piscina. Depois há um número de telefone, que se pode ligar para convidar a menina para um "rendez-vous", nada de pornográfico nisso (não esperem é que a rapariga corresponda sempre à fotografia), acompanhado de uns gatafunhos em chinês, que pode ser algo do tipo "liga-me estou húmida", o que em Macau é normal, especialmente no Verão, e se calhar a moça não tem um desumificador lá no quarto, pronto, explica-se facilmente. O que eu entendo por pornografia é isto, e isto, e ainda isto (não abram! especialmente esta última, que é horrível!), agora os tais "folhetos", não me atrevo a classificá-los de "pornográficos" - no máximo serão apenas "sugestivos".

Retirei a imagem em cima deste artigo de um outro que escrevi em Fevereiro de 2013, e na altura um leitor deixou um comentário chamando a atenção para a "imundice" que é deixar lixo no chão. Pois é, só que aqui o que está em causa não é uma mera infração dos regulamentos do espaço público mas um crime tipificado, com o texto que é dado pela lei nº 10/78/M de 8 de Julho de 1978, relacionada com "Venda, Exposição e Exibição Públicas de Material Pornográfico e Obsceno". Quando disseram que a lei "tinha mais que 30 anos" estavam a ser simpáticos - já vai para 40! E o que diz esta lei, que se lê tão bem, de apenas 7 artigos que a compõem, quais sete anõezinhos marotos prontos para fazer "pornografia" com a Branca de Neve?

Artigo 1.º

(Ilícito)

1. É proibido afixar ou expor em montras, paredes ou em outros lugares públicos, pôr à venda ou vender, exibir, emitir ou por outra forma dar publicidade a cartazes, anúncios, avisos, programas, manuscritos, desenhos, gravuras, pinturas, estampas, emblemas, discos, fotografias, diapositivos, filmes, e em geral quaisquer impressos, instrumentos de reprodução mecânica e outros objectos ou formas de comunicação audio-visual de conteúdo pornográfico ou obsceno.

E aí está, pelo texto da lei dá para entender que é do tempo da grafonola à manivela. "Diapositivos"? "Estampas"? É capaz de haver por aí advogados já nascidos na década de 80 que vão precisar de ir ver estas palavras ao dicionário. Ainda bem que não era possível fazer pornografia em "flexidisc", senão constava também isso do texto da lei. É antiga mas não é tão desaquada quanto isso, pois a referência a "formas de comunicação audio-visual de conteúdo pornográfico ou obsceno" já pode incluir a internet, por exemplo. O resto deste artigo 1º fala dos "locais autorizados para o efeito", aqueles sítios onde antigamente indivíduos com um ar suspeito vestidos de gabardine quase até ao chão frequentavam, da proibição de menores de 18 anos, do pagamento da contribuição industrial, enfim, tretas. Passemos ao artigo seguinte, que nos fala do conceito de "pornografia".

Artigo 2.º

(Conceito de pornografia)

1. Para efeitos desta lei, são considerados pornográficos ou obscenos os objectos ou meios referidos no artigo anterior que contenham palavras, descrições ou imagens que ultrajem ou ofendam o pudor público ou a moral pública.

Ora aqui temos então a casca deste "coco" da pornografia aberta. Ou será mesmo assim tão clarividente? O nº 1 diz-nos que "são considerados pornográficos ou obscenos os objectos ou meios (...) que contenham palavras, descrições ou imagens que ultrajem ou ofendam o pudor público ou a moral pública". Esta coisa do pudor público é muito subjectiva; temos por aqui gente muito puta púdica, e há quem se melindre com duas moscas a voar uma em cima da outra, e por outro lado quem até ache interessante observar dois adolescentes aos "linguados" e ao "apalpanço" num jardim público,  e assista atrás dos arbustos munido de uma bisnaga de lubrificante "KY". Para entender melhor a designação de pornografia, recorri a uma equipa local de investigadores especializados, não necessariamente nesse assunto, mas em todos os assuntos. Vamos ver o resultado:



Ora bolas, tenho que deixar de contratar a Agnes Lam e a sua "equipa" que faz "estudos muitos bons, demorados e caros" para depois nos vir dizer o que já toda a gente sabia. Ainda bem que a Fundação Macau depois subsidia aquilo. Ah mas esperem lá, que está aqui a continuação da lei! Hmmm...já podia ter visto antes.

2. São designadamente compreendidas neste conceito:

a) A representação ou descrição de actos sexuais ou a exposição dos órgãos genitais, num contexto de pura exibição sexual;

b) A exploração de formas de perversão sexual, bem como a de situações sexuais, através do recurso a técnicas de sobre excitação visual e/ou sonora.

Portanto "orgãos genitais", é? Não vejo naqueles folhetos nada disso, a não ser que o nariz ou os olhos sejam agora considerados "genitália". E o contexto também não me parece lá muito sexual, nem a situação provoca excitação sexual, nem visual, e muito menos sonora - isto caso alguém tenha tentado encostar ali o ouvido para ver se estava alguém a gemer. O pior são os castigos, e aí é que elas mordem. Vejamos:

Artigo 4.º

(Penalidades)

1. A infracção do disposto na presente lei fará incorrer os seus autores em pena de prisão até seis meses e multa correspondente.

2. Em caso de reincidência, a pena de prisão não poderá ser substituída por multa.

3. Responderão como co-autores os responsáveis pelos órgãos de comunicação social através dos quais seja dada publicidade a textos ou imagens de conteúdo pornográfico ou obsceno.

4. Constitui circunstância agravante, a que corresponderá o aumento para o dobro dos limites das penas de prisão e multa, a venda de objectos ou meios de conteúdo pornográfico e obsceno a ou através de menores de 18 anos.

Epá o que é isso? Prisão até seis meses ou multa, e em caso de reincidência vai-se de cana sem opção de multa? Por causa daquilo, que não dá ponta nem ao mais crónico dos ejaculadores precoces? Quer dizer, quem costuma distribuir este tipo de publicidade a estes, ahem, "serviços" são uns tipos e umas tipas, e algumas delas idosas, que estão no desemprego e nem se devem lembrar o que é dar uma queca bem dada, coitados. Bastava passar-lhes uma vassoura e uma pá para a mão e mandá-los apanhar a papelada que mandaram para o chão. É que se chamam a isto "pornografia", então deixem-me presenteá-los com hardcore 1º escalão, tenham uma santa noitinha, e atenção aos sonhos húmidos!